sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

MINHAS PRINCIPAIS LEITURAS DE 2017


Caros amigos e irmãos,

Como de costume, ao começo de cada ano, publico um texto onde compartilho e indico as principais leituras que fiz no ano anterior. A ordem da lista não está atrelada a preferências.


Segue as indicações de 2017:


1) D. Martyn Llod-Jones, Cartas 1919 – 1981; Seleção e Anotações por Iain H. Murray; Ed. PES

O dr. Martyn Llod-Jones quase não escreveu; no entanto, são muitas as obras dele publicadas. Acontece que, seus sermões como também palestras – eram transcritos. No caso de Cartas (1919 – 1981), há algo interessante: os escritos saíram da própria pena do doutor. Com a elegância que lhe é peculiar, Llod-Jones se corresponde com várias pessoas. Ele envia cartas a pregadores, pastores e professores – passando-lhes instruções e alertando-os sobre os perigos das heresias que ameaçavam a igreja na época. Consolou pessoas que perderam seus entes queridos; escreveu para sua comunidade; se comunicou com sua mãe. Quando o doutor Llod-Jones precisava se ausentar de casa por algumas semanas, ele escrevia para sua esposa e seus filhos. Essa obra mostra o lado pessoal de Martyn Llod-Jones; aqui não vemos somente o brilhante pregador que ele foi, mas o exemplo de pai, marido, filho, irmão e amigo. O livro foi relançado pela Shedd Publicações. 

2) Cultivando a Santidade; J. C. Ryle e Joel Beeke; Ed. Os Puritanos

O livreto traz parte de escritos e pregações de J. C. Ryle (pastor Anglicano do século IXX) e Joel Beeke. Os autores são de épocas diferentes (Dr. Beeke é nosso contemporâneo), mas, a visão deles a respeito do assunto é a mesma.  Estes dois servos de Deus apelam a todo cristão sincero que busque e cultive a santidade. O assunto (santidade) é tratado da perspectiva bíblica; e não conforme o padrão austero e pagão imposto nas igrejas neopentecostais. Publiquei em meu blog a Distinção entre Justificação e Santificação, uma parte que se encontra na obra. Há coisas que lemos para informar a nossa mente; essa obra, porém, além de alimentar a minha alma, me ajudou a relembrar que sem santidade ninguém verá ao Senhor. 

3) Sola Scriptura, A Doutrina Reformada das Escrituras; Paulo Anglada; Ed. Knox

Comemoramos com júbilo, em 2017, os 500 anos da reforma protestante. Talvez, dentre os cinco pilares, isto é, os 5 Solas, Sola Scriptura (somente as Escrituras) foi o alicerce para todos os outros solas, lembrados pelos reformadores. Nesta obra, Paulo Anglada traz a história que a igreja trilhou rumo a proposta bíblica: a Escritura, com efeito, está acima da tradição, dos credos, das confissões, dos catecismos, das experiências, da liturgia e etc.

4) A Soberania de Deus na Salvação; Jonathan Edwards; Ed. PES

Trata-se de um livreto onde Edwards (talvez o mais brilhante dos puritanos) aborda temas relacionados a Soberania de Deus na Salvação. Com efeito, o livro defende a visão soteriológica calvinista; entretanto, caso você seja, por exemplo, um arminiano, não deixe o seu preconceito impedir que sua alma seja abençoada por meio de outros pontos citados por Edwards. Eu diria o mesmo aos calvinistas, acerca dos escritos de John Wesley, que tendo uma visão soteriológica diferente do calvinismo, certamente os abençoará; ainda que o seu tratado seja uma refutação da própria convicção pessoal dos calvinistas. Leia de tudo e retenha o que é bom.

