terça-feira, 31 de maio de 2016

DEUS PERMITIU QUE JEFTÉ OFERECESSE SUA FILHA EM HOLOCAUSTO?


Por Fabio Campos

Qual professor ou estudioso da Bíblia que nunca foi perguntado sobre “como é que Deus poderia permitir que Jefté oferecesse sua filha em holocausto”? Difícil, né! Para aqueles que não estão familiarizados com a história (Juízes 11.29-40) quero apresentar um breve relato do que aconteceu. 

Deus levantou Jefté, gileadita,“guerreiro valente”(Jz 11.1). Ao ser proposta a ele a liderança na batalha contra os filhos de Amom, Jefté firma um voto a Deus, no qual, se vencesse a batalha, o primeiro que saísse ao seu encontro, ele o ofereceria em holocausto. Jefté venceu a batalha. No retorno, a primeira pessoa que saiu de sua casa, foi sua filha, a única filha. Jefté não voltou atrás no seu propósito e a ofereceu em holocausto (v. 31). A questão, contudo, gira em torno da natureza deste “holocausto” (sacrifício).

As opiniões a respeito do assunto, entretanto, divergem. Pessoas sérias e comprometidas com a interpretação bíblica não conseguem ter consenso no veredicto. Não é para menos, o assunto é daquele tipo onde discutido entre dez teólogos, onze opiniões são emitidas, uma diferente da outra. Complicado!

Antes de emitir o meu parecer, quero, contudo, trazer três posições: 1) Comentário Bíblico Moody, 2) Comentário Bíblico Vida Nova 3) e o parecer do apologista Norman Geisler que se encontra em seu Manual de dificuldades bíblicas.

Segundo o comentário Bíblico Moody, Jefté, de fato, ofereceu sua filha em holocausto. O  posicionamento tolo de Jefté teve a influenciado pagã de sua cultura que ele nasceu e cresceu. Jefté, portanto, tinha pouca instrução acerca da tradição dos israelitas. O paganismo de seus antecedentes ainda era forte no seu entendimento teológico. Ele cumpriu aquilo que havia prometido de antemão, foi até o fim na sua posição mesmo que equivocado.

O comentário bíblico Vida Nova traz uma opinião parecida com o comentário Moody. O comentarista diz que a frase de Jefté “o primeiro da porta da minha casa me sair” (31a) era ambígua, pois punha todos os moradores de sua casa em risco. Jefté teve uma motivação ao firmar o voto de barganha. D. A. Carson trabalha o seu argumento com base no verso 31: “aquele que vier saindo da porta da minha casa ao meu encontro, quando eu retornar da vitória sobre os amonitas, será do Senhor, e eu o oferecerei em holocausto”. Se não fosse o verso 31, tudo seria mais fácil para aqueles que discordam dos dois comentaristas. Risos...

Norman Geisler escreveu “Manual de dificuldades bíblicas” contendo respostas para mais de 780 passagens polêmicas. Essa obra teve a parceria de Thomas Howe, professor de grego, hebraico, siríaco, latim e aramaico. Geisler não entende que o sacrifício da filha de Jefté tenha sido a sua vida, mas a virgindade. Ela não poderia casar e o lamento maior consistia no fato de Jefté não ter filhos e filhas para perpetuar a sua descendência (Jz 11.34). 

Norman Geisler diz que o holocausto mencionado não poderia ser considerado “sacrifício de morte”, pois Jefté continha o mínimo de conhecimento sobre a tradição de Israel onde era proibido o sacrifício de seres humanos. Esse pouco conhecimento de Jefeté seria suficiente para ele não votar tolamente. O texto não diz em nenhum lugar que ele realmente matou a sua filha. O único lugar que aparece holocausto é no verso 31, porém, não significa que este sacrifício tenha envolvido a morte dela. 

Paulo, por exemplo, disse que seres humanos devem ser oferecidos a Deus como um “sacrifício vivo” (Rm 12.1), e não como sacrifício morto. O contexto dá a entender que Jefeté ofereceu sua filha como sacrifico vivo ao Senhor para que ela pudesse servir a Deus de forma integral nos dias da sua vida, não podendo se casar. Ela não daria a seu pai uma descendência  (este foi o motivo do pranto de Jefté quando encontrou com sua filha na volta da batalha). 

