quarta-feira, 24 de maio de 2017

HULDA, A MULHER QUE ESTAVA NO LUGAR CERTO


Escola Bíblica Dominical – 28 de maio de 2017 | Lição 9

Texto Áureo: 2 Cr 34.24

Verdade prática: Quando o povo se corrompe, Deus levanta homens e mulheres como instrumentos de advertência contra o pecado.

Leitura bíblica em classe: 2 Cr 34. 22-28

REFLEXÃO E OBJETIVO DA LIÇÃO: 1) Mostrar quem era a profetisa Hulda; 2) Saber que Hulda viu o tempo do avivamento; 3) Explicar que Hulda foi levantada e usada por Deus.

INTRODUÇÃO:

a. A profetisa Hulda foi demanda em um momento, depois dos cativeiros, mais difíceis de Israel.

b. O livro da Lei (o Pentateuco) estava sumido; o povo não tinha referencia, e cada um seguia e servia a Deus do seu jeito. (quando a Palavra de Deus não é pregada o povo perece Pr 29.18).

c. Hilquias, sumo sacerdote, achou o livro da lei, e levou-o até o escrivão Safã. Safã, por sua vez, leu o livro perante o rei Josias, que muito se entristeceu ao ouvir o que dizia a Lei. Em protesto rasgou suas vestes ao escutar as palavras ali contidas (provavelmente Dt 27 e 28, onde constam as bênçãos caso o povo obedecesse, e as maldições caso o povo desobedecesse).

d. O rei Josias manda o sacerdote Hilquias consultar a Deus a respeito dos ensinamentos do livro.

e. Neste contexto, Hulda, a profetiza, é solicitada e diz acerca do juízo de Deus para com Israel e Judá e a misericórdia de Deus para com o rei Josias, por ter ele se arrependimento e lamentado o seu pecado e o do seu povo.

I. QUEM FOI HULDA

1. Hulda.

a. Não há dúvida que Hulda era uma mulher de Deus, de caráter firme.

b. Ela era casada com Salum, guardador das vestimentas (reais e sacerdotais).

c. Ao que parece, sua família fosse ligada a corte; vivia na parte ocidental de Jerusalém, chamada de “segunda parte” ou “cidade baixa”.

2. Atividade que exerceu.

a. Hulda foi profetisa; isto se torna ainda mais significativo pelo fato do ofício de sacerdote ser predominantemente confiado a homens.

b. Com efeito, sua figura ganha um destaque singular, pois embora Jeremias e Sofonias estivessem profetizando naquele tempo, foi ela que foi interrogada no tocante à essa questão sobre o culto.

c. Ela aceitou o Livro como Palavra de Yahweh, e com sua autoridade proferiu julgamento contra Jerusalém e Judá.

d. Hulda não teve acesso direto ao livro da Lei: “Eles contaram a Hulda o que havia acontecido” (2 Rs 22.14).

e. Deus, entretanto, falou diretamente à ela tudo o que ocorreria com Israel e Judá: “... e ela disse que voltasse e dessem ao rei a seguinte mensagem...” (2 Rs 22.15,16).

3. Deus ouviu Hulda.

a. Talvez Hulda já estivesse alertando (junto com Jeremias e Sofonias) sobre a apostasia do povo.

b. Certamente Hulda era mulher de oração (pois o seu ministério foi devidamente reconhecido na corte).

c. No meio de tantos reis ímpios Deus levanta Josias, que tão jovem já adorava a Deus. O reinado de Josias foi sustentado também pelas orações desta serva de Deus.

d. Os grandes heróis da igreja estão no anonimato, pois trocaram os holofotes pelo quarto da oração.

SÍNTESE DO TÓPICO I                                                         

Hulda foi escolhida pelo Senhor para trazer uma mensagem de arrependimento em um tempo de apostasia.