 5) Vida de Oração; Teresa de Ávila; Editado por James M. Houston; Ed. Palavra (Os clássicos da espiritualidade cristã)

Teresa de Ávila foi uma distinta serva de Deus que viveu no século XVI. Foi considerada a doutora da igreja católica. No entanto, Teresa é muito apreciada por grande parte dos protestantes (visto o editor do livro); Teresa de Ávila também foi uma das escritoras preferidas de C. S. Lewis. Foi por meio dele que tive o meu primeiro contato com Ávila, quando li “As Moradas do Castelo Interior” (É Realizações). No caso da obra em questão, Teresa compartilha seus fracassos e dificuldades na oração. A partir do desafio proposto, ela se auto-disciplina para poder ter êxito na prática da oração. O livro aborda os 1) princípios básicos para uma vida de oração, 2) a oração como fé e fervor por Deus somente, 3) a vida de oração sendo como um jardim. Ela também faz referencias a sua principal obra, conforme já citei, e traz o Castelo Interior parte 1,2 e 3. A obra se encerra trazendo as (benéficas) conseqüências práticas de uma vida de oração. Que obra, meus irmãos, é de tirar o fôlego.  

6) Uma Confissão; Liev Tolstói; Ed. Mundo Cristão

Liev Tosltói narra sua crise existencial até chegar ao cristianismo. Após questionar o sentido da vida (pois ele desfrutava de fama, prestígio e bens materiais), Tolstói é atacado por sentimentos suicidas. Sua auto-análise o levou ao repouso de suas inquietações, quando as palavras de Cristo penetram em seu coração. Trata-se de uma auto-biografia que narra suas angústias e o dissipar delas com a descoberta do Filho de Deus.

7) Como ler livros; Mortimer J. Adler & Charles Van Doren; Ed. É Realizações

Como Ler livros é um clássico originalmente publicado em 1940. Essa leitura eu havia determinado que a fizesse como a primeira do ano; o que ler? como ler? Ler para se informar e ler para entender. Os autores abordam quatro níveis de leituras: 1) leitura elementar; 2) leitura inspecional; 3) leitura analítica; 4) leitura sintópica. É abordado também como devemos ler os livros práticos, os livros de literatura imaginativa; como devemos ler livros de histórias; de ciências e matemáticas; como ler livros de filosofia e teologia; como ler obras de ciências sociais. No final, os autores recomendam os clássicos em que o leitor – que quiser se aperfeiçoar na leitura inteligente – deve se espelhar. 

8) O Desejo de Toda Mulher; Stephen Arterburn & Fred Stoeker; Ed. Mundo Cristão

O livro “Desejo de toda mulher” é um guia para homens sobre como conquistar o coração delas, isto é, de suas esposas. Para aqueles que desejarem, publiquei um vídeo no perfil do meu facebook, trazendo mais detalhes acerca da obra. Eu super recomendo; pelo menos aqui em casa me ajudou bastante... Risos... Pena que o livro está esgotado, talvez você o encontre nos sebo ou no Mercado livre.

9) Um vislumbre de Jesus; Brennan Manning; Ed. Palavra

Manning é um dos meus autores preferidos. Não me lembro de ter passado um ano sem ter lido ao menos uma de suas obras. Em “Um vislumbro de Jesus”, Brennan trabalha o ódio que temos de si mesmo; como isso afeta a nossa relação com Deus e com o nosso próximo. Como encontrar essa cura? Qual o roteiro? Nós temos um bondoso Senhor que, acima de tudo, abomina esse ódio incutido em nós contra nós. O fato de ser aceito no Amado (Jesus), o acesso que temos ao trono, a cruz que nos reconciliou com Deus e a compaixão que o Senhor tem para conosco – são os caminhos nos quais devemos ancorar a nossa esperança; assim seremos libertos do mal constantemente produzido em nós, por nós e, contra nós mesmos. 

10) C. S. Lewis, o mais relutante dos convertidos; David Downing; Ed. Vida

Essa obra foi uma das mais fantásticas que li em 2017. Há algo peculiar aqui: o livro narra a história da conversão de Lewis; diz respeito a viagem que ele fez do ateísmo ao cristianismo. Você não vai encontrar muitos detalhes acerca da sua biografia pessoal. O autor mostra a construção intelectual de Lewis rumo a fé cristã. Como o mais “relutante convertido da Inglaterra” se ajoelhou aos pés da cruz e se rendeu ao Rei dos reis e Senhor dos senhores? Pode colocar na sua lista como prioridade se você ainda não o tenha lido.

