sexta-feira, 10 de novembro de 2017

A SALVAÇÃO PELA GRAÇA

Escola Bíblica Dominical – 12 de novembro de 2017 | Lição 7

Texto Áureo: Rm 5.18     

Muitos comentaristas ressaltam corretamente que “justificação” é aquilo que o crente possui no presente (o aspecto “já”), enquanto “vida” é a eterna que aguarda a consumação escatológica (o aspecto “ainda não”). (o ser humano é o chassi que empenou).

Verdade prática: A nossa salvação é fruto único e exclusivo da graça de Deus.

Leitura bíblica em classe: Romanos 5.6-10,15,17,18,20; 11.6

REFLEXÃO E OBJETIVO DA LIÇÃO:

I- Explicar o propósito da Lei e da graça;
II- Discutir a respeito do favor imerecido de Deus;
III- Salientar para o escândalo da graça.

INTRODUÇÃO:

a. A Lei no Antigo Testamento tem a função de instruir e ensinar ao povo o que Deus estabeleceu aos israelitas a fim de eles terem um convívio próspero, pacífico e harmonioso na terra de Canaã.

b. A questão, contudo, foi que o homem não conseguiu cumprir a lei de Deus. Nenhum sequer foi bom suficiente para satisfazer as demandas prescritas, verdade essa comprovada pela morte que atingiu toda a criação:

“Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram.” – Romanos 5.12

c. Alguém tinha que cumprir este lado do pacto, para que fôssemos absolvidos da pena da lei. Cristo foi único que cumpriu as justas exigências, e não somente isto: Ele tomou sobre Si a maldição na qual a lei enquadra os transgressores:

“Porque, aquilo que a lei fora incapaz de fazer por estar enfraquecida pela carne, Deus o fez, enviando seu próprio Filho, à semelhança do homem pecador, como oferta pelo pecado. E assim condenou o pecado na carne, a fim de que as justas exigências da lei fossem plenamente satisfeitas em nós, que não vivemos segundo a carne, mas segundo o Espírito.” Romanos 8:3,4 (NVI)

I. LEI E GRAÇA

1. O propósito da lei.

a. A Lei tem o propósito espiritual de mostrar quão terrível é o pecado – “pela lei vem o conhecimento do pecado.” (Rm 3.20) -, bem como o propósito concreto de preservar o povo de Israel do pecado. Mais tarde, a Lei também revelaria quão grande é a necessidade do ser humano, pela graça, obter a salvação, pois era impossível cumprir plenamente a Lei de Deus no Antigo Testamento (Rm 7.19; Tg 2.10).

b. A lei foi entregue para mostrar ao homem justamente a sua total incapacidade de observá-la.

“Pois ninguém será declarado justo diante de Deus por fazer o que a lei ordena. A lei simplesmente mostra quanto somos pecadores.” – Romanos 3.20 (NVT)

“Qual era, então, o propósito da lei? Ela foi acrescentada à promessa para mostrar às pessoas seus pecados.” – Gálatas 3.19 (NVT)

c. A lei foi entregue por causa da transgressão (Rm 5.13). Acerca disso, Martinho Lutero diz que “a lei não ensina o que os homens podem fazer, mas o que os homens devem fazer”.

d. Entretanto, sob o ponto de vista dos aspectos morais da Lei, há princípios que continuam vigorando até os dias atuais. Esses princípios, conforme resumidos no Decálogo – os Dez Mandamentos -, representam nossas obrigações éticas para com Deus e com o próximo (Êx 20.1-17).

e. Sobre isso, Lutero diz que, “a lei me leva até Cristo; Cristo me justifica e me leva até a lei”.

f. O critério aqui não é salvação por mérito, mas o “novo e vivo caminho” proposto por Deus (esforço).

g. A lei é uma dádiva de Deus, pois ela é a luz para caminharmos seguramente neste mundo de trevas. 

2. A Lei nos conduziu a Cristo.

a.  A Lei foi uma espécie de guia para encontrarmos a Cristo por meio da graça (Gl 3.24). Ela nos convence, pela impossibilidade de ser cumprida, de que não podemos alcançar a salvação sem Cristo. Desse modo, quando a Lei se faz a própria justiça do homem, como mérito dele, ela se torna depreciativa, impossibilitando o ser humano de alcançar a salvação que só é possível mediante o evangelho da graça de Deus (Ef 2.8).

b. A lei ensina e fala sobre o nosso dever, mas ela não nos capacita à cumpri-la. É aqui que entra o evangelho, a boa notícia, que só pode ser boa se a má notícia for anunciada (por meio da lei) primeiramente.  

c. Quando é revelado este mistério ao homem, o véu é removido, e Cristo converte os corações dos pecadores.

