quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

A SUPERIORIDADE DE JESUS EM RELAÇÃO A MOISÉS

Escola Bíblica Dominical – 21 janeiro de 2018 | Lição 3

Texto Áureo: Hb 3.3

1. Os judeus entendiam que ninguém era maior do que Moises; o autor de Hebreus teve a sensibilidade de, ao invés de dizer que Jesus é o Criador de Moisés (talvez soasse uma nova doutrina politeísta), ele preferiu ensinar essa verdade ilustrando com a casa e o seu construtor.

2. Por analogia, o autor diz que Deus é o arquiteto e Jesus é o construtor da casa de Deus; Moisés é servo nesta casa, enquanto que Cristo, Senhor.
Verdade prática: Cristo em tudo foi superior a Moisés na Casa de Deus, pois enquanto o legislador hebreu foi um mordomo, o Salvador foi o dono.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Hb 3. 1-19

REFLEXÃO E OBJETIVO DA LIÇÃO:

I. Apresentar a superioridade da vocação, da missão e da mediação de Jesus em relação a Moisés;

II. Exprimir a autoridade maior de Jesus em relação a Moisés;

III. Esclarecer a superioridade do discurso de Jesus em relação ao de Moisés.

INTRODUÇÃO:

a. O autor dá início ao capítulo três fazendo um contraste entre Moisés e Cristo. Ele estava consciente da grande estima que seus compatriotas tinham pela figura do grande legislador hebreu, Moisés. Em nenhum momento desse contraste o autor deprecia a pessoa de Moisés, mas sempre o coloca como um homem fiel a Deus na execução de sua obra. Entretanto, mesmo tendo assumido a grande missão de conduzir o povo rumo à Terra Prometida, Moisés não poderia se equiparar a Jesus, o Autor da nossa fé. O contraste entre Moisés e Cristo é bem definido: Moisés é visto como um administrador da casa, Jesus como Edificador; Moisés é retratado como servo, Jesus como Filho; Moisés foi enviado em uma missão terrena, Jesus numa missão celestial, eterna.

b. Moisés foi fiel ao seu chamado. Deus honrou sua fidelidade: falou com ele face a face (Dt 33.11) e Ele próprio o sepultou (Dt 34.6).

c. Jesus, porém, não foi um servo da casa de Deus, mas o fundador dela; família que o próprio Moisés pertence.

d. Moisés falou a acerca de Cristo, dizendo que no futuro o povo deveria ouvi-Lo (Ler Dt 18.15; citado em At 3.22 na pregação do apóstolo Pedro e em At 7.37 por Estevão).

l - UMA TAREFA SUPERIOR

1. Uma vocação superior.

a. O autor introduz a seção vv.1-6 tomando como ponto de partida o que havia dito anteriormente — Jesus era o autor e mediador da nossa salvação (Hb 2.14-18). Tomando por base esse conhecimento, seus leitores, a quem ele chama afetuosamente de irmãos santos, deveriam ficar atentos ao que seria dito agora (Hb 3.1). Eles não eram apenas um povo nómade pelo deserto escaldante à procura da Terra Prometida, mas herdeiros de uma vocação celestial.

b. A menção a um chamado “celestial” teria atraído os pensadores judeus que se dedicavam à filosofia, como Filo (que tentava conciliar o conteúdo bíblico à tradição filosófica ocidental) qual considerava a realidade terrena apenas sombra da realidade celestial.

c. Eles deveriam se lembrar de quem os fez aptos e idôneos dessa vocação. Nesse aspecto, os leitores de Hebreus não deveriam ter dúvida alguma de que Jesus, como Aquele que os conduzia ao destino eterno, era em tudo superior a Moisés, a quem coube a missão de conduzir o povo à Canaã terrena.

d. Jesus não só é o Criador, mas o sustentador de todas as coisas; nós somos supridos n”Ele. Moisés estava sob a responsabilidade de conduzir o povo até a terra prometida; mas ele mesmo não entrou.

e. Jesus, pela mesma maneira, já nos aperfeiçoou (legalmente) e continua aperfeiçoando-nos (ontologicamente) para chegarmos até a terra prometida celestial.

f. Porém não será como no tempo de Moisés, pois Jesus que começou a boa obra em nós e a aperfeiçoará até aquele dia, onde nos encontraremos com Ele e O veremos face a face.

