domingo, 30 de abril de 2017

BIBLIOTECAS CHEIAS E CORAÇÕES VAZIOS


Por Fabio Campos

Nenhuma outra religião forneceu tantos livros à humanidade do que o cristianismo. Deus foi bondoso conosco, e entregou à igreja homens inteligentíssimos, que nos ajuda a pensar a respeito de Deus, do homem e do mundo e suas cosmovisões.

É humanamente impossível ler todas as obras produzidas pelos principais expoentes do protestantismo. Vamos morrer sem ter conseguido ler todos os livros de nossa biblioteca. (confesso que isso me deixa apavorado).

Ao contrário do que dizem os céticos, quando acusam os cristãos de ignorância intelectual, o cristianismo é racional. A doutrina entregue a nós se apóia numa fé inteligente. Não é racionalista porque não ousa – como tentam os teólogos liberais – explicar milagres. Mas é racional porque dá respostas concretas a respeito da esperança que cada cristão desfruta.

Pois bem...

Com tantos argumentos que temos, entretanto, o que nos falta para colocar fogo no mundo?

Observando o ministério terreno do Senhor Jesus Cristo, percebemos que as pessoas eram atraídas não pela eloqüência do discurso, mas pela a autoridade com a qual Ele pregava e ensinava: “... as multidões estavam maravilhadas com o seu ensino, porque ele as ensinava como quem tem autoridade, e não como os mestres da lei” (Mt 7:28,29).

Diferente dos escribas e fariseus, as palavras do Senhor não somente informava a mente, mas aquecia os corações. Jesus tinha comunhão com o Pai. Ele que não precisava orar foi a pessoa que mais orou.

Se não tivermos vida com Deus e em Deus, até teremos os argumentos, porém desprovidos do poder de Deus. Ao invés de confrontar, afrontaremos. Nossas palavras tão somente suscitarão ira e não terão eficácia para levar as pessoas ao arrependimento.

Em seu livro “O sorriso escondido de Deus”, John Piper conta que, certa vez, John Owen, o maior de todos os teólogos Puritanos, e contemporâneo de Bunyan, quando indagado pelo rei Charles quanto ao motivo de ir ouvir um funileiro sem formação alguma pregar, respondeu: "Eu trocaria voluntariamente minha erudição pelo poder do funileiro de tocar os corações das pessoas". 

Não tenho dúvida alguma que possuímos argumentos de sobra. Vá a uma biblioteca e veja a quantidade de livros teológicos e apologéticos que estão à nossa disposição (o que é uma grande bênção!). Com efeito, porém, a lógica é necessária desde que ela esteja pegando fogo (como dizia, Martyn Lloyd-Jones!). Uma boa biblioteca nos ajudará muito, mas nada podemos sem o fervor e autoridade outorgados pelo Espírito de Deus.

De fato, há uma profunda escassez de conhecimento bíblico e teológico no meio evangélico; mas há também pouca virtude e poder do Espírito Santo em muitos de nós. Podemos até ter persuasão, mas se não houver poder do Espírito, seremos apenas um prato que retine. Os argumentos estão nas bibliotecas, mas o poder de Deus está com aquele que O conhece (Jr 9. 23,24).

Que possamos ter uma mente cheia de luz, porém que nunca nos falte o revestimento do alto, para testemunharmos com graça e ousadia a respeito do Nosso Deus (At 1.8).

Aviva, ó Senhor, a tua obra!


Em Cristo Jesus, considere este artigo e arrazoe isto em seu coração.


Soli Deo Gloria!

Fabio Campos

“A folha branca é o meu púlpito principal.”

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quinta-feira, 20 de abril de 2017

O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE COMER CARNE?


