sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

PAZ DE DEUS: ANTÍDOTO CONTRA AS INIMIZADES


Escola Bíblica Dominical – 29 de janeiro de 2017 | Lição 5
Texto Áureo: Jo 14.27

Verdade prática: A paz, como fruto do Espírito, não promete inimizades e dissensões.
Leitura bíblica em classe: Efésios 2. 11-17

REFLEXÃO E OBJETIVO DA AULA: 1) Mostrar que depois de receber a paz de Cristo, o crente deve transmiti-la as outras pessoas; 2) Explicar que existem três tipos de inimizades e o seu alvo é destruir a unidade da Igreja de Cristo; 3) Saber que temos a missão de anunciar o evangelho e para isso precisamos ter paz com todos.

INTRODUÇÃO:

a. Paz: (produzido pelo Espírito)

b. Inimizade (produzida pela carne).

c. A paz de Cristo, o mundo nunca vai experimentar (Jo 14.27). 

d. A falta desta paz faz com o que o homem viva em guerra contra Deus e contra o seu próximo.

e. O homem sem Cristo fomenta a guerra contra o seu próximo para ter paz consigo mesmo.

f. O cristão, no entanto, procura manter a paz com todos (no que depender dele) e a guerra consigo mesmo.

g. A paz de Cristo excede todo o entendimento; não é algo epistemológico; ela não virá pelo esforço cognitivo ou intelectual; é dada pelo Espírito.

h. Mesmo em meio a crise financeira, problemas familiares e saúde – Cristo sempre nos “surpreende com a sua alegria”.

I. A PAZ QUE EXCEDE TODO ENTENDIMENTO

1. Paz.

a. A paz que excede todo o entendimento (Fp 4.7) afeta os nossos sentimentos e emoções. Paulo afirma que o Reino de Deus não se trata de comida ou bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm 14.17).

b. No grego, o vocábulo paz é eirene e refere-se à unidade e harmonia.

c. As duas coisas mais desejadas pelas pessoas são a paz e o amor. Porém, fora de Cristo tudo não passa de imitação barata. Quanto mais o homem se esforça para amar o seu próximo e manter a paz com ele – sem a sujeição a Cristo e a sua palavra – mais ele desce ladeira abaixo com a sua vanglória e justiça.

d. Olhe ao redor e veja: violência (pessoas amedrontadas), síndrome do pânico (ainda que não haja ameaça ou perigo).

e. O mundo está doente; precisamos nos ater para este fato, pois muitos irmãos estão passando por diversos problemas emocionais. Precisamos da graça de Deus para saber se a questão é espiritual ou uma disfunção física (se este for o caso, o tratamento médico deve ser indicado!).

f. Saber, pois, que o problema é físico e não procurar o médico, alegando que “Deus o curará” – é pecado, pois tal atitude nada tem a ver com a fé bíblica. Pelo contrário, quem age assim está tentando Deus (Mt 4. 5,6,7).

2. Paz com Deus.

a. A “paz com Deus” é diferente da “paz de Deus”.

b. A paz com Deus é uma bênção ligada ao passado. Trata-se de algo que já aconteceu. Não é a paz de Deus (Fp 4.7), mas a paz com Deus (Rm 5.1). Não é um sentimento, mas um relacionamento. É a paz da reconciliação com Deus.1

c. Essa paz é estabelecida de forma que não há mais inimizade entre Deus e o homem. Este ministério, constituído em Cristo, é chamado “ministério da reconciliação” (2 Co 5.18).

d.Deus está em Cristo, de forma que, quem está em Cristo está em Deus (2 Co 5.18,19). Essa é a paz “com Deus”. Confronta é diferente de conflito. Precisamos confrontar, sem, porém, entrar com conflito com as pessoas. Nossa luta não é contra as pessoas, e as nossas armas não são carnais, mas espirituais em Cristo para destruir fortalezas.