11) Surpreendido pela Alegria; C. S. Lewis; Ed. Ultimato

Essa era a obra que faltava na minha lista de livros já lidos. Como um grande admirador de C. S. Lewis, ao ouvir sobre Surpreendido pela Alegria, automaticamente me vinha a cobrança: “Você precisa ler esta obra”. Lewis narra sua auto-biografia. Ele confessa suas pousadas antes de chegar a sua casa, i.e., o cristianismo; uma dessas pousadas foi o espiritismo (influencia de uma de suas professoras). Ele fala de sua infância; como as coisas eram antes do falecimento da sua mãe e como tudo se tornara cinza e escuro após a morte dela. Lewis também diz acerca do relacionamento com seu irmão; como eles vivam no campo de concentração e nas escolas que seu pai, de animo dobre, os colocava. As dificuldades desde cedo na vida C. S Lewis fez dele um dos maiores gênios da história cristã e secular. Como ele mesmo disse: “Dificuldade preparam pessoas simples para destinos extraordinários”. 

12) O que Jesus beberia?; Joel McDurmon; Ed. Monergismo

O álcool ainda é um grande tabu no meio cristão; gera polemica e opiniões diversas. A questão, porém, é saber o que a Bíblia diz? O cristão pode consumir bebida alcoólica, como, por exemplo, vinho, cerveja, destilado? Com muita maestria e fundamento, MacDurmon traz esta resposta; para alguns, a bebida é consumida para a glória de Deus; para outros, porém, ainda que seja licito, é maldição. Como podemos respeitar, então, aquele que Deus deu a liberdade de desfrutar de um cálice; daquele que, mais sensível, se escandaliza quando “flagra” um irmão comprando bebida no mercado? Pois é, a obra aborda todas essas questões. Se Jesus fosse fisicamente jantar na sua casa – junto da refeição – o que você daria de beber ao Mestre? Coca-Cola? Leia o livro e descubra como o paganismo (através de seitas) demonizou o álcool. Você sabia que os mulçumanos não bebem vinho? Eles dizem que é pecado. Os neopentecostais (e parte do pentecostalismo) abominam o consumo do álcool, porém sempre estão embriagados pelo poder e embaraçado com o dinheiro. O que, portanto, a Bíblia fala do assunto? Você até pode ser um abstêmio (por diversas questões), porém, se você quiser ser um cristão bíblico, terá que respeitar (e não julgar) quem não é (Rm 14). 

13) Prova de Fogo; Baseado no filme de Alex Kendrick & Stephen Kendrick; Ed. BvBooks

Este é o tipo de leitura desprezada por muitos cristãos que se acham os Lutero’s e Calvino’s da atualidade. Porém, espere chegar a primeira crise no casamento, juntamente com a leitura das primeiras 50 páginas do livro para que pré-conceitos caiam por terra. Risos.... Gostei bastante da história. Trata de um bombeiro que estava com o seu casamento comprometido devido ao seu mau comportamento. Sua esposa acaba se encantando por uma pessoa de seu trabalho (mas o cara é três vezes pior que o seu marido). O pai deste bombeiro, um cristão verdadeiro, começa aconselhar o filho (ainda não convertido) e lhe entrega um caderno com lições diárias que ele deveria seguir; o mesmo diário que um dia ele usou para salvar seu próprio casamento. Uma leitura super agradável; daquelas que você se esqueça até mesmo de comer. Super indico!!! 