3. A graça revela que a Lei é imperfeita.

a. Paulo constata a superioridade do Espírito em relação à Lei (Gl 5.18) e, que por isso, morremos para a Lei (Rm 7.4; Gl 2.19). Assim, o escritor aos Hebreus revela que a Lei é imperfeita (Hb 8.6,7,13) e o apóstolo João afirma que foi Cristo quem trouxe a graça e a verdade (Jo 1.17). Sim, a graça é superior à lei! Logo, segundo as Escrituras, só existe a Lei por causa do pecado e para apontá-lo: “Que diremos, pois? É a lei pecado? De modo nenhum! Mas eu não conheci o pecado senão pela lei” (Rm 7.7).

b. O comentarista da revista errou ao afirmar que a “lei é imperfeita”. A Bíblia diz justamente o contrário:

“A lei do Senhor é perfeita, e revigora a alma. Os testemunhos do Senhor são dignos de confiança, e tornam sábios os inexperientes.” –  Salmos 19:7
“De fato a lei é santa, e o mandamento é santo, justo e bom.” – Romanos 7:12

c. Jesus diz que a “Escritura não pode falhar” (Jo 10.35), e que não passará da lei um só i ou um só til, sem que tudo se cumpra (Mt 5:18).

d. Ou seja, não é a lei que é imperfeita, somos nós o problema; a lei (em parte) se tornou antiquada não por causa do seu conteúdo, pois ela apenas mostrava a nossa pecaminosidade, mas porque Cristo a cumpriu, e hoje nós não estamos sob sua condenação.

SÍNTESE DO TÓPICO I          
                                               
Lei e graça: a justiça e a misericórdia de Deus.

II. O FAVOR IMERECIDO DE DEUS

1. Superabundante graça.

a. Não há pecador, por pior que seja, que não possa ser alcançado pela graça divina, pois onde abundou o pecado, que foi exposto pela Lei, superabundou a graça de Deus (Rm 5.20). Por meio da compreensão dessa maravilhosa graça, o apóstolo João escreveu: “se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1Jo 2.1).

b. Ou seja, a graça do segundo Adão é maior que o pecado do primeiro Adão. Com efeito, a graça é maior do que o pecado.

2. Fé e graça.

a. A graça opera mediante a fé no sacrifício vicário de Cristo Jesus. Ambas, fé e graça, atuam juntamente na obra de salvação: a graça, o presente imerecido de Deus; a fé, a contrapartida humana à obra de Cristo. Nesse sentido, não é a fé que opera a salvação, mas a graça de Deus que atua mediante a fé do crente no Filho de Deus (Rm 3.28; 5.2; Fp 3.9).

b. A fonte da justificação é Deus e sua graça; o fundamento da justificação é Cristo e sua cruz; mas o meio e o instrumento da justificação é a fé (3.22, 25, 26, 28).

c. Somos justificados não por causa da fé, mas por meio da fé. A fé não é a base da justificação, mas seu instrumento. Somos justificados pela obra de Cristo na cruz, mas recebemos os benefícios dessa obra por meio da fé.

“O valor da fé não reside nela mesma, mas inteiramente e exclusivamente em seu objeto, a saber, Jesus Cristo, e este crucificado.” – John Stott

3. A graça não é salvo conduto para pecar

a. Segundo o ensino das Sagradas Escrituras, a graça jamais pode ser vista como um salvo conduto para a prática do pecado ou da libertinagem (Gl 5.13). Pelo contrário, a graça de Deus nos convoca à obediência ao doador da graça, pois quando se ama fazemos de tudo para agradar a pessoa amada. Por isso, o amor de Cristo nos “constrange” (2 Co 5.14) a fazer algo que agrade ao Pai (1Ts 4.1).

b. O comentarista F. F. Bruce diz que, “toda a teologia se resume na graça. Toda a ética cristã surge da gratidão”.

c. A graça de Deus nos move a sermos produtivos na obra do Senhor. É a partir dela que todas as esferas da nossa vida são afetadas. Não importa onde você esteja – ou o que faça – alguém que foi perdoado por Cristo, muito ama, e este faz tudo por amor a Jesus, para a glória de Deus de Pai.

d. A Cruz é ao mesmo tempo símbolo de nossa salvação e padrão da nossa vida.

SÍNTESE DO TÓPICO II

Graça, o favor imerecido de Deus.

