quarta-feira, 12 de abril de 2017

MELQUISEDEQUE, O REI DE JUSTIÇA

Escola Bíblica Dominical – 16 de abril de 2017 | Lição 3

Texto Áureo: Hb 7.14

Verdade prática: O sacerdócio de Cristo é superior a todos os sacerdócios, pois é perfeito e eterno.

Leitura bíblica em classe: Gênesis 14. 18-19; Hebreus 7. 1-7,17

REFLEXÃO E OBJETIVO DA AULA: 1) Explicar quem era Melquisedeque; 2) Mostrar lições do caráter de Melquisedeque; 3) Refletir a respeito do sacerdócio de Melquisedeque.

INTRODUÇÃO:

a. Mequisedeque é um personagem enigmático na história bíblica. Em hebraico, seu nome significa “rei de justiça” ou “meu rei é justo”.

b. Ele aparece numa seção histórica (Gn 14), num texto poético (Sl 110) e na parte doutrinária do novo testamento (Hb 5 a 7).

c. A primeira menção de Melquisedeque está datada em aproximadamente dois milênios antes de Cristo, a segunda em aproximadamente um milênio e a terceira na segunda metade do século I depois do nascimento de Cristo (Gn 14. 18; Sl 104.4; Hb 5.6,10; 6.20; 7. 1,10,11,15,17). 

d. Melquisedeque era justo e benevolente; reconheceu a nobreza e o valor de Abraão, forneceu uma refeição leve para o exausto guerreiro e os seus homens. Era um sinal de amizade e hospitalidade.

e. Melquisedeque tipifica Cristo, nosso Sumo Sacerdote divino. Cristo, como o rei de Salém (“paz”), dá-nos paz por meio de sua retidão, possibilitando por sua morte na cruz.

f. É encorajador ver Melquisedeque encontrar Abraão exatamente quando o rei de Sodoma o tenta. Cristo, por sua vez, como Rei e Sacerdote, pode dar-nos “graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb 4.16)

I. QUEM ERA MELQUISEDEQUE

1. Um personagem misterioso.

a. Um documento encontrado em Qunrã considerava Melquisedeque um ser angelical que ministrava o juízo de Deus. Nos primeiros séculos da igreja cristã — época de Orígenes, Jerônimo e Agostinho — era comum ser descrito como um anjo encarnado. Outros o têm relacionado com Sem, filho de Noé, e até mesmo com o Messias. Todas essas teorias, porém, são especulativas. 

b. Outros o têm relacionado com Sem, filho de Noé, e até mesmo com o Messias. Todas essas teorias, porém, são especulativas.

c. O que é explicito, entretanto, nas Escrituras, é que, este homem era “rei de Salém”, antigo nome de Jerusalém na era patriarcal. Todavia, mais importante ainda, era “sacerdote do Deus Altíssimo”.

d. Não se acham registradas nem a ascendência nem a genealogia de Melquisedeque; nem se determinam sua data de nascimento e morte, não porque era eterno, mas porque esses detalhes são característicos à sua posição de modelo, “semelhante ao Filho de Deus”.

e. Seu sacerdócio não se baseia em linhagem familiar, mas segundo o poder de uma vida indestrutível.

2. Onde ele aparece na Bíblia.

a. Quedorlaomer, rei de Elão (moderno Irã), e mais três aliados declararam guerra contra cinco reis que governavam os territórios próximos do mar Morto. A confederação estrangeira venceu a guerra. Seus soldados saquearam as cidades de Sodoma e Gomorra e levaram os moradores como prisioneiros. Entre os cativos encontrava-se também Ló, sobrinho de Abraão, e sua família (Gn 14. 1-12).

b. O patriarca, com 318 homens bem treinados, perseguiu, atacou e derrotou as forças invasoras, resgatou Ló e seus parentes e apossou-se de todos os bens levados (vv. 13-16).

c. Na volta da batalha, Abraão foi saudado pelo rei de Sodoma, o qual lhe ofereceu os espólios recuperados. Abraão recusou-se a tomar qualquer objeto que fosse do espólio, para que o rei não dissesse depois que o enriquecera.

d. Abraão com isso demonstrou temor a Deus, pois não se misturou na adoração politeísta praticada pelos reis que viviam na área do mar Morto.

e. Abraão tinha acabado de sair da presença do Deus Vivo, por meio de Melquisedeque; nada mais o atraiu a não ser agradar ao Seu Deus, o único digno de receber louvor e adoração.

