sexta-feira, 20 de maio de 2016

ISRAEL NO PLANO DA REDENÇÃO

Escola Bíblica Dominical –22 de Maio de 2016 | Lição 8
Texto Áureo: Rm 11.36

Verdade prática: A eleição da graça é formada no presente por gentios e judeus nascido de novo, bem como, no futuro, pela conversão da nação de Israel.

Leitura bíblica em classe: Romanos 9. 1-5; 10. 1-8; 11. 1-5

Explicação do texto: 

a. Três porções das Escrituras:

1. Romanos 9.1-5: Paulo trata da incredulidade de Israel. No passado, Israel desfrutou as bênçãos da aliança, mas agora se encontra debaixo das maldições por haver rejeitado.

2. Romanos 10.1-8: Paulo explica que os judeus não cristãos experimentam as maldições citadas no livro de deuteronômio porque procuraram a justiça que procede da lei, enquanto os gentios crentes são justificados em razão de sua fé em Cristo, de modo que a eles pertencem as bênçãos citadas no mesmo livro. 

3. Romanos 11.1-5: Paulo agora justapõe dois tipos de Israel como nação (11. 7-10) em contraste com o Israel espiritual (11.1-6). O primeiro permanece no exílio e debaixo das maldições da aliança, mas o último, como remanescente, desfruta a tão esperada restauração de Israel, bem como as bênçãos da aliança.

REFLEXÃO E OBJETIVO DA AULA: 1) Mostrar a eleição de Israel dentro do plano da redenção; 2)Mostrar o tropeço de Israel dentro do plano da redenção; 3) Explicar a restauração de Israel dentro do plano da redenção.

INTRODUÇÃO:

a. No livro de Romanos, os capítulos 9, 10 e 11 certamente são os que têm gerado mais controvérsias entre os estudiosos. O debate gira em torno da “Predestinação e do livre-arbítrio”. No entanto, o ensino do apóstolo vai além desta “discussão”. 

b. Se Paulo houvesse encerrado essa argumentação em Romanos 8, teria deixado a nítida impressão de que Deus não tem mais nada a ver com a antiga aliança. Se, contudo, Deus não tem mais nada a realizar em Israel, o que dizer das promessas veterotestamentárias da restauração de Israel no fim dos tempos?

c. Paulo argumenta que Deus não se esqueceu do seu povo e que manteve suas promessas para com Israel; mesmo modo, Deus manterá também suas promessas para com a igreja.

I.A ELEIÇÃO DE ISRAEL DENTRO DO PLANO DA REDENÇÃO (Rm 9.1-29)

1. O anseio de Paulo e a incredulidade de Israel.

a. Paulo chora por seu povo. Nos cinco primeiros versos do capítulo 9 de Romanos, encontramos um soluço de compaixão de Paulo para com seu povo. Suas palavras, nesta porção, é uma refutação feita com o afeto a despeito daqueles que o acusavam de ser um inimigo do povo judeu:

“Digo a verdade em Cristo, não minto; minha consciência o confirma no Espírito Santo: tenho grande tristeza e constante angústia em meu coração”. – Romanos 9. 1-2 (NVI)

b. A tristeza de Paulo era devido a incredulidade dos judeus (Rm 9.1-3). Seus compatriotas ainda estavam na ignorância religiosa, sem Cristo e sem salvação.

c. O seu amor foi tão ousado, segundo o comentarista bíblico, Warren Wiersbe, que Paulo se mostrou disposto a ficar fora do céu por amor aos salvos e a ir ao inferno por amor aos perdidos (Rm 9.3). 1

d. A palavra anathema significa “separado de Cristo e destinado à destruição, ou seja, abandonado à perdição”. Paulo estava pronto a ir às últimas consequências para ver seus compatrícios salvos. A respeito disso, disse Lutero: 

“Parece inacreditável que um homem se disponha a ser amaldiçoado a fim de que os malditos possam se salvar.”

e. Homens do passado, não com a mesma intensidade (estar disposto a ser separado de Cristo), tiveram uma atitude parecida. Cito dois casos:

1) Dietrich Bonhoeffer, pastor luterano e teólogo, participou do movimento de resistência alemão e de várias conspirações para assassinar Adolf Hitler (por causa disso ele foi preso e enforcado). A igreja luterana alemã estava complacente naquele cenário de horror e injustiça. Ele colocou sua vida em risco para defender os judeus e acabou se tornando um mártir. 

