domingo, 1 de maio de 2016

A MARAVILHOSA GRAÇA


Escola Bíblica Dominical – 1 de Maio de 2016 | Lição 5
Texto Áureo: Rm6.14

Verdade prática: Cristo Jesus é a graça divina manifestada em forma humana.

Leitura bíblica em classe: Romanos 6.1-12

Explicação do texto:

a. No capítulo 6, Paulo apresenta outra bênção: o novo domínio. O princípio ativo em nós já não é propenso somente a pecar; o objeto passa a ser a santificação.

b. Paulo explica que em Adão somos desobedientes a Deus; enquanto que em Cristo, por meio do Seu Espírito, obedientes.

c. Por estarmos agora unidos com Cristo, na sua morte, estamos mortos para o pecado e vivos para Deus; mortos para a injustiça e vivo para justiça.

d. Após a justificação o crente entra em um segundo estágio: a santificação. Romanos 6 refuta o falso ensino da “graça barata”. Como disse Calvino: “o salvo vive como salvo”.

REFLEXÃO E OBJETIVO DA AULA: 1) Apresentar alguns dos inimigos da graça; 2) Mostrara vitória da graça para com o domínio do pecado; 3) Relacionar os frutos da graça.

INTRODUÇÃO:

a. A misericórdia triunfou sobre o juízo. Deus, em Cristo, perdoou o imperdoável. (citar Rodolfo Abrantes quando perguntado se o cristianismo era radical).

b. Alguém já disse: “A cruz foi mais eficaz do que o pecado na sua tragédia”.

c. As misericórdias de Deus não têm fim.

I. OS INIMIGOS DA GRAÇA

1. Antinomismo.

a. Antinomismo, literalmente significa “contra a lei”. Esse ensino diz que não há mais necessidade de pregar e nem observar as leis morais do Antigo Testamento.

b. Afirmam que por estarmos na “dispensação” da graça, já não há mais necessidade de observamos estes mandamentos.

c. Paulo usou o método de diatribe para trazer luz a respeito do que de fato a graça de Deus produz naquele que crer.

d. Deus nos salvou para sermos conforme a imagem do seu Filho Jesus Cristo. Esse processo acontece de glória em glória (2Co 3.18), e se dará até o último dia até sermos semelhantes a Ele (1 Jo 3.2).

“Todo aquele que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro”. 1Jo 3.3 (NVI).

e. Deus nos ama tanto que jamais nos deixaria no estado de perdição que estávamos quando por Ele fomos encontrados. O salvo tem prazer na santificação.

2. Paulo não aceita e não confirma o antinomismo.

a. A apóstolo sabia que a sua exposição poderia gerar um mal entendido na igreja. No verso1 ele faz uma pergunta: “Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante?” No verso 2, ele responde: “De modo nenhum”!

b. Infelizmente muitos crentes vivem na licenciosidade usando o argumento que estamos não mais de baixo da lei mas da graça. A Escritura nos exorta a respeito:

“Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à vontade da carne...”. - Gálatas 5:13

c. A santificação é o comprovante da transação da redenção. Fomos salvos para as boas obras. O salvo traz em si as evidencias desta salvação.

d. O antinomismo trata o pecado como algo que “não tem nada a ver”. Esso não é a maravilhosa graça, mas graça barata, como disse Dietrich Bonhoffer.

e. A graça custou caro para Deus, a saber, a morte do Seu Filho Jesus. Ela não justifica o pecado; antes, o condena! Ela justifica o pecador. Diante disso, fica a pergunta:

“... como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?”- Hebreus 2:3 (NVI)

3. Legalismo.

a. O legalismo é o extremo, porém oposto daquilo que antinomismo ensina. Os fariseus eram legalistas.

b. Havia um grupo de legalistas que queria enquadrar Paulo, dizendo que ele era contra a lei. (“Vamos pecar porque estamos debaixo da graça”. Uma pergunta capciosa foi dirigida a Paulo).

c. Paulo fora acusado de incentivar os judeus convertidos ao cristianismo a viver de qualquer forma.

d.“Debaixo da lei”provavelmente se originou como lema criado pelos judaizantes durante a crise da Galácia, os quais seguiam interpretações rabínicas antigas de Êxodo 19.17 e Deuteronômio 4.11, segundo as quais a lei era uma presença ameaçadora que pairava sobre a cabeça deles.

e. Paulo ensinou que a lei conduz ao pecado, que traz a morte; em contrapartida, a graça de Deus em Cristo conduz à obediência e à justiça, que traz vida.

f. O legalismo é inimigo da graça porque forma homens a partir de suas conquistas, do sucesso, do ativismo e de atividades auto-centradas que geram recompensas e elogios dos outros. Tudo isso é contrário a graça que nada mais é que o “favor imerecido de Deus”.

g. O que precisamos entender, como disse Brennan Manning, é que Jesus não ofereceu uma nova lei, mas sim uma nova atitude em relação à lei, baseada no amor:

“O poder dos fariseus surge do fardo que colocam sobre as costas dos judeus sinceros; sua satisfação consiste na manipulação básica do medo que as pessoas nutrem de desagradar a Deus.”1 – Eugene Kennedy

SÍNTESE DO TÓPICO I

O antinomismo e o legalismo são inimigos da graça.