II. HULDA VÊ O TEMPO DO AVIVAMENTO

1. Josias promove verdadeiro avivamento.

a. Com a morte prematura de seu pai Amom, Josias sobe ao trono com oito anos. Seu pai foi um rei ímpio, assim como seu avô Manassés; Amom morreu devido a intrigas na corte (2 Rs 21.23).

b. Por alguns anos, por conta de sua pouca idade, Josias reinou de modo obediente.

c. Contrariando a tradição de sua família, Josias fez o caminho inverso; “... andou nos caminhos de Davi, seu pai [grifo nosso: hebraísmo, tipo de linguagem usada pelos hebreus para referir alguém em destaque naquela descendência],  sem desviar deles nem para a direita nem para a esquerda (2 Cr 34.2).

d. Deus jamais extirpará toda luz, ainda que no pior ambiente; cada um se corrompe de acordo com os desígnios de seu próprio coração. Alguém firme e constante jamais se deixará levar pelo o ambiente; antes, porém, será luz justamente onde há trevas (Dn 1.8).

2. Aboliu a idolatria.

a. A busca a Deus por parte do jovem rei era a evidência da obra do Espírito Santo em sua vida.

b. Quando tinha 16 anos de idade (632 a.C), erradicou sistematicamente o paganismo, em todas as suas formas sincréticas, começando por Jerusalém e Judá, e estendeu suas reformas até o território do reino do Norte.

c. Aos 20 anos (628 a.C) acabou com a profanação da terra e a purificou, quando destruiu os lugares altos, os postes-ídolos (imagens de Aserá), as imagens de escultura e de fundição. Os túmulos dos sacerdotes idólatras foram profanados e seus ossos, queimados sobre os altares pagãos (2 Cr 34. 3-7; 1 Rs 13.2).

d. Contrariando seu pai e avó, ainda que com pouca idade, Josias não buscou seus próprios interesses; antes, porém, seu anseio era honrar o nome do Deus de Israel no meio daquela geração corrompida e perversa.

 “Melhor é um jovem pobre e sábio, do que um rei idoso e tolo, que não mais aceita repreensão.” – Eclesiastes 4:13 (NVI)

3. Resgatou a Lei do Senhor.

a. O livro da Lei é achado e levado ao rei Josias; ao ouvir o que nele dizia o rei lamentou seus pecados, o de seus pais e os do seu povo.  

b. Ele manda seus servos buscar o conselho de Deus; a profetisa Hulda entra em cena e entrega a sentença de Deus sobre Israel e Judá.

c. Os autores de Reis e Crônicas não especificam muito bem a natureza do livro da Lei. Parece provável que se tratava de todo o livro de Deuteronômio, devido às especificações do lugar central de adoração, a destruição de todos os lugares altos (Dt 12), maldições resultantes da desobediência (Dt 27 e 28), a celebração da Páscoa (Dt 16) e a cerimônia da renovação da aliança (Dt 27;31; 2 Cr 34. 30-32; 2 Rs 23.2).

d. Por muito tempo, Deus, sob juízo, escondeu a Palavra do seu povo; um dos indícios da ira de Deus sobre uma comunidade é quando a Palavra não é pregada de forma genuína.

e. Muitas igrejas nos dias de hoje estão entregues a este juízo, por terem desprezado a Lei do Senhor:

“Micaías prosseguiu: "Ouçam a palavra do Senhor: Vi o Senhor assentado em seu trono, com todo o exército dos céus à sua direita e à sua esquerda. E o Senhor disse: ‘Quem enganará Acabe, rei de Israel, para que ataque Ramote-Gileade e morra lá? ’ "E um sugeria uma coisa, outro sugeria outra, até que, finalmente, um espírito colocou-se diante do Senhor e disse: ‘Eu o enganarei’. " ‘De que maneira? ’, perguntou o Senhor. "Ele respondeu: ‘Irei e serei um espírito mentiroso na boca de todos os profetas do rei’. "Disse o Senhor: ‘Você conseguirá enganá-lo; vá e engane-o’. "E o Senhor pôs um espírito mentiroso na boca destes seus profetas. O Senhor decretou a sua desgraça".” – 2 Crônicas 18:18-22 (NVI)

f. Quando, porém, o Livro da Lei é achado, seja numa comunidade ou na vida de uma pessoa, há avivamento. A história dos avivamentos no meio do povo de Deus é marcada por esta característica (Ex. a reforma protestante).

“Na sua aflição, clamaram ao Senhor, e ele os salvou da tribulação em que se encontravam. Ele enviou a sua palavra e os curou, e os livrou da morte.” – Salmos 107:19,20 (NVI)

SÍNTESE DO TÓPICO II

Hulda também profetizou um tempo de avivamento.