2) No mesmo contexto, o padre Maximiliano Kolbe, era o prisioneiro número 16670 em Auschwitz, um dos campos de extermínio nazista. Em castigo pela fuga de um prisioneiro, o comandante escolheu outros dez para que morressem de inanição (estado de debilidade extremo provocado por falta de alimentação) no “bunker (buraco) da fome”. Um dos dez presos pediu para ser poupado, pois tinha esposa e filhos. Nesse momento, o padre Kolbe se apresentou e pediu para morrer no lugar dele. Disse ao comandante: “Ele tem esposa e filhos. Eu sou sozinho. Sou padre católico”. Seu a pedido foi atendido. Quando os dez homens foram conduzidos a morte, o padre Kolbe amparou um dos prisioneiros que mal conseguia andar. Ninguém saiu com vida do “bunker da fome”, e o padre Kolbe foi o último a morrer.

f. Paulo estava triste não somente pela incredulidade dos judeus, mas pelo fato deles permanecerem incrédulos a despeito de tantos e benditos privilégios:

ü  A descendência (9.4)
ü  A adoção (9.4)
ü  A glória (9.4)
ü  As alianças (9.4)
ü  A legislação (9.4)
ü  O culto (9.4)
ü  As promessas (9.4)
ü  Os patriarcas (9.5)
ü  A descendência de Cristo, segundo a carne (9.5).

2. Os eleitos e as promessas de Deus.

a. A CPAD confessa o arminianismo a respeito do tema da eleição: 

“O argumento de Paulo em Romanos 9.6-13 revela que as promessas de Deus relativas à nação de Israel não falharam, mesmo que a maioria deles as tenha rejeitado. As promessas terão seu fiel cumprimento através dos judeus remanescentes, dos gentios que abraçaram a fé e do Israel que será restaurado no futuro. Essa porção das Escrituras é uma das mais debatidas entre os teólogos. As posições se polarizam quando o debate é entre determinismo e livre-escolha. Todavia, Paulo não está se referindo a eleição individual, mas coletiva. O exemplo dos irmãos Jacó e Esaú, dado para ilustrar o argumento do apóstolo, deixa isso evidente (Rm 9.10-13). A citação que Paulo faz de Jacó e Esaú, nesse contexto, é tirada do livro do profeta Malaquias 1.2-4. Basta uma olhada nessas passagens para ver que o profeta não estava se referindo às pessoas ou aos indivíduos “Jacó” e “Esaú”, que nessa época já haviam morrido há muito tempo, mas a grupos ou povos. Isso é demonstrado em Malaquias 1.4, onde Esaú é identificado com Edom, um povo e não individuo. Fica, portanto, evidente à luz desse contexto que a predestinação é corporativa, isto é, de um grupo, povo, ou nação, e não de pessoas”.

b. Respeito o posicionamento dos meus irmãos arminianos, porém, mesmo não me considerado um calvinista (na convicção dos cinco pontos do calvinismo), creio que a eleição que Paulo aborda é individual, e não coletiva. Alguns dos meus argumentos:

ü  A eleição não é genética, mas Espiritual (Rm 9.6-9). Paulo diz que nem todos os filhos de Abraão são legítimos do ponto de vista espiritual, como é o caso de Esaú.
ü  Dentro do Israel étnico há um Israel espiritual. Paulo afirma um “Israel segundo o Espírito” (Gl 4.29).
ü  A eleição de Deus não é com base no mérito humano, mas na escolha de Deus (Rm 9.10-13). Não havia diferença moral e espiritual entre Jacó e Esaú; eles nem sequer haviam nascidos para que Deus pudesse escolhe-los de acordo com as suas obras. Antes de tudo, na eternidade, Deus escolheu Jacó.
ü  Creio que a eleição de Israel qual Paulo tratou não é nacional, coletiva e teocrática, mas pessoal: Acerca disso, John Murray, diz:

“Nem todos os que são da nação eleita de Israel são eleitos. Há uma distinção entre Israel e o verdadeiro Israel, entre os filhos e os filhos verdadeiros, entre os descendentes e os verdadeiros descendentes. Precisamos distinguir entre os eleitos de Israel e a nação eleita de Israel.” 2

c. Porém, a minha convicção maior consiste em afirmar que não vale a pena “brigar” por conta disso, como afirmou, de forma bem humorada, C. Marvin Pate:

“Existe, portanto, um ponto de vista intermediário entre calvinistas e arminianos: o dos ‘calminianos’! De acordo com essa designação bem-humorada, Deus escolhe soberanamente o destino de cada indivíduo, mas, de modo paradoxal, os seres humanos têm o poder e a responsabilidade de escolher Cristo por sua própria conta. Essas duas verdades opostas não se encaixam no racionalismo ocidental, mas, ao que parece, os hebreus não tinham problema em aceitar esse tipo de antinomia.” 3

