quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

ISAQUE, O SORRISO DE UMA PROMESSA



Escola Bíblica Dominical – 20 de Dezembro de 2015 | Lição 12
Texto Áureo: Gn 21.6

Verdade prática: A promessa divina, ainda que pareça tardia, sempre nos sorri no momento certo e na estação apropriada.

Leitura bíblica em classe: Gênesis 21. 1-8.


Explicação do texto: 

a. Deus tinha feito uma promessa A Abrão, que lhe daria um filho pelo qual todas as nações seriam benditas.

b. Abrão, entretanto, influenciado pela ansiedade da sua esposa, a pedido de Sara tomou por “mulher” sua concubina Agar; esta gerou Ismael.

c. Senhor, porém, advertiu que a “descendência”, no entanto, viria de Isaque e não de Ismael.

d. Depois de um tempo, Sara ficou grávida e deu a Abraão Isaque.

e. Sara jubilou-se e expressou sua gratidão com “aquilo que viria a ser o significado” de Isaque: “Deus me deu motivo de riso”.

f. O menino cresceu e, certo dia, Deus “prova Abraão” (Gn 22.1). O Senhor pede a ele o sacrifício do seu filho, do seu único filho.

g. Abraão obedece ao mandato de Deus; no momento que ele ia consumar o fato um anjo do Senhor o interrompe dizendo para não mais continuar.

REFLEXÃO E OBJETIVO DA AULA: 1) Conhecer a promessa de Deus a Abraão  2) Saber que Isaque era o bem mais precioso de Abraão 3) Mostrar como se deu o casamento de Isaque com Rebeca 4) Compreender que Isaque era o filho bendito que o Senhor que o Senhor havia prometido.

INTRODUÇÃO:

a. Já haviam se passado 24 anos desde que Abraão saíra d Ur dos Caldeus (cidade extremamente requintada).

b. Ur era uma cidade antiga (já na época de Abraão), fundada pelos sumérios muitos séculos antes. Era o auge da civilização (comparada hoje a Londres, Nova Iorque, São Paulo)

c. Por que Deus esperou tanto tempo?

d. Abraão tinha cem anos de idade, e Sara, noventa. Tal situação seria impossível se ser concebido humanamente falando.

e. Casos assim, extraordinários, muitas vezes dizem que Deus fará grandes coisas por meio destes filhos, como é o caso de Rebeca, Raquel, a mãe de Sansão e Ana.

f. Esses nascimentos são considerados precursores do mais miraculoso e importante nascimento da história, a saber, o nascimento de Jesus que se originara de uma virgem (este é evento é lembrado até os dias de hoje quando comemoramos o natal).

“Toda criança quer ser homem. Todo homem quer ser rei. Todo rei quer ser Deus. Só Deus quis ser [uma] criança” – Leonardo Boff (OBS: não concordo com a ideologia marxista de Leonardo Boff, mas a frase é verdadeira e digna de ser citada)

g. Deus sempre surpreende; da tristeza de Sara, Deus fez rir.

h. O nosso problema é que achamos que Deus só age e responde de um jeito, o lógico. Às vezes oramos por algo, e tudo piora, mas é ação de Deus em nós e não por nós.

“Um principio fundamental da vida e do andar da fé consiste em estarmos sempre preparados para o inesperado quando estamos tratando com Deus”1. D. Martyn Lloyd-Jones

i. Foi por meios “impossíveis” (aos homens) que Deus cumpriu a promessa e Sara no devido tempo deu a luz: nasce Isaque, o “sorriso de uma promessa”.

I. ISAQUE, O SORRISO TÃO ESPERADO.

A promessa ao nascimento de Isaque, passou-se um ano (Gn 18.10).

1. O nascimento do “riso”.

a. Isaque nasce exatamente no tempo que Deus determinou: “O menino nasceu no tempo que Deus havia marcado” (Gn 21.2 NTLH).

b. Isaque nasceu para perpetuar a linhagem da qual viria o Messias, Jesus, o Cristo de Deus.

c. Tudo está sob a providencia de Deus, pois Ele é o Senhor da história e sob ela. Tudo ocorre de acordo com o “conselho de sua vontade” (Ef 1.11).

d. Assim como foi com Isaque, o mais importante, entretanto, aconteceu com Jesus Cristo; nem antes – nem depois -, mas na “plenitude do tempo” Deus enviou Seu Filho ao mundo (Gl 4.4).

e. O plural inesperado (Gn 21.2) “filhos” (já que Sara daria apenas um filho a Abraão) implica que ela está olhando para além de Isaque, para sua descendência que se destina a abençoar a terra:

“Quem diria a Abraão que Sara daria de mamar a filhos?” – Gn 21.7

2. Isaque e Ismael.

a. Ismael era filho da carne (v.16), e Isaque era filho da promessa, nascido de forma milagrosa.

b. Sempre haverá conflito entre a carne e o Espírito, a antiga natureza e a nova natureza (Gl 5. 16-24).

c. Houve um desarranjo entre Sara e Agar por conta de seus filhos, contudo, nada que não estivesse assistido pela Soberania de Deus.

d. Ainda que Abraão amasse Ismael e animasse em apoiá-lo (Gn 21.10-11), Deus disse a ele para escutar sua esposa Sara: “Mande-o embora!”

e. Deus cuidou do menino e de também de sua mãe Agar. Mas a promessa pertencia a descendência de Isaque (Gn 21.15-21).

f. Gálatas 4.21-31 explica que os eventos com Ismael e Isaque são uma alegoria que simboliza a antiga aliança de Deus com Israel e a nova aliança com a Igreja.

