domingo, 12 de julho de 2015

EBD - Lição 2 | "O EVANGELHO DA GRAÇA"


Escola Bíblica Dominical – 12 de julho de 2015 | Lição 02
Texto Áureo: At 20.24

Verdade prática: O evangelho da graça de Deus é por excelência o evangelho da libertação do homem através do sacrifício salvífico de Jesus Cristo.

Reflexão e objetivo da aula: “Expor o evangelho da graça e o efeito que ele causa em nós”.

Ø  Definição de graça: Graça é quando Deus nos dá o que não merecemos.
ØMesmos sendo rebeldes, merecedores da ira, Deus nos provou que nos ama, pois entregou Jesus por nós quando ainda éramos pecadores.

Leitura bíblica em classe: 1 Tm 1. 3-10

INTRODUÇÃO:

a. Paulo tinha um grande zelo com as igrejas; sua preocupação sempre foi manter a pureza doutrinária.

b. A igreja sempre foi atacada pelos os de fora e pelos os de “dentro”.

Ø  De fora:
 “Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho”. – Atos 20.29 (AFC)

Ø  De dentro:
“E que de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si”. – Atos 20.30 (AFC)

I. AS FALSAS DOUTRINAS CORROMPEM O EVANGELHO DA GRAÇA.

1. O Evangelho da graça.

a. Deus é tão bom que nos chamou irresistivelmente; a Bíblia disse que Ele nos escolheu e não o contrário.

b. Paulo jamais escolheria Jesus; por isso o seu chamamento não foi um convite, mas uma convocação compulsória.

c. O fato ocorrido em sua conversão comprova esta verdade. As três narrativas a respeito de sua conversão:

Ø  Sua conversão na íntegra (At 9. 1-9)
Ø  Sua exposição aos judeus (At 22. 1-21)
Ø  Sua exposição ao rei Agripa (At 26. 9-23)

d. Os aguilhões de Paulo: “Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura coisa é RECALCITRARES CONTRA OS TEUS AGUILHÕES” (At 26.14)

Ø  Recalcitrar: Desobedecer, resistir. Teimar, obstinar-se. Revoltar-se.

e. Paulo era um boi indomável que só pôde ser amansado somente com aguilhões, quais perfuram o seu corpo. Quanto mais Paulo se mexia (fugia), assim como acontece com o boi, mais ele se feria.

f. O evangelho da graça, é Deus indo até o homem; o homem fugindo de Deus; é Deus insistindo com o homem até vencê-lo. (A ilustração do velho e do escorpião).

Um velho ao contemplar um escorpião flutuando e se debatendo num rio, generosamente estendeu a mão para socorrê-lo. Logo que ele tocou no escorpião, o escorpião fez aquilo que pertence a sua natureza, picou-o. Alguns minutos depois, o velho retomando o equilíbrio (por ter sido ferido com a picada), estendeu novamente a mão ao escorpião. Desta vez, a picada foi muito mais forte, pois com a cauda o escorpião picou o velho. A mão do senhor ficou inchada e o seu rosto ficou entorcido de dor. Naquele momento um homem passou pelo o local e, inconformado com a atitude do velho, disse: - “Ei velho, o que há de errado com você? Só um idiota arriscaria a vida por uma criatura tão feia e maligna”. O velho virou a cabeça. Olhando nos olhos do estranho, disse: - “Meu amigo, só porque é da natureza do escorpião picar, isso não muda a minha natureza de salvar”.

g. Talvez essa ilustração nos traga alguma iluminação acerca da natureza de Deus e da nossa natureza. Deus reconciliou o mundo consigo mesmo e nos provou o seu amor antes mesmo que tivéssemos O amado.

2. As falsas doutrinas.

a. Paulo cita “fábulas e genealogias” como sendo os motivos das controvérsias inúteis na igreja de Éfeso.

b. Estas fábulas e genealogias citadas por Paulo, poderia ser, como é mais provável, as “intermináveis interpretações” especulativas das genealogias bíblicas que alguns mestres judeus envolviam-se.