2. Uma missão superior.

a.  O autor pela primeira vez usa a palavra apóstolo em relação a Jesus (Hb 3.1). A palavra apóstolo se refere a alguém que é comissionado como um representante autorizado. Não havia dúvida de que Moisés havia sido um enviado de Deus em uma missão, todavia, ele não foi o "apóstolo da grande salvação". A missão de Moisés foi tirar o povo de dentro do Egito e conduzi-lo à Terra Prometida, mas a missão de Jesus é a de conduzir a Igreja à Canaã celestial).

b. Deus designou-o para ser apóstolo e sumo sacerdote e esperou dele a execução fiel de sua tarefa, o que Jesus cumpriu.

c. A obra que Jesus foi designado por Deus para fazer não terminou quando sua tarefa terrena foi concluída, mas continua nos céus (por isso o livro de Hebreus é chamado o de QUINTO evangelho).

d. Jesus continua a ser fiel em seu trabalho sumo sacerdotal de intercessão e em preparar um lugar para seu povo (Jo 14.3).

e. A missão mosaica era daqui, a Canaã terrena; a missão de Jesus possuía uma vocação celestial. Cristo não foi apenas um enviado em uma missão, mas acima de tudo, o apóstolo da nossa confissão, alguém com autoridade na missão de nos conduzir ao destino eterno.

f. Ele permanece fiel em amor e em aperfeiçoar a igreja da qual ele é o cabeça. Paulo afirma isso de modo eloqüente: “No qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor” (Ef 2.21).

3. Uma mediação superior.

a. Depois de afirmar que Jesus era "o apóstolo", o autor também diz que Ele é o "sumo sacerdote da nossa confissão". Jesus era superior a Moisés, não apenas em relação à missão, mas também em relação à função que exercia. O autor fará um contraste mais detalhado entre o sacerdócio de Cristo e o araônico mais adiante, mas aqui os crentes deveriam ter em mente que a mediação de Jesus era em tudo superior ao sistema mosaico e levítico.

b. É interessante observar que a palavra apóstolo aparece primeiro nesse versículo, embora nós esperássemos a expressão sumo sacerdote, por causa de seu uso em Hebreus 2.17.

c. Alguns autores samaritanos viam Moisés como um apóstolo, e alguns autores judeus viam o sumo sacerdote assim também, ainda que raras vezes.

d. O autor de Hebreus considera Jesus como um “Apóstolo”; Moisés não era sumo sacerdote; o autor de Hebreus, porém, trata a questão da perspectiva que os seus leitores tinham do Antigo Testamento.

e. Filo, por exemplo, considerava Moisés um tipo de Sumo Sacerdote, mas o Antigo Testamento e a maior parte do judaísmo reconheciam que Arão preenchia esse papel.

f. A palavra "confissão" traduz o termo original homoiogia, que tem o sentido primeiro de "concordância". Quando confessamos Jesus como Salvador, concordamos que Ele em tudo tem a primazia. Ele é o Senhor. Ele é maior do que tudo e do que todos; Ele, e somente Ele, é a razão do nosso viver.

g. Aqueles irmãos hebreus confessaram a Cristo como Senhor, mas por causa da perseguição estavam se esfriando.

h. Confissão, aqui, carrega dois significados:

1) Lealdade: ato voluntário àquele a quem confessava; e 2) formalidade de um voto, de um acordo legal.

i. Ou seja, negar esta confissão traria conseqüências legais conforme o autor de Hebreus descreve nos capítulos seguintes.

SÍNTESE DO TÓPICO I       
                                                  
Em relação a Moisés, a carta de Hebreus apresenta o Senhor Jesus com uma vocação superior, uma missão superior e uma mediação superior.