Por Fabio Campos

Texto base: “No qual havia de todos os animais quadrúpedes e feras e répteis da terra, e aves do céu. E foi-lhe dirigida uma voz: Levanta-te, Pedro, mata e come.” - Atos 10:12,13 (AFC)



INTRODUÇÃO

Há diversas vertentes que tomam como regra a abstenção de carnes e produtos que envolvem, no seu processo de fabricação, o uso de animais. O veganismo e o vegetarianismo talvez sejam as principais. Em suma, o vegetarianismo pode ser adotado por algumas razões, como, por exemplo, a questão ética, saúde ou religião; o veganismo, por sua vez, tem como cerne a questão ética, de luta pela libertação e não exploração de animais.

Os vegetarianos rejeitam todo tipo de carne (de vaca, porco, peixe, frango etc) e seus derivados (presuntos, embutidos etc). Os Veganos, porém, não consomem nenhum produto de origem animal. Esta vertente também não consome produtos que são testados em animais, como são a maioria dos remédios e cosméticos em geral.

Muitos cristãos têm adotado a esses movimentos (o que não vejo problema). A questão, contudo, é que grande parte deles têm se tornado militantes, e querem a qualquer custo (ainda que seja contrário as Escrituras) fazer prosélitos e angariar discípulos para estes movimentos.

Feita a introdução, qual o posicionamento da Bíblia referente ao trato com os animais? Podemos abatê-los para nos alimentarmos? Por que e para que Deus criou os animais? Qual a relação entre os homens e os animais?

1. A RELAÇÃO COM OS ANIMAIS ANTES DO DILÚVIO

Muita coisa se perdeu com o dilúvio; os registros paleontológicos (estudo dos fósseis) trazem evidencias que tanto a flora (estudo das plantas), como a fauna (estudo dos animais) pré-diluvianas, eram abundantes.

Com efeito, o homem só passou a comer carne após o dilúvio, e não antes (Gn 1.29). Os vegetais, entretanto, já não ofereceriam os nutrientes necessários para a sobrevivência. A vida já não era a mesma como era antes do dilúvio. Deus, então, permite ao homem que agora também se alimente, além dos vegetais, dos animais:

“Todos os animais da terra tremerão de medo diante de vocês: os animais selvagens, as aves do céu, as criaturas que se movem rente ao chão e os peixes do mar; eles estão entregues em suas mãos. Tudo o que vive e se move lhes servirá de alimento. Assim como lhes dei os vegetais, AGORA lhes dou todas as coisas”. – Gênesis 9.2-3 (NVI)

A Bíblia faz uma distinção entre “animais domésticos”, “aves do céu” e “animais do campo” (Gn 2.20). Antes que Deus houvera permitido o consumo de carne, os animais já eram usados para sacrifícios; seja para a propiciação pelo pecado ou por ofertas de gratidão (Gn 4.4). Antes do pecado, nenhum animal fora sacrificado e nem abatido para servir de alimentação.

Com a queda do homem, a primeira pessoa a sacrificar um animal foi o próprio Deus, quando fez roupas de peles para Adão e Eva cobrirem sua nudez (Gn 3.21). Quem ousaria dizer que Deus errou ao matar um animal qual Ele mesmo houvera criado?

Quando o Senhor ordena a Noé que entrasse na arca com a sua família, Ele também o orienta a levar consigo um macho e uma fêmea de todas as espécies de aves, de todas as espécies de animais e de todas as espécies de seres que se arrastam pelo chão, para conservá-los vivos (Gn 6. 19,20), pois o objetivo era preservar as espécies (Gn 7.2-4), e conservar aqueles que seriam usados para o sacrifico após o dilúvio (Gn 8.20). Por conta deste ato de Nóe, Deus não mais enviaria outro dilúvio sobre a terra (Gn 8.22,22).

2. A RELAÇÃO COM OS ANIMAIS APÓS O DILÚVIO

Após o dilúvio, houve uma alteração no relacionamento do homem com os animais (Gn 9.2). Os animais, por ordem do próprio Deus, passaram a fazer parte da alimentação do homem (Gn 9.3). O que fica subtendido é que, o homem não poderia usar os animais para satisfazer seus maus desígnios. Não é admitido em hipótese alguma judiar, maltratar ou matar os animais simplesmente por lazer e diversão. O uso dos animais deve ser conforme as ordenanças do próprio Deus, da forma como Ele determinou que fosse.