3. Promotor da paz.

a. O crente não somente tem a paz, mas a transmite a todos que estão ao seu redor.

b. Como luz do mundo, Deus nos coloca em posição de destaque (do ponto de vista espiritual), para alumiar os demais.

c. “Ao servo do Senhor”, como está escrito, “não convém discutir, mas, pelo contrário, deve ser amável para com todos, apto para ensinar, paciente, corrigindo com mansidão os que resistem, na esperança de que Deus lhe conceda o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade” (2 Tm 2 24,25).

d. Qual sua fama lá fora? Alguém esquentado, pavio curto, iracundo, lamuriento? Deus nos chama para sermos pacificadores (Mt 5.9).

e. Isaque era um verdadeiro pacificador, um homem de paz. Mesmo sendo prejudicado por seus vizinhos que entulharam seus poços, não brigou, mas procurou reconciliação (Gn 26. 19-25).

f. No jargão popular, ser cristão, é ter que “engolir sapos”. Por vezes, é abrir mão de seu próprio direito para poder usar de misericórdia para com o próximo.
g. Cristo é o nosso maior exemplo:

“... quando ultrajado, não revidava com ultraje, quando maltratado não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga com justiça.” — 1 Pedro 2.23

SÍNTESE DO TÓPICO I                                                                                       

O crente deve buscar a verdadeira paz mediante a justificação, em Cristo, pela fé.

II. INIMIZADES E CONTENDAS, AUSÊNCIA DE PAZ

1. Três tipos de inimizades.

a. No grego, a palavra inimizade é “echthra”. Esse vocábulo serve para identificar três tipos de inimizade.

1. Inimizade para com Deus (Rm 8.7): “A mentalidade da carne é inimiga de Deus...”. A inclinação da carne é hostil a Deus, não querendo se sujeitar à sua lei. Pessoas com tal natureza não podem agradar a Deus.

2. Inimizade entre as pessoas (Lc 23.12): O pastor Paulo Romeiro diz que, quando alguém está com problema nos seus relacionamentos, na verdade o problema não é com o próximo, mas com Jesus. “... quem ama a Deus ame também seu irmão” (1 Jo 4.21).

3. Hostilidade entre grupos e pessoas: “Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio. Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, E pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades”. – Efésios 2:14-16 (AFC).

Essa “barreira da separação” pode ser aqui uma alusão à parede que separava o Pátio dos Gentios e o Pátio dos Judeus dos judeus no Templo. Uma inscrição nessa parede advertia os gentios da pena de morte, se entrassem no Pátio dos Judeus. Agora, diante de Deus, não há mais segregação e nem distinção.

2. Inimizade e soberba.

a.  As inimizades são frutos da soberba. Tiago diz que aquele que quer demonstrar sabedoria, faça através do “seu bom procedimento, em humildade de sabedoria” (Tg 3.13).

b. Se, porém, tivermos em nós inveja amarga e sentimento ambicioso no coração, essa sabedoria não vem do alto, mas é terrena, animal e demoníaca, pois onde há inveja e sentimento ambicioso, aí há confusão e todo tipo de práticas nocivas (Tg 3. 14,15).

c. Deus abomina o coração altivo (Pr 6. 16,17); na igreja não pode haver disputas, antes, porém, devemos considerar os outros superiores a nós mesmos (Fp 2.3).

d. Em Cristo, somos todos iguais (Gl 3.28), pois em Deus não há parcialidade.  

e. Nossa ação deve ser diferente da atitude do Diabo. Devemos imitar o Senhor Jesus, que, existindo na forma de Deus, não considerou o fato de ser igual a Deus era algo a que devesse se apegar, mas, pelo contrário, esvaziou a si mesmo, assumindo a forma de servo e fazendo-se semelhante aos homens (Fp 2. 5,6,7).

f. Jesus é nosso padrão; qualquer coisa que não seja isso, a Bíblia chama de pecado, pois estaremos agindo pela carne, gerando contendas e partidarismo entre nós (1 Co 3.3).