II. A VITÓRIA DA GRAÇA

1. A graça destrói o domínio do pecado.

a. O pecado é como um tirano impiedoso que trata seus súditos como escravo, porém, com salário: a morte.

b. O velho homem, usado por Paulo, trata de nossa natureza adâmica.

c.  A expressão “em Cristo” é característica nos escritos Paulinos. No ato da conversão há uma união mística de Cristo com o crente. As qualidades e capacidades de Cristo, fluem para o cristão ao longo de toda sua vida. Essa é a liberdade que o Espírito nos traz, a saber, o viver no Espírito, em Cristo, para não satisfazer, como escravos, os desejos da carne.

d. Agora o corpo, no todo, é membro para justiça. O pecado já não reina mais sobre ele.

e. O pecado será acidental e não mais proposital na vida do cristão nascido de novo.

f. A natureza Adâmica não é extirpada na conversão, mas recebemos poder para subjugá-la e dominá-la. Estamos mortos para o pecado. Ele nos chama, porém, não o escutamos porque estamos mortos para ele.

2. A graça destrói o reinado da morte.

a. O pecado gera a morte; mas a graça de Deus traz vida.

3. A graça e os efeitos do pecado.

a. Olhe ao seu redor e veja as consequências do pecado: mortes, doenças, guerras, terremotos, desastres naturais, contendas, traições.

b. Como alguém já disse: “Depois da queda, viver, é sofrer de alguma maneira”.

c. O pecado produz a ira de Deus; porém, somente Cristo experimentou a ira plena de Deus. Ele fez isso de forma vicária em favor de seus escolhidos.

d. O homem, quando conciliado com Deus, em Cristo, é vivificado espiritualmente. A vida de Deus o invade. Deus passa morar nele. Isso afeta todas as áreas de nossa vida.

SÍNTESE DO TÓPICO II

A graça destrói o domínio do pecado na vida daqueles que pela fé aceitam a Jesus Cristo.

III. OS FRUTOS DA GRAÇA

1. A graça liberta.

a. Ninguém é neutro, pois o arbítrio de todos homens está comprometido. Aquele que comete pecado, é escravo do pecado (Jo 8.34).

“Não sabem que, quando vocês se oferecem a alguém para lhe obedecer como escravos, tornam-se escravos daquele a quem obedecem: escravos do pecado que leva à morte, ou da obediência que leva a justiça?” – Romanos 6.16 (NVI) 

b. A graça de Deus libertadora: “mas agora, libertados do pecado”:

“Quanto mais escravo de Cristo sou, tanto mais livre me sinto”. – Agostinho de Hipona

c. Portanto, não tornemos nós a submeter ao jugo da escravidão do pecado (citar a ilustração do Faraó e o povo de Deus no Egito).

“Estais, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou e não torneis a meter-vos debaixo do jugo da servidão.” – Gálatas 5.1 (NVI).

d. Citar a ilustração da mulher que embalsamou o marido morto e o colocou numa redoma de vidro. (precisamos sepultar o pecado e considerarmos mortos para ele).

2. Exigências da graça.

a. O termo “considerar” que aparece em Rm 6.11, é a tradução de uma palavra grega usada 41 vezes no NT – 19 vezes só em Romanos. Significa “levar em conta, calcular, estimar”. Devemos levar em conta aquilo que Deus diz em sua Palavra, pois isso vale para a nossa vida. (por isso o culto é racional).

b. Assim como somos justificados por meio da fé, a santificação é exercitada através dela. Precisamos crer que de fato estamos unidos a Cristo, e que, portanto, devemos viver em novidade de vida.

3. Graça santificada.

a. A justificação nos salva da pena do pecado; a santificação nos salva do poder do pecado.

b. Ser santo é ser separado. Não é ser esquisito, mas diferente. É não se amoldar aos padrões do mundo. Lógico que muitos crentes confundem santidade com moralidade ascética. Ser santo é ser puro: “Tudo é puro para os puros”.

c. Aqueles que aparentam ser os mais santos são os piores pecadores. Sempre que você escutar de alguém um discurso austero para com os pecados do próximo, exaltando a sua auto-santidade, desconfie. Tudo indica que você esteja diante de um canalha ou de alguém que já está longe de Deus e de Sua Palavra.

d. A santificação é progressiva. É um processo de Deus em nós.

“Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.” – Hebreus 12.14

SÍNTESE DO TÓPICO III

Dois são os frutos da graça, a liberdade em Jesus Cristo e a santificação.

CONCLUSÃO

1. Vimos que a graça possui seus inimigos: Antinomismo e o legalismo.

2. A graça de Deus nos alcança do que jeito que estamos, mas nunca nos deixará do jeito que somos. Esse é o poder do Evangelho.

3. Precisamos andar dignamente e de acordo com a nossa vocação: viver piedosamente no meio de uma geração corrompida e perversa.

4. Essa salvação nada custou a nós;a Deus, porém, custou tudo, a saber, Seu Filho Jesus.

5. Para a nossa reflexão:

“Como é que esse Deus justo pode declarar justo o injusto, sem comprometer a sua própria justiça nem condescender com a injustiça do injusto? Esta é a pergunta. A resposta de Deus é a cruz”. – Hernandes Dias Lopes

6. Essa é a “Maravilhosa Graça”!


Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

Aula ministrada na ICTJ dia 10/04/2016

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Notas e citações:

1MANNING, Brennan. O impostor que vive em mim;p.92.

Referências bibliográficas:

Escola Bíblica dominical. Maravilhosa Graça. 2º trimestre de 2016; CPAD; lição 5.
LOPES, Hernandes Dias. Romanos, o Evangelho segundo Paulo. São Paulo, SP; Hagnos, 2015.
PATE, C. Marvin. Série Comentário Expositivo Romanos . São Paulo, SP; Vida Nova, 2015.