quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

ADOTADOS POR DEUS

Escola Bíblica Dominical – 10 dezembro de 2017 | Lição 11

Texto Áureo: Rm 8.15     

Aqui, Paulo mais uma vez utiliza a idéia do Êxodo do Egito. A glória de Deus guiou seu povo adiante, em vez de levá-los a retroceder à escravidão (Êx 13.21; Ne 9.12; Sl 78.14). Embora somente poucos judeus romanos falassem o ARAMAICO, provavelmente conheciam a passagem em que Jesus se dirigiu ao Pai como Aba em seu momento de sofrimento. A adoção romana – que poderia ocorrer em qualquer idade do individuo – cancelava todas as dívidas e relacionamentos anteriores da pessoa adotada, definindo totalmente o novo filho da perspectiva do relacionamento com o novo pai, de quem ele se tornava herdeiro.

Verdade prática: A obra de salvação de Jesus Cristo nos possibilitou ser adotados como filhos amados de Deus.

“O Filho de Deus se fez homem para que os homens pudessem tornar-se filhos de Deus.”

 – (LEWIS, C. S.; Cristianismo Puro e Simples; Martins Fontes, p. 236).

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Romanos 8.12-17

REFLEXÃO E OBJETIVO DA LIÇÃO:

I. Apresentar o conceito bíblico de adoção;
II. Explicar a adoção no tempo presente;
III. Compreender a adoção plena no futuro.

INTRODUÇÃO:

a. A adoção espiritual é uma bênção proveniente da obra salvífica de Cristo Jesus. Isso significa que deixamos a condição de criaturas, servos e servas do pecado, para viver a condição de filhos libertos que desfrutam dos privilégios da obra de salvação.

b. A adoção é o ato de Deus pelo qual ele nos torna membros de sua família. (a Constituição assegura direitos iguais entre filhos adotivos e biológicos).

c. Parte desta herança já foi entregue aqui neste mundo; mas a plenitude dela será entregue no céu:

E não só isso, mas nós mesmos, que temos os primeiros frutos do Espírito, gememos interiormente, esperando ansiosamente nossa adoção como filhos, a redenção do nosso corpo. - Romanos 8:23 (NVI)

I - O CONCEITO BÍBLICO DE ADOÇÃO

1. Conceito bíblico e teológico.

a. No sentido bíblico, o ser humano caído em pecado é uma criatura e não filho de Deus. Para se tornar filho de Deus é preciso crer no sacrifício vicário de Cristo para então ser recebido pelo Pai como filho por adoção (Jo 1.12; Cl 4.5)

b. A adoção ocorre ao mesmo tempo que a conversão, regeneração, justificação e união com Cristo (porém são fatos distintas). Trata-se da condição em que o cristão passa a viver e a agir desse ponto em diante.

c. Precisamos nos atentar para não cairmos no conto da “Paternidade universal de Deus”, doutrina herética que diz que independente da pessoa crer ou não em Jesus ela é de igual modo filho de Deus.

d. No entanto, a Bíblia é contrária a este ensino, pois, os que não creem em Cristo não são filhos de Deus ou adotados em sua família; pelo contrário, são “filhos da ira” (Ef 2.3RA) e “filhos da desobediência” (Ef 2. 2; 5.6).

e. Ao nos tornarmos filhos de Deus, passamos a gozar do que se denomina espírito de filiação. Ou seja, o cristão olha com ternura e confiança para Deus, como a um Pai, e não como a um feitor de escravos ou a um capataz (Jo 15. 14,15). (Do tribunal [justificação] à sala de casa [adoção]).

f. Passamos a desfrutar de um relacionamento com Deus que homem nenhum, sem Cristo, pode desfrutar (nosso relacionamento que fora quebrado no Éden é restaurado).

