sexta-feira, 11 de novembro de 2016

JOSÉ: FÉ EM MEIO ÀS INJUSTIÇAS



Escola Bíblica Dominical – 13 de novembro de 2016 | Lição 7
Texto Áureo: Gn 39.2

Verdade prática: No enfrentamento de uma crise, a sabedoria divina é indispensável.

Leitura bíblica em classe: Gn 37. 1-11

INTRODUÇÃO:

a. A história de José é uma das biografias mais empolgantes de toda Bíblia. É impossível ler a história de José no Egito sem um sorriso nos lábios e sem lágrimas nos olhos (Gn 37, 39 — 50). 

b. Trata-se do amor de um pai que não consegue esconder sua preferência por um filho em detrimento dos outros, causando assim, grande ciúmes em seus irmãos. 

c. Deus mostrou em sonho o que haveria de ocorrer com José. Ele, porém, imaturo e mimado contou o sonho de forma arrogante e presunçosa. Seus irmãos passaram a odia-lo, começando a planejar seu sumiço.

d. Entretanto, o autor disso tudo estava no controle da história. Deus é o grande herói deste episódio. A história toda retrata a Soberania de Deus e Seu cuidado providencial para com os seus.

e. Embora José tenha seus defeitos, ele ainda se sobressai como um gingante espiritual em sua própria família. 

e. As adversidades na vida de José contribuíram para que as promessas feitas a Abraão se cumprissem fielmente (Gn 13). 

f. Será que tudo o que aconteceu com José e com sua família foram meras coincidências? 

I. Vejamos essas “coincidências” que levaram José a ser escravo e ter salvado uma nação:

1.      Jacó precisou mandar José dar uma olhada nos irmãos que pastoreavam as ovelhas (Gn 37.13).
2.      Jacó teve de acreditar que os filhos estavam nos pastos de Siquém (37.12).
3.      Se Jacó soubesse que eles estavam em Dotã (v.17b), mais distante e menos povoada, provavelmente não teria mandado Jacó atrás deles.
4.      Quando José chega a Siquém, ele, “por coincidência encontrou um desconhecido que explicou onde seus irmãos estavam, alguém gentil o bastante para iniciar a conversa (v. 15).
5.      O desconhecido explicou que sabia do destino dos irmãos porque “por acaso” ouvira a conversa deles com outra pessoa (v. 17).
6.      Se José não encontrasse o desconhecido, ou este não tivesse ouvido a conversa de seus irmãos, o rapaz não teria ido para o Egito.
7.      Os irmãos só puderam “se livrar” de José porque estavam num local afastado, e a história sobre o ataque de um animal era plausível naquela região (v. 19,20).
8.      Rúben, o irmão mais velho, era contra maltratarem José, mas aconteceu de ele estar ausente (v. 29) quando os mercadores passaram, e assim Judá e os outros ficaram livres para vender José à escravidão (v. 26-28).
9.      José teve de ser mandado à propriedade de um homem cuja esposa se apaixonou por ele. Se José não houvesse sido acusado falsamente, não acabaria na prisão.
10.   Se o faraó não ficasse nervoso com seu copeiro, este também não teria sido preso e não teria conhecido José (40. 1-3).

II. Agora imaginemos se José nunca tivesse ido para o Egito.

1.    Incontáveis pessoas morreriam.
2.    Sua própria família teria morrido de fome.
3.    Espiritualmente, para a família seria um desastre. José seria corrompido por seu orgulho, os irmãos seriam destruídos pela raiva, e Jacó, por seu amor idólatra e tendencioso pelos filhos mais novos.

Como disse William Cowper: “Não julgue o Senhor com débil entendimento, mas confie nele para sua graça. Por trás de uma providencia carrancuda, Ele oculta uma face sorridente”. 

REFLEXÃO E OBJETIVO DA AULA: 1) Apontar os sonhos de José e as crises que ele teve que enfrentar; 2) Ressaltar a crise da cova e da escravidão na vida de José; 3) Enfatizar a sabedoria de José para administrar as crises.

I. DOIS SONHOS E MUITAS CRISES

1. A família de José.

a. A família de Jacó era constituída pelos filhos com Lia, dois filhos com Raquel (José e Benjamim Gn 30. 22-24; 35.16-18) com Zilpa, serva de Léia (Gade e Aser)  e com Bila, serva de Raquel (Dã e Naftali).

b. Jacó amava mais a Raquel; José foi o primeiro filho gerado por Raquel; Jacó, por isso, lhe presenteou com uma túnica colorida, o que revelou um certo favoritismo (Gn 37.3).

c. As muitas esposas de Jacó (duas esposas e duas esposas substituas) produziram duras e tristes consequências entre os filhos. Ira, ressentimento e ciúmes eram comuns entre eles. É interessante notar que a pior luta e rivalidade ocorreram entre os filhos de Léia e os de Raquel, e entre as suas respectivas tribos descendentes. 

d. A família de Jacó nos transmite uma mensagem importante: “não existe família perfeita”. Contudo, há famílias que estão debaixo da graça de Deus. Essa é a diferença. Em Cristo, isso é possível (Rm 8.1). 