C. S. Lewis, em seu livro “O problema do sofrimento”, gasta um capítulo inteiro para falar somente a respeito do sofrimento dos animais. Como alguém que tinham um grande apreço pelos bichinhos (talvez por influência dos escritos de Francisco de Assis, qual Lewis muito estimava), muito lúcido, ele diz:

“O homem foi designado por Deus para que tivesse domínio sobre os animais, e tudo o que homem faça a um animal ou é um exercício legitimo ou um abuso sacrílego de uma autoridade concedida por direito Divino.” 1

Alguns veganos e vegetarianos usam a Bíblia para fundamentar sua posição de que a Escritura condena o abate de animais para consumo, com base em Gênesis 9.5.

Se estudarmos o texto ainda que superficialmente veremos que significado da passagem se opõe justamente a ideia de que o homem é quem deve ser punido caso ele mate um animal.

“Eu acertarei as contas com cada ser humano e com cada animal que matar alguém.” – Gênesis 9.5 (NTLH)

Veja que a Bíblia condena o derramamento de sangue do HOMEM, e não do animal. Ou seja, se um homem matar (com dolo) outro homem, Deus lhe pedirá contas; se um animal matar um homem, neste caso o animal deverá ser punido pelo seu ato (Ex 21. 28-32).

As pessoas que possuem, por exemplo, cachorros de grande porte (tipo Pitbull, Hot Valley Etc), se porventura o animal atacar seu dono ou algum membro de sua família – este cachorro, como acontece na maioria dos casos – é entregue a outra pessoa ou instituição ou sacrificado (entendo que este último caso seja um pouco mais cruel).

Portanto, o animal foi criado para servir o homem, e não homem para servir o animal. Como foi dito aqui, a Escritura não aborda possíveis punições ao homem caso ele mate um animal, mas traz as punições caso um animal matasse o homem.

3. O ANIMAL COMO ALIMENTO

Em diversas partes, a Bíblia afirma que os animais são dádivas de Deus entregue ao homem também para o alimento (pois há também uma relação de afeto e carinho entre o homem e animais [2 Sm 12.3; Pr 12.10]): A Bíblia não proíbe o consumo de carne:

“Aquele que come carne, come para o Senhor, pois dá graças a Deus...” (Rm 14.6).

“Comam de tudo o que se vende no mercado...” (1 Co 10.25). [no mercado também se vende carne].

“Pois tudo o que Deus criou é bom [grifo nosso: incluindo carne, conforme citado no verso anterior; 1 Tm 4.3], e nada deve ser rejeitado, se for recebido com ação de graças.” – 1 Tm 4.4

O primeiro Concílio da igreja [e talvez o mais importante] aconteceu em Jerusalém, e tratou de assuntos essenciais para que cristãos gentios e judeus pudessem viver em harmônio. A questão central foi o consumo de carne vendidas em açougues que se utilizavam dos restos dos sacrifícios aos ídolos para a venda e comércio.

Este era o momento crucial – se fosse pecado abater e comer os animais – de restringir o consumo. Porém não foi o que aconteceu. Ficou acordado que a carne deveria ser consumida, entretanto, sem o sangue. Também não podia ser carne sufocada (quando o animal não é degolado ao ser abatido, mas sufocado).

A preocupação dos apóstolos não era com os animais que seriam usados, mas com os judeus que se escandalizavam com as práticas dos gentios. Tudo era feito por amor as pessoas, para que nenhuma barreira fosse erguida a fim de atrapalhar a chegada do evangelho àqueles que pensavam deste modo (At 15. 19-22).

Portanto, tudo o que foi criado por Deus – seja comida seja bebida – deve ser consumido para o Louvor da Sua glória (1 Co 10.31).


