quinta-feira, 12 de outubro de 2017

IGREJA É LUGAR DE GENTE DOENTE

Por Fabio Campos


Muito dos nossos problemas fraternais dentro das igrejas seriam mais facilmente resolvidos se soubéssemos (não romanticamente) que igreja é lugar de gente doente.

Alguém pode indagar e repudiar o título deste artigo, pois vende o evangelho do mesmo modo como a Brahma vende suas cervejas: sol, praia e bastante gente bonita e sarada.

Se você aderiu o evangelho por conta de uma propaganda parecida com esta, por favor, entre em contato com o PROCON celestial, pois o que foi vendido para você não se trata do evangelho de Cristo, mas do “evangelho” dos homens – criado conforme os seus desejos e cobiças. O Evangelho não veio chamar sãos, mas doentes: “Jesus lhes respondeu: ‘Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes’” (Lc 5.31).

Grande parte das pessoas que rejeitam a mensagem da cruz, como, por exemplo, a grande mídia, leva uma vida de fazer inveja até mesmo o mais piedoso samaritano. São prósperos; não tem problemas; possui um corpo saudável. Não passam por ferrenhas tribulações e nem são afligidos como os demais homens. É ou não é de fazer inveja?

A teologia da prosperidade, por sua vez, adotou este estereótipo e o “cristianizou” dizendo que o homem bem-aventurado é aquele que possui todas essas coisas (basta assistir aos testemunhos de vitórias contados por seus adeptos). Mas o que eles dizem ser bênção (o amor e a ambição por todas essas coisas), a Bíblia chama de iniquidade e estrada para o inferno (Sl 73. 3-12).

Pois bem, voltando para a realidade do verdadeiro evangelho.

Igreja é lugar de gente doente e com vários problemas. Como eu sei disto? Eu faço parte dela e sou um deles. Quando fiz um auto-exame sincero do meu próprio coração, esta verdade se tornou tão clara como o sol do meio dia: tudo veio à luz. Como disse C. S. Lewis, encontrei em mim mesmo um bestiário de luxurias, um hospício de ambições, um canteiro de medos, um harém de ódios mimados. Malditos homens e mulheres que somos!!!

Ao perceber que meu diagnóstico era um caso irreversível, imediatamente fui procurar, depois de buscar outros, o médico que poderia reverter a situação (e ao chegar lá descobri que ele havia me procurado primeiro). Do pior, Ele me curou; mas ainda estou (e sempre estarei) em tratamento.

Outros moribundos, porém, estão aguardando o remédio fazer efeito. O fato é que todos não estão, mas são doentes. No meu pior estágio – aqueles que já se encontravam melhores – tiveram paciência e cuidaram de mim. Ou seja, sendo Jesus o médico, a igreja o hospital – os membros são os doentes que cuidam um dos outros (isso exige muita paciência, principalmente com as falhas agudas).

Agora há algo que sempre me inquietou: por que será que a igreja é o lugar que mais tememos de ter as nossas doenças expostas? Não estamos falando de um hospital? Por lá, há alguém são, que nunca pecou?

Eu acho muito patético (para não dizer maligno) como nós nos apartamos da simplicidade devida a Cristo e idealizamos a igreja uma SMART FIT, lugar de gente forte e saudável. É importante salientar que, mesmo nas academias, há pessoas pobres, feias e gordinhas (eu sou a prova viva disto... risos...).  

Infelizmente, há uma neurose triunfalista (e o Senhor te porá por cabeça, e não por cauda; e só estarás em cima, e não debaixo... blá... blá... blá...) no meio de grande parte das comunidades evangélicas. Mostram apenas os músculos espirituais, mas mudam de papo quando o assunto é o próprio coração que está adoecido, quando se trata de sua alma enferma.

Jesus não construiu uma academia; Jesus preferiu edificar um hospital. O médico não cuida (do ponto de vista espiritual) de gente bombada, marombada, mas de raquíticos e magrelos. Ele conhece todas as nossas mazelas. Cristo usa justamente aqueles que não são sábios e nem poderosos segundo o critério humano.

Sabe aquele irmãozinho meio estranho, que sempre fica na marginalidade ministerial; sim, aquele que é taxado por todos de excêntrico, que não se veste com roupas de marcas e que nem usa perfume ou desodorante? Do ponto de vista do homem natural (e de crentes carnais) ele seja insignificante, mas Deus o escolheu para reduzir a nada aqueles que pensam que são alguma coisa.

Portanto, pessoas doentes carecem de atenção e paciência. A igreja é lugar de gente doente. Talvez você já tenha sido curado das piores lepras, mas ainda sim é um doente em tratamento. Alguém que foi tirado da UTI para cuidar dos que ainda por lá estão. Afinal, amanhã eu e você poderemos estar na maca expirando cuidados (1 Co 10.12), e a medida com que tivermos medido nos medirão igualmente a nós.

Há, todavia, uma doença que não é encontrada nos corredores deste hospital.

A submissão ao tratamento evidencia a cura da pior das lepras, o orgulho (outros ainda poderão estar por lá, mas o pior já foi removido). O orgulho, que infectou a todos, se espalhou por toda a terra. O principal órgão que ele atacou foi o entendimento dos incrédulos, ao ponto de cometerem a tolice de rejeitar tratamento julgando eles ser sãos.

Com efeito, na igreja há muitas doenças, mas fora dela tem a pior de todas, e sem o especialista na área o diagnostico é incurável. Você vai morrer doente pensando que é são.

Igreja é lugar de gente doente; o mundo é lugar de gente morta.


Em Cristo Jesus, considere esta reflexão e arrazoe isto em seu coração.

 Soli Deo Gloria!

Fabio Campos
“A folha branca é o meu púlpito principal.”

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