3. As características de Melquisedeque.

a. Ele tinha qualidades especiais. Sua atitude generosa demonstrara que reconheceu uma vitória tão grande. Com um número menor de combatentes, Melquisedeque entendeu que a vitória só poderia ser resultado da bênção de Deus sobre Abraão (Gn 14.19,20).

b. Ele não era apenas rei de Salém, mas a Bíblia o destaca com um atributo mais elevado; Melquideque era “sacerdote do Deus Altíssimo”.

c. Melquisedeque conhecia a Deus por meio de uma tradição que se espalhou após o dilúvio ou devido revelação sobrenatural. Embora a referência ao rei de Salém em Gênesis seja breve, aparece num contexto que o retrata como uma figura histórica.

d. Abraão não somente o reconheceu como rei, mas como sacerdote, pois entendeu que Melquisedeque era digno de receber seu dízimo (Gn 14.20).

e. O patriarca honrou Melquisedeque ao pagar-lhe o dízimo de tudo. Esse é o primeiro exemplo de dízimo na Bíblia, e isso ocorreu anos antes do recebimento da Lei Mosaica.

f. Abraão deu dízimo pela fé, e através desta revelação messiânica, o patriarca reconheceu que Melquisedeque era sacerdote de El Elyon (o Deus Altíssimo), que é possuidor do céu e da terra (14.22).

g. Abraão, mesmo sem lei, de boa vontade entregou seu dízimo; ele recusou as riquezas do mundo, mas compartilhou sua riqueza com o Senhor, e Deus abençoou-o muito.

SÍNTESE DO TÓPICO I                                                  
Melquisedeque era Rei de Salém e um tipo de Cristo.

II. LIÇÕES DO CARÁTER DE MELQUISEDEQUE

1. Um caráter justo.

a. Pouca coisa sabemos sobre o caráter de Melquisedeque, porém, as atribuições dadas a ele – seja no nome ou função – fica evidente que Abraão esteve diante de um justo com reputação ilibada.

b. A Bíblia diz que ele foi “semelhante” a Jesus; creio que nesta afirmação encerram-se as especulações no que concerne a vida piedosa deste homem.

2. Um caráter pacífico.

a.  Além de ser chamado “Rei de justiça”, Melquisedeque também é chamado “Rei de paz”.

b. Certamente o autor de Hebreus destaca esta atribuição para identificá-lo com Cristo, que é chamado de “Príncipe de Paz” (Is 9.6).

c. Uma das características que evidenciam a obra do Espírito Santo na vida do cristão é a paz; paz com Deus e paz com o próximo.

d. O cristão é “tratável”:

"Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia." - Tiago 3.17

e. “Tratável” corresponde alguém que é “facilmente persuadido”, “disposto a submeter-se”; “uma pessoa de fácil convívio”.

f. O Espírito Santo é oposto a beligerância. Um não suporta o outro.  

SÍNTESE DO TÓPICO II

Melquisedeque foi um homem justo e santo.

III. SEGUNDO A ORDEM DE MELQUISEDEQUE

1. Um novo sacerdócio.

a. O livro de Hebreus deixa claro que havia necessidade de mudança do sacerdócio levítico, estabelecido assim pelo próprio Deus (Hb 7. 11,12).

b. Nós estamos sob o sacerdócio de Cristo; hoje não há mais necessidade de levitas (pois a antiga aliança caducou); todo cristão, indistintamente, é constituído por Deus como sacerdote (1 Pe 2.9).

c. Posto isto, como está escrito, devemos, portanto, portarmos como povo santo, de propriedade exclusiva de Deus, para anunciar as grandezas daquele que nos chamou das trevas para sua maravilhosa luz (1 Pe 2.9).

