quarta-feira, 10 de maio de 2017

NÃO EXISTE TRABALHO RUIM, O RUIM É TER QUE TRABALHAR!


Por Fabio Campos


Um dos primeiros conceitos apresentados em “economia” é o “homo economicus”, que diz que o homem procurava trabalho não porque gostava dele, mas como um meio de ganhar a vida através do salário que o trabalho proporciona. Em suma, o homem é motivado a trabalhar pelo medo de passar fome. O dito do seu Madruga, uma das personagens do seriado do Chaves, explica de forma clara este conceito: “Não existe trabalho ruim; o ruim é ter que trabalhar”. Risos...

Quando, porém, alguém se converte a Cristo, toda sua vida gira não mais em torno de sua própria vontade; o alvo agora é outro: “... agradar àquele que o alistou...” (2 Tm 2.4). O que isto significa? Significa que tudo o que fizermos de hoje em diante deve trazer glória para Deus (1 Co 10.31). O engrandecimento pessoal deve ser rejeitado se a glória de Deus não for o alvo de todas as buscas e anseios.

A principal função de um servo de Deus é ser um embaixador de Cristo onde ele se encontra (2 Co 5.20). As obras das nossas mãos, antes de tudo, são para servir pessoas que precisam do seu trabalho trazendo glória para o Pai que está nos céus (Mt 5.16). A prestação do bom serviço deve ser a motivação de todo aquele que deseja viver para a glória de Deus, e não o lucro.

Com efeito, o secularismo entrou nas igrejas evangélicas. A teologia da prosperidade não vê o trabalho como um fim em si mesmo, como meio de servir a Deus e ao próximo, mas um meio para de adquirir riquezas. C. S. Lewis foi muito feliz ao dizer que, a importância da modernidade está em comprar e vender (principalmente vender) coisas quando o foco deveria ser em produzi-la ou usá-las. Infelizmente o lucro é quem dita às regras.

Grande parte das pessoas busca satisfação somente em resultados. São pessoas (e talvez a maioria da população) que não consegue contentamento no processo. Esperam vinte e nove dias dentro de um mês para poderem se alegrar.  São pródigas com a vida; esquecem com facilidade que ela é curta (Sl 90.10). O que deveria trazer alegria, isto é, o trabalho em si mesmo, traz ansiedades. Vivem de resultados. Uma série de problemas de saúde nasce deste estilo de vida; depressão, síndrome do pânico, gastrite e etc.

Deus, porém, quando nos criou, colocou em nós o senso de sermos “frutíferos” (Gn 1.28). Ou seja, o que traz alegria não é o resultado, mas a construção dele. Focar apenas no resultado traz ansiedade; enquanto que no dever cumprido há alegria. 

Em Latim, a palavra felix (genitivo felicis) – originalmente quer dizer “fértil”, “frutuoso” (“que dá frutos”), “fecundo”. A sensação de bem estar no fim do dia provém do “dever cumprido” e não dos resultados. Quer ser feliz no seu trabalho? Tenha alegria no “processo” e deixe um pouco de lado o “resultado”. Lembre-se que o resultado é simplesmente a conseqüência do processo.

O que motiva o cristão em sua labuta não são os resultados, mas a glória de Deus. Seu objetivo não é o sucesso, mas a fidelidade e integridade na construção de uma vida.

Muitos entendem que o trabalho foi o castigo aplicado por Deus ao homem em conseqüência da desobediência; mas isto não é verdade. A primeira pessoa que trabalhou na história (e continua trabalhando) foi o próprio Deus (Jo 5.17). Ele que é infinito em poder e criação, e que não se cansa, após ter criado tudo, descansou (Gn 2.2). Descansou não porque estava cansado; mas porque era hora de desfrutar de tudo o que havia feito para a Sua glória.