3. Inimizade e facção.

a. Uma das obras da carne é facção; facção é o partidarismo que levanta uma bandeira e faz dela uma causa.

b. Na igreja de corinto não havia apenas dissensões (divergência de opiniões, disputas, desavenças), mas facções foram criadas para disputar qual grupo era o certo e mais forte.

c. Havia o grupo de Paulo, Apolo e o de Pedro; o pior de todos, entretanto, era o grupo que dizia ser de Cristo, pois este não aceitava autoridade humana (1 Co 1.12).

d. Certa vez, Martinho Lutero, ao se deparar com o partidarismo que se criou em torno de sua pessoa devido a reforma, muito sabiamente e no temor de Deus, usando o texto de 1 Co 3.4-5 para fundamentar sua exposição, disse:

“Em primeiro lugar, peço que não citem meu nome e não se digam luteranos, mas cristãos. O que é Lutero? Esta doutrina realmente não é minha. Eu não fui crucificado para ninguém. São Paulo, na 1º Epístola aos Coríntios (III, 4-23), não tolerava que os cristãos se dissessem discípulos de Paulo ou de Pedro, mas simplesmente cristão. Como eu, pobre envoltório de carne malcheirosa e prometida aos vermes, poderia sonhar, pois, que meu miserável nome fosse dado aos filhos de Cristo? Não, caros amigos, vamos extirpar esses nomes partidários e chamemo-nos de Cristão, pois, de Cristo nos vem a doutrina que temos.” 2

e. Tudo isso entristece o Espírito Santo, pois Jesus orou para que isso não viesse a acontecer entre os seus discípulos: “... para que todos sejam um; assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti” (Jo 17.21).

SÍNTESE DO TÓPICO II

O objetivo da inimizade é destruir a unidade da igreja.

III. VIVAMOS EM PAZ

1. O favor divino.

a. Toda ética cristã se resume no que Deus fez por nós; Deus nos aceitou! Por isso, devemos aceitar o nosso irmão. Perante Deus ninguém é melhor que ninguém; todos estão no mesmo nível.

b. O gentios não devem se vangloriar em cima dos judeus pelo fato de que foram enxertados na oliveira (Rm 11.17).

c. Os judeus não deveriam desprezar os gentios pelo fato de terem sido escolhidos por Deus sem nenhuma mérito para abençoar todas as nações (Gn 12.3).

d. Portanto, em Cristo não há judeu e nem grego; todos são um – devedores a Deus e ao próximo. Deus espera que preservemos a comunhão (Sl 133.1).

2. A cruz de Cristo.

a. A cruz de Cristo é o símbolo do amor sacrifical de Deus pela humanidade.

b. Jesus foi desprezado e rejeitado pelos homens; experimentou dores e sofrimentos para que pudesse levar sobre si as nossas transgressões.

c. A paz que temos hoje com Deus só foi possível porque Ele foi castigado em nosso lugar (Is 53.5).

d. Jesus, pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da vergonha que sofreu (Hb 12.2).

e. Qual a nossa resposta diante deste amor para conosco? Qual é a nossa missão?

3. A nossa missão.

a. O Senhor cumpriu o seu ministério; morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para a nossa justificação (Rm 4.25).
b. Ao ascender aos céus, Cristo deixou conosco uma missão: fazer discípulos, ensinando-os a obedecer as coisas que Ele ordenou (Mt 28.19,20).
c. Se de fato o amamos, obedeceremos os seus mandamentos. Porém, não por medo, mas pela fé que opera pelo amor:

“Toda teologia se resume na graça. Toda a ética cristã surge da gratidão.” – F. F. Bruce

d. Cristo pede de nós que vivamos sem inimizades, pois Ele é o Príncipe da paz (Is 9.6). Somente Ele poderá nos dar poder para cumprir a nossa missão e a paz para desfrutarmos da comunhão de uns para com os outros.

e. Será que não poderíamos suportar sofrimentos por amor ao Nosso Senhor? O amor é sofredor (1 Co 13.7).

SÍNTESE DO TÓPICO III

Para realizar a missão de anunciar o Reino de Deus aos povos, o crente precisa viver em paz uns com os outros.