III. HULDA É USADA POR DEUS

1. A dura mensagem de Deus.

a. Hulda não se deixou intimidar e entregou justamente o que Deus disse a ela.

b. A palavra de Deus era verdade na boca daquela mulher; Judá foi destruída por conta da idolatria; Josias foi privado do terror de ver seu povo ser levado cativo pelos babilônicos.

2. Hulda profetiza para o rei Josias.

a. A profecia entregue por Hulda se concretiza de fato na vida do rei Josias.

b. Ele não seguiu os maus caminhos de seus pais, mas humilhou-se diante de Deus. Desta forma, Deus teve misericórdia do jovem rei de Judá.

c. A morte de Josias, na batalha de Megido (609 a.C), foi ao mesmo tempo trágica e desnecessária. Josias considerou que as atividades de Neco, rei do Egito, eram uma ameaça ao seu reino, e por isso lhe fez oposição (2 Rs 23. 29,30; 2 Cr 35. 20-24).

d. Por causa deste ato de insensatez, o mais piedoso rei de Judá encontrou a morte (2 Cr 35. 20-27).

e. Mesmo diante deste fato que aparentemente se apresenta como fortuito, entendo que Deus dirigiu a vida de Josias até mesmo neste evento (Pr 16.9).

f. Deus prometeu que o rei não veria o povo ser levado cativo pelos inimigos, fato este que ocorreu apenas 23 anos depois de sua morte (609 a.C)

g. Entendo que se trata de uma especulação, mas também sei que Deus tem a palavra final diante de todas as decisões (Pr 16.33).

3. O efeito da profecia sobre Judá.

Após ouvir a mensagem profética de Hulda, Josias tomou de pronto algumas medidas que demonstraram seu cuidado e zelo em ouvir a voz de Deus:

a. Josias fez uma convocação urgente:

Não há coisa mais urgente do que o arrependimento e o abandono da vida pecaminosa: “Assim, como diz o Espírito Santo: "Hoje, se vocês ouvirem a sua voz, não endureçam o coração...”. (Hb 3:7,8).

b. Ele subiu à casa do Senhor:

Josias não fez distinção de pessoas; todas as pessoas – levitas e sacerdotes; ricos e pobres – tiveram que ouvir a Lei do Senhor e se arrepender dos maus caminhos.

c. Ele fez um concerto com Deus:

Josias foi o primeiro a se por de pé perante o povo, jurando fidelidade a Deus em cumprir tudo quanto estava escrito na Lei.

d. Em seguida, ele levou o povo a fazer o concerto com Deus:

O rei chamou o povo a fazer o mesmo que ele, isto é, jurar fidelidade a Palavra que fora lida naquele dia.

e. Aboliu por completo a idolatria:

O rei Josias, após destruir os ídolos, apelou ao povo que também destruísse os ídolos de seus corações; a páscoa desta forma pôde ser celebrada de acordo com o modo que o único Deus a instituiu.

SÍNTESE DO TÓPICO III

Hulda foi usada por Deus para advertir o rei e os israelitas do pecado de apostasia.

CONCLUSÃO

1. De fato, a profetisa Hulda não teve notoriedade em sua época, mas a sua vida ainda continua nos inspirando mesmo depois de milênios.

2. Que nossa vida possa ser um diferencial neste momento tão difícil que vivemos, tanto social como religioso.

3. Só teremos um avivamento de fato por meio da exposição da Palavra de Deus.

4. Que sejamos, então, ouvintes praticantes para incendiarmos este mundo com as Boas-Novas, isto é, o Evangelho de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.


Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

Aula ministrada na ICT – J - dia 28/05/2017

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Bibliografias:

Escola Bíblica dominical. O Caráter do Cristão. 2º trimestre de 2017; CPAD; lição 9.
O Novo Dicionário da Bíblia, Vol 1 e 2. São Paulo, SP; Edições Vida Nova, 1984
Quem é quem na Bíblia Sagrada. Editado por Paul Gardner. Editora Vida Acadêmica. São Paulo, SP

Bíblia de estudo aplicação pessoal. Editora CPAD. 

sexta-feira, 12 de maio de 2017

RUTE, UMA MULHER DIGNA DE CONFIANÇA


Escola Bíblica Dominical – 14 de maio de 2017 | Lição 7
Texto Áureo: Rt 1.16

Verdade prática: Deus usou Rute, quebrando todos os paradigmas raciais, para torná-la parte da linhagem do Messias.

