quinta-feira, 27 de outubro de 2016

AS CONSEQUÊNCIAS DAS ESCOLHAS PRECIPITADAS



Escola Bíblica Dominical – 30 de outubro de 2016 | Lição 5

Texto Áureo: Pv 14.29

I. Nosso texto áureo trata da pessoa de estopim curto; suas decisões são como bombas. Por onde passa deixa rastros devastadores. Suas palavras não ferinas. 

II. O longânimo, porém, pensa antes de falar. Como é bom escutar gente que é vagarosa em irar-se; suas palavras são como bálsamo para o coração. 

Verdade prática: Não sejamos precipitados em nossas escolhas, pois a precipitação gera crises e erros irreparáveis. 

Ninguém, absolutamente ninguém está isento de escolher, pois o não escolher, já é uma escolha.

Leitura bíblica em classe: Gn 13. 7-18 (alguém que escolheu bem e alguém que escolhe mal).

INTRODUÇÃO:

a. O texto que lemos trata da trágica escolha de Ló, sobrinho de Abraão. Ló é o retrato do crente que “ama o mundo e o que nele há” (1 Jo 2.15).  

b. O gado de Ló e do o Abraão cresceu desproporcionalmente; os pastores encarregados de cuidar do rebanho começaram a brigar entre eles por mais espaço.

c. Abraão amava seu sobrinho Ló, tanto que o levou quando saiu da casa de seus pais. Com a nobreza de um homem maduro, Abraão, pacificamente propôs a divisão para que não houvesse mais briga.

d. O amor maduro de Abraão foi mais longe ao ponto dele arriscar seu próprio futuro para beneficiar seu sobrinho Ló, dando-lhe proeminência na escolha de que lado partir. 

e. Ló olhou e viu que o vale do Jordão era como o jardim do Senhor ou como a terra do Egito. Sua escolha foi baseada na cobiça e não por fé, diferente de seu tio Abraão.

f. Acontece que Ló, sem saber, escolheu uma cidade má, Sodoma, que cometia pecados terríveis.

g. Depois que ambos se apartaram, Deus promete a Abraão “descendentes”. Em obediência a voz de Deus, Abraão desarmou seu acompanhamento e foi morar na cidade Hebron, onde construiu um altar dedicado a Deus (Gn 13.18).

h. Ló, contudo, foi parar em Sodoma, que seria destruída logo mais pelo Senhor (Gn 19.23-29).

REFLEXÃO E OBJETIVO DA AULA: 1) Especificar que é necessário ter cuidado com as escolhas; 2) Compreender que Ló foi traído por aquilo que viu; 3) Explicar porque Ló é um exemplo de prosperidade e perdas.

I. O CUIDADO COM AS ESCOLHAS

1. A prosperidade de Abraão.

a. Abraão foi um homem próspero. Ele não acumulou riquezas de uma hora para outra, mas foi sua obediência a Palavra que o levou a prosperar de forma sustentável:


"Fortuna apressada diminui, quem ajunta pouco a pouco enriquece." — Pr 13.11 (BJ)

b. Talvez você não prospere nas finanças como aconteceu com Abraão; mas sua obediência lhe levará a prosperar naquilo que Deus lhe chamou. Quer ser próspero naquilo que você realizar? Obedeça a Palavra de Deus:

“Entretanto, aquele que atenta bem para a lei perfeita, a lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas praticante zeloso, será abençoado no que fizer.” – Tiago 1.25 (A21)

c. Abraão era um líder; ele não viajou sozinho, mas levou consigo sua família, seus servos e seu rebanho. Quando obedecemos a Palavra de Deus, o Senhor nos reveste de autoridade. Autoridade esta não imposta, mas conquistada – como aconteceu com Abraão.

2. Abraão fez a escolha certa.

a. A confiança que Abraão teve em Deus foi uma “confiança cega”.

b. Brennan Manning diz que, “o ato de confiar com base na graça é a grande decisão da vida. Sem ele, nada tem valor, e dele deriva o significado definitivo de todos os relacionamentos e conquistas, de cada sucesso ou fracasso. Uma confiança sem limites no amor misericordioso de Deus desfere um golpe mortal contra o ceticismo, contra a autocondenação e contra o desespero. É o nosso ato de obediência à ordem de Cristo: ‘Creiam em Deus; creiam também em mim’.”1

c. Muita gente está enfrentando crises devido a precipitação das suas escolhas.  

d. Outros estão enfrentando dificuldades financeiras e familiares por consequência da desobediência a Deus.

e. O pastor presbiteriano Paulo Delage, sobre o consumismo, diz:

“Ao se analisar a situação do consumismo atual, tem-se a impressão de que vivemos para consumir. Grande parte da população (talvez a maioria), quando recebe seu pagamento, ou obtém seu lucro, já tem esses valores empatados ou comprometidos não apenas em termos de investimentos, mas de gastos com consumos desnecessários.”2

Ainda, Delage:

“Os cristãos não são imunes nem estão isentos de tal fluxo ligado ao consumo excessivo de nossos dias, e se veem enredados na teia terrível e traiçoeira do endividamento, que conduz muitos a uma situação de crise externa e interna por causa das dívidas resultantes de compras efetuadas além de suas possibilidades. Vê-se que cada vez mais é justificado o título dado à sociedade moderna e pós-moderna, a saber: sociedade do consumo.”3

f. Porém é importante salientar que nem sempre as crises que enfrentamos são necessariamente frutos das nossas escolhas. A integridade de Jó, por exemplo, foi louvada por Deus; no entanto ele experimentou terríveis crises na sua vida (Jó 1.1). Acerca disso, Salomão, diz:

“Há mais uma coisa sem sentido na terra: justos que recebem o que os ímpios merecem, e ímpios que recebem o que os justos merecem. Isto também, penso eu, não faz sentido.” - Eclesiastes 8:14 (NVI)

3. Abrão passa pelo Egito.

a. Abraão passou por muitas adversidades, mas ele manteve seu olhar em Deus e na sua Palavra. As adversidades fazem parte da vida cristã. Aprendemos muito com elas, como disse C. S Lewis:

“Deus nos permite experimentar os pontos baixos da vida, a fim de nos ensinar lições que não poderíamos aprender de nenhuma outra maneira.”

b. O patriarca visitou o Egito em busca de alimento; mas passou por dificuldade, entretanto, Deus o prosperou (Gn 12.3).

c. Deus fez com que Abraão prosperasse no Egito. Quando somos fieis no pouco, Deus nos coloca no muito.

d. Não importa o que estamos passando e nem a dificuldade que estamos enfrentando. Nunca duvide de alguém que tem sobre si a graça de Deus. Hora menos hora tudo pode mudar, e para melhor.

SÍNTESE DO TÓPICO I 
                                                                                       
Precisamos ter cuidado com as escolhas.

II. LÓ É ATRAÍDO POR AQUILO QUE VÊ

1. Briga entre os pastores.

a. Depois que Ló e Abraão se separam, Abraão foi morar no norte. Ele encontrou um altar que ele mesmo havia construído, próximo a Betel (Gn 12.8; 13.18).

b. Vemos nesta cena a chave para o triunfo espiritual de Abraão. Nesta cena, os altares significam o regresso de Abraão à fé e sua proclamação de reivindicar a terra em nome de Deus.

c. Abraão era um crente grato. Era alguém “contente e satisfeito em toda e qualquer situação”. Por isso dera preeminência de escolha ao seu sobrinho Ló. 

2. A decisão de Abraão.

a. Abraão tentou resolver a situação chata que havia se instalado no seio de sua família.  

b. Sua atitude foi verdadeiramente de alguém cheio do Espírito Santo de Deus;  tratou seu sobrinho órfão como igual e preferiu a paz do que a prosperidade. 

c. Somente aqueles que são fortes abrem mão do seu direto para preservar a paz. 

d. A magnanimidade do patriarca do clã e tio do órfão é realmente notável. O superior social se humilha diante do inferior com o intuito de preservar a paz, e assim provando ser espiritualmente superior. A fé de Abraão lhe deu a liberdade de ser generoso.

e. Cada um seguiu seu próprio caminho, porém com sortes diferentes.

3. A escolha precipitada de Ló.

a. Abraão mostrou toda a terra para Ló e lhe deu a prioridade de escolha. Ló, egoisticamente tinha em mente a vantagem pessoal, com a desvantagem de seu tio. Ele não se lembrou do que seu tio houvera feito em seu favor. Infelizmente muita gente vive neste espírito de ingratidão para com aqueles que um dia lhes estenderam as mãos.

b. As pessoas mostram o seu verdadeiro eu por intermédio das escolhas que fazem. Na sua escolha, Ló demonstrou:

Orgulho (VV. 8-9): ele, por ser o mais novo, deveria se submeter ao mais velho; enquanto Abraão ansiava em manter a paz e o bom testemunho, Ló preocupava-se apenas consigo mesmo.

Incredulidade (v. 10a): Ele foi direcionado pela visão, não pela fé. Se Ló consultasse Deus, descobriria que o Senhor planejava destruir Sodoma, mas em vez disso, ele confiou na própria visão e escolheu a cidade rica e pecaminosa.

Mundanidade (v. 10b): A Bíblia diz que a terra que Ló viu era “como a terra do Egito” – isso foi tudo que teve importância para ele. Ló caminhava segundo a carne, vivia para as coisas do mundo. Para Ló, a região em volta de Sodoma parecia bem irrigada e fértil, mas para Deus ela era pecaminosa (v.13). Os descrentes de hoje, como Ló, fundamentam suas esperanças neste mundo e riem da ideia de que, um dia, Deus destruirá o mundo por meio do fogo (2 Pe 3). (ver Gn 19.14).

Egoísmo (v. 11): Ló devia seu sucesso principalmente à bondade de Abraão, contudo o jovem deixou o tio generoso e tentou pegar “o melhor” para si mesmo. É claro, Deus queria separar Ló e Abraão (12.1), mas, do ponto de vista humana, essa separação era difícil e penosa. 