14) Depressão Espiritual; D.M. Llod-Jones; Ed. PES

Essa obra se encontra entre as três mais extraordinárias que já pude ler. O que lá se verifica não saiu diretamente da pena do dr. Llod-Jones, mas é fruto de uma série de sermões pregados em domingos consecutivos na Capela de Westminster, em Londres. Com base no salmo 42 e 43, o doutor expõe o tema em 20 sermões (outros textos também são utilizados como base). Ele trata das causas e curas acerca da depressão. Recentemente, a obra foi relançada pela Publicações Shedd. A todos os cristãos, mas principalmente, aos professores, pastores, líderes – fica o meu apelo para que você priorize a leitura e o estudo deste livro, pois mesmo não sabendo exatamente o que se passo ao seu redor, não tenho dúvida de que você está em contato com alguém (se não for você mesmo) que esteja sofrendo deste mal. Fiz um vídeo e publiquei no perfil do meu facebook, onde falo com mais detalhes acerca deste MARAVILHOSO livro.

15) O Homem Bíblico; Stuart Scott; Ed. Nutra

Stuart trata da masculinidade e liderança do homem na perspectiva bíblica. O que de fato Deus requer dos homens – seja ele casado ou solteiro? O livro é super didático; com uma linguagem simples e acessível, Stuart Scott aborda 1) provisão Divina para o homem; 2) o perfil da masculinidade cristã; 3) a base para a Masculinidade Bíblica no Casamento; 4) a liderança no casamento e suas características e a 5) tomada de decisão bíblica. Indico a todos os irmãos, entretanto, com prioridade, àqueles que estão ativamente no ministério de aconselhamento.

16) Verdadeira Espiritualidade; Francis A. Schaeffer; Ed. Cultura Cristã

Eu tinha uma frustração comigo: nunca havia lido uma obra inteira de Franscis Schaeffer. Já li artigos, estudos, comentários etc, mas um livro de capa a capa, ainda não tinha tido minha apreciação. Um irmão me indicou; pelo o fato de ter sido o primeiro, ele me indiciou “Verdadeira Espiritualidade (quem tem por foco a vida prática cristã). Pois bem... ele acertou! foi amor a primeira vista! Assim como Lewis, Shaeffer não óbvio nos seus argumentos. Ele sempre tira da cartola algo novo a respeito dos assuntos propostos. Nesta obra ele faz uma “abordagem sistemática dos fundamentos de uma vida que se relaciona de modo aberto e sincero com Deus, com os outros e conosco mesmos”. Como levar uma vida cheia de beleza, que edifica e inspira? Ele responde através de alguns temas: 1) a lei e alei do amor; 2) a centralidade da morte; 3) da morte a ressurreição; 4) no pode do espírito; 5) o universo sobrenatural (minha parte preferida); 6) A salvação: passada, presente e futura; 7) a esposa frutífera; 8) livre na consciência; 9) livre na vida dos pensamentos; 10) cura substancial dos problemas psicológicos; 11) cura substancial da pessoal total; 12) cura substancial nos relacionamentos pessoais; e 13) cura substancial na igreja. Fiz um vídeo e publiquei no perfil do meu facebook, onde falo com mais detalhes acerca da obra. Sem dúvida, Schaeffer, é o cara! 

17) O Peso de Glória; C. S. Lewis; Ed. Vida.

Os estudiosos de Lewis dizem que este foi o único sermão pregado publicado. O livro faz uma crítica a pós-modernidade, que abandonou o Criador para servir a criatura. Lewis se direciona a este público e passa a abordar temas como a guerra (o livro foi escrito em meio à 2º guerra mundial), teologia, membresia, perdão e etc. Como sempre brinco, ainda que você não tenha entendido muito bem, o fato de ter lido o livro te fez um pouco mais culto e inteligente. Risos... Lewis é Lewis e por isso sempre recomendo. 


Li outras obras mas foi-me acrescentado mais conhecimento, espiritualidade e informação através destas que trouxe no artigo.
Que Deus abençoe e enriqueça a todos vocês com estas indicações.

“Lemos para saber que não estamos sozinhos.” (C. S. Lewis)

Soli Deo Gloria!

Fabio Campos

“A FOLHA BRANCA É O MEU PÚLPITO PRINCIPAL.”

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