Leitura bíblica em classe: Rute 1.11, 14-18

REFLEXÃO E OBJETIVO DA LIÇÃO: 1) Apresentar um resumo da história de Rute; 2) Mostrar o cuidado de Noemi e o caráter de Rute; 3) Explicar como Rute entrou na genealogia de Jesus.

INTRODUÇÃO:

a. Estudaremos a história de uma família que enfrentou a crise da fome, do luto e da desesperança.

b. Deus não escolhe segundo os critérios humanos; isto é, a maioria de seus escolhidos não são poderosos e nem nobres de nascimento (1 Co 1.26).

c. A escolha por Rute confirma justamente isso: “as coisas insignificantes do mundo, as desprezadas e as que não são nada para reduzir a nada as que são” (1 Co 1.28).

d. Essa moça estrangeira, de moabe, é levantada por Deus para ser a bisavó de Davi, do qual descenderia o prometido de todas as Nações, a saber, Cristo Jesus, Nosso Senhor.

I. RUTE, UM RESUMO DE SUA ORIGEM

1. Uma estrangeira.

a. O nome Rute significa “amizade”. Também “amiga”, “beleza”, “bela de ver”.

b. Um fato histórico tornou os moabitas adversários de Israel.

c. Na peregrinação de Israel ao Sinai, os moabitas criaram alguns obstáculos que atrapalhou Israel de chegar a terra prometida. ( Balaque, rei de moabe naquela época, incita o profeta Balaão a amaldiçoar o povo de Deus por conta que Israel se tornara um povo numeroso Nm 22).

d. Por esta razão, Deus decretou que “nenhum amonita nem moabita entraria na assembléia do Senhor, nem ainda na décima geração; nunca poderão entrar na assembléia do Senhor” (Dt 23.3).

e. As diferenças não eram meramente históricas. Os eventos do livro de Rute aconteceram “nos dias em que os juízes julgavam” (Rt 1.1). Poucos anos antes desse tempo difícil, os moabitas, sob liderança de Eglon, tinham invadido e subjugado uma grande parte do território de Israel por 18 vezes (Jz 3.12-14), até que Eúde, o canhoto, matou este rei e libertou Israel (VV. 15-29). Depois disso, Moabe submeteu-se a Israel por 80 anos (v. 30).

f. Será que Rute não sofria um certo desprezo por ser moabita? Certamente que sim; mas Deus: (misericórdia triunfa sobre o juízo)

“... não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração.” – 1 Samuel 16:7

2. Como Rute vinculou-se a uma família israelita.

a. A fome é a circunstância que fez uma família israelita migrar para a terra estranha de Moabe. A fome foi algo recorrente nos tempos dos patriarcas, tendo levado Jacó e os filhos a migrarem para o Egito.

b. Elimeleque decidiu mudar-se para Moabe (Rt 1.1,2). Naquele momento de crise, eles fizeram o que parecia ser o melhor para toda sua família, foram para Moabe.

c. Os filhos de Elimeleque e Noemi, Malon e Quiliom – contrariando os costumes da família casaram-se com as jovens moabitas, Rute e Orfa.

d. Malom casou-se com Rute; Quiliom casou-se com Orfa.

e. Mas eles se depararam com uma crise terrível que resultou na morte das três pessoas que poderia sustentar a velha Noemi. Não havia pensão na época.

f. Com efeito, perder o marido é algo doloroso; mas perder o marido e dois filhos de forma repentina, é desastroso, como é explicito nas próprias palavras de Noemi: “A minha amargura é maior do que a vossa” (Rt 1.13).

3. Em direção à terra de Judá.

a. Belém significa “casa de pão”, e o nome reflete a fertilidade de seus campos e pomares. Mas mesmo em Belém a fome atingiu a comunidade.

b. Noemi ficou sabendo que Deus estava restaurando a sorte do seu povo e decidiu voltar para a sua terra (1.6).

c. Após dez anos, Noemi com suas duas noras, parte para Belém, mas chegaram apenas Noemi e Rute.

SÍNTESE DO TÓPICO I                                                         

Rute era uma moabita que se vinculou a uma família israelita e veio a fazer parte da linhagem do Messias.