CONCLUSÃO

1. Duas paz nos é concedida quando estamos em Cristo: 1) paz com Deus e 2) paz de Deus. Ambas fazem parte do fruto do Espírito.

2.  Que possamos ser reconhecidos pelo mundo – ainda que haja conflitos e embates por causa da nossa fé – como “mensageiros da paz”; não a paz do mundo, mas a aquela que somente Jesus Cristo pode oferecer. É isso que nos fará diferente e tornará a mensagem do evangelho atraente àqueles que ainda não o conhecem.

Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

Aula ministrada na ICT – J - dia 29/01/2017

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Notas e citações:
1 LOPES, Hernandes D. Romanos, o Evangelho segundo Paulo; p. 203
2 LUTERO, Martinho. A Liberdade do Cristão. São Paulo, SP; Escala, 2007, p. 65.

Referências bibliográficas:
Escola Bíblica dominical. As obras da carne e o fruto do Espírito. 1º trimestre de 2017; CPAD; lição 5.
HARRISON, F. Everett. Comentário Bíblico Moody, Vol 2. São Paulo, SP; Ed. Batista Regular, 2010.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

DISTINÇÃO ENTRE A SANTIFICAÇÃO E A JUSTIFICAÇÃO | J. C. Ryle



No que concordam e no que diferem? Esta distinção é importantíssima, mesmo que à primeira vista não pareça. Em geral as pessoas mostram certa predisposição em considerar só o superficial da fé, e a relegar as distinções teológicas como “meras palavras” que não têm nenhum valor. Eu exorto àqueles que se preocupam com suas almas a que se esforçam por obter noções claras sobre a santificação e justificação. Lembremo-nos de que mesmo que a justificação e a santificação sejam coisas distintas, no entanto em certos pontos são concordantes e em outros diferem. Vejamos:

Pontos concordantes:

1.    Ambas procedem e têm origem na livre graça de Deus.
2.    Ambas são parte do grande plano de salvação que Cristo, no pacto eterno, tomou sobre si em favor de seu povo. Cristo é a fonte de vida de onde flui o perdão e a santidade. A raiz de ambas está em Cristo.
3.    Ambas se encontram na mesma pessoa. Os que são justificados são também santificados, e aqueles que têm sido santificados, têm sido também justificados. Deus as têm unido e não podem separar-se.
4.    Ambas acontecem ao mesmo tempo. No momento em que uma pessoa é justificada, começa a ser santificada, mesmo que a princípio não se perceba.
5.    Ambas são necessárias para a salvação. Jamais ninguém entrará no céu sem coração regenerado e sem o perdão de seus pecados, sem o sangue de Cristo e sem a graça do Espírito, sem a disposição apropriada para gozar da glória e sem credencial para a mesma.

Pontos em que diferem:

1.    Pela justificação, a justiça de outro – de Jesus Cristo – é imputada, posta na conta do pecador. Pela santificação o pecador convertido experimenta em seu interior uma obra que o vai fazendo justo. Em outras palavras, pela justificação somos considerados justos (declarados), enquanto que pela santificação somos feitos justos.
2.    A justiça da justificação não é própria, mas que é a justificação eterna e perfeita de nosso maravilhoso Mediador Cristo Jesus, a qual nos é imputada e a fazemos nossa pela fé. A justiça da santificação é a nossa própria, inerente e infundida em nós pelo Espírito Santo, porém mesclado com fraquezas e imperfeições.
3.    Na justificação não há lugar para nossas obras. Porém na santificação a importância de nossas próprias obras é imensa e por isso Deus nos ordena a lutar, orar, velar, nos esforçar, afadigar e trabalhar.
4.    A justificação é uma obra acabada e completa; no momento em que uma pessoa crê, é justificada, perfeitamente justificada. A santificação é uma obra relativamente imperfeita: será perfeita quando entrarmos no céu.
5.    A justificação não admite crescimento nem é susceptível de aumento. O crente goza da mesma justificação no momento que vai a Cristo pela fé, que daquela que gozará por toda eternidade. A santificação é, eminente, uma obra progressiva, e admite um crescimento contínuo enquanto o crente vive.
6.    A justificação faz referencia a pessoa do crente, a sua posição diante de Deus e a absolvição de sua culpa. A santificação faz referencia a natureza do crente, e a renovação moral do coração.
7.    A justificação é um ato de Deus com referência ao crente, e não é discernível para os outros. A santificação é uma obra de Deus dentro do crente que não pode deixar de manifestar-se aos olhos dos outros.