CONCLUSÃO

Eu amo animais, e louvo a Deus por sua sabedoria e criatividade pela diversidade com a qual Ele os criara. A inteligência, os instintos, os afetos e etc. Às vezes, esses bichinhos parecem gente. Risos... Deus fez tudo perfeito, inclusive os animais. Por diversas vezes, enquanto escrevia este artigo, nossa cachorrinha, Polly Plummer (nome dado a ela carinhosamente em referência a menina Polly, das Crônicas de Nárnia, na história do “O Sobrinho do Mago”), esteve aos meus pés fazendo-me companhia. Deus é perfeito!

Sobre o amor que as pessoas têm por seus animais, a este respeito me solidarizo com o sentimento de C. S. Lewis:

“Nunca rirei de alguém que esteja sofrendo por causa de um animal querido. Acho que Deus quer que amemos mais a Ele, não que amemos menos as criaturas (até mesmo os animais).” 2

De verdade, respeito às pessoas que aderiram um estilo de vida: “... aquele que se abstém, para o Senhor se abstém, e dá graças a Deus” (Rm 14.6).

No entanto, o meu protesto é direcionado aquele que pensam estar moralmente acima dos outros pelo simples fato de não consumirem carne:

“A comida, porém, não nos torna aceitáveis diante de Deus; não seremos piores se não comermos, nem melhores se comermos.” – 1 Co 8.8

Como disse o filósofo Luiz Felipe Pondé, isto são “modas de comportamentos”, criações de gente que, na maioria das vezes, preservam os animais, entretanto, são a favor do aborto; não querem ter filhos porque filho dá muito trabalho.

É interessante notar que a natureza é a maior besta fera de todas. Por que estes ativistas não vão para a selva a fim de adestrar os leões para que eles comam apenas vegetais? Será que o problema está nos animais que se auto-devoram? O que muita gente não sabe é que, muitos animais foram extintos não por causa do homem, mas por causa da própria natureza.

De fato, a mãe natureza é a maior besta fera de todas. Ninguém ensinou os animais que comer outros bichos é certo; não se trata de ética, mas de instinto; a questão não é moral, mas sobrevivência. (até porque se os animais não comessem outros animais muitas das espécies existentes já estariam extintas devido a desnutrição).

Pois bem.

Conta-se que, uma mulher judaica atravessava uma fome muito severa junto com seus filhos. A única coisa que ela tinha para alimentar ela e seus filhos era uma galinha que vivia em seu quintal. Os judeus são austeros no critério para sua alimentação. Antes de comer algo, principalmente carne, eles fazem uma avaliação rigorosa (conforme listado no livro de levítico) para saber se aquele alimento é casher, isto é, se é próprio ou não para consumo.

A mulher, não tendo mais alternativa, levou a galinha até o rabino, para verificar se tratava-se de um alimento casher. O rabino verificou; olhou; analisou; olhou de novo; sua esposa preocupada com aquela senhora, perguntou com muita ansiedade ao seu marido se aquela galinha poderia servir de alimento para aquela família. O rabino havia encontrado uma mancha no animal, o que, no entanto, tornava a galinha impura para o consumo.

A esposa do rabino corajosamente tomou a galinha das mãos do marido e a entregou à mulher. O rabino ficou furioso com ela, e perguntou o por que ela havia feito aquilo. Ela, por sua vez, respondeu:

– Você estava olhando a galinha; eu, porém, estava olhando a mulher e seus filhos.

Como disse o próprio Jesus, o que tornar alguém impuro não é o que se come, mas o que se fala e faz. Pois a maldade dos homens – isto é, os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as imoralidades, os roubos, as fofocas e calúnias – se encontra no coração do ser humano, e não nos alimentos que ele consome (Mt 15. 17-20).


Em Cristo Jesus, considere este artigo e arrazoe isto em seu coração.

Soli Deo Gloria!

Fabio Campos

“A folha branca é o meu púlpito principal.”