II. O CUIDADO DE NOEMI E O CARÁTER DE RUTE

1. Um amor sincero e profundo.

a. Noemi achou que não seria sábio as duas jovens deixarem Moabe, sua terra natal. Elogiou-as pela lealdade para com os seus maridos falecidos e para com ela mesma, e insistiu a que ficassem em sua terra natal.

b. Orfã foi embora e não se ouve mais a seu respeito, porém Rute “se apegou a Noemi”. O verbo é o mesmo empregado para referir-se ao casamento em Gênesis 2.24: “Por isso [...] o homem [...] se une à sua mulher”.

2. O caráter amoroso de Rute.

Orfa, viúva de Quiliom, “beijou a sua sogra”, e despediu-se, e foi embora para sua família, e “aos seus deuses” (Rt 1.15). Mas Rute demonstrou outra atitude. Preferiu acompanhar sua amada sogra. 

a. Um caráter amoroso e confiante:

“Rute, porém, respondeu: "Não insistas comigo que te deixe e não mais a acompanhe. Aonde fores irei, onde ficares ficarei!” – Rt 1.16a

I. Rute é o tipo de pessoa com a qual podemos contar; ela esteve disposta a sofrer prejuízos para cumprir o que houvera prometido. Este subirá ao monte do Senhor e jamais será abalado: Aquele que...

“... honra os que temem ao Senhor, que mantém a sua palavra, mesmo quando sai prejudicado.” – Salmos 15:4 (NVI)

b. Um caráter fortalecido na fé em Deus

“O teu povo será o meu povo e o teu Deus será o meu Deus!” – Rute Rt 1.16b

I. Esta seção de Rute é considerada um dos mais tocantes trechos da literatura. Rute renunciou a tudo quanto deveria considerar importante em Moabe e voluntariamente escolheu ir a Judá e lá começar uma vida inteiramente nova com sua sogra.

c. Um caráter decidido e firme.

I. Rute afirmou diante de sua sogra, amiga e irmã de fé sua decisão consciente:

“Onde morreres morrerei, e ali serei sepultada. Que o Senhor me castigue com todo o rigor, se outra coisa que não a morte me separar de ti! "Quando Noemi viu que Rute estava de fato decidida a acompanhá-la, não insistiu mais. – Rt 1.17,18 (NVI)

II. A vida piedosa de Noemi influenciou Rute a seguir o Deus de Israel independentemente das circunstâncias.

III. Muitos têm abandonado a Cristo por causa dos desafios e lutas; os verdadeiros adoradores, entretanto, provam o seu amor para com Deus justamente nos momentos mais difíceis da vida:

"No início, o homem ama a si mesmo em benefício próprio. Tal é a carne, que só sabe apreciar a si mesmo. Depois, ele percebe que não pode existir sozinho, e assim pela fé começa a procurar a Deus e a amá-lo como algo necessário para seu bem-estar. Esse é o segundo degrau, amar a Deus não por causa de Deus, mas por egoísmo. Porém, depois que ele aprende a adorar a Deus e a procurá-lo de forma correta, meditando sobre ele, lendo a sua Palavra, orando e observando seus mandamentos, ele aos poucos passa a descobrir quem é Deus, e o acha completamente amável. Assim, havendo provado e visto quão gracioso é o Senhor (Sl 34.8), ele avança para o terceiro degrau, quando ele ama a Deus, não simplesmente como seu benfeitor, mas como Deus mesmo." — Bernardo de Claraval, Do Amor a Deus 1

SÍNTESE DO TÓPICO II

O cuidado de Rute para com Noemi revelou o seu caráter fiel e bondoso.

III. COMO RUTE ENTROU NA GENEALOGIA DE JESUS

1. Rute chega a Belém.

a. Quando Noemi e Rute chegaram à cidade, provocaram verdadeira sensação. A pergunta que as pessoas fizeram “não é esta Noemi?”, revela que até mesmo seu físico foi abalado devido aos sofrimentos que passara em Moabe.

b. Noemi e Elimeleque tinham partido com sua feliz família; agora a própria aparência de Noemi dava testemunho das dificuldades que experimentara.

c. Noemi significa agradável, enquanto que Mara significa amarga. Ao chegar, Noemi pede para ser não mais chamada pelo seu nome, mas de Mara, devido a todo o sofrimento que passou, pois acreditava que seu sofrimento vinha de Deus, como forma de punição.

d. Rute e Noemi chegaram a “Belém no princípio da sega da cevada”. A fome se acabara e o começo da colheita era boa ocasião para retornar ao lar.