II - UMA AUTORIDADE SUPERIOR

1. Construtor, não apenas administrador.

a. O autor destaca que tanto Moisés como Jesus foram fiéis na "casa de Deus" (Hb 3.2). Eles foram fiéis na missão que lhes foram confiada. Isso mostra o apreço que o autor possuía pelo legislador hebreu. Todavia, ao se referir a Jesus, o autor usa a palavra grega aksioô, traduzida como "digno", "valor", "mérito". Duas coisas precisam ser destacadas no uso desse vocábulo pelo autor. Primeiramente ele quer mostrar que o mérito de Jesus era maior do que o de Moisés. Nosso Senhor era o construtor do edifício, da casa de Deus, e não apenas o mordomo, como fora Moisés. Os crentes precisavam enxergar isso e, assim, valorizarem mais a sua salvação. Por outro lado, ao usar o pretérito perfeito (tempo verbal grego), ele demonstra que a glória de Moisés era desvanecente, enquanto a de Jesus era permanente.

b. O autor da carta, ao dizer que “Moisés foi fiel em toda a casa de Deus”, elabora um Midrash de Números 12. 7,8, expondo o texto bem conhecido sem citá-lo.

c. Nessa passagem, Deus honra Moisés acima de Arão e Miriã, afirmando que ele era maior que um profeta comum observando que “ele foi fiel em toda a minha casa”.

d. Jesus, porém, é esse tipo especial de profeta “como Moisés”, além do qual não havia outros (Dt 18. 15-18).

e. Paralelismo com Nn 12. 7,8:

Jesus foi fiel a Deus que o designou
Moisés foi fiel a Deus em toda a sua casa.

f.  O paralelismo adquire significado quando nós interpretamos a palavra casa não literalmente, mas de modo figurado. O termo casa é um sinônimo para a família de Deus. Moisés ministrou fielmente à igreja de Deus no deserto durante a jornada dos quarenta anos. Então qual é a diferença entre Jesus e Moisés? Essa pergunta é respondida no versículo seguinte (v3):

 “Jesus foi considerado digno de maior glória do que Moisés, da mesma forma que o construtor de uma casa tem mais honra do que a própria casa.” – Hebreus 3:3 (NVI)

2. O perigo de ver, mas não crer.

a. "[...] E viram, por quarenta anos, as minhas obras" (Hb 3.9). Erra quem pensa que só acredita quem vê. Parece que quem muito vê, menos acredita. Acaba ficando acostumado com o sobrenatural. Para algumas pessoas o sobrenatural se "naturaliza". É exatamente isso que aconteceu no deserto e era especificamente isso que acontecera com a comunidade dos primeiros leitores de Hebreus. Tanto Moisés como Jesus foram poderosos em obras, mas isso não era suficiente para segurar os crentes.

b. O escritor Philip Yancey, a respeito desta busca desenfreada (e sem critérios) por sinais e milagres, em seu livro “Decepcionados com Deus”, disse:

“Será que uma erupção de milagres sustentaria a fé? Provavelmente não; pelo menos, não sustentaria o tipo de fé em que Deus parece estar interessado. Os israelitas são uma grande demonstração de que os sinais só conseguem nos tornar viciados em sinais, não em Deus.” (Mundo Cristão, p. 49)

c. É preocupante quando o cristão se acostuma com o sobrenatural e nada mais parece impactá-lo ou sensibilizá-lo.

3. O perigo de começar, mas não terminar.

a. "Estes sempre erram em seu coração e não conheceram os meus caminhos" (Hb 3.10b). Com essas palavras o autor mostra o perigo de começar, mas não chegar; de andar, mas se desviar. Alguns do antigo povo de Deus haviam começado bem, mas terminado mal. Muitos caíram pelo caminho, desistiram da estrada. O mesmo risco estava ocorrendo com os cristãos neotestamentários — haviam começado bem, mas corriam o risco de caírem e perderem a fé.

b. O autor cita Salmos 95. 7-11, um texto que depois ficou conhecido por seu uso regular na liturgia da sinagoga (uma espécie de advertência), mas ele já seria conhecido por muitos judeus do século 1 que recitavam os salmos.