Estas distinções são postas para atenta consideração dos leitores. Estou convencido de que grande parte das dúvidas, confusão e inclusive sofrimento de algumas pessoas muitos sinceras, se deve ao fato de se confundir e não distinguir a santificação da justificação. Nunca se poderá se enfatizar demais o que se trata de duas coisas distintas, ao que na realidade não pode separar-se, e o que participa de uma por necessidade há de participar da outra. Porém nunca, nunca, deve confundir-se, duvidar-se, a distinção que existe entre ambas.


John Charles Ryle (1816 – 1900) serviu por quase quarenta anos como ministro do Evangelho, antes de ser indicado como primeiro bispo de Liverpool (Inglaterra), em 1880.

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Texto extraído do livro: “Cultivando a Santidade”; RYLE, J. C. & BEEKE, J; Ed. Os Puritanos. P. 27-29

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

O PROPÓSITO DO FRUTO DO ESPÍRITO



Escola Bíblica Dominical – 8 de Janeiro de 2017 | Lição 2
Texto Áureo: Mt 3.8

Verdade prática: Somente através de uma vida espiritual frutífera o crente poderá glorificar a Deus.

Leitura bíblica em classe: Mt 7.13-20

INTRODUÇÃO:

a. O termo fruto é frequentemente usado de forma simbólica. 

b. No contexto do texto abordado, “fruto” diz respeito a evidência da salvação. 

c. Jesus, a partir do verso 15, expõe outros frutos, porém dos falsos profetas.

d. São os frutos dos falsos profetas que os revelam (15-20), e não sua confissão vazia (21-23). Jesus separa os verdadeiros dos falsos. No final do capítulo a casa daquele que construiu sua casa sobre a rocha é a que permanece, e não dos falsos, que construíram sua casa sobre areia.

e. A obra de Cristo não só nos salvou da ira vindoura, mas também nos enxertou na videira verdadeira, para que possamos dar muitos frutos (Jo 15.5) para o reino de Deus. (precisamos tomar cuidado com os critérios usados nos dias de hoje para dizer o que de fato é ter uma vida frutífera).

I. A VIDA CONTROLADA PELO ESPÍRITO

1. O que significa ser controlado pelo Espírito?

a. É ter comunhão com Deus de modo que todas as esferas de sua vida girem em torno da Palavra, para que, tudo o que você fizer seja feito para a glória de Deus. (sacerdócio universal; embaixador de Cristo!).

b. Ser cheio do Espírito é não ter mais paz no pecado; é não ter liberdade de pecar e ficar em paz consigo mesmo.

c. É mandamento bíblico “ser cheio do Espírito”. As pessoas que realmente desfrutaram um dia sequer do Deus Vivo, tudo o mais se torna secundário.

d. Muito diferente do que vemos hoje quando pessoas buscam a Deus para arrumar a sua vida. Com efeito, essas pessoas ainda não conseguiram desfrutar dos benéficos do reino de Deus que é justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm 14.17). (parábola do tesouro escondido Mt 13.44)

2. Um viver santo.

a. “Como sabem pouco aqueles que pensam que a santidade é maçante. Quando se encontra a verdadeira santidade, ela é irresistível.” – C. S. Lewis

b. O pecado é bom, mas a consequência de resistir a ele é incomparavelmente melhor.

c. Ser santo não é ser perfeito, mas é ter fome por Deus. Santidade consiste em alegrar-se em Deus e desfrutar dele para o resto da vida. Experimente isso e você nunca mais será o mesmo.

d. No dia em que você estiver com dúvidas a respeito da vontade de Deus para a sua vida, lembre-se que há uma da qual Ele não abriu mão: “A vontade de Deus para vós é esta: a vossa santificação” (1 Ts 4.3).

e. Se fizermos essa, todo o resto se encaminhará; experimentaremos o bom, o perfeito e o agradável de Deus.

