terça-feira, 19 de janeiro de 2016

RESENHA – “REVISÃO DE VIDA” – RICARDO AGRESTE



Por Fabio Campos

Deus é bom o tempo todo e cuida dos seus. Não tenho dúvida que é Ele quem “determina os passos dos justos” (Pr 16.9). A leitura do livro, “Revisão de Vida”, escrito pelo pastor Ricardo Agreste, tem como enredo “viver e não se arrepender”. A sensação que tive no ato da leitura foi do cuidado d’Ele por mim.

Esta foi minha última leitura de 2015 e a primeira de 2016. Não foi por acaso! Quando me propus separar uma obra para leva-la na viagem de que fiz no fim de ano, até aí já havia escolhido outra, mas por um momento, meus olhos pararam em “Revisão de Vida”. 

A aquisição da obra também foi algo diferente. Estava num determinado lugar que não frequento, quando de repente me deparo com uma livraria evangélica bem “escondida” (na região da Consolação, São Paulo). Havia muita coisa boa nas prateleiras, porém ainda não conhecia a Z3 Editora. A editora chamou a atenção. Como já conhecia Agreste e sua linha de pensamento (que por sinal é muito equilibrada), li a sinopse do livro e separei para comprá-lo. 

Não foi por acaso que comprei o livro. A leitura me trouxe muitas informações preciosas e dicas de como viver intensamente, entretanto, com o “jugo” leve e suave de Deus. Por isso resolvi fazer uma breve resenha descrevendo o tema principal dos 6 capítulos escritos.  


CAPÍTULO 1 – DA VAIDADE À ETERNIDADE

O autor descreve uma experiência que teve ao acordar no dia do seu aniversário de 40 anos. No momento do seu devocional, Ricardo, abriu a Escritura no livro de Eclesiastes (um santo remédio para quem está passando por uma crise existencial).

No capítulo, no entanto, ele trata sobre “nossas buscas infindáveis”: “Correr atrás do vento”. Por esta busca há muitas versões. Ele, assim, descreve quatro delas: 

1. A busca da alegria: Por que pessoas bem providas daquilo que o mundo deseja têm apenas momentos de felicidades, porém, não possui uma “alegria perene”? Ele aborda que a alegria fora de Deus é frágil e inconstante – forjada e fabricada –, que depende de circunstâncias favoráveis ou de muletas como as bebidas, as drogas ou coisas afins. Agreste termina esta parte citando a irresponsabilidade daqueles que colocam tudo a perder com o famoso jargão: “Mas, eu tenho o direito de ser feliz”. Para estes, o resultado final foi sempre o mesmo: desespero!, conclui o autor.

2. A busca do sucesso profissional: Ricardo faz uma explanação do anseio que o autor de Eclesiastes tinha em relação a realização profissional. Algo que pudesse preencher o “vácuo que há na alma de todo ser humano”. O capítulo caminha expondo a expectativa e a busca sem limites pelo sucesso profissional cujo objetivo é trazer razão de se viver. Nada mais importa desde que cheguemos ao topo. Mas onde é o topo? Para pessoas que vivem neste estilo de vida, não há topo. Correm atrás do vento e a cada dia têm suas forças reduzidas. Nem tempo possuem para se divertir. “Isso é um absurdo e um trabalho por demais ingrato” (Ec 4.8).

3. A busca das posses: Você já viu alguém tão rico ao ponto de dizer: “Não preciso ganhar mais dinheiro! Chega!?” Talvez, não! Quem ama o dinheiro nunca ficará satisfeito. Os bens materiais nunca serão suficientes para preencher o vazio da alma humana. Ricardo traz uma informação interesse concernente a isto:

“Segundo Gianetti, em seu livro Felicidade (Companhia das Letras, 2002), pesquisas realizadas em sociedades como a norte americana e a japonesa, revelam claramente que o aumento do poder aquisitivo ou de bens materiais não se mostra diretamente associado ao aumento do sentimento de realização e satisfação para com a vida. Muito pelo contrário! O aumento do poder aquisitivo e de bens intensifica a constatação de vazio interior e de ausência de sentido para a vida. Prova disso é a presença significativamente maior de suicídios entre as camadas mais privilegiadas da população em relação as mais pobres.”

4. A busca da fama e do poder: O autor do Eclesiastes possuía tanto fama como poder: “não me neguei nada que meus olhos desejaram”. Mas, mais uma vez, é constatado nas palavras do próprio autor, que nada fazia sentido e todo anseio por aquilo que poderia ser desfrutado nesta terra era efêmero: “vaidade das vaidades”. Não é o homem que conquista a fama ou o poder, mas o poder e a fama que conquista o homem. Por isso se tornam escravos de suas “conquistas” e vivem em função delas. Nisto perdem amigos, esposas, filhos e, por fim, a alma. 