2. Benefícios da adoção.

a.  Fazer parte de uma família, e nesse caso da família de Deus (Ef 2.19), traz inúmeros benefícios: segurança, confiança e sentido de pertencimento a uma casa eterna. Este termo lembra um lugar de refúgio, paz e descanso. Nesse sentido, num mundo conturbado em que vivemos, encontrar a casa do Pai é um grande alívio e um antídoto contra as perturbações, angústias e aflições nos dias atuais. Além disso, a adoção divina nos tira o senso de inferioridade que o pecado carrega, nos coloca num lugar elevado, tirando-nos "da potestade das trevas" e transportando-nos "para o Reino do Filho do seu amor" (Cl 1.13).

b. O senso de pertencimento nos faz seguros e confiantes de que somos amados por Deus, e que não precisamos mendigar o amor de ninguém:

“Vejam como é grande o amor que o Pai nos concedeu: que fôssemos chamados filhos de Deus, o que de fato somos! Por isso o mundo não nos conhece, porque não o conheceu.” – 1 João 3:1 (NVI)

c. A adoção implica que o cristão recebe o cuidado paterno de Deus:

“Filósofos pagãos como Aristóteles chegaram à existência de Deus por meio da razão humana e se referiram a ele em termos vagos e impessoais: causa incausada, motor imóvel. Os profetas de Israel revelaram o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó de maneira calorosa, mais compassiva. Mas somente Jesus revelou a uma comunidade judaica atônita que Deus é verdadeiramente Pai. Se você tomasse o amor de todas as melhores mães e de todos os melhores pais que viveram no curso da história humana, toda a bondade deles, toda a paciência, fidelidade, sabedoria, ternura, força e todo amor e reunisse todas as qualidades numa única pessoa, o amor dessa pessoa seria apenas uma pálida sombra do amor e da misericórdia presentes no coração de Deus Pai direcionado a você e Amim neste momento.”

(MANNING, Brennan; O anseio furioso de Deus; Mundo Cristão, p. 31).

3. Herdeiros da promessa.

a. O Espírito Santo testifica ao nosso coração que somos filhos de Deus (Rm 8.16). Somos filhos porque fomos adotados pelo Pai, passamos a fazer parte de sua família e a desfrutar do privilégio de sermos os seus herdeiros (Tt 3.7; Rm 8.17). Por meio da adoção divina, deixamos de ser escravos, sem herança nem direito, para nos tornarmos filhos portadores de todos os privilégios da casa do Pai (Gl 4.7). Logo, temos uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível que está reservada nos céus para nós (1Pe 1.4).

b. Agora nós temos a boa vontade do Pai. Uma coisa é sermos perdoados pelo fato de ter sido paga a pena aplicável aos nossos erros. Isso, porém, pode significar simplesmente que não seremos punidos no futuro. O criminoso, por exemplo, pode cumprir sua pena; porém, ele não será visto com bons olhos pela sociedade. Sempre haverá suspeita, desconfiança, animosidade.

c. Com o Pai, no entanto, há amor e a boa vontade de que tanto precisamos e que tanto desejamos.

d. Ele é nosso assim como somos dele e, por meio da adoção, estende a nós todos os benefícios que seu amor imensurável pode oferecer.

SÍNTESE DO TÓPICO I   
                                                      
A fé no sacrifício vicário de Jesus Cristo nos faz filhos de Deus.

lI - A ADOÇÃO NO TEMPO PRESENTE

1. Parecidos com o Pai.

a. O apóstolo João afirma que há uma esperança dos que são chamados filhos de Deus (1 Jo 3.3): "Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos" (1Jo 3.2). Aguardamos solenemente por esse dia. Entretanto, portamos a imagem de Deus hoje (Gn 1.26) e, uma vez em Cristo, essa imagem é potencializada pela manifestação do amor de Deus em nós (Ef 5.1,2; Jo 14.21), porque Deus é amor (1Jo 4.8). Quem é filho de Deus tem o "DNA" do Pai impregnado nele. Em Cristo, somos filhos do mesmo Pai (Is 64.8; Jo 14.20) e, por isso, temos a garantia da filiação eterna para sermos livres da condenação do pecado.

b. A proposta bíblica não é se “sermos parecidos com o Pai”, conforme diz a revista, mas com o Filho (pois estamos falando de Pessoas distintas dentro, entretanto, da Natureza do Único Deus):

“Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.” – Romanos 8:29 (ACF)

c. Pai, nós só temos Um; irmãos, nós temos milhares de milhares; tudo isso só foi possível por causa do Único Filho de Deus, Jesus, que não se “envergonha de nos chamar de irmãos” (Hb 2.11).

d. Tomei este cuidado justamente para não cairmos no herético ensino chamado “patripassionismo”, que decorre a ideia que, na verdade, o Filho era Deus Pai manifestado numa forma diferente e, portanto, o Pai sofreu e morreu na cruz na pessoa do Filho. (ERICKSON, Millard.; Dicionário Popular de Teologia; Mundo Cristão, p. 147).

e. Somos adotados para sermos filhos de Deus; o Espírito Santo está fazendo a obra em nós para sermos parecidos com o Filho de Deus; para que, a exemplo do Filho de Deus, sejamos submissos ao Pai (conforme Ele foi nesta terra).

f. A única referencia, entretanto, que a Bíblia faz uma referencia direta a sermos iguais ao nosso Pai, é no que concerne a sua perfeição; isto é, tratar a todos com bondade, justiça e misericórdia (Mt 5.48; Lc 6. 35-36). Ou seja, a perfeição aqui não é um nível de santidade elevado, mas o jeito que nós tratamos o próximo, principalmente os ingratos e maus.

g. Mas o alvo proposto pela Escritura é sermos parecidos (em caráter de filiação) com o Filho:

“Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós.” – Gálatas 4:19 (AFC)

2. Ser amado pelo Pai.

a. O processo de adoção pelo qual passamos ao aceitar a obra de salvação de Cristo é a prova do grande amor de Deus por nós, os seus filhos (1Jo 3.1). Assim, a culpa do pecado, as angústias do medo da perdição eterna e a escravidão do pecado não nos afrontam mais, pois em Cristo, não há mais condenação (Rm 8.1). Aqui, podemos compreender exatamente o que o apóstolo João quis dizer, quando maravilhado, afirmou: "nós o amamos porque ele nos amou primeiro" (1Jo 4.19).

b. Muitos cristãos permanecem temerosos, pois apegam-se ainda à idéia de um Deus muito diferente da que foi pregado por Jesus.

c. Vez após outra Jesus declarou que o medo é o inimigo da vida:

ü  Não temas, crê somente (Lc 8.50) – [Jairo]
ü  Não temais, ó pequenino rebanho; porque vosso Pai se agradou em dar-vos o seu reino (Lc 12.32).
ü  Tende bom ânimo! Sou eu. Não temais! (Mt 14.27) [na tempestade]

 d. O Reformador de Genebra, João Calvino, dizia que, “Deus jamais encontrará em nós algo digno de seu amor, senão que Ele nos ama porque é bondoso e misericordioso”.

e. Que grande segurança nos é apresentada ao saber que Ele nos amou primeiro, e que, por isso, podemos ter absoluta certeza de que Ele jamais deixará de nos amar.

3. Os direitos e os deveres na adoção.

a. Por intermédio da adoção espiritual, os filhos de Deus têm alguns direitos espirituais:

ü  Foram legitimamente enxertados na Boa Oliveira, que é Cristo (Rm 11.17);
ü  Passarão a ter um novo nome (Ap 2.17).
ü  Passaram a fazer parte de uma nova família (Ef 2.19).
ü  Foram emancipados da lei que gera morte (Gl 3.25).
ü  Todos os povos e raças, desde que tenham recebidos a Cristo, tornam-se filhos de Deus sem distinção (Gl 3.28).

b. Mas da mesma forma que temos direitos, também temos deveres espirituais:

ü  Apartar-se do mundo [conforme com o que a Bíblia diz, e não de acordo com que ensina alguns religiosos] e do que é imundo (2 Co 6.17,18; Ap 21.7).
ü  Praticar a justiça e amar o irmão (1Jo 3.10).
ü  Buscar a perfeição do Pai (Mt 5-48).
ü  Amar os inimigos, bendizer os que maldizem, fazer o bem aos que nos odeiam e orar pelos que nos maltratam e perseguem (Mt 5.44).
ü  Glorificar a Deus por meio de todos esses deveres espirituais (Mt 5.16).