3. A verdadeira comunhão.

a. Estar ocupado tornou-se um símbolo de status. Ser ocupado e ser importante comumente parecem significar a mesma coisa. Porém, nada mais ameaça a nossa saúde espiritual do que este pensamento.

b. Só poderemos ter uma vida frutífera se ‘gastarmos’ tempo na presença de Deus.

c. A profundidade de um ministério é medida não pelo sucesso diante dos homens, mas pela intimidade com Deus.

d. Charles Spurgeon diz que “todas as nossas bibliotecas e estudos são um mero vazio comparado com a nossa sala de oração. Crescemos, lutamos e prevalecemos na oração em secreto”. (orar com qualidade é conhecer aquele com quem você está se relacionando).

e. Não existe quem fale mais conosco do que Deus, porém não há pessoa que ouvimos menos do que Ele. Comunhão, através da oração, requer disciplina, solitude e comunhão.

II. O FRUTO DO ESPÍRITO EVIDENCIA O CARÁTER DE CRISTO EM NÓS

1. O que é caráter?

a. É possível você encontrar um pessoa de caráter, porém, sem a salvação; mas é impossível você encontrar um salvo sem caráter.

b. Como alguém já disse: a santificação é o lado visível da salvação. Ser santo é ser parecido com Jesus:

“Coloquem Cristo diante de vocês como o espelho da santificação e busquem a graça para sermos espelhos de Sua imagem. Perguntem em cada situação enfrentada: ‘O que Cristo pensaria, diria, faria?’. Então confiem n’Ele para a santidade. Ele não os desapontará.” – João Calvino

c. Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; justificação é forense,  realizada na eternidade; santificação é a obra do Espírito realizada em nós neste mundo.

2. Caráter gerado pelo Espírito.

a. É formado em nós através da regeneração, i.e., pelo novo nascimento. O cristão não é nascido do desejo da carne, e nem da vontade do homem, mas pela vontade de Deus (Jo 1.13).

b. Por isso todo cristão vive o presente diferente do seu passado. Há uma outra vida nele.

c. Este é um trabalho do Espírito Santo em nós.

d. Particularmente, a pessoa que sempre “resiste o Espírito”, como diz a revista, creio que seja alguém que ainda não nasceu de novo.

e. Paulo diz que quem vive segundo a carne tem a mente voltada para o que a carne deseja. Essa mentalidade é inimiga de Deus. Quem é dominado pela carne não pode agradar a Deus.

f. A despeito disto, diz a Escritura: 

Entretanto, vocês não estão sob o domínio da carne, mas do Espírito, se de fato o Espírito de Deus habita em vocês. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, não pertence a Cristo” – Romanos 8.9

g. Você tem o caráter de Cristo? Isso é evidente? Quem controla você, a carne ou o Espírito?

3. Um novo estilo de vida.

a. O cristianismo não é moral, mas ontológico; quem é, não precisa ser exortado a ser, assim como o sol não precisa de ordem para brilhar.

b. Como pentecostal, preciso admitir que, muitos irmãos do nosso meio põe no mesmo bolo “dons” e “frutos”, pensando que as duas coisas se trata da mesma.

c. Por trás de um discurso piedoso pode haver um coração podre. A confissão nada é, se não for autenticada pelos frutos.

d. O joio é muito parecido com o trigo; a espécie falsa engana mais se for parecido com a verdadeira. O cristianismo antes de ensinar a sermos crédulos, adverte que precisamos ser céticos, já que não são todos os espíritos que procedem de Deus (1 Jo 4.1). Não que sejamos perfeitos, mas nosso alvo é diferente do alvo do mundo.

e. “As ovelhas podem até cair na lama do pecado, mas somente os porcos gostam de viver lá”.