3. Eleição, justiça e soberania de Deus.

a. Paulo passa a tratar nos versos 14 a 29 a respeito da escolha soberana de Deus. Os judeus poderiam indagar de que eles eram os “escolhidos” e não os “gentios”.

b. Paulo usou a imagem do oleiro moldando um vaso. Assim são os homens nas mãos de Deus. O Criador faz o que quiser com a criatura. Dentro disso, Paulo, então, diz aos judeus que o barro não tem direito de questionar Deus que é o oleiro. 

c. O apóstolo se vale de vários textos do Antigo Testamento, todos no contexto do julgamento vindouro e do exílio sobre Israel por causa de seu pecado (Is 29.16; 45.9; 64.8; Jr 18.6).

d. É verdade que esses três capítulos é arrazoado pelos teólogos dentro de um contexto controverso entre “predestinação x Livre-arbítrio”. Porém, Paulo não estava preocupado com essa questão. É legitimo que cada um tenha e defenda a sua convicção, porém não é sábio entrar em porfias por causa delas. (porfia, é obra da carne, e os que estão na carne não pode agradar a Deus).

e. Mesmo não concordando com o posicionamento da CPAD, tenho grande respeito e apreço pelos obras desta editora.

SÍNTESE DO TÓPICO I

Deus em sua justiça e soberania escolheu a Israel para fazer parte do seu plano redentivo.

II. O TROPEÇO DE ISRAEL DENTRO DO PLANO DA REDENÇÃO (Rm 9.30 – 10.21)

1. Tropeçaram em Cristo.

a. A dificuldade dos judeus era com o fato de Deus ter aceito os gentios também como seu povo (Pedro teve essa dificuldade At 10).

b. Israel tropeçou:

ü  Na justiça própria com base na lei (Rm 9.30-31)
ü  Na compreensão equivocada da lei  (Rm 9.32,33)
ü  No zelo sem conhecimento (Rm 10.2)
ü  De não se submeterem a justiça de Cristo (Rm 10.3-4)

c. Os gentios que não buscavam justiça, pela misericórdia, a alcançaram. 

2. Tropeçaram na lei.

a. O problema de Israel era a deficiência doutrinária, equivoco teológico. O que manteve Israel fora do privilégio da salvação não foi ausência de religiosidade, mas religiosidade fora da verdade. 

b. Deus deseja Ser adorado não somente com a motivação correta, mas com o entendimento correto. É possível você ter uma boa motivação, porém, estar adorando outro deus (Por exemplo: Irmãos ‘inocentes’ no contexto neopentecostal que cultuam a mamon através da teologia da prosperidade).

3. Tropeçaram na palavra.

a. A revista da CPAD diz o seguinte:

“O evangelho de João já havia mostrado que Jesus veio para o que era seu, mas que os seus não receberam (Jo 1.12). Aqui Paulo mostrará que a rejeição de Israel aconteceu, não por falta de aviso, mas porque não quis ouvir aquilo que Deus havia planejado para ele. Endureceram seus corações e tropeçaram na palavra (Rm 10.14-21). Por outro lado, os gentios responderam positivamente a essa mesma Palavra e, por isso, foram aceitos.”

b. Posso aceitar o ponto de vista que o comentarista expõe a respeito da “rejeição” para com Israel, mas discordo totalmente do seu posicionamento a despeito da “aceitação” de Deus para com os gentios.

c. Nós somos aceitos com base na misericórdia de Deus; até o ato de aceitarmos a mensagem trata-se de uma obra Soberana de Deus, de abrir o nosso entendimento (At 16.14). Se Deus não abrir o entendimento, homem nenhum poderá entender a mensagem do evangelho, como Paulo mesmo disse: “Eu endureço a quem eu quero”.
 
d. A fé não é a causa meritória da eleição.

SÍNTESE DO TÓPICO II

O tropeço de Israel não invalidou o plano de redenção de Deus para com o seu povo.

III. A RESTAURAÇÃO DE ISRAEL DENTRO DO PLANO DA REDENÇÃO (Rm 11.1-32)

1. Israel e o remanescente. 

a. Paulo agora olha para o futuro. No capítulo 9, ele falou acerca da eleição pela graça; no capítulo 10, falou da rejeição; agora no capítulo 11, Paulo olha para o futuro: o plano de Deus para com o Israel.

b. Deus preservou esse povo; Israel conseguiu, mesmo que espalhado desde do ano 70 d.C até 1958, quando voltou a ser estado, ser Nação mesmo que em vários países. 

c. Paulo menciona um “remanescente fiel”. Ele mesmo diz ser um deles, já que era um judeu com todas as credencias dignas de um verdadeiro israelita. O maior argumento de Paulo sobre esse assunto, é ele mesmo com o seu testemunho. 

d. O apóstolo cita Elias como exemplo para ensinar que nada pode interromper o plano de Deus. Ele usa quem quer, como quiser, sem precisar prestar contas a ninguém.

e. Deus guarda os seus e os lança para ser luz no meio de uma geração corrompida e perversa. Assim aconteceu com Enoque, Noé, Ló, Elias, Jó e tanto outros.

f. Com base na Soberania de Deus, Paulo diz que “há um remanescente fiel” que Ele guardou para si. Que possamos ser esses vasos de honra, preparados para toda boa obra. 