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Citações:

1 LEWIS, C. S. O problema do Sofrimento. Editora Vida, 2009. São Paulo, SP; p. 155
2 LEWIS, C. S. Cartas a uma senhora americana. Editora Vida, 2006. São Paulo, SP; p. 75

quarta-feira, 12 de abril de 2017

MELQUISEDEQUE, O REI DE JUSTIÇA

Escola Bíblica Dominical – 16 de abril de 2017 | Lição 3

Texto Áureo: Hb 7.14

Verdade prática: O sacerdócio de Cristo é superior a todos os sacerdócios, pois é perfeito e eterno.

Leitura bíblica em classe: Gênesis 14. 18-19; Hebreus 7. 1-7,17

REFLEXÃO E OBJETIVO DA AULA: 1) Explicar quem era Melquisedeque; 2) Mostrar lições do caráter de Melquisedeque; 3) Refletir a respeito do sacerdócio de Melquisedeque.

INTRODUÇÃO:

a. Mequisedeque é um personagem enigmático na história bíblica. Em hebraico, seu nome significa “rei de justiça” ou “meu rei é justo”.

b. Ele aparece numa seção histórica (Gn 14), num texto poético (Sl 110) e na parte doutrinária do novo testamento (Hb 5 a 7).

c. A primeira menção de Melquisedeque está datada em aproximadamente dois milênios antes de Cristo, a segunda em aproximadamente um milênio e a terceira na segunda metade do século I depois do nascimento de Cristo (Gn 14. 18; Sl 104.4; Hb 5.6,10; 6.20; 7. 1,10,11,15,17). 

d. Melquisedeque era justo e benevolente; reconheceu a nobreza e o valor de Abraão, forneceu uma refeição leve para o exausto guerreiro e os seus homens. Era um sinal de amizade e hospitalidade.

e. Melquisedeque tipifica Cristo, nosso Sumo Sacerdote divino. Cristo, como o rei de Salém (“paz”), dá-nos paz por meio de sua retidão, possibilitando por sua morte na cruz.

f. É encorajador ver Melquisedeque encontrar Abraão exatamente quando o rei de Sodoma o tenta. Cristo, por sua vez, como Rei e Sacerdote, pode dar-nos “graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb 4.16)

I. QUEM ERA MELQUISEDEQUE

1. Um personagem misterioso.

a. Um documento encontrado em Qunrã considerava Melquisedeque um ser angelical que ministrava o juízo de Deus. Nos primeiros séculos da igreja cristã — época de Orígenes, Jerônimo e Agostinho — era comum ser descrito como um anjo encarnado. Outros o têm relacionado com Sem, filho de Noé, e até mesmo com o Messias. Todas essas teorias, porém, são especulativas. 

b. Outros o têm relacionado com Sem, filho de Noé, e até mesmo com o Messias. Todas essas teorias, porém, são especulativas.

c. O que é explicito, entretanto, nas Escrituras, é que, este homem era “rei de Salém”, antigo nome de Jerusalém na era patriarcal. Todavia, mais importante ainda, era “sacerdote do Deus Altíssimo”.

d. Não se acham registradas nem a ascendência nem a genealogia de Melquisedeque; nem se determinam sua data de nascimento e morte, não porque era eterno, mas porque esses detalhes são característicos à sua posição de modelo, “semelhante ao Filho de Deus”.

e. Seu sacerdócio não se baseia em linhagem familiar, mas segundo o poder de uma vida indestrutível.

2. Onde ele aparece na Bíblia.

a. Quedorlaomer, rei de Elão (moderno Irã), e mais três aliados declararam guerra contra cinco reis que governavam os territórios próximos do mar Morto. A confederação estrangeira venceu a guerra. Seus soldados saquearam as cidades de Sodoma e Gomorra e levaram os moradores como prisioneiros. Entre os cativos encontrava-se também Ló, sobrinho de Abraão, e sua família (Gn 14. 1-12).

b. O patriarca, com 318 homens bem treinados, perseguiu, atacou e derrotou as forças invasoras, resgatou Ló e seus parentes e apossou-se de todos os bens levados (vv. 13-16).

c. Na volta da batalha, Abraão foi saudado pelo rei de Sodoma, o qual lhe ofereceu os espólios recuperados. Abraão recusou-se a tomar qualquer objeto que fosse do espólio, para que o rei não dissesse depois que o enriquecera.

d. Abraão com isso demonstrou temor a Deus, pois não se misturou na adoração politeísta praticada pelos reis que viviam na área do mar Morto.

e. Abraão tinha acabado de sair da presença do Deus Vivo, por meio de Melquisedeque; nada mais o atraiu a não ser agradar ao Seu Deus, o único digno de receber louvor e adoração.