Ainda nesta temática, Agreste trata das “buscas incansáveis que a religiosidade contemporânea propõe. Trata da tipificação do próprio diabo na tentação de Cristo no deserto: “Se me adorares tudo isto te darei”. Ele diz que, aquilo que chamamos de religiosidade nos dias de hoje nada mais é que uma tentativa de, através de ritos e oferendas, manipular o divino para que nos ofereça o objeto de nossas buscas insaciáveis. 

Citando Eugene Peterson, Ricardo diz que Eclesiastes é o tipo de livro que poderia muito bem ter sido escrito pelo profeta do Novo Testamento, João Batista. Em seu tempo, ele é o profeta que rompe com todo tipo de ilusão e joga por terra a esperança deste tipo de religiosidade de promover no homem a autorrealização. 

Não há como preencher o vazio que há no homem que nada mais é que, a busca por Deus naquilo que perece. Deus é eterno. Blaise Pascal disse que “somente Deus tem o tamanho exato do vazio que existe dentro de nós”. A Bíblia diz: “Também pôs [Deus] no coração do homem o anseio pela eternidade”. Somente um relacionamento com Deus, através de Jesus Cristo, trará sentido a vida do homem e fazendo com que transcenda sua própria história. 


CAPÍTULO 2 – ESCOLHENDO AS BATALHAS

Ao longo da vida, sempre nos deparamos com pelo menos dois tipos de batalhas: as que valem a pena serem travadas e aquelas que não valem a pena sequer serem consideradas.  Como discernir batalhas de batalhas? 

Tenha uma missão maior que sua própria carreira: Ele cita o exemplo de Paulo, que fazia e confeccionava tendas. Certamente, Paulo, tinha que tratar do seu negócio e dialogar com clientes e fornecedores. Deveria honrar seus impostos. Mas veja que Paulo fazia disto um “meio” para um “fim” mais nobre: “pregar o evangelho sem ser pesado a ninguém”. Sua carreira era um meio, sua missão era o fim. Aléxis de Tocqueville, citado no livro, escreve em Idades da Fé: “O objetivo final da vida é colocado do outro lado da vida”. Que coisa fantástica. 


CAPÍTULO 3 – COMPLETANDO A MARATONA

Nossa cultura, além de pragmática, também é imediatista. Mal assimilamos uma informação para que uma nova chegue a caráter de urgência. Neste capítulo, o pastor Ricardo, trata da “maratona” cristã. Ele traça o paralelo entre “velocistas” e “maratonistas”. O velocista, geralmente, corre 100 metros rasos em poucos segundos. Diferente disso, o maratonista corre 40 km em algumas horas. O cristão é um maratonista. No cristianismo, vencer, é diferente de ganhar. Vencer não é chegar em primeiro, mas completar a corrida: “... completei a corrida”, disse Paulo no fim da vida.

Agreste faz menção do foco que um maratonista precisa ter durante a caminhada: 1) Propósito, 2) Princípios e 3) Perseverança. Ele explana cada ponto com muita clareza, de modo prático e inteligível.


CAPÍTULO 4 – GUARDANDO A FÉ

O autor trata a importância da “guarda da fé”. Coisa terrível é crente azedo. Ricardo trata a despeito da fé que protege o nosso coração contra o ceticismo e amargura. A fé é um instrumento – tanto de ataque como de defesa dado por Deus a nós (Ef 6.16). O livro traz os tipos de fés: 1) Fé como único meio para salvação (2 Tm 3.15); 2) Fé como o conjunto de verdades cristã (2 Tm 4.6); 3) Fé como estilo de vida cristão (2 Tm 2.2).

Ele traz uma aplicação prática referenciando o modo que Paulo fez para guardar sua fé: 1) Cultivar a prática da Boa Consciência (1 Tm 1.18-20); 2) Desenvolver uma mentalidade Bíblica e Sadia (2 Tm 3.8); 3) Ter uma relação apropriada com o dinheiro. Este terceiro ponto, ganha atenção especial. Não a menos, pois grande parte das igrejas entrou pelo caminho da ganância ao invés do desprendimento. Seguem os sub-tópicos: a) A busca pelo dinheiro é uma busca insaciável e b) A busca pelo dinheiro gera devoção.