ü  Ismael: nasceu da carne e era filho de uma escrava.
ü  Isaque: nasceu do Espírito e era filho de uma mulher livre por vontade humana.

g. Esses dois filhos retratam os judeus sob a escravidão da lei e os verdadeiros cristãos sob a liberdade da graça.

h. A maneira do homem versus a maneira de Deus:

ü  Ismael: nascido pela vontade do homem.
ü  Isaque: nascido da vontade de Deus.

SÍNTESE DO TÓPICO I

Isaque, o tão esperado herdeiro, ao nascer encheu o coração dos seus pais de alegria.

II. ISAQUE, O BEM MAIS PRECISO DE ABRAÃO

No monte Moriá, através da provação de Abraão, Deus trouxe dois benéficos de uma única vez: 1) provou a fé de Abraão e 2) acrescentou fé no seu filho Isaque.

“Só o risco real testa a realidade de uma fé”. – C. S. Lewis

1. A provação das provações.

a. A verdadeira fé sempre é testada, pois apenas por intermédio do teste descobrimos o tipo de fé que temos. 

b. A prova de Abraão, de sacrificar seu filho, não tinha o intuito fazer Deus conhecer a fidelidade de Abraão, mas para Abraão conhecer a si mesmo.

c. Agostinho diz que independentemente do que Deus sabia, Abraão não saberia que sua obediência podia suportar semelhante ordem enquanto o acontecimento não lhe ensinasse, e não se pode dizer que ele escolheu a obediência que não sabia que escolheria.

d. As tentações dizem quem somos e no que estamos nos tornando.

e. Pela fé, Abraão, entretanto, creu na promessa e sabia que Deus, caso deixasse que o sacrifício fosse consumado, ressuscitaria Isaque (Hb 11.17-19).

2. O encontro de Isaque com Deus.

a. Isaque aprendeu com o Pai. Ele também foi obediente, pois deixou ser amarrado por Abraão (Gn 22.9). Isaque conhecia o seu pai, pois sabia que era homem de fé. Certamente a fé do seu pai lhe fortaleceu para que ele pudesse ter a fé em Deus.

b. Isaque já não era um bebezinho, mas um jovem ou até mesmo um home que tem condições de carregar sobre os ombros a lenha para o sacrifício e fazer perguntas sobre o que estava acontecendo.

SÍNTESE DO TÓPICO II

Isaque tornou-se o bem mais precioso de seus pais. Somente Deus deve ter a primazia em nossos corações.

III. O CASAMENTO DE ISAQUE

Isaque poderia ter casado com alguma daquelas jovens, porém, ele sabia que as cananeias eram idólatras. Ele confiou em Deus e sabia que o Senhor lhe proveria alguém que compartilhasse da mesma fé com o mesmo propósito.

1. Uma esposa para Isaque.

a. Abraão não somente cuidou da vida espiritual e material de Isaque, mas orientou seu servo a escolher uma noiva “idônea” para ele.

b. Alguns até sugeriram que este ato simboliza a imagem do Pai celestial escolhendo  a noiva (a igreja) para o seu Filho (Cristo).

c. O mordomo de Abraão orou a Deus pedindo um sinal:

“Concede que a jovem a quem eu disser: ‘Por favor, incline o seu cântaro e dê-me de beber’, e ela me responder: ‘Bebe; também darei água aos teus camelos’, seja essa a que escolhestes para teu servo Isaque. Saberei assim que foste bondoso com o meu senhor”. – Gênesis 24.14 (NVI)

d. Neste ato Rebeca apresenta características de uma moça dedica que ama o Senhor (Gn 24.45-46)

ü  Espiritualidade
ü  Gentileza
ü  Respeito
ü  Disposição
ü  Amor ao trabalho.

e. Características da mulher virtuosa nos parâmetros de Deus (Pr 31.10-31).

2. O casamento de Isaque.

a. Rebeca era uma filha obediente e por isso, após ter conversado com o mordomo de Abraão, foi contar o ocorrido ao seus pais e familiares (Gn 24.28).

b. Isaque estava no campo, meditando e orando, quando de longe a vista sua amada (Gn 24.63).

c. Isaque foi consolado por Deus, devido a morte de sua mãe, através do casamento com Rebeca (Gn 24.67).