“... querendo ser mestres da lei, quando não compreendem nem o que dizem nem as coisas acerca das quais fazem afirmações tão categóricas”. – 1 Timóteo 1.7 (NVI)

c. Em contraste com aquilo que os rabinos discutiam, as boas-novas do Evangelho estão claras e produzem fé, em vez de promover controvérsias.

d. Em muitas igrejas não é diferente; pregadores querem trazer “revelações” através de “novas interpretações” (alegórica) que os apóstolos, pais e reformadores da igreja não “conseguiram” enxergar nestes mais de dois mil anos de cristianismo.

e. Devemos, antes de entrar em uma discussão, refletir se “vai trazer luz ou calor” (Rm 14.1)?

f. Paulo sabia que o juízo deveria começar pela Casa de Deus. Se a igreja não julgar a si mesma, será condenada com o mundo. Mas, quando julga a si mesma, é disciplinada pelo Senhor.

3. O fim do mandamento e a finalidade da lei.

a. “Fim”, no grego, é “Telos”, que significa “objetivo ou consequência desejada. Jesus usou esta palavra em João (19.30) ao dizer: “Está consumado”; Tetelestai”!

b. O objetivo (ou o fim) do mandamento não é produzir pessoas que conheçam a verdade, mas que praticam; não é produzir teólogos, mas discípulos de Cristo com um “coração puro”, com uma “consciência boa” para viver uma “fé não fingida”.

Ø  Coração puro (sem mácula).
Ø Consciência boa (sensível a voz de Deus; hora acusando; hora defendendo; por isso disse Lutero: “não é bom agir contra a consciência”). E disse também Calvino: “A má consciência é a mãe de todas as heresias”.
Ø Fé verdadeira (ortodoxa e fervorosa, como disse o puritano Jonathan Edwards: “O cristão precisa ter luz na mente e fogo no coração”).

c. A finalidade da lei é nos levar até Cristo. (Aio)

d. A lei não é para os justos, mas para os injustos; a lei foi dada depois da queda; como disse Martinho Lutero: “A lei revela o que DEVEMOS fazer e não o que PODEMOS fazer”.

“Também sabemos que ela não é feita para os justos, mas para os transgressores e insubordinados”. – 1 Tm 1.9a (NVI)

e. O propósito da lei é revelar o pecado, e não tirá-lo; ela é como uma lanterna; mostra o obstáculo no caminho, mas não tira o obstáculo. É como o espelho que revela a sujeira do nosso rosto, mas não a elimina.

SÍNTESE DO TÓPICO I

Paulo alerta a respeito das falsas doutrinas, pois elas acabam corrompendo o evangelho da graça.

II. A GRAÇA SUPERABUNDOU COM A FÉ E O AMOR.

1. A gratidão a Deus.

a. Paulo era um homem grato a Deus. Expressões como “dou graças a Deus!” estavam constantemente em seus escritos (Rm 7.25; 1 Co 1.4; 14.18; 2 Tm 1.3).

b. Paulo era grato por saber o tamanho do seu pecado, pois não foi à toa e nem numa falsa humildade que ele disse: “sou o principal dos pecadores”.

c. Paulo dá graças não por aquilo que ele fez para Jesus, mas por aquilo que Jesus fez por ele. Paulo menciona aqui três bênçãos e por quem ele dá graças: 1) o Senhor o fortaleceu; 2) o Senhor o considerou fiel; 3) o Senhor o designou para o ministério.

d. Geralmente as pessoas que mais se consideram pecadores são as mais santas; as que se consideram as mais santas são as mais pecadores.

e. Quem muito foi perdoado, mais amou (Lc 7. 36-50).

2. Humildade.

a. A verdadeira humildade só pode ser produzida por meio de humilhações; reconhecer que não temos justiça em nós mesmos, é se humilhar sob a poderosa mão de Deus. A graça, sem dúvidas, nos humilha.

b. Por isso Paulo se gloriava somente na cruz e não de suas experiências e nem de sua teologia.

c. As boas-obras não são a causa da salvação, mas sua consequência; não guardamos a lei para seremos salvos, mas porque fomos salvos pela graça.

d. Uma pessoa não se torna cristão por fazer boas-obras, mas faz boas obras por ser cristã.

“Toda a teologia se resume na graça. Toda a ética cristã surge da gratidão”. – F. F. Bruce

SÍNTESE DO TÓPICO II

Paulo reconhece que a graça de Jesus superabundou com a fé e o amor que há em Jesus Cristo.