Negligencia (v.12): Primeiro, Ló olhou em direção a Sodoma. Depois, ele se moveu em direção a Sodoma. Não muito tempo depois (14.12 e 19.1), ele passou a morar em Sodoma. A cada dia que se passava Ló se tornava amigo do mundo (Tg 4.4) e Abraão se tornava amigo de Deus (Tg 2.23). Deus sempre dá o melhor àqueles que deixam a escolha por conta dele (Mt 6.33).

c. Precisamos colocar nossa vida e escolhas no crivo da Palavra de Deus. É isso que significa “buscar o reino de Deus em primeiro lugar e a sua justiça”. Deus encaminhará com o resto (Sl 37.5). 

SÍNTESE DO TÓPICO II

Não seja atraído somente por aquilo que você vê.

III. LÓ, UM CASO DE PROSPERIDADE E PERDAS

1. Ló e suas riquezas.

a. Ló adquiriu riquezas, porém começou a amá-las:

“Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição, pois o amor ao dinheiro é raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram a si mesmas com muitos sofrimentos.” – 1 Timóteo 6. 9,10 (NVI)

b. Não abra mão do que é eterno, pois o mundo passa, bem como seus desejos; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre (1 Jo 2.17). 

2. A guerra dos reis.

a. O sociedade em que Ló se encontrava era má. Sob juízo de Deus, aquela cidade entrou em crise. Quatro reis vindos de terras distantes entraram em guerra contra os reis do Mar morto (parte da região que residia Ló e sua família).

b. Ló havia perdido a proteção do “juiz de toda terra” (Gn 18.25) e sofreu as consequências disso.

c. Sodoma que aparentava um lugar de paz e de proteção, tornou-se um lugar de combate e perigo.

d. O comentarista bíblico, Warren Wiersbe, diz que raramente , os santos são cativados pelo mundo de forma repentina. Eles entram nos locais de perigo aos poucos, em estágios. Com Ló, o processo iniciou-se quando adotou o Egito como padrão e começou a caminhar pela visão, em vez de pela fé. Ele preferiu as pessoas do mundo a seu tio piedoso, e as casas de Sodoma às tendas de Deus. O resultado disso: ele ficou cativo!”4

3. Abraão socorre Ló.

a. O piedoso Abraão, embora vivesse em uma tenda, estava em local seguro. Abraão, ao saber da situação de Ló, fez algo generoso e foi resgatá-lo. 

b. Abraão era livre para viver para glória de Deus; não guardou mágoa e nem foi vingativa para com Ló; antes, reuniu os seus criados, perseguiu o inimigo, o alcançou e o derrotou, libertando seu sobrinho e recuperando os seus bens (Gn 14.16).

c. Deus foi misericordioso com Ló e não permitiu que sua família ficassem na mão do inimigo.

d. Não podemos ficar reféns do passado. Se porventura você errou em alguma decisão, reconheça seu erro, peça perdão a Deus e prossiga para o alvo.

e. Suas decisões erradas prejudicaram você? Sua família foi afetada? Há tempo de consertar. Veja o que a Escritura diz:

“E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.” – 2 Crônicas 7:14 (ACF)

SÍNTESE DO TÓPICO III

Ló é um exemplo, para os crentes, de prosperidade e perdas.

CONCLUSÃO

1. Precisamos pensar e arrazoar no que vamos escolher. Abraão obedeceu e Deus o honrou até nos momentos difíceis. 

2. Lembre-se, não andamos por vista, mas por fé. Ló foi precipitado e escolheu mal, pois o seu coração estava nos tesouros da terra. Sua família foi prejudicada. Sua esposa virou estátua de sal. 

3. Nossas decisões não somente nos afetarão; todas as pessoas que tiverem, de certo modo, envolvidas conosco, serão afetadas. 

4. Ore a Deus e pergunte qual é a vontade d’Ele para sua vida.

5.E o mais importante, assim creio... se atente muito com a sua motivação. É importante buscar a direção de Deus; mas quando o nosso coração está integro, de acordo com a Sua Palavra, os nossos desejos serão simplesmente os propósitos de Deus:

“Quer você se volte para a direita quer para a esquerda, uma voz atrás de você lhe dirá: "Este é o caminho; siga-o".” – Isaías 30:21 (NVI)


Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

Aula ministrada na ICT – J - dia 30/10/2016

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Notas e citações:

1 MANNING, Brennan. Confiança Cega; p. 21
2 DELAGE, Paulo A. O cristão e os desafios da pós-modernidade; p. 53
3 IBid, p. 54
4 WARREN, W. Wiersbe. Comentário Bíblico AT; p. 45

Referências bibliográficas:

Escola Bíblica dominical. As consequências das Escolhas Precipitadas. 4º trimestre de 2016; CPAD; lição 5.
WARREN, W. Wiersbe. Comentário Bíblico AT. Santo André, SP; Central Gospel, 2009.
BRUCE, K.Waltke & FREDERICKS, Cathi J. Comentários do Antigo Testamento do livro de Gênesis. Editora Cultura Cristã, 2010. São Paulo, SP
LOPES, Hernandes Dias. Gotas de sabedoria para a alma; . Editora Hagnos, 2011. São Paulo – SP.