3. Os filhos que não vinham.

a. Rebeca, a exemplo de sua sogra Sara, era estéril.

b. Diferente de Abraão que coabitou com Agar para gerar um herdeiro, Isaque buscou a ajuda de Deus: Ele orou “insistentemente por sua mulher” (Gn 25.21).

c. Deus nos dá promoessas, contudo, precisamos orar por elas. Certa vez, o príncipe dos pregadores C. H. Spurgeon, disse: “Quando Deus quer fazer algo na terra Ele convoca o seu povo a orar”.

d. Isaque casou-se com 40 anos (Gn 25.20) e foi pai aos 60 anos (Gn 25.26). Ele orou debaixo de uma promessa por 20 anos mesmo sabendo que Deus jamais retrocederia naquilo que Ele já tinha designado.

e. Deus, então, lhe deus dois filhos: Esaú e Jacó.

SÍNTESE DO TÓPICO III

Deus, ouviu o clamor do servo de Abraão e providenciou uma noiva para Isaque.

IV. ISAQUE, O BENDITO DO SENHOR

Isaque era considerado pelos reis de Canaã um príncipe de Deus.

1. Príncipe de Deus.

a. Abimeleque, rei de Gerar, temeu Isaque e o mandou embora daquela terra (Gn 26.16)

b. O rei, então pediu-lhe que fizesse uma aliança com ele, chamando-o “Bendito do Senhor” (Gn 26.29).

c. Essa afirmação valida a promessa do Senhor:

“Permaneça nesta terra mais um pouco, e eu estarei com você e o abençoarei. Porque a você e a seus descendentes darei todas estas terras e confirmarei o juramento que fiz a seu pai, Abraão. Tornarei seus descendentes tão numerosos como as estrelas do céu e lhes darei todas estas terras; e por meio da sua descendência todos os povos da terra serão abençoados”. – Gênesis 26. 3,4 (NVI)

2. Profeta de Deus.

a. Deus escolheu Jacó e rejeitou Esaú. Pela lógica deveria ter acontecido o contrário, mas Soberanamente, Deus, assim quis. 

b. Isaque depois de ter sido enganado, como já tinha abençoado Jacó, não poderia retroceder naquilo que ele tinha profetizado (Gn 27.37). 

c. Jacó não tinha nada em si mesmo de digno para ser escolhido; mas Deus Soberanamente o escolheu. Não houve nenhum “porque” para Deus escolher Jacó e rejeitar Esaú. Tudo foi de acordo com o “conselho de sua vontade”.

Ler com a classe de Romanos 9.10-16:

“E esse não foi o único caso; também os filhos de Rebeca tiveram um mesmo pai, nosso pai Isaque. Todavia, antes que os gêmeos nascessem ou fizessem qualquer coisa boa ou má — a fim de que o propósito de Deus conforme a eleição permanecesse, não por obras, mas por aquele que chama — foi dito a ela: “O mais velho servirá ao mais novo”. Como está escrito: “Amei Jacó, mas rejeitei Esaú”. E então, que diremos? Acaso Deus é injusto? De maneira nenhuma! Pois ele diz a Moisés: “Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia e terei compaixão de quem eu quiser ter compaixão” Portanto, isso não depende do desejo ou do esforço humano, mas da misericórdia de Deus”. – Romanos 9. 10-16 (NVI)

SÍNTESE DO TÓPICO IV

Isaque foi o filho bendito de Abraão. Deus era com ele e o abençoou sobremaneira.

CONCLUSÃO

1. Essa história maravilhosa que estudamos nos encoraja a confiar em Deus o tempo todo, sabendo que Ele é o Senhor da história.

2. Aprendemos que Deus é misericordioso, pois Ele não leva em conta as folhas “daquele em que o coração não é hipócrita” (Sl 32.1-2).

3. Que nós possamos, nos tempos de crise e de incertezas, fazer como fez Davi que se “reanimou no Senhor o seu Deus” (1 Sm 30.6).

4. Não percamos o propósito de Deus, mas andemos, portanto, não por vista, mas pela fé, sabendo que Ele é poderoso e fará infinitamente mais daquilo que pedimos ou pensamos segundo o Seu poder em que nós opera.

Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

Aula ministrada na ICTJ dia 20/12/2015


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Notas:

 1 LLOYD-JONES,D. Martyn. Do Temor à Fé, p.18.

Referências bibliográficas:

Escola Bíblica dominical. O começo de todas as coisas. 4º trimestre de 2015; CPAD; lição 12.
WIERSBE, W. Warren. Comentário Bíblico do Antigo testamento. Santo André, SP; Geográfica editora, 2009.
LONGMAN III, Tremper. Como ler Gênesis. São Paulo, SP; Vida Nova, 2009.
BRUCE, K. Waltke & FREDERICKS, J. Cathi. Comentário do Antigo Testamento, Gênesis. São Paulo, SP; Editora Cultura Cristã, 2010.
LEWIS, C.S. O problema do Sofrimento. Editora Vida, 2009. São Paulo, SP