3. As características de Melquisedeque.

a. Ele tinha qualidades especiais. Sua atitude generosa demonstrara que reconheceu uma vitória tão grande. Com um número menor de combatentes, Melquisedeque entendeu que a vitória só poderia ser resultado da bênção de Deus sobre Abraão (Gn 14.19,20).

b. Ele não era apenas rei de Salém, mas a Bíblia o destaca com um atributo mais elevado; Melquideque era “sacerdote do Deus Altíssimo”.

c. Melquisedeque conhecia a Deus por meio de uma tradição que se espalhou após o dilúvio ou devido revelação sobrenatural. Embora a referência ao rei de Salém em Gênesis seja breve, aparece num contexto que o retrata como uma figura histórica.

d. Abraão não somente o reconheceu como rei, mas como sacerdote, pois entendeu que Melquisedeque era digno de receber seu dízimo (Gn 14.20).

e. O patriarca honrou Melquisedeque ao pagar-lhe o dízimo de tudo. Esse é o primeiro exemplo de dízimo na Bíblia, e isso ocorreu anos antes do recebimento da Lei Mosaica.

f. Abraão deu dízimo pela fé, e através desta revelação messiânica, o patriarca reconheceu que Melquisedeque era sacerdote de El Elyon (o Deus Altíssimo), que é possuidor do céu e da terra (14.22).

g. Abraão, mesmo sem lei, de boa vontade entregou seu dízimo; ele recusou as riquezas do mundo, mas compartilhou sua riqueza com o Senhor, e Deus abençoou-o muito.

SÍNTESE DO TÓPICO I                                                  
Melquisedeque era Rei de Salém e um tipo de Cristo.

II. LIÇÕES DO CARÁTER DE MELQUISEDEQUE

1. Um caráter justo.

a. Pouca coisa sabemos sobre o caráter de Melquisedeque, porém, as atribuições dadas a ele – seja no nome ou função – fica evidente que Abraão esteve diante de um justo com reputação ilibada.

b. A Bíblia diz que ele foi “semelhante” a Jesus; creio que nesta afirmação encerram-se as especulações no que concerne a vida piedosa deste homem.

2. Um caráter pacífico.

a.  Além de ser chamado “Rei de justiça”, Melquisedeque também é chamado “Rei de paz”.

b. Certamente o autor de Hebreus destaca esta atribuição para identificá-lo com Cristo, que é chamado de “Príncipe de Paz” (Is 9.6).

c. Uma das características que evidenciam a obra do Espírito Santo na vida do cristão é a paz; paz com Deus e paz com o próximo.

d. O cristão é “tratável”:

"Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia." - Tiago 3.17

e. “Tratável” corresponde alguém que é “facilmente persuadido”, “disposto a submeter-se”; “uma pessoa de fácil convívio”.

f. O Espírito Santo é oposto a beligerância. Um não suporta o outro.  

SÍNTESE DO TÓPICO II

Melquisedeque foi um homem justo e santo.

III. SEGUNDO A ORDEM DE MELQUISEDEQUE

1. Um novo sacerdócio.

a. O livro de Hebreus deixa claro que havia necessidade de mudança do sacerdócio levítico, estabelecido assim pelo próprio Deus (Hb 7. 11,12).

b. Nós estamos sob o sacerdócio de Cristo; hoje não há mais necessidade de levitas (pois a antiga aliança caducou); todo cristão, indistintamente, é constituído por Deus como sacerdote (1 Pe 2.9).

c. Posto isto, como está escrito, devemos, portanto, portarmos como povo santo, de propriedade exclusiva de Deus, para anunciar as grandezas daquele que nos chamou das trevas para sua maravilhosa luz (1 Pe 2.9).

