terça-feira, 16 de agosto de 2016

OLHE PARA TRÁS ANTES DE SE PREOCUPAR COM O FUTURO!


Por Fabio Campos

Texto base: Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.” – Lamentações 3.21


A série escrita pelo Irlandês C. S. Lewis, “As Crônicas de Nárnia, traz na sua compilação sete livros de Romance de alta fantasia. Dentre eles, O cavalo e seu menino” (1954), narra a vida de um menino chamado Shasta, que vivia com um pescador “carrasco” da Calormânia. Ele havia encontrado Shasta abandonado e o levou para morar na Calormânia. Um tarcaã, certo dia, foi visitar o pescador com o intuito de comprar Shasta como escravo. Shasta, porém, descobre que o cavalo do tarcaã, Bri, era um cavalo falante oriundo de Nárnia. Bri estava decidido a voltar ao seu país de origem e planejara de que modo poderia fugir de seu dono e retornar para Nárnia.  

Na calada da noite, Shasta e Bri resolvem fugir. No caminho acabam por encontrar a tarcaína Aravis, montado numa égua também falante chamada Huin. O destino deles era o mesmo de Bri e Shasta: Nárnia. Muitas aventuras aconteceram no caminho. Shasta se perdeu e teve que caminhar sozinho pelo caminho. 

Mas Shasta era muito melindroso: “Devo ser o cara mais engraçado de todo o mundo. Tudo dá certo com os outros, comigo nunca”.  Sem que soubesse e, mesmo sem ainda O ter conhecido pessoalmente, Aslam, esteve com ele e cuidando dele o tempo todo.  À caminho, Shasta, mergulhado no seu desespero percebeu que alguém estava caminhando ao seu lado. Ele não podia ver nada.  Shasta tão apenas escutava os seus passos e sentia a sua respiração. O menino começou a ficar apavorado, pois tinha ouvido dizer que naquele país existiam gigantes.

- Que é você – murmurou baixinho.
- Alguém que esperava por sua voz – respondeu a coisa. (...).

Houve uma relutância de Sahsta para com a “coisa”. Ele tinha medo que a “coisa” fosse uma “coisa morta”. Shasta percebeu que a “coisa” não era morta porque o seu hálito quente trouxe, de forma inexplicável, confiança ao seu coração. 

Shasta passou a contar sua história. Contou que jamais conhecera pai e mãe; que fora criado por um pescador muito severo e sobre seus perigos em Tashbaan.

- Não acho que seja um desgraçado – disse a grande voz.
- Mas não foi falta de sorte ter encontrado tantos leões?
- Só há um leão – respondeu a voz.
- Não estou entendendo nada. Havia pelo menos dois naquela noite...
- Só há um leão, mas tem o pé ligeiro.
- Como sabe disso?
- Eu sou o Leão.

Shasta escancarou a boca e não disse nada. A voz continuou:

- Fui eu o Leão que o forçou a encontrar-se com Aravis. Fui eu o gato que o consolou na casa dos mortos. Fui eu o Leão que espantou os chacais para que você dormisse. Fui eu o Leão que assustou os cavalos a fim de que chegassem a tempo de avisar o rei Luna. E fui eu o Leão que empurrou para a praia a canoa que você dormia, uma criança quase morta, para que um homem, acordado à meia-noite, o acolhesse.
- Então foi você que machucou Aravis?, perguntou Shasta.
- Fui eu.
- Mas por quê?!
- Filho! Estou contanto a sua história, não a dela. A cada um só conto a história que lhe pertence. 

“Por trás de uma providencia carrancuda [de Deus] esconde um rosto sorridente”, escreveu William Cowper, poeta inglês (1732 – 1800) em um de seus 64 hinos compostos. 

Todas as vezes que estamos sendo esmagado pelas preocupações do futuro Deus nos leva até o nosso passado para nos mostrar que Ele esteve, em todo o tempo, nos sustentado. Foi Ele quem disse: “Quer você se volte para a direita quer para a esquerda, uma voz atrás de você lhe dirá: ‘Este é o caminho; siga-o’.” (Is 30.21). 

A Escritura diz que, “em seu coração o homem planeja o seu caminho, mas o Senhor determina os seus passos” (Pr 16.9). Assim como aconteceu com Shasta, onde Aslam estava guiando-o e preparando o seu caminho – assim o Senhor é conosco determinando os nossos passos dentro do nosso planejamento. Nosso grande problema, como foi com Shasta, é temer que acontecesse conosco o mesmo que aconteceu com os outros. Deus, entretanto, conta a cada um a sua própria história (Jo 21.21-22).

A culpa traz a ansiedade, pois supõe castigo; o amor, entretanto, não teme; quem teme ainda não está aperfeiçoado no amor. Nosso futuro está nas mãos de Deus. De fato, temos ouvido outro discurso; até mesmo entre os evangélicos. O discurso de que você é “senhor” do seu destino. “Você quem faz o seu futuro”, dizem eles. Ah, quanta arrogância dos homens! quanta pretensão!, como está escrito: 

“Vocês nem sabem o que lhes acontecerá amanhã! Que é a sua vida? Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa. Ao invés disso, deveriam dizer: "Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo". Agora, porém, vocês se vangloriam das suas pretensões. Toda vanglória como essa é maligna.” - Tiago 4:14-16 (NVI)

Ebenezer!, até aqui o Senhor nos sustentou! Você pode se lembrar disto? Será que aquele que não poupou a seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não dará juntamente com ele, e de graça, todas as coisas (Rm 8.32)? 

Você está em Cristo? Então não há razão para tamanha ansiedade (Mt 6.25). Você é filho de Deus (Jo 1.12). Se você é filho de Deus, você não é pagão, pois são eles, os pagãos é que se preocupam com o futuro, dizendo: “Que vamos comer?” ou “que vamos beber?” ou “que vamos vestir?” O Pai celestial sabe exatamente (e até melhor do que nós mesmos) aquilo que de fato precisamos (Mt 6.32). 

Com efeito, nossas aflições, amarguras e pesares são constantes e não precisam de esforço para ser lembradas. Mas, pensai no Senhor e nas suas misericórdias que não têm fim; misericórdias estas que se renovam a cada manhã. 

Em meio a confusão, dúvidas e questões o Senhor nos encaminhará, como está escrito: “Conduzirei os cegos por caminhos que eles não conheceram, por veredas desconhecidas eu os guiarei; transformarei as trevas em luz diante deles e tornarei retos os lugares acidentados. Essas são as coisas que farei; não os abandonarei” (Is 42:16 NVI). Portanto, olhe para traz antes de se preocupar com o futuro e traga a sua memória aquilo que pode lhe trazer esperança. 

Encerro essa reflexão citando o teólogo e filósofo, Agostinho de Hipona:

“Entregue o passado à misericórdia de Deus, o presente a seu amor e o futuro a sua Providência.”

Olhe para trás antes de olhar para frente! O Senhor é Senhor da história e do tempo, pois Ele está no ontem, no hoje e no amanhã. Ele não Foi e nem haverá de Ser, Deus é!


Em Cristo Jesus, considere este artigo e arrazoe isto em seu coração,

Soli Deo Gloria!

Fabio Campos

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Referências bibliográficas:

LEWIS, C. S. As Crônicas de Nárnia. Volume único; São Paulo, SP; WMF Martins Fontes, 2009.