2. Israel e o enxerto gentílico.

a. Israel caiu pelo seu próprio orgulho. Esqueceu-se da promessa de Deus feita a Abraão: “Todas as nações serão abençoadas”. A própria Escritura aponta para isso, mas eles endureceram seu coração: 

“Mas eles não me ouviram nem me deram atenção. Antes, seguiram o raciocínio rebelde dos seus corações maus. Andaram para trás e não para a frente”. (Jr 7.24 NVI)

b. Deus, porém, transformou esse mal em bem. Pelo tropeço de Israel, Deus enxertou os gentios no plano da salvação. 

c. A conversão dos gentios ao Deus verdadeiro no fim dos tempos fazia parte da expectativa judaica (Is 2.2,3; 56. 6,7; 60. 1-7). O que não se esperava, porém, era que a conversão dos gentios ocorresse antes da restauração de Israel. 

d. Paulo chamou isso de “mistério” (Rm 11.25).

e. O apóstolo, entretanto, chama a atenção para o fato dos gentios não se orgulharem da sua situação em detrimento dos judeus. Paulo os lembra de que são devedores, e até mesmo dependentes, da herança espiritual do povo de Deus do antigo testamento. 

3. Israel e a restauração futura (11.25-32)

a. Paulo se entristeceu por seu povo, porém não se desesperou concernente ao seu estado. Acerca disso, ele passa a tratar a despeito do plano de Deus, após a plenitude  dos gentios, para com os israelitas.  

b. Esse capítulo encerra de forma magnífica: “Deus não rejeitou Israel, ao mesmo tempo em que demonstrou misericórdia pelas nações. 

c. É verdade que há um debate sobre “esse futuro”: dispensacionalistas x aliancistas. 

Dispensacionalista: Acredita que Deus ainda tem uma obra a realizar em Israel. Depois do arrebatamento da igreja ao céu, Deus usará a grande tribulação para conduzir o Israel étnico à fé em Cristo. Então, Cristo voltará para estabelecer seu reino de mil anos na terra, em Jerusalém.

Aliancistas: Conhecida como teologia da aliança, comum entre os reformados, acreditam que Deus substituiu Israel de modo permanecente pela igreja (embora alguns dessa linha acreditem que os judeus se converterão ao Messias no fim da história). Essa teologia considera, ainda, que estamos vivendo no reino milenar, bem como na grande tribulação. A igreja, como manifestação do reino de Deus, sofrerá a grande tribulação até que Cristo volte para realizar a nova criação.

SÍNTESE DO TÓPICO III

Deus não rejeitou Israel, e todos que creem na graça de Jesus Cristo serão restaurados.

CONCLUSÃO

1. Esses capítulos (9, 10 e 11) que estudamos são talvez os mais lidos e relidos entre os teólogos.

2. Porém, mais importante do que acharmos neles argumentos para fundamentar nossas convicções teológicas, lembremos que é a Palavra de Deus, inspirada pelo Espírito Santo, que é útil para o ensino, para repressão, para a correção e para instrução na justiça (2 Tm 3.16).

3. Encontramos ali ensinos fundamentais sobre a fé cristã.

ü  A Soberania de Deus na história e redenção humana (segurança do crente).
ü  O temor e a humildade devidos a Deus (somos vaso de barro)
ü  A nossa responsabilidade humana (andar dignamente conforme a eleição).

4. Que possamos ser encorajados a olhar atentos para o que Deus fez e para o que irá fazer, pois Ele é Fiel ao seu povo.


Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

Aula ministrada na ICT - J | dia 22/05/2016

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Notas e citações:

1 LOPES, Hernandes Dias. Romanos, o Evangelho segundo Paulo; p.324
2 Ibid, p. 330.
3 PATE, C. Marvin. Série Comentário Expositivo Romanos; p. 194

Referências bibliográficas:

Escola Bíblica dominical. Maravilhosa Graça. 2º trimestre de 2016; CPAD; lição 8.
LOPES, Hernandes Dias. Romanos, o Evangelho segundo Paulo. São Paulo, SP; Hagnos, 2015.
PATE, C. Marvin. Série Comentário Expositivo Romanos . São Paulo, SP; Vida Nova, 2015.