segunda-feira, 23 de maio de 2016

NÃO PONHA SUA FAMÍLIA À VENDA

Por Fabio Campos

Texto base: O avarento põe sua família em apuros...”. – Provérbios 15.27a (NVI)


Não há bem mais precioso que pudéssemos ter que não fosse a nossa família. É bom viver em família. Deus é uma família (Pai, Filho e Espírito Santo). Quando esta instituição é afetada, por ser a pedra angular da sociedade, tudo mais é atingido. 

Recentemente, conversando com uma senhora, ela mencionou o quanto os “problemas financeiros” que sua família está passando afetaram o seu casamento. Tanto ela como o marido, até então, sempre tiveram um situação tranquila economicamente. O que me parece, entretanto, é que não houve uma preparação para o tempo das “vacas magras”, ou seja, o tempo da escassez. 

Por isso, devido à crise que se instalou em nosso país, ela e o marido, concomitante perderam o emprego. Ela ainda está desempregada. O marido, professor universitário, ficou fora do mercado por 8 meses, mas já conseguiu se recolocar no mercado. Porém, houve um agravante sério nisso tudo. O rapaz passou a receber um salário equivalente a metade do qual recebia antes, e para piorar tudo, precisou mudar SOZINHO para outro estado. Não preciso nem dizer a aflição e a tristeza daquela moça em ter que passar os seus dias dentro de uma casa solitariamente.

Com o acúmulo das dívidas e a distancia do afeto físico, o matrimonio ficou fragilizado sob a iminência do término. (“Que o Senhor os livre disto”, essa é a minha oração em favor deste casal). O sonho, no entanto, parece ter virado pesadelo.

Infelizmente muitos homens (e algumas mulheres) por amar “coisas grandes” e, no anseio de estar bem socialmente, entram em relações nocivas aderindo um estilo de vida que colocará em apuros a sua própria família. Quantas esposas e filhos estão comendo o pão que o diabo amassou devido a atitudes irresponsáveis de homens que se julgaram espertos suficientes. Praticamente todas as pessoas, de pronto, conhecem um caso neste caráter. Imagine a aflição e vergonha das esposas e dos filhos desses empresários e políticos investigados nas operações da Policia Federal. O avarento coloca a sua família em apuros. 

Ninguém está isento de adversidades. A crise econômica afetou todas as famílias, inclusive a minha, pois minha esposa ficou desempregada por mais de um ano. 

Segundo o “correio brasiliense” mais de 130 mil famílias têm contas em atraso. Para analistas, o cenário deve ser mantido ao longo do ano. Com aumento do desemprego, inflação resistente e elevação dos juros, mais consumidores terão dificuldades em manter os débitos em dia. 1

Escolha a sua família. Não a penhore por caprichos tolos e efêmeros. Você será lembrado por seus filhos não pelos presentes caros, mas pelo tempo que você dispôs a estar com eles, jogando futebol, por exemplo. Escolha a simplicidade (Rm 12.16). Não se torne refém do sistema. Essas pessoas que gostam de “estar por cima” são escravas da afirmação dos outros. Vai ser muito ruim ganhar o mundo e perder a sua alma. 

Precisamos andar com prudência. A Bíblia diz para “não devermos nada a ninguém” (Rm 13.8). Quem se mete em muitas astúcias acaba abrindo mão de princípios fundamentais. O filho pródigo, por exemplo, por haver desperdiçado todos os seus bens, por ter vivido dissolutamente e irresponsavelmente numa terra distante da casa da sua família; pensando tão somente no hoje - desejou comer a comida que os porcos se alimentavam. Detalhe: sendo ele judeu, ele não poderia comer se quer a carne do porco, imagine, contudo, desejar comer a comida dos porcos. Triste, mas que pela misericórdia do Pai teve um final feliz (Lc 15.11-32).

O pródigo é aquele que gasta mais do que o necessário; é o esbanjador, perdulário. A Bíblia diz que “melhor é ter um punhado com tranquilidade do que dois punhados à custa de muito esforço e de correr atrás do vento” (Ec 4.6). Jesus alertou contra todo e qualquer tipo de avareza, pois a vida de um homem não consiste na quantidade dos seus bens (Lc 12.15). Escolha, portanto, a sua família. Não ponha ela à venda!
 
Minha sincera oração é que Deus abençoe as famílias que estão passando por algum revés por conta da crise. É verdade que a pobreza amedronta mais do qualquer outra coisa. C. S. Lewis, oportunamente, disse: “O bom, como você certamente já deve ter percebido (tanto em relação à dor quanto no que diz respeito às preocupações financeiras), é viver cada dia e cada hora, sem acrescentar o passado nem o futuro ao presente”. 2

Que você possa construir sua casa na Rocha; viva de acordo e sob a autoridade das Palavras do Nosso Deus, Jesus Cristo, para que, em vindo as tempestades e dando de encontro a sua casa, não caia. Assim sucederá com aquele que coloca sua esperança em Cristo (Mt 7.24-27) e não na “incerteza das riquezas” (1 Tm 6.17), como está escrito: “O fruto da justiça será paz; o resultado da justiça será tranquilidade e confiança para sempre”(Is 32.17).


Considere este artigo e arrazoe isto em seu coração,

Soli Deo Gloria!

Fabio Campos


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Citações:
2 LEWIS, C. S. Cartas a uma senhora americana; p.85.