SÍNTESE DO TÓPICO II

Mediante a adoção, hoje somos filhos de Deus.

III - A ADOÇÃO PLENA NO FUTURO

1. Filhos eternos.

a. Nós somos filhos de Deus a caminho da nossa morada eterna prometida:

“Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também.” – João 14: 2,3 (ACF)

b. No entanto ainda não chegamos lá; por esta razão, teremos aflições, lutas, tristezas, decepções etc.:

“Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente; Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas. – 2 Coríntios 4:17,18

2. Esperando a adoção completa.

a. Embora estejamos adotados na família de Deus (1Jo 3.1), só conheceremos a plenitude do que realmente isso significa quando o Senhor nos ressuscitar dentre os mortos (1Ts 4.17). Então, receberemos a herança completa do Pai Celestial e viveremos eternamente em sua maravilhosa presença.

b. Vivemos, portanto, no “já, mas ainda não”. O Reino JÁ chegou, mas NÃO em sua plenitude, o que somente irá acontecer depois da segunda vinda de Jesus.

3. A casa do pai.

a. Uma vez filhos de Deus, somos peregrinos em terra estranha (l Pé 2.11), por isso experimentamos os infortúnios e as dores do tempo presente (Rm 8.22,23). "Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo" (Fp 3-20). Ansiamos pelo momento em que adentraremos à casa do Pai Eterno, e habitaremos com Ele eternamente. Ali, nossa relação com o Pai não se dará provisoriamente, mas num tempo ininterrupto, em que estaremos para sempre diante de sua santa presença (Ap 22.3-5).

b. O mundo jaz no maligno e por isso não podemos esperar ser saciados através das coisas que ele nos oferece.

“Se eu descubro em mim mesmo um desejo que nenhuma experiência deste mundo consegue satisfazer, a explicação mais provável é que fui criado para outro mundo”. – C. S. Lewis

c. Ainda, Lewis:

“A experiência humana sugere a existência de outro mundo mais maravilhoso, no qual reside nosso verdadeiro destino, mas, atualmente, estamos do lado errado da porta que dá acesso para ele”.

SÍNTESE DO TÓPICO III

Como filhos de Deus desfrutaremos de uma alegria plena na ocasião da gloriosa vinda de Jesus Cristo.

CONCLUSÃO

1. Precisamos não somente estudar esta doutrina, isto é, da adoção, mas se apoderar dela como verdade absoluta e normativa para a nossa caminhada como filhos de Deus.

2. A pergunta 74 do Catecismo Maior de Westminster [ver em Monergismo], explicando o que é adoção, diz:

“Adoção é um ato da livre graça de Deus, em seu único Filho Jesus Cristo e por amor dEle, pelo qual todos os que são justificados são recebidos no número dos filhos de Deus, trazem o seu nome, recebem o Espírito do Filho, estão sob o seu cuidado e dispensações paternais, são admitidos a todas as liberdades e privilégios dos filhos de Deus, feitos herdeiros de todas as promessas e co-herdeiros com Cristo na glória.” – (1 João 3:1; Ef. 1:5; Gal. 4:4-5: João 1:12; II Cor. 6:18;)

3. Ninguém é filho de Deus enganado, pois “o próprio Espírito testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.16).


Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

Aula ministrada na ICT – J - dia 10/12/2017

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Bibliografias:

Escola Bíblica dominical. Adotados por Deus. 4º trimestre de 2017; CPAD; lição 11.
KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural da Bíblia. Editora Vida Nova, 1° edição 2017
LEWIS, C. S. Cristianismo puro e simples. São Paulo, SP; Martins Fontes, 2014.
ERICKSON, Millard J. Introdução à Teologia Sistemática. São Paulo, SP; Vida Nova, 1997.
GRUDEM, Wayne. Manual de Doutrinas cristãs. Vida Acadêmica, 1999. São Paulo, SP
MANNING, Brennan. A assinatura de Jesus. São Paulo, SP; Mundo Cristão, 2006.
ELWELL, Walter. Enciclopédia histórico-teológica da igreja cristã. São Paulo, SP; Vida Nova, 2009.