c. O autor está trazendo um exemplo negativo de seus ancestrais, o motivo (rebelião) pelo qual não puderam entrar no descanso de Deus.

d. Há um debate entre os mestres judeus acerca da salvação destas pessoas que não entraram na terra prometida. Esses rabinos acreditavam que o povo de Deus poderia fazer expiação por seus pecados nesta era mediante o sofrimento.

e. Entretanto, as palavras do salmista se parecem com o decreto de rejeição, sem ofertar o privilégio da salvação segundo critérios étnicos; portanto, o autor de Hebreus argumenta, com razão, que eles não entraram no mundo vindouro.

f. Esse alerta é para nós hoje! Como está a tua fé?

SÍNTESE DO TÓPICO II

Hebreus destaca o Senhor Jesus como o construtor da Nova Aliança; o Filho amado de Deus; o ministro excelente da Igreja de Deus.

III - UM DISCURSO SUPERIOR

1. O perigo de ouvir, mas não atender.

a. Seguindo a redação da Septuaginta (tradução grega da Bíblia Hebraica), o autor cita o Salmo 95.7-11 para trazer uma série de advertências. Se o povo de Deus no Antigo Pacto precisou ser exortado, maior exortação precisava os que tinham maiores promessas. Primeiramente havia o perigo de ouvir e não atender (Hb 3.7,8). No passado, o povo de Deus tinha ouvido a mensagem divina; entendido, mas não atendido! O mesmo erro estava se repetindo. O Espírito Santo, falando profeticamente pela boca do salmista, advertia os o leitores para que seus corações não se endurecessem. É um apelo atual, porque o povo de Deus muitas vezes demonstra ser tardio para ouvir.

b. Nós já vimos sobre como o povo endureceu o seu coração na peregrinação no deserto.

c. Precisamos tomar cuidado para não fazermos o mesmo; principalmente em momentos em que privações e testes chegam até nós. Não podemos reclamar do maná diário, pois é através dele que seremos sustentados para chegarmos à terra prometida, que emana leite e mel.

d. A incredulidade, já dizia Agostinho, é a raiz de todos os pecados. Pecamos (todos nós) porque não acreditamos nas promessas e nos juízos de Deus.

e. Duvidar de Deus em qualquer coisa desenvolve um coração de incredulidade perverso.

NOTA: Nos tópicos 2 e 3 da lição III, a revista traz outro assunto; certamente foi um erro de formatação; por essa razão, omiti estes dois pontos.

SÍNTESE DO TÓPICO III

A mensagem de Cristo faz alguns alertas: o perigo de ouvir, mas não atender ao apelo; o perigo de ver, mas não crer na revelação; o perigo de começar, mas não terminar a jornada.

CONCLUSÃO

1. A palavra de Deus em nenhum lugar rebaixa Moisés naquilo que ele verdadeiramente ele foi; a questão, contudo, é que, todo aquele que é comparado com Jesus Cristo terá tido por criatura; Jesus é Criador.

2. Outra questão, a Lei não foi rejeitada ou substituída pela graça; a Lei foi cumprida para que (tanto crentes do AT como do NT) fosse salvos pela graça de Deus por meio de Jesus Cristo.

3. Moisés (lei) deu honra a Jesus; Elias (profetas) deu honra a Cristo; o Pai deu honra ao Filho, quando, na presença da Lei e dos Profetas, disse: “A Ele (isto é, Jesus) escutai!”


Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

Aula ministrada na ICT – J - dia 21/01/2018

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Bibliografias:

Escola Bíblica dominical. A Supremacia de Cristo. 1º trimestre de 2018; CPAD; lição 3.
KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural da Bíblia. Editora Vida Nova, 1° edição 2017
WARREN, W. Wiersbe. Comentário Bíblico NT. Santo André, SP; Central Gospel, 2009.
HENDRIKSEN, William & KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento de Hebreus NT. São Paulo, SP; Cultura Cristã, 2003.
CHAMPLIN, Norman R. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo - SP Editora Hagnos, 2002.