segunda-feira, 24 de julho de 2017

NÃO É A BERMUDA E NEM A MAQUIAGEM QUEM FAZ O MUNDO ENTRAR NA IGREJA

Por Fabio Campos

Texto base: “Mas entre vós não será assim...” – Marcos 10.43


Dias atrás, fui surpreendido pela postura (neófita) de um líder cristão já avançado em idade. Ele olhou minha barba, minha bermuda, e perguntou se era deste modo que eu congregava (o detalhe é que não estávamos dentro de uma igreja).

Contornei a situação e levei na brincadeira, pois de outro modo, caso entrasse na provocação, reduziria o cristianismo (em rudimentos: Cl 2. 20-23) como aquele irmão havia feito. Ou seja, o conceito de mundo para ele se restringe ao tipo de roupa que se veste ou o estilo de música que se ouve.

Pois bem.

Muito se fala que o mundo entrou na igreja. Ao pedir uma explicação a respeito desta afirmativa, sempre me deparo com argumentos simplistas e desprovidos de respaldo bíblico. Para este pessoal, o mundo entra na igreja quando o louvor é tocado através da guitarra (como se Deus tivesse preferência musical); ou pela moça que usa maquiagem; ou pelo rapaz que deixa a barba crescer.

Por estas e outras explicações se faz notório que o amparo deles para fundamentar seus pré-conceitos é exclusivamente “moral” baseado tão somente em “usos e costumes”.

O evangelho de Marcos narra uma situação onde Cristo mostra o que, com efeito, é ser diferente do mundo (10. 35-45).

Os irmãos Tiago e João, se aproximaram de Jesus e lhe pediu que, em seu reino, ambos se assentam com Ele; um à sua esquerda, e o outro, à sua direita. Porém, a glória do evangelho para a igreja não está em assentar-se com Cristo em seu reino futuro, mas sofrer por Ele nesta terra. Antes de julgar o mundo, Cristo nos chama para participarmos dos seus sofrimentos (1 Pe 4.13).

Jesus, porém, disse que eles não sabiam o que estavam pedindo. Ao afirmarem que poderiam “beber do cálice” que Jesus beberia, e ser “batizado no batismo” que Jesus seria batizado, o Senhor diz que se fosse da vontade do Pai, eles se assentariam no trono.

Quando os outros discípulos ouviram o parecer de Jesus a respeito disto, houve um grande tumulto. Picuinha na igreja da galileia! Todos ou outros ficaram bravos com Tiago e João.

Eles já estavam brigando entre si para saber e provar quem de fato era o maior. Todos os discípulos estavam bem vestidos; cantavam os salmos; observavam o dia do Senhor; liam as Escrituras; mas o mundo estava entrando na igreja dos galileus: Jesus os chamou e disse: "Vocês sabem que aqueles que são considerados governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas. Não será assim entre vocês. Pelo contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo; e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo de todos. (Mc 10: 42-44).

O poder é sedutor (independentemente do seguimento, inclusive na igreja), pois viabiliza o caminho para dominar o próximo.

O mesmo desejo que havia entre os governantes e gentios – em chegar ao poder para controlar as pessoas – estava também no seio da igreja. Jesus, então, corrige a rota e diz que mundanismo é buscar o topo da hierarquia, conforme era o costume dos pagãos, para que, ao invés de servir, angariar o privilégio de ser servido.

Neste instante o Senhor colocou o mundo de cabeça para baixo; quem quiser ser importante, que sirva aos outros, e quem quiser ser o primeiro, que seja o escravo de todos.

Jesus mostrou na prática esta lição. “Pois nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido” (Mc 10.45). No reino de Deus só há um Rei; todo o resto é súdito. O extraordinário disto tudo é que este Rei se fez Servo justamente para servir seus servos; mesmo assim, Ele nunca deixou de ser Senhor (Lc 12.37).

Você vai perceber, portanto, que não é a comida, bebida ou roupa que faz de alguém um mundano (evidente que há jeito certo de usar estas coisas, porém não da forma imposta pelos legalistas). O que nos torna parecidos com o mundo, como disse Jesus, é a busca pelo poder; é a moça que deseja casar com o irmão não por causa do seu caráter e piedade, mas pela sua posição de destaque na igreja. O mundo entra na igreja quando o irmão que, ao invés de olhar para a virtude da moça, prefere analisar a adereça do vestido que destaca as suas curvas.

Quando aquele senhor cristão olhou com desdém para a minha vestimenta, mal sabia ele que eu conhecia um pouco dos bastidores da igreja que ele pertencia. Uma denominação embriagada pelo poder, ao ponto de estar em litígio entre os próprios irmãos – por meio da justiça comum – para levar ao topo da pirâmide os “reclamados”.

E é a barba ou a bermuda que fazem de alguém mundano. Lamento dizer, mas isto é demoníaco.

Caso eu não conhecesse a Bíblia, certamente me faria escravo deste tipo ensino (1 Co 7.23). Mas a verdade, que vem pelo estudo das Escrituras, me libertou. Deus é INFINITAMENTE maior do que a mente humana.

A respeito disto, reflita comigo e pense se Deus é pequeno como essa gente demonstra com este tipo de atitude.

Os cientistas dizem que há no universo um número de estrelas maior do que o número de todos os grãos de areia de todas as praias e de todos os desertos do planeta. Assustador, não!? No dia que você for à praia, experimente levar um bocado de areia em suas mãos; depois jogue esses grãos em cima de uma mesa de vidro e tente contar quantos grãos de areia você conseguiu apanhar.

Por um instante pare de ler e olhe para céu (pois todos estes planetas são simplesmente enfeites da casa de Deus Sl 19.1).

Voltando.

Há mais estrelas no universo que grão de areia em todas as praias do planeta (pense no tamanho de cada planeta). Quantos grãos de areia será que você consegue apanhar? O detalhe mais fantástico é que Deus conhece cada estrela pelo nome (Sl 147.4).

Com toda essa grandeza (que é assustadora), estou convencido de que Deus está preocupado com a minha bermuda e com a maquiagem da irmã, entre tantas coisas, como, por exemplo, se é certo ou não tocar hinos na guitarra invés de usar o piano.

Risos...

Não é o tipo de música e nem o estilo da vestimenta quem faz o mundo entrar na igreja. O mundo entra no seio da igreja quando líderes e membros disputam entre si para ser o maior. Isto tudo se dá quando caiamos no galanteio do Diabo, que nos faz acreditar que somos estrelas no Corpo de Cristo.

Afinal, o que é mundo e quando é que ele entra na igreja?

A Bíblia chama de mundo o “desejo da carne”, o “desejo dos olhos” e o “orgulho dos bens” (1 Jo 2. 16).

Se você usa terno ou é aderente do coque, mas estas coisas existem em você, o rapaz cheio de tatuagem e de bermuda, porém convertido a Cristo, é muito mais cristão do que você. Num contexto parecido, acusado de mundano pelos religiosos fundamentalistas de sua época, C. S. Lewis dizia que “ele era um pagão convertido no meio de puritanos apóstatas”. Compartilho um pouco deste sentimento.

Fiquemos com as Escrituras Somente:

“... o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração”. – 1 Samuel 16:7



Em Cristo Jesus, considere esta reflexão e arrazoe isto em seu coração.



Soli Deo Gloria!

Fabio Campos
“A folha branca é o meu púlpito principal.”


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