2. A inveja dos irmãos.

a. Duas razões principais foi o que acendeu a ira dos irmãos de José contra ele:

1. A Bíblia diz que José “trazia más noticias deles a seu pai”.

I. A palavra “notícia” (dibbâ) por si denota notícias destinadas a prejudicar a vítima: “... o que espalha a calúnia é insensato” (Pr 10.18b A21).
II. É provável que seus irmãos estivessem fazendo algo errado, do quê José com razão se distanciava; contudo, o livro de Provérbios aconselha que se deve retirar o véu de sobre as transgressões dos outros (Pr 10.12; 11. 12,13; 12.23).
III. No mínimo, o jovem José parece ser um irmãozinho importunante e bisbilhoteiro.
2. A segunda razão pela qual seus irmãos passaram a odiar José foi  porque ele era um sonhador arrogante.

I. No antigo Oriente Próximo, sonhos eram um meio comum de comunicação e predição divinas; os irmãos entendiam bem sua natureza profética.
II. Os sonhos de José eram sempre o colocando em posição de honra perante seus irmãos, o que despertou ódio por parte deles.
III. Porém, essa história mostra Deus como o Diretor por trás de todo esse relato (conforme vimos na introdução). 

b. Nós somos levados a julgar segundo o padrão humano; porém, nossa justiça, para Deus, “é trapo de imundícia” (Is 64.6). Deus é Soberano e seus desígnios são perfeitos, como diz o salmista: O Senhor faz tudo o que lhe apraz, no céu e na terra, no mar e nas profundezas das águas” (Sl 135.6).

“Se Deus fosse pequeno o bastante para o entendermos, não seria grande o bastante para adorarmos.” – Evelyn Underhill (Escritora inglesa 1875 – 1941).

3. Os sonhos de José (Gn 37.7,9)

a. Os sonhos nesta história vêm em pares (ver Gn 40 e 41) para mostrar que a questão é solidamente decidida por Deus e virá rapidamente como aconteceu com os sonhos de Faraó:

“O sonho veio ao faraó duas vezes porque a questão já foi decidida por Deus, que se apressa em realizá-la.” - Gênesis 41.32  

b. Um sonho isolado pode ser mal interpretado. Dois sonhos com o mesmo sentido confirmam a interpretação. 

c. Creio que a primeira pessoa que devemos falar a respeito dos nossos sonhos seja o Senhor. Ele vai guardar o nosso coração. Quando, porém, a coisa se cumprir, devemos compartilhar – se for da vontade de Deus –, para a edificação dos irmãos e para a glória de Deus. 

SÍNTESE DO TÓPICO I     
                                                                                  
José revelou seus dois sonhos a sua família e logo teve que enfrentar algumas crises.

II. A CRISE DA COVA E DA ESCRAVIDÃO

1. José é vendido como escravo (Gn 37. 27,28)

a. Os irmãos de José levaram os rebanhos até Siquém. A pedido de Jacó, José foi enviado para saber se estava tudo bem com seus irmãos (Gn 37.14). De fato, Jacó tinha motivos para se preocupar, já que sua filha Diná fora violentada naquela terra (Gn 34). 

b. José encontrou um homem siquemita que o diz que seus irmãos foram para Dotã (Gn 37.15-17).

c. José, então, caminhou cerca de 21 quilômetros até Dotã para encontrar com seus irmãos. Quando eles avistaram José, disseram, de forma ressentida: “Lá vem aquele sonhador” (37.19). 

d. A Bíblia não deixa claro qual foi o primeiro irmão de José que sugeriu suprimi-lo. Tudo indica que seja Simeão, qual se ressentiu com a intrusão de José nos direitos de primogenitura (que, por fim, seria tirado de Rúben, 49. 3-4).

e. O capítulo 34 informou-nos que Simeão era astuto e cruel, e José, em 42.24, é mais áspero com Simeão.

f. Os irmãos planejaram a morte de José. Deve se creditar a Rúben a tentativa de poupar a vida de José, embora ele tenha usado um método errado para realizar uma obra nobre.

h. Prevalece, no entanto, a sugestão de Judá: “vendê-lo como escravo” aos mercadores. A venda de escravos asiáticos é bem documentada nos textos egípcios de aproximadamente nos dias de José. 