 Não ter descendentes no contexto judaico era tido por maldição. Porém, Jefté, pela fé, não voltou atrás na sua decisão; parecido com o caso de Abraão que foi até as últimas consequências de sacrificar seu filho Isaque. Deus certamente aceitou o ato de Jefté, pois seu nome é citado junto dos heróis de Hebreus 11.32. O contexto trata de homens que venceram suas batalhas pela fé. (Abraão creu que Deus poderia ressuscitar Isaque dentre os mortos e por isso foi até o fim na sua atitude).

O meu posicionamento vai de encontro com o de Norman Geisler.  Creio que Jefté não sacrificou (matou) sua filha. O sacrifício foi a impossibilidade dela se casar (Jz 11.37).  No verso 38, junto das amigas, ela foi chorar porque “jamais se casaria”. Veja que ela não saiu para lastimar a sua morte iminente, mas para chorar sua virgindade. 

Minha convicção aumenta quando leio o verso 39: “Passados os dois meses, ela voltou a seu pai, e ele fez com ela o que tinha prometido no voto. Assim, ela nunca deixou de ser virgem. Daí vem o costume em Israel”. Caso Jefté houvesse sacrificado sua filha, a Bíblia certamente diria isso com todas as letras; contudo, passado os dois meses (que ela pediu ao pai para chorar sua virgindade), a Escritura não diz que “ela era morta”, mas que nunca deixou de ser virgem (v 40 NVI). Ou seja, ela estava viva! Disso nasceu um costume em Israel.

O povo hebreu jamais perpetuaria tal costume se de fato Jefté tivesse sacrificado sua filha. Essa prática era totalmente contrária lei estabelecida por Moises (Lv 18.21; 20. 2-5; Dt 12.31; 18.10). Esse, portanto, é o meu posicionamento.

Respeito quem pensa diferente!


Abraços fraternos,

Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

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Referências bibliográficas:

CARSON, D.A. Comentário Bíblico Vida Nova. Vida Nova, 2012. São Paulo, SP
F. HARISSON, Everett. Comentário Bíblico Moody. Volume I. Batista Regular, 2010. São Paulo, SP GEISLER, Norman & HOWE, Thomas. Manual de dificuldades bíblicas. Mundo Cristão, 2015. São Paulo, SP

domingo, 29 de maio de 2016

QUE MARCAS DE CRISTO EU CARREGO?



Sermão pregado na ICT – J no culto dos adolescentes em 28 de maio de 2016

TEXTO BASE: Gálatas 6. 15-18

INTRODUÇÃO:

a. A igreja da Galácia foi fundada por Paulo em sua primeira viagem missionária. Paulo ficou sabendo de que alguns “irmãos” se infiltaram o seio da igreja e estavam ensinando que além da salvação pela fé, os crentes deveriam guardar também os preceitos de Moisés; eles insistiram muito sobre na circuncisão. 

b. Esses opositores de Paulo se apegavam a “aparecia humana”. Eles cumpriam a lei não por amor, mas por medo. Não a obedeciam de coração, mas por obrigação.

c. Deus não quer obedeçamos a Ele por medo mas por amor. Quem obedece a Deus por medo ainda não o conhece como Ele realmente é. 

d. Diferente de seus opositores que tinham como marca apenas a circuncisão, Paulo traziam em seu próprio corpo as marcas de Cristo (conforme o texto que lemos). 

“... o verdadeiro judeu é aquele que é judeu por dentro, aquele que tem o coração circuncidado; e isso é uma coisa que o Espírito de Deus faz e que a lei escrita não pode fazer. E o louvor que essa pessoa recebe não vem de seres humanos, mas vem de Deus.” – Romanos 2.29 (NTLH)

e. O cristão, portanto, carrega algumas marcas que comprova que de fato Ele pertence a Cristo. Vejamos pelo menos três delas:

I. O CRISTÃO QUE CARREGA A MARCA DE CRISTO NÃO TEM VERGONHA DO EVANGELHO.

a. Paulo era “zoado” e “ridicularizado” pelos judeus. Ele era um judeu fervoroso. Quando ele chegava nos lugares era zombado por seus antigos amigos.

b. Porém Paulo nunca deixou de compartilhar com as pessoas quem ele era e no que Cristo o transformou.

c. Paulo não tinha vergonha do Evangelho, por isso sempre citava, independentemente do lugar, sua nova vida em Cristo:

“Vocês ouviram falar de como eu costumava agir quando praticava a religião dos judeus. Sabem como eu perseguia sem dó nem piedade a Igreja de Deus e fazia tudo para destruí-la. Quando praticava essa religião, eu estava mais adiantado do que a maioria dos meus patrícios da minha idade e seguia com mais zelo do que eles as tradições dos meus antepassados. Porém Deus, na sua graça, me escolheu antes mesmo de eu nascer e me chamou para servi-lo. E, quando ele resolveu 16revelar para mim o seu Filho a fim de que eu anunciasse aos não judeus a boa notícia a respeito dele...”. – Gálatas 1.13-16 (NTLH)

II. O CRISTÃO QUE CARREGA A MARCA DE CRISTO DESEJA AGRADAR A DEUS E NÃO A HOMENS

“Acaso busco eu agora a aprovação dos homens ou a de Deus? Ou estou tentando agradar a homens? Se eu ainda estivesse procurando agradar a homens, não seria servo de Cristo”. - Gálatas 1:10 (NVI)

a. “Deus não julga pela aparência.” – Gálatas 2.6 

b. O homem vê a aparecia, Deus, porém, o coração (Samuel na casa de Davi). 

c. O cristão de fato tem uma nova vida em Cristo (peça a Deus se você ainda não sente isso). 

d. Você não precisa agradar os seus amigos da escola, você deve agradar a Deus, ainda que isso te custe zombarias. 

"Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês. Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de você.” - Mateus 5:11,12 (NVI)

e. Três casos de homens que desagradaram a Deus para agradar a homens:

ü 1 Samuel 15.24: o rei Saul desobedeceu a Deus porque estava com medo da opinião pública e das críticas dos homens.
ü Juízes 16. 15-21: Sansão preferiu agradar Dalila e acabou muito mal.
ü 1 Reis 11. 1-16: Salomão, filho de Davi, casou-se com mil mulheres para agradar homens poderosos. Deus não se agradou disso.

III. O CRISTÃO QUE CARREGA A MARCA DE CRISTO ESTÁ CRUCIFICADO PARA O MUNDO

“As pessoas que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a natureza humana delas, junto com todas as paixões e desejos dessa natureza.” – Gálatas 5.24 (NTLH)

a. Nós estamos com o pé na terra, porém com o coração no céu.

b. Por isso não precisamos ficar se comparando com outras pessoas e nem ligar quando comparados.

“A pessoa que pensa que é importante, quando, de fato, não é, está enganando a si mesma.” – Gálatas 6.3 (NTLH)

c. Pessoas que não carregam a marca de Cristo são orgulhosas, provocadores e invejosas.

“Nós não devemos ser orgulhosos, nem provocar ninguém, nem ter inveja uns dos outros.” – Gálatas 5.24 (NTLH)

d. O mundo está morto para ela; o cristão que carrega a marca de Cristo não é atraído pelo mundo.

“Mas eu me orgulharei somente da cruz do nosso Senhor Jesus Cristo. Pois, por meio da cruz, o mundo está morto para mim, e eu estou morto para o mundo.” – Gálatas 6.14 (NTLH)

IV. OS GANHOS POR LEVAR AS MARCAS DE CRISTO

1. O cristão que carrega as marcas de Cristo tem paz com Deus, com os outros e consigo mesmo. 

2. O cristão que carrega as marcas de Cristo a misericórdia de Deus é sua companhia. 

3. O cristão que carrega as marcas de Cristo, ainda que sofrendo, desfruta da graça e da bondade de Deus.

REVISÃO

I. O cristão que carrega a marca de Cristo não tem vergonha do evangelho.

II. O cristão que carrega a marca de Cristo deseja agradar a Deus e não a homens.

III. O cristão que carrega a marca de Cristo está crucificado para o mundo.

REFLEXÃO

1. Você carrega as marcas de Cristo?

2. Quais destas marcas você ainda não carrega?

CONCLUSÃO

1. Não há idade mínima ou máxima para ser um seguidor de Jesus Cristo, pois João Batista foi cheio do Espírito Santo desde o ventre.

