sexta-feira, 20 de outubro de 2017

O CRISTÃO, OS PETS E OS CHATOS

Por Fabio Campos

Texto base: “... mas o pobre nada tinha, senão uma cordeirinha que havia comprado. Ele a criou, e ela cresceu com ele e com seus filhos. Ela comia junto dele, bebia do seu copo e até dormia em seus braços. Era como uma filha para ele. –  2 Samuel 12:3 (NVI)


O escritor britânico C. S. Lewis, se correspondendo com uma senhora americana, ao saber que ela estava triste por causa de uma doença que havia acometido o seu bicho de estimação, disse que “jamais riria de alguém que estivesse sofrendo por causa de um animal querido”, completando o raciocínio (e aqui ele foi cirúrgico), “acho que Deus quer que amemos mais a Ele, não que amemos menos as criaturas (até mesmo os animais).”

Muita gente entende que para amar as pessoas não se pode ter um afeto caloroso pelos animais. De fato, há os exageros, e eu não concordo com eles, ou seja, quando os animais são tidos seres maiores em dignidade do que o homem, criado a imagem e semelhança de Deus (não parece, mas foi sim! Risos...)

Nós temos uma cachorrinha; com poucas horas da sua chegada, ela conquistou o nosso coração. Seu nome é Polly Plummer (referencia a uma das personagens das Crônicas de Nárnia).

Ainda não temos filhos (por razões que só Deus sabe). Por vezes, inconscientemente, chamamos Polly de filha. Mas também a chamamos de “demônio da Tasmânia” (que o diga o falecido Digory – outro habitante de Nárnia, amigo de Polly – ursinho que a demos logo quando ela chegou). Hoje, Digory, jaz!

A questão, no entanto, é que eu não chamaria (nem de brincadeira) um filho de demônio da Tasmânia. Falo isso porque os “chatos” são meticulosos (só com os outros) e gostam das coisas bem explicadinhas, isto é, em seus mííínimos detalhes.

Certamente você, caro leitor, percebeu que eu e minha esposa amamos muito o nosso bichinho. O que deve ficar claro, porém, mesmo chamando-a de “filha”, é que jamais um animal tomará o lugar dos nossos filhos. A “paparicação” deve ter certo limite. Gente é gente e animal é animal. Até mesmo os animais não gostam de ser tratados como filhos. Ponha ele na frente de um vídeo-game e deixe a porta da rua aberta; logo você sairá que nem um doido em resgate do fujão.

Mas os chatos existem! (são um ponto fora da curva!)

Não gostam nem de gente e muito menos de animais. Se aborrecem rápido quando contemplam alguém cuidando do seu rebanho com amor e carinho. Ai daquele que, mesmo sem querer, chamar o seu bichinho de filho. Eu gostaria muito que estes senhores e senhoras estivessem presentes no momento em que o profeta Natã contou aquela historinha a Davi para confrontá-lo no seu pecado (2 Sm 11 – 12).

Na ilustração do profeta, o pobre tinha apenas uma única cordeirinha. Era o xodó da família. Comia, bebia e dormia junto dele e dos filhos. Com efeito, “era como uma filha para ele” (2 Sm 12:3). Como filha? Este homem nunca substituiu cachorros por filhos, mas o amor por sua cordeirinha era tão grande a ponto dela ter parte dos privilégios que seus próprios filhos tinham (comer, beber e dormir na cama).

O mínimo que se espera de alguém convertido é que ele trate bem os seus animais; o ímpio, porém, não tem misericórdia, pois os trata com crueldade (Pr 12.10). Quando alguém se converte a Cristo, até mesmo os bichanos se alegram: não serão mais chutados por seus donos, os “Balaão” da vida (Nm 22.25), e nem estarão mais no plano para o churrasco de domingo.

Os chatos e implicantes parecem não gostar muito de que pessoas de bem tratem o seu cachorrinho com enternecido afago. Aqueles que trataram os seus animais como eles devem ser tratados, se levantarão no dia do juízo contra aqueles que condenaram tal atitude, mas que, negligenciaram (amor, afeto, educação e proteção) os seus filhos.

Há muitas coisas que nos assemelha aos animais, mas o fato de termos sido feitos a imagem e semelhança de Deus nos trouxe o privilégio (e obrigação) de cuidar muito bem dos pets (como fazia o pobre da historia do profeta Natã); enquanto que, os pets, não criados a imagem e semelhança de Deus, jamais poderão ter um “afeto por nós” como nós devemos ter por eles (apesar de que alguns deles, por tão carinhosos que são me faz duvidar disto que eu disse!).

Portanto, quando um chato implicar com você que ama e trata bem os seus animais, antes de dar ouvidos, procure saber como ele trata a esposa e os filhos. Não tenho dúvida de que haverá mais surpresas negativas do que positivas. Infelizmente!


Em Cristo Jesus, considere esta reflexão e arrazoe isto em seu coração.

Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

“A folha branca é o meu púlpito principal.”

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