f. Austeridade para com o corpo não tem nada a ver com santidade. (a religião, por vezes, dizem aos pássaros que voar é pecado):

“Já que vocês morreram com Cristo para os princípios elementares deste mundo, por que é que vocês, então, como se ainda pertencessem a ele, se submetem a regras: "Não manuseie!" "Não prove!" "Não toque!"? Todas essas coisas estão destinadas a perecer pelo uso, pois se baseiam em mandamentos e ensinos humanos. Essas regras têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne.” – Colossenses 2:20-23 (NVI)

III. TESTEMUNHANDO AS VIRTUDES DO REINO DE DEUS

1. O propósito do fruto.

a. Deus nos deu do seu Espírito para que pudesse livrar-nos da corrupção e das paixões do mundo (2 Pe 1.4).

b. Somente com este princípio ativo em nós poderemos cumprir a comissão de povo eleito, para anunciar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilha luz (1 Pe 2.9).

c. Deste modo o cristão é alguém nascido da água, mas também do Espírito, pois confirma a lei que está em seu coração através da obediência da Palavra (Rm 3.31).

2. Uma vida produtiva.

a. J. C. Ryle diz que, o Espírito Santo age em nós com aquilo que a Palavra primeiramente requer de nós, e o nosso crescimento em santidade está de conformidade com esta Palavra, sendo nosso crescimento progressivo e por toda vida.

b. O cristão é alguém que sente o tempo todo uma necessidade de urgência; é alguém que tem a plena convicção que faz muito pouco pela causa de Deus, e por isso vai constantemente aos pés da cruz suplicar por misericórdia por sua vida e por aqueles que o rodeia.

c. Se você não se aflige com a sua situação e com a do mundo, certamente você está vivendo outro evangelho.

3. O que fazer para manter a produtividade.

a. O reino de Deus é tomado pelo esforço” (Mt 11.12), i.e., aqueles que querem ser fiéis a Deus precisarão de coragem para vencer o mundo e a tentação íntima.

b. A terra precisa ser arada, pois quando se encontra compactada, dura, a chuva cai e escorre; a semente bate e não entra; porém, quando é arada (revirada), a semente jogada cai na terra (fofa), cresce e da muitos frutos. Este processo é feito para que se possa ter mais produtividade.

c. Muita gente precisa ter o seu coração arado; o coração ainda se encontra duro; a terra dura é cortada no processo de arar; Deus, muitas vezes, faz isso conosco. Ele nos açoita não para nos cortar e lançar fora, mas nos poda para que possamos dar muitos frutos.

d. Precisamos, portanto, confiar em Deus mesmo quando tudo vai mal, pois todas as coisas concorrem para o nosso bem (Rm 8.28).

CONCLUSÃO

1. Quer vencer a tentação? Ande no Espírito! (Gl 5.16)

2.  Quer dar muitos frutos? Permaneça em Cristo! (Jo 15.5)

3.  O resta ele fará

"Afligir-se com suas sortes e circunstâncias é intrometer-se nos assuntos de Cristo e negligenciar os seus. Você tem procurado executar o trabalho de 'provisão' e esqueceu que o seu trabalho é obedecer. Seja sábio, dedique-se a obedecer e deixa que Cristo administre o prover." — Charles Haddon Spurgeon


Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

Aula ministrada na ICT – J - dia 08/01/2017

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Referências bibliográficas:

Escola Bíblica dominical. As obras da carne e o fruto do Espírito. 1º trimestre de 2017; CPAD; lição 02.
UNGER, F. Merrill. Manual Bíblico Ungler. Vida Nova, 2011. São Paulo, SP
LOPES, D. Lopes. Piedade e Paixão. São Paulo, SP; Candeia, 2002.
RYLE, J. C & BEEKE, Joel. Cultivando a Santidade. Editora Os Puritanos, 2000. São Paulo, SP
NOUWEN, Henri. Tudo se fez novo. Editora Palavra, 1º edição 2007. Brasília, DF
LEWIS, C. S. Cartas a uma senhora americana. Editora Vida, 1º edição 2001. São Paulo, SP