2. José na casa de Potifar.

a. José chegou até a casa de Potifar por meio de uma negociação de seus irmãos com os mercadores que estavam indo para o Egito. José foi envolvido em dois negócios: 1) Os irmãos com os midianistas (Gn 37.28) e 2) com os midianitas junto a Potifar (Gn 37.36). 

b. Contudo, a Bíblia diz que “o Senhor estava com José, e ele tornou-se próspero” (Gn 39.2). A presença benéfica de Deus é experimentada mesmo na escravidão, longe da terra de bênção (ver 26.3, 24, 28; 28.15, 20; 31.3).

c. Ainda que a situação de José mudasse drasticamente, a relação de Deus com ele permaneceu a mesma. Por esta razão, José pode erguer-se mais e mais em situações que seguramente teriam esmagado outros.  

d. O Senhor honra a nossa fidelidade, assim como fez com José: “... pois honrarei os que me honram” (1 Sm 2.30).

e. José alcançou favor diante de Potifar, que colocou sobre tudo o que possuía:

“O que ama a pureza de coração, e é amável de lábios, será amigo do rei.” – Provérbios 22.11 (AFC).

3. José prosperou na casa de Potifar.

a. José se destaca com seu trabalho na casa de Potifar.

b. Sua posição como um escravo doméstico se conforma às práticas egípcias documentadas. Um papiro egípcio (Brooklyn 35.14.46) de 1833-1742 a.C detalha os nomes e ocupações de quase oitenta escravos numa casa egípcia. Nessa lista, dava-se status superior aos escravos asiáticos e trabalhos de proficiência aos escravos egípcios, aos quais geralmente se designava extenuante campo de trabalho. 

c. José não deixou se abalar pelos ataques de tristezas e pela magoa que ele poderia ter dos seus irmãos e para com Deus por não ter Ele atendido suas orações no momento mais doloroso de sua vida. A respeito disso, Timothy Keller, diz:

“Talvez o mais surpreendente seja percebermos que, se Deus tivesse respondido às prováveis orações de José, o resultado teria sido horrível. Notemos também que provavelmente Deus respondeu “não” de modo implacável a quase todos os pedidos de José durante vinte anos, mais ou menos. A maioria das pessoas que conheço teria desistido, dizendo: “Se Deus vai bater a porta na minha cara sempre que eu orar, ano após ano, então eu desisto”. Mas se José tivesse desistido, tudo estaria perdido. No cárcere, ele buscou a Deus para interpretar o sonho. Apesar de todos os anos de orações não respondidas, José ainda confiava em Deus”. 1

d. José era um menino bonito; sem dúvida ele herdou os traços de Raquel, qual diz a Bíblia ser “bonita de porte e de rosto” (Gn 29.17).

e. As egípcias eram conhecidas pela infidelidade; não obstante foi que a mulher de Potifar procurou seduzi-lo, mas ele não cedeu.

f. José é injustiçado mais uma vez; a mulher o acusou de tentativa de estupro. Mas José foi fiel a Deus e ao seu patrão, como disse um pregador puritano: “José perdeu sua túnica, mas conservou seu caráter”. 

g. Potifar ouviu a acusação mentirosa de sua esposa contra José, e o mandou para a prisão, onde estavam os oficias de Faraó. José venceu a tentação, mas foi para a prisão.

“A cruz de Cristo pode ter vencido o mal, mas não venceu a injustiça.” – Philip Yancey, Decepcionado com Deus

SÍNTESE DO TÓPICO II

José teve que enfrentar a crise da cova e da escravidão, mas Deus estava com ele.

III. SABEDORIA PARA ADMINISTRAR A CRISE

1. José é abençoado por Deus na prisão (Gn 39. 21-23).

a. José foi lançado na prisão injustamente, mas a Bíblia diz que Deus era com José. 

b. José descansou nas promessas de Deus, pois sabia que hora menos hora Deus as cumpririam. 

c. Quando a Bíblia diz que Deus “lhe concedeu bondade”, o hebraico (hesed) significa agir com amor e lealdade para ajudar a um parceiro pactual em sua necessidade (ver 32.10). 

d. Deus não remove o sofrimento de José, porém permanece com ele em meio ao sofrimento. 