2. Jesus Cristo, o sacerdócio perfeito.

a. O sacerdócio de Cristo é perfeito, e destaca pela sua perpetuidade; os sacerdotes arâmico eram numerosos, pois a morte impunha que fossem frequentemente substituídos pelos seus descendentes.

b. Cristo é sacerdote para sempre; (aparabaton, que não será superado, no sentido de não passar de um para o outro).

c. Davi, no salmo (110.1), não fez referência à Melquisedeque como sacerdote perfeito, mas alguém maior do que ele, pois disse: “O Senhor disse ao meu Senhor”.

d. Essa “ordem de Melquisedeque” não era reconhecida pelos judeus, que só aceitavam e reconheciam a "ordem de Arão" ou "levítica”.

e. O autor de Hebreus, contudo, apela para a própria Escritura com intuito de mostrar que a ordem sacerdotal foi trocada; não pela a escolha de homens, mas pelo próprio Deus, conforme Ele disse a seu servo Davi (Sl 110. 4).

3. A ordem de Melquisedeque.

a. A palavra grega traduzida em “ordem” (de Mequisedeque), como aparece em Hebreus 6.20, é taxis. Ela é usada seis vezes no NT sobre o sacerdócio, e se refere a um grupo ou uma classe particular.

b. Desta forma, o autor está dizendo que o sacerdócio de cristo deve ser classificado juntamente com o de Melquisedeque e não com o de Arão.

c. Jesus não pertencia a tribo de Levi. Por isso, não seria consagrado sacerdote de acordo com a Lei. Ele pertencia a tribo de Judá.

d. O sacerdócio de Cristo, segundo a ordem de Melquisedeque, é definitivo e completo.

SÍNTESE DO TÓPICO III

Jesus foi sacerdote eterno segundo a ordem de Melquisedeque.

CONCLUSÃO

1. Com efeito, Melquisedeque foi um homem piedoso e singular na história para judeus e cristãos.

2. A Bíblia não traz detalhes sobre sua morte; Cristo, porém, morreu, mas ressuscitou para ser Sacerdote para sempre.

3. Em Cristo, tudo está consumado; o perfeito sacerdócio se encontra n’Ele, em virtude de:

v Sua natureza superior (Hb 7. 4-11).
v Ter sido qualificado pelo poder de uma vida indissolúvel e não por regulamentos físicos.
v Ter sido instituído pela autoridade da Palavra de Deus,
v Ter introduzido uma melhor esperança, com acesso imediato a Deus.
v Ter sido decretado como definitivo por juramento divino, estabelecendo e ordenando o sacerdócio terno de Cristo.

4. Cristo, portanto, é a garantia de uma nova e melhor aliança em virtude da melhor validade do juramento (Jr 31. 31-33; Mt 26.28; 1 Co 11.25).


Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

Aula ministrada na ICT – J - dia 16/04/2017

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Bibliografias:

Escola Bíblica dominical. O Caráter do Cristão. 2º trimestre de 2017; CPAD; lição 3.
CARSON, D.A & FRANCE R.T & WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova. Editora Vida Nova, 2009. São Paulo, SP
UNGER, F. Merrill. Manual Bíblico Ungler. Vida Nova, 2011. São Paulo, SP
RIENECKER, Fritz & ROGERS, Cleon. Chave Linguistica do NT. Editora Vida Nova, 2006. São Paulo, SP
RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do NT. Editora CPAD, 2014. Rio de Janeiro, RJ
WARREN, W. Wiersbe. Comentário Bíblico AT. Santo André, SP; Central Gospel, 2009.
Quem é quem na Bíblia Sagrada. Editado por Paul Gardner. Editora Vida Acadêmica. São Paulo, SP