2. Se você não possui algumas dessas marcas; ou talvez nenhuma, peça a Deus; vamos orar por isso.

“E, para todos os que seguem essa regra na sua vida, que a paz e a misericórdia estejam com eles e com todo o povo de Deus!” – Gálatas 6.16 (NTLH)

Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

Referências bibliográficas:

KELLER, Timothy. Gálatas, o valor inestimável do evangelho. São Paulo, SP; Vida Nova, 2015

quarta-feira, 25 de maio de 2016

CARTA AOS ROMANOS, COMENTÁRIOS BÍBLICOS DE C. MARVIN PATE E HERNANDES DIAS LOPES


Por Fabio Campos

Amados e queridos irmãos,

Querore comendar a vocês duas obras que tem me ajudado na preparação das aulas da Escola Bíblica Dominical. Estamos estudando neste trimestre a “Carta de Paulo aos Romanos” que tem por tema a “Maravilhosa Graça”. Fica a dica para os meus irmãos e professores, amantes do estudo exegético e expositivo das Escrituras.

1.ROMANOS, SÉRIE COMENTÁRIO EXPOSITIVO.

C. Marvin Pate


Comentário lançado no ano passado (2015) pela Editora Vida Nova. Um dos melhores dos últimos tempos. Mostrei para alguns amigos, inclusive meu pastor, Paulo Romeiro. Gostaram bastante daquilo que viram. Essa obra ajudará pastores, pregadores, professores e todos aqueles que amam o estudoda Bíblia. O professor C. Marvin Pateutiliza uma linguagem agradável, de fácil compressão e bem humorada.Cada seção é acompanhada de fotos, mapas e gráficos, tudo voltado para a passagem estudada. A obra separa porções específicas (por exemplo: 5. 1-4) que abordam“contexto do texto”,“antecedentes históricos e culturais”, “análise do principal tema da passagem em questão”, “considerações interpretativas”, “considerações teológicas” e“como ensinar o texto”. No final de cada seção, o comentário traz uma “ilustração”. Pate usa nas ilustrações livros, filmes, testemunho pessoal, poesia, arte, história e etc. Em passagens controvertidas e debatidas entre “convicções teológicas diferentes”, o autor (mesmo que tenha uma convicção reformada) consegue ser imparcial. Em Romanos 9, 10 e 11, por exemplo, ele traz o ponto de vista do “dispensacionalismo” e do “aliancismo”. Sobre a predestinação, C. Marvin Pate aborda o assunto na perspectiva “calvinista”, “arminiana” e do “conceito coletivo” (uma tentativa de conciliar a “predestinação” e o “livre-arbítrio”, teoria esta defendida e popularizada por Karl Barth em “Dogmática eclesiástica”). Vale a pena investir nesta obra.

Informações sobre o livro:

Autor:C. Marvin Pate
Obra: Romanos, série comentário expositivo
Editora: Vida Nova
Páginas: 354
Preço médio: R$ 40,00 

2. ROMANOS, O EVANGELHO SEGUNDO PAULO.

Hernandes Dias Lopes

Alguém pode perguntar: “Cadê Barth, Stott, Horton, Calvino, Lutero, Llody-jones e etc nas indicações?” Eu respondo: “Estão no comentário escrito pelo Reverendo Hernandes Dias Lopes:Romanos, o evangelho de Paulo.” O reverendo não traz somente o posicionamento dos teólogos que citei, mas de tantos outros. O livro é sensacional! Simples, objetivo, claro e preciso! Hernandes Dias Lopes, como poucos, consegue ser profundo sem ser complexo; simples sem ser simplista. Suas obras alcançam o intelecto do erudito e do néscio. Uma particularidade do livro,a exegese que o reverendo faz, como ele aplica isso em nosso dia a dia, é simplesmente fantástico. A leitura desta obra não somente acumulará informações a sua mente, mas nutrirá sua alma com alimento sólido.

Informações sobre o livro:

Autor: Hernandes Dias Lopes
Obra: Romanos, o evangelho segundo Paulo (série de comentários expositivosHagnos)
Editora: Hagnos
Páginas: 512
Preço médio: R$ 45,00 

O meu desejo é que a graça de Deus e a iluminação do Espírito Santo possam conceder-lhe temor e entendimento para que você tenha um coração submisso a Palavra de Deus e ao Deus da Palavra.

“Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que a muitos ensinam a justiça, como as estrelas sempre e eternamente”. (Dn 12.3 NVI)

Soli Deo Gloria!

Com meus sinceros votos de estima e consideração,

Fabio Campos