2. José e os dois oficiais de Faraó.

a. José encontrou dois presos que serviam a Faraó, um copeiro-mor e um padeiro-mor. Eles tinham ofendido (literalmente, pecado) a Faraó, em contraste com a prisão de José, que era injustificada.

b. Eles haviam sonhado cada qual um sonho diferente; José os interpretou. Os sonhos exerciam um importante papel no Egito Antigo, e sua interpretação constituía habilidade especializada. Como prisioneiros, o copeiro e o padeiro não têm nenhum acesso a intérpretes peritos. 

c. Ao copeiro-mor José disse que dentro de três dias ele seria chamado para servir a Faraó novamente. Ao padeiro-mor, disse que, dentro de três dias, seria executado.

d. Tudo aconteceu como disse José.

3. Da prisão ao palácio de Faraó (Gn 41.1-8)

a. Faraó teve dois sonhos; como foram um na sequencia do outro, isso o perturbou muito. Ele convocou os “peritos em interpretação” do Egito, magos e astrólogos, mas não havia ninguém quem os interpretassem para ele (Gn 41.8). 

b. Só então foi que o copeiro-mor lembrou de José, e falou ao Faraó o que havia acontecido com ele e com o padeiro na prisão. Faraó mandou chamou José e lhe expos o sonho.

c. Os sonhos de Faraó de “vacas”, “vacas vermelhas” e “trigo” são todos símbolos naturais de alimentos. O Egito passaria por um período de sete anos de grande fartura e depois um período de sete anos de escassez. 

d. José aconselha Faraó a recrutar um administrador CRITERIOSO para juntar os alimentos nos sete anos de fartura para sobreviver os sete anos de escassez. 

e. Faraó acabou de descobrir que não tem ninguém mais sábio em todo o Egito do que o próprio José. A sabedoria de Deus aniquilou a sabedoria dos homens.

f. José não tinha o currículo requintado dos sábios egípcios, mas o que ele tinha foi suficiente para fazê-lo governador sobre todo Egito na pior crise econômica de sua história:

“Disse Faraó a seus servos: ‘Acharíamos um homem como este em quem haja o espírito de Deus’?” - Gênesis 41:38 (AFC)

g. José, portanto, foi nomeado governador do Egito; acima dele havia apenas Faraó. 

h. Deus fez com que todas as coisas cooperassem para o bem de José, para que o propósito de Deus fosse estabelecido. João Calvino, em seu clássico “As institutas”, diz:

"E quando aquela luz da providência divina brilha em cada homem temente a Deus, ele é aliviado e desatado não apenas dos extremos que antes o premiam com ansiedade e medo, mas de todo cuidado. Com efeito, tal como temia com razão a fortuna, assim pode ousar se pôr seguramente em Deus. Isto, digo, é um consolo, para que entenda que o pai celeste contém de tal modo a tudo por sua potência, de modo modera com sabedoria que nada acontece senão segundo o que Ele destina."


SÍNTESE DO TÓPICO III

Deus é a fonte de toda sabedoria. Ele nos concede sabedoria para administrar as crises.

CONCLUSÃO

1. Deus coloca sonhos em nosso coração; precisamos confiar no Senhor, que Ele nos guiará com a sua mão poderosa, ainda que muitos se levante contra nós.

2. A despeito daqueles que se levantam contra nós, como fez José, devemos ama-los. Pois nossa recompensa não vem da mão de homens, mas de Deus. Enquanto os irmãos de José desconfiava que ele pudesse vinga-los, mesmo os tratando bem, o amor de José por eles só crescia (Gn 50. 15-21). 

3. Não importa nossas crises; o que importa é a graça de Deus sobre a nossa vida. Tudo pode mudar; nossa obrigação é sempre confiar (Sl 37.5). 

4. Devemos confiar que Deus está operando em nós; por meio das nossas lutas, humilhações e derrotas. Ele está conosco.

5. Confie nisso:

“Algumas vezes o sorriso de Deus está oculto, mas seu braço nunca está encolhido nem sua luz, apagada. No tempo apropriado, as nuvens dissiparão, a luz retornará e nós somos sustentados”.2 – John Piper


Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

Aula ministrada na ICT – J - dia 13/11/2016

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Notas e citações:

1 KELLER, Timothy. Caminhando com Deus em meio à dor e ao sofrimento; p. 282
2 PIPER, John. O sorriso escondido de Deus; p. 16-17

Referências bibliográficas:

Escola Bíblica dominical. José: Fé em meio às injustiças. 4º trimestre de 2016; CPAD; lição 7.
WARREN, W. Wiersbe. Comentário Bíblico AT. Santo André, SP; Central Gospel, 2009.
BRUCE, K.Waltke & FREDERICKS, Cathi J. Comentários do Antigo Testamento do livro de Gênesis. Editora Cultura Cristã, 2010. São Paulo, SP
KELLER, Timothy. Caminhando com Deus em meio à dor e ao sofrimento. Editora Vida Nova, 2016. São Paulo – SP.