CAPÍTULO 5 – AMADURECER OU AMARGAR

Ricardo trata neste capítulo acerca dos abandonos e de traições. Ele usa como exemplo o apóstolo Paulo, que no fim da vida foi abandonado pela maioria dos seus amigos. Como lidar com tudo isso? Amadurecer ou amargar?

Ele trata das circunstâncias que nos impelem à amargura: 1) O abandono em meio a uma jornada (2 Tm 4.10); 2) A difamação e oposição injustas (2 Tm 4.13); 3) Ausência de apoio no momento da adversidade (2 Tm 4.15).

Outro ponto muito interessante que o pastor aborda são as “opções que nos conduzem à maturidade”: 1) Esteja pronto para oferecer novas oportunidades; 2) Entregue suas causas a Deus (2 Tm 4.13); neste segundo ponto, ele aborda dois sub-tópicos: a) Concentre-se no cuidado de sua integridade (publiquei na fan page do blog esta porção do texto); b) Não permaneça no raio de alcance dos inimigos. Seguindo, ele aborda também 3) o Exercício do perdão para com os que falham (2 Tm 4.16).


CAPÍTULO 6 – COM OS PÉS NA TERRA, MAS OS OLHOS NA ETERNIDADE

O pastor Ricardo trata neste capítulo sobre a eternidade, o quanto olhar para ela pode trazer força para viver o presente. Saber que um dia seremos recompensados por aquilo que fizemos mas que ninguém viu, nos coloca no caminho do temor ao Senhor. As pessoas mais infelizes e inquietas são justamente aquelas que esperam somente a sua recompensa nesta terra. Diferente daquelas que, independentemente das circunstancias, creem que o sentido da vida transcende a própria história. Ou seja, As adversidades e as crises são interpretadas como parte de um plano maior que tem como autor um Deus que ama incondicionalmente. 

Ele aborda também a questão entre “alienação” ou “engajamento”. Muitos acusam os cristãos de “acomodados”. Segundo estes grupos, principalmente a esquerda política, os cristãos atenuam suas dores e abandonam suas batalhas com uma pseudo-esperança de futuro dentro de uma esfera mística do por vir. Mas, estes, e todos os que assim pensam, estão enganados. Fora do livro, cito C. S. Lewis: 

“Se você ler a história, descobrirá que os crentes que mais realizaram neste mundo foram exatamente aqueles que pensavam mais no mundo por vir”.

Em outra ocasião, disse Lewis:

“É pelo fato dos crentes terem deixado de pensar no outro mundo que se tornaram ineficazes neste mundo”.

Dentro de todo ser humano há o anseio pela eternidade. Porém, este anseio diminui à medida que o anseio pelo o que é efêmero aumenta.


CONCLUSÃO

Ricardo Agreste termina sua obra citando Soren Kierkegaard: “A vida só pode ser compreendida olhando pata trás, mas pode ser vivida olhando para frente”.
 
O pastor Ricardo compartilha no livro suas “resoluções” daquilo que ele pôde aprender durante a elaboração desta maravilhosa obra. Segue-as em resumo: 

1)     “Não quero mais viver os dias que me restam sem uma forte consciência da vocação que me foi dada por Deus e de o seu produto final há de transcender o curto período de minha vida”. O negócio é agradar a Deus, como disse Thomás de Kempis: “A glória dos homens está em sua consciência, não na boca dos outros.”
2)     “Resolvi lidar de forma mais séria e consciente com minhas demandas interiores que, constantemente, tentam me convencer que o sentido da vida se encontra no prazer, no sucesso, no poder ou na aquisição de bens materiais.”
3)     “Consciente da importância desta relação pessoal e constante com Deus, quero diariamente lembrar a mim mesmo que esta relação não está baseada na minha capacidade de ser bom e fazer tudo certinho, mas na confiança plena do que Jesus fez naquela cruz para pagar toda e qualquer dívida minha para com Deus.”
4)     “À luz deste radical redimensimento de minha espiritualidade, passei a observar e analisar as batalhas que estão à minha volta com mais cuidado.”
5)     “Decidi romper com toda e qualquer tentação de comparar-me a outros.”
6)     “Quero investir mais meu tempo no cuidado consistente de minha fé.”    

Que Deus, em Cristo, abençoe a sua leitura e acrescente como fez comigo, através deste livro, aquilo que esteja faltando em você e pondere os excessos que estejam nas suas prioridades. Que assim seja para a Glória de Deus!

Soli Deo Gloria!

Fabio Campos
fabio.solafide@gmail.com

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Ficha técnica:
Autor: Ricardo Agreste
Paginas: 128
Editora: Z3 Editora
3º edição - Abril de 2015

OBS: Todas as citações foram extraídas do próprio livro