sexta-feira, 30 de junho de 2017

CONVERSÃO NÃO É MORALIDADE, MUDE O DISCURSO DO SEU TESTEMUNHO

Por Fabio Campos

Texto base: “Mas o que para mim era lucro, passei a considerar perda.” – Filipenses 3.7


É raro encontrar alguém que defina biblicamente o que é conversão. Muitos confundem o seu resultado com o ato do que de fato ela representa.

É interessante ponderar sobre a conversão do apóstolo Paulo.

Ele não era um sujeito imoral (do ponto de vista social e religioso). Seu pecado não era a boêmia, a noitada, o mulherio. Seu mundanismo não era oriundo de uma vida pródiga, mas do orgulho de sua “pregressa piedade”. Paulo, do ponto de vista da lei era irrepreensível; também era um bom cidadão; além de ser exemplo para qualquer um de seus compatriotas.

O passado ímpio do apóstolo, todavia, é justamente o testemunho de muita gente dos nossos dias. Seus deveres religiosos eram devidamente cumpridos. Mas do que Paulo tinha que se arrepender?

Perceba o discurso da grande maioria; falam mais do que fizeram para Cristo do que aquilo que Cristo fez por eles.

Paulo mantinha sua segurança no realizar dos afazeres ministeriais e na virtude das boas obras. Era disto que ele se arrependeu. Muitos, porém, se gabam justamente do que Paulo considerou perda. Ou seja, apoiam-se em suas obras de justiça (Fp 3. 4-9).

Afinal, o que é conversão?

A primeira coisa que precisa ser definida é que conversão não é moral, mas ontológica. A moral (e não moralismo) é simplesmente o resultado da nova criatura que foi gerada em Cristo (2 Co 5.17). A primeira coisa que deveria ser dito num testemunho não é o que você é, ou faz hoje, mas como Deus te convenceu do quanto a sua justiça (aquilo que você confiava para salvação) se tratava de esterco (excremento humano, porção do alimento rejeitado pelo organismo como não nutritivo e que deve ser expelido).  

Por ignorância da sã doutrina, quando Cristo me converteu a Ele, logo de inicio fui radical com coisas que hoje tolero (usos, costumes e ingestão de alimentos em geral), e tolerava coisas que hoje sou radical (doutrinas espúrias). Pelo estudo das Escrituras fui convencido de que o Reino de Deus não consiste em “coisas”, mas pessoas que verdadeiramente tiveram um novo nascimento; nascidas não de descendia natural, nem pela vontade de algum homem, mas de Deus (Jo 1. 13).

Não se trata do que você come ou do que você bebe; mas de justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm 14.17).

Muitos chamam de pecado o que Deus fez para ser desfrutado. A Bíblia chama esses “mestres” de hipócritas e mentirosos, que têm a consciência insensível (1 Tm 4.2). E é aqui que entra o ponto que ofusca o verdadeiro sentido ontológico do resultado da conversão. Baralhar santificação com rigor ascético, abstendo até de prazeres legítimos; proibir o que Deus criou para nosso deleite e para o louvor da sua glória (1 Tm 4.3; 1 Co 10.31). Muitos religiosos taxariam de mundano as festas realizadas sob orientação do próprio Deus no meio do seu povo (Dt 14.26).

Conversão passou a ser “não tocar” nisto; “não provar” aquilo; “não manusear” tal coisa. De fato, como diz a Escritura, isto até tem aparência de santidade; mas só aparência, pois não tem valor algum no combate contra os desejos que realmente são pecaminosos (Cl 2. 20-23).

Os legalistas, no entanto, dizem ser certo justamente o que Deus abomina (opressão em nome da lei). Seita procede exatamente deste modo. Rígidos para com o corpo e laicos na doutrina, que poderia libertar as pessoas do fardo pesado colocado sobre seus ombros.

O Senhor é traído não quando caímos pela fraqueza da carne. Deus é traído quando nos apartamos da simplicidade e pureza devidas a Cristo; quando abraçamos outro evangelho; quando prestamos culto a um "deus" estranho (tipo mamon, o “deus” da teologia da prosperidade). Isto é traição!

A conversão, portanto, está muito além da mera mudança de comportamento. A conversão bíblica consiste primeiramente em abandonar por completo sua própria justiça para lançar-se por completo, por meio da fé, na justiça de Cristo (Ef 2. 8-9). É descansar no sacrifício vicário de Jesus; se trata em renunciar nossa auto-suficiência e pretensioso orgulho de cumprir a lei (Fp 3.3).

O que importa não é isto ou aquilo; guardar o sábado; deixar de comer ou beber certos alimentos. Nada disto valerá se, contudo, você não for nova criatura. Estamos firmados e confirmados numa Pessoa. Não é a obediência de regras ou a observação de determinada tradição que nos fará aceitáveis diante de Deus. É Cristo Jesus, justiça nossa. É n’Ele e em nada mais. Ele é tudo para aquele que sabe que não possui nada.

Se você ainda se apóia no seu desempenho religioso; no fato de se abster, por exemplo, do álcool e de certos alimentos – você até pode ser um bom moço ou moça, mas você ainda não é um genuíno cristão. O Evangelho de Cristo incomoda os libertinos tanto quanto incomoda os legalistas. Os libertinos esquecem Deus; os legalistas tentam ser Deus.

Portanto, conversão é ter em Cristo toda a confiança, é ser achado n”ele, não tendo por justiça as nossas obras, mas sim a justiça que procede da fé no Salvador, a saber, a justiça que vem de Deus. O fim da lei é Cristo para a justificação do todo aquele crê.


Em Cristo Jesus, considere esta reflexão e arrazoe isto em seu coração.


Soli Deo Gloria!

Fabio Campos

“A folha branca é o meu púlpito principal.”


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