III. O ESCÂNDALO DA GRAÇA

1. Seria a graça injusta?

a. Se comparada com a humana, a justiça divina é imensamente perdoadora. Logo, sob a ótica humana, a graça se torna injusta. Por esse motivo, a graça é considerada um escândalo (Cl 2.14; Ef 2.8,9). Pelo fato de não haver merecimento por parte do recebedor, o apóstolo enfatiza a impossibilidade de a graça e a lei “andarem juntas”, pois ambas são excludentes.

b. O difícil é fazer o simples. A tendência da nossa natureza, por seu orgulho, é tentar, de alguma forma, “fazer-se merecer esta graça”.

“Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo.” – 2 Coríntios 11:3

c. Warren Wiersbe diz que, “Deus deu a lei por intermédio de Moisés não para substituir sua graça, mas para revelar a necessidade do ser humano de receber essa graça. A lei é temporária, mas a graça é eterna”.

d. Há uma sedutora tentação de desprezarmos esta maravilhosa graça, como aconteceu com os gálatas, que tendo começado pelo Espírito, queriam terminar pela carne, isto é, em seus próprios esforços (Gl 3.3).

2. A divina graça incompreendida.

a. Nos dias do apóstolo Paulo, muitos não compreenderam seus ensinamentos sobre a graça de Deus (2 Pe 3.15,16). Por isso, ao longo da história da Igreja, dois extremos estiveram presentes acerca da compreensão da graça:

(1) Liberdade total para pecar (Rm 6.1,2).
(2) A impossibilidade de receber tão valioso presente (Gl 5.4,5)

b. A graça incomoda os legalistas. Uma vida libertina é uma afronta a graça de Deus.

c. Brennan Manning, em seu livro “A Assinatura de Jesus”, diz:

“A graça barata é a graça sem a cruz, um assentimento intelectual à empoeirada casa de penhores de crenças doutrinárias ao mesmo tempo em que se é levado sem direção pelos valores culturais da sociedade”. (Mundo Cristão, p. 108)

3. Se deixar presentear pela graça.

a. Humanamente é impossível ao crente, alcançado pela graça, retribuir a Deus tão grande salvação. Se fosse possível, já não seria graça, favor imerecido; mas mérito pessoal que tiraria de Deus a autoria divina da salvação. Em nosso relacionamento com Ele, quem tem mérito é seu Filho, Jesus Cristo (Fp 2.9-11). Assim, os que compreendem o favor inefável de Deus, mediante sua graça, devem deixar-se presentear por ela. Quem compreende o que significa ser justificado por Deus se permite “embalar nos braços de amor e de perdão” do Pai. Para os filhos de Deus, cônscios do valor da graça do Pai, tudo é presente, tudo é dádiva, tudo é favor imerecido! Portanto, deixe-se presentear pela graça de Deus!

b. Alguém já disse: “Mais agradável para mim (Jesus) do que todas as suas orações, sacrifícios e boas palavras é que você creia que eu o amo”.

c. Falar do amor de Deus, é uma coisa; saber que é amado, é outra.

Se fizéssemos a seguinte pergunta a João: "Qual é sua identidade primordial, sua percepção mais coerente a respeito de si"?, ele não responderia: "Sou discípulo, apóstolo, evangelista", mas: "Sou aquele a quem Jesus ama".  — Brennan Manning, O Impostor que vive em mim

SÍNTESE DO TÓPICO III

Não somos merecedores da graça divina.

CONCLUSÃO

1. A pena da lei ainda paira sobre aquele que vive por meio dela, isto é, que confia na sua justiça (boas obras) em detrimento da obra perfeita de Cristo.

2. Porém, pela lei ninguém será justificado; pois pela graça fomos salvos, mediante a fé; isso não veio de nós; é dom de Deus; não das nossas obras, para que ninguém se glorie diante de Deus.

3. Esta tão grande salvação nos encaminha para que andemos nas boas-obras; não por medo, mas por amor; não para sermos salvos, mas porque já somos salvos.

Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

Aula ministrada na ICT – J - dia 12/11/2017

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Bibliografias:

Escola Bíblica dominical. A obra da salvação. 4º trimestre de 2017; CPAD; lição 07.
PATE, C. Marvin. Série Comentário Expositivo Romanos. São Paulo, SP; Vida Nova, 2015.
LOPES, Hernandes Dias. Romanos, o Evangelho segundo Paulo. São Paulo, SP; Hagnos, 2015.
MANNING, Brennan. A assinatura de Jesus. São Paulo, SP; Mundo Cristão, 2006.
LUTERO, Martinho. Nascido Escravo. São José dos Campos, SP; Editora Fiel, 2009.
MANNING, Brennan. O impostor que vive em mim. São Paulo, SP; Mundo Cristão.