O Senhor foi criando, porém, somente no final Ele ponderou acerca da qualidade do processo: “E Deus viu tudo quanto fizera, e era muito bom” (Gn 1.31). Em Deus não há aflição de espírito por resultados. Faça bem o que deve ser feito e entregue os resultados a Ele: “Pois comerás do trabalho das tuas mãos; feliz serás, e te irá bem” (Sl 128.2).

Algo me deixa perplexo: o Criador dos Céus e da terra ao vir neste mundo escolheu uma profissão pouco notada. A mão que fez o lindíssimo “Corcovado no Rio de Janeiro” foi a mesma que fez mesas e cadeiras em Nazaré (Mt 13.55). Aquele Carpinteiro que talhou diversas mobílias é o mesmo que sustenta o universo com o poder da sua Palavra (Hb 1.3). Jesus nunca ligou para status. Ele Sempre foi (Jo 8.58). Quem deseja notoriedade é porque ainda não é. Disto surge a necessidade de se provar para conseguir sua própria aprovação: “... todo trabalho e todo êxito procedem da inveja entre as pessoas” (Ec 4.4).

Pela a glória de Deus trabalhos para prover nossas necessidades e as dos nossos. Não somente Jesus, mas o apostolo Paulo, por exemplo, demonstraram que um trabalho humilde, realizado com felicidade, vale muito mais do que qualquer fortuna. Isto é nobreza: “E, como era do mesmo ofício, ficou com eles, e trabalhava; pois tinham por ofício fazer tendas (At 18.3).

Trabalhamos para ajudar os necessitados (At 20. 34,35) e para não ser incômodos a ninguém: “Porque bem vos lembrais, irmãos, do nosso trabalho e fadiga; pois, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós, vos pregamos o evangelho de Deus” (1 Ts 2.9).

A Escritura condena a inquietude (1 Ts 4.11); um dos mandamentos é “não andar ansioso por nada” (Mt 6.25). A busca desenfreada por resultados, status, fama, dinheiro é condenada por Jesus: “Tenham cuidado, para que os seus corações não fiquem carregados de libertinagem, bebedeira e ansiedades da vida, e aquele dia venha sobre vocês inesperadamente” (Lc 21.34).

Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, que faz debaixo do sol (Ec 1.3)? As pessoas que conquistaram tudo, entretanto, freneticamente, no limite – não sabem responder isto. Possuem até argumentos, mas não passa de meros clichês.

Fazer da vida apenas um meio para buscar a “felicidade” em resultados é correr atrás do vento; é comer para trabalhar e trabalhar para comer. Deus não nos criou para sermos feliz amanhã, mas hoje. Hoje foi o dia que o Senhor preparou.

Quem viver e trabalhar para a glória de Deus experimentará algo que nenhum cargo poderá proporcionar:

“Para o homem não existe nada melhor do que comer, beber e encontrar prazer em seu trabalho. E vi que isso também vem da mão de Deus.” – Eclesiastes 2:24 (NVI)


O pastor puritano Jonathan Edwards, vivido no século XVII, dizia que, a glória de Deus e a felicidade do homem não são dois objetivos principias; em vez disso, esses dois objetivos são um só. Isso significa que se a glória de Deus for alcançada nos afazeres, todos os desejos estarão satisfeitos; mas se a glória de Deus for perdida no processo, nossa alma se encherá de angústia.

Quem quiser conquistar as coisas, no entanto, separado de Deus, simplesmente ajuntará riquezas para entregá-las a quem agrada a Ele (Ec 2.26). Se você vive para a glória de Deus, presta um bom serviço na função que lhe cabe, você terá a sua recompensa. Não dos homens, mas do Senhor:

Portanto, vá, coma com prazer a sua comida, e beba o seu vinho de coração alegre, pois Deus já se agradou do que você faz. – Ec 9.7.


Quer ser feliz também no seu trabalho, por mais “ruim que ele possa parecer”? Viva e trabalhe para a glória de Deus


Em Cristo Jesus, considere este artigo e arrazoe isto em seu coração.


Soli Deo Gloria!

Fabio Campos

“A folha branca é o meu púlpito principal.”

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