2. Jesus Cristo, o sacerdócio perfeito.

a. O sacerdócio de Cristo é perfeito, e destaca pela sua perpetuidade; os sacerdotes arâmico eram numerosos, pois a morte impunha que fossem frequentemente substituídos pelos seus descendentes.

b. Cristo é sacerdote para sempre; (aparabaton, que não será superado, no sentido de não passar de um para o outro).

c. Davi, no salmo (110.1), não fez referência à Melquisedeque como sacerdote perfeito, mas alguém maior do que ele, pois disse: “O Senhor disse ao meu Senhor”.

d. Essa “ordem de Melquisedeque” não era reconhecida pelos judeus, que só aceitavam e reconheciam a "ordem de Arão" ou "levítica”.

e. O autor de Hebreus, contudo, apela para a própria Escritura com intuito de mostrar que a ordem sacerdotal foi trocada; não pela a escolha de homens, mas pelo próprio Deus, conforme Ele disse a seu servo Davi (Sl 110. 4).

3. A ordem de Melquisedeque.

a. A palavra grega traduzida em “ordem” (de Mequisedeque), como aparece em Hebreus 6.20, é taxis. Ela é usada seis vezes no NT sobre o sacerdócio, e se refere a um grupo ou uma classe particular.

b. Desta forma, o autor está dizendo que o sacerdócio de cristo deve ser classificado juntamente com o de Melquisedeque e não com o de Arão.

c. Jesus não pertencia a tribo de Levi. Por isso, não seria consagrado sacerdote de acordo com a Lei. Ele pertencia a tribo de Judá.

d. O sacerdócio de Cristo, segundo a ordem de Melquisedeque, é definitivo e completo.

SÍNTESE DO TÓPICO III

Jesus foi sacerdote eterno segundo a ordem de Melquisedeque.

CONCLUSÃO

1. Com efeito, Melquisedeque foi um homem piedoso e singular na história para judeus e cristãos.

2. A Bíblia não traz detalhes sobre sua morte; Cristo, porém, morreu, mas ressuscitou para ser Sacerdote para sempre.

3. Em Cristo, tudo está consumado; o perfeito sacerdócio se encontra n’Ele, em virtude de:

v Sua natureza superior (Hb 7. 4-11).
v Ter sido qualificado pelo poder de uma vida indissolúvel e não por regulamentos físicos.
v Ter sido instituído pela autoridade da Palavra de Deus,
v Ter introduzido uma melhor esperança, com acesso imediato a Deus.
v Ter sido decretado como definitivo por juramento divino, estabelecendo e ordenando o sacerdócio terno de Cristo.

4. Cristo, portanto, é a garantia de uma nova e melhor aliança em virtude da melhor validade do juramento (Jr 31. 31-33; Mt 26.28; 1 Co 11.25).


Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

Aula ministrada na ICT – J - dia 16/04/2017

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Bibliografias:

Escola Bíblica dominical. O Caráter do Cristão. 2º trimestre de 2017; CPAD; lição 3.
CARSON, D.A & FRANCE R.T & WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova. Editora Vida Nova, 2009. São Paulo, SP
UNGER, F. Merrill. Manual Bíblico Ungler. Vida Nova, 2011. São Paulo, SP
RIENECKER, Fritz & ROGERS, Cleon. Chave Linguistica do NT. Editora Vida Nova, 2006. São Paulo, SP
RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do NT. Editora CPAD, 2014. Rio de Janeiro, RJ
WARREN, W. Wiersbe. Comentário Bíblico AT. Santo André, SP; Central Gospel, 2009.
Quem é quem na Bíblia Sagrada. Editado por Paul Gardner. Editora Vida Acadêmica. São Paulo, SP