III. UM CONVITE A COMBATER O BOM COMBATE (VV. 18-20)

1. A boa milícia.

a. As coisas mais importantes da sua vida Deus falará a você.

b. Timóteo simplesmente foi lembrado por Paulo acerca do dom que um dia foi lhe revelado.

c. Combater o bom combate é cumprir a proposta que Deus requereu de nós.

d. Você já descobriu para o que Deus te chamou? Você tem se disposto a cumprir o seu chamado?

e. Se ocupe com isso, pois Deus se ocupará com o resto (Mencionar meu testemunho pessoal)

2. A rejeição da fé e suas consequências (1 Tm 1.5).

a. Rejeitar a fé é uma decisão péssima que trará suas consequências.

b. A palavra traduzida como “rejeitando” é “apotheomai” que significa “afastar ou repudiar”. Indica uma rejeição decisiva e violenta.

c. Paulo usa a figura do naufrágio para mostrar as tempestades que atingiam os barcos que navegavam pelo mediterrâneo.

d. Em tais casos, aqueles que estavam a bordo perdiam tudo o que tinham e agradeciam por escapar com vida.

e. Aqueles que rejeitam a fé também perdem tudo o que têm de valor, e também a si mesmos.

f. Paulo menciona os “vasos de desonra” para manifestar os “vasos de honra”, para que, tenham ciência do que NÃO devem fazer (1 Co 11.19).

Ø  Himineu (não se sabe muito da heresia que ele semeava).
ØAlexandre, junto de Himineu, é bem provável que fossem os representantes do gnosticismo que estava tentando se infiltrar no meio da igreja de Éfeso.

g. Os gnósticos negavam a ressurreição de Cristo, por afirmarem que Deus não pode, sendo a matéria má, ter a tocado ou moldado. Ele simplesmente lançou, na visão gnóstica, um “eon” num processo de emanação qual estava tão longe de Deus que pôde tocá-la e manipulá-la.

h. Acreditam que foi essa emanação, e não Deus, quem criou o universo.

i. O maior dos pecadores, como usou Paulo se referindo a ele mesmo, não era idólatra, imoral ou ateu, mas um ortodoxo zeloso da lei que nasceu num lar extremamente religioso. Seu pecado era essencialmente doutrinário.

j. Paulo foi duro com este pessoal, e os entregou a satanás por amor ao rebanho.

"O verdadeiro pastor têm duas vozes: uma para chamar as ovelhas e outra para espantar os lobos devoradores." - João Calvino

SÍNTESE DO TÓPICO III

Paulo convida Timóteo a combater o bom combate, mesmo diante das dificuldades.

CONCLUSÃO

1. O cristianismo nasceu debaixo de perseguição e confronto.

2. Não existe nenhuma doutrina que tenha surgido do nada. Os hereges tiveram a sua contribuição para que fosse sistematizada a teologia cristã.

3. O zelo em preservar o ensino sistematizou a “sã doutrina” para que, quando perguntados, pudéssemos dar razão a respeito da nossa esperança (1 Pe 3.15).

4. Por isso é tão importante estudar não somente a “história da igreja”, mas também a “história da teologia cristã” (sugestão: A história da teologia cristã de Roger Olson).

5. Como sal, precisamos preservar a “sã doutrina”, pois nela é exposta a graça de Deus qual trará consequências eternas na vida das pessoas.

“Atente bem para a sua própria vida e para a doutrina, perseverando nesses deveres, pois, fazendo isso, você salvará tanto a si mesmo quanto aos que o ouvem”. – 1 Timóteo 4.16 (NVI)

6. A conversão de Paulo é uma demonstração qual Deus nos dá no que concerne a infinita paciência de Cristo.

7. Paulo ao contar que ele era o principal dos pecadores, é como se ele quisesse dizer: “não se desesperem. Se Jesus Cristo teve misericórdia de mim, o pior dos pecadores, Ele terá também misericórdia de todos vocês”.

8. Este é o Evangelho da Graça.

Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

Aula ministrada na ICTJ dia 12/07/2015
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Referências bibliográficas:

Escola Bíblica dominical. A igreja e o seu testemunho. 3º trimestre de 2015; CPAD; lição 02.
RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro, RJ; CPAD, 2014.
LOPES, Hernandes Dias. 1 Timóteo; o pastor, sua vida e sua obra. Hagnos, 2014