2. Rute atrai a atenção de Boaz.

a. Como Noemi era viúva e não tinha filhos, Rute tomou a responsabilidade do “arrimo de família” e foi para o campo apanhar espigas. 

b. Rute, que era uma mulher virtuosa (Pr 31), trabalhou até tarde para trazer o alimento para a sogra.

c. Ela foi para um campo de cevada que pertencia a um parente de Elimeleque, o Boaz.

d. O trabalho de Rute chamou a atenção de Boaz; Rute demonstrou sua lealdade e beneficência para com sua sogra.

e. Boaz notou a presença de uma estranha em seu campo. Sua aparência e roupas eram diferentes das outras moças que costumavam rebuscar atrás dos segadores (ganhavam favores através da sensualidade ostentada).

f. Boaz foi atraído pela virtude de Rute, pois ele já tinha ouvido falar a respeito da sua bondade e fidelidade para com Noemi.

g. Um homem de Deus se apaixona por uma mulher que reflete a glória de Deus:

“Ela se inclinou e, prostrada rosto em terra, exclamou: "Por que achei favor a seus olhos, a ponto de o senhor se importar comigo, uma estrangeira? " Boaz respondeu: "Contaram-me tudo o que você tem feito por sua sogra, depois que você perdeu o marido: como deixou seu pai, sua mãe e sua terra natal para viver com um povo que pouco conhecia.” – Rute 2:10,11

3. Rute casa com Boaz.

a. Noemi, preocupada com o futuro de Rute, viu em Boaz a possibilidade de um casamento feliz  para Rute (Rt 3.1-2). Ela aconselha Rute a se arrumar e, quando Boaz estivesse deitado, ela descobriria seus pés e deitasse ao lado deles.

b. Sob circunstâncias normais isto seria interpretado como um ato e imoralidade. Contudo, a integridade de Rute e Boaz era tal que Noemi sentiu-se livre para sugeri-lo.

c. Boaz entendeu o recado, mas conhecia a lei que dizia que a preferência de casamento era dada ao parente mais próximo.

d. Boaz procurou, logo cedo, o seu parente (função que neste tipo de situação era chamado de resgatador); chamou dez testemunhas e expôs a situação. O resgatador por direito abriu mão de Rute, e Boaz a toma para si.  

e. Boaz a Rute se casaram; o povo que compareceu à cerimônia ficou feliz com o casamento (Rt 4. 11,12). O que aconteceu?  

Rute gerou Obede, Obede gerou Jessé, Jessé gerou Davi, do qual viria ser descendente do Messias, a saber, Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

SÍNTESE DO TÓPICO III

Rute, pela graça divina, veio fazer parte da linhagem do Messias.

CONCLUSÃO

1. Ninguém está fora do alcance da graça de Deus de forma que não possa ser salvo. Rute tinha tudo contra ela, mas o Senhor salvou-a.

2. Para Deus, não há “decisões pequenas”. A decisão de Rute de apanhar espigas no campo levou-a a se tornar ancestral do rei Davi e do Messias.

3. O amor de Deus está muito além da nossa compreensão. Rute é um grande exemplo de amar a Deus e ao próximo de forma desinteressada.

4. Se agirmos assim, Deus fará o resto conforme a sua boa, perfeita e agradável vontade:

"Toda a riqueza e prosperidade vêm de ti; tu governas todas as coisas com o teu poder e a tua força e podes tornar grande e forte qualquer pessoa." (- 1 Crônicas 29.12, NTLH)


Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

Aula ministrada na ICT – J - dia 14/05/2017

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Bibliografias:

1 “A Biblioteca de C. S. Lewis”; BELL, James S. & DAWSON, Anthony; Ed. Mundo Cristão. P. 29-30

Escola Bíblica dominical. O Caráter do Cristão. 2º trimestre de 2017; CPAD; lição 7.
MORAES, Elias Soares. Dicionário Etimológico de Nomes Bíblicos. Editora Beit Shalom, 1º edição 2010. São Paulo, SP
Quem é quem na Bíblia Sagrada.Editado por Paul Gardner. Editora Vida Acadêmica. São Paulo, SP
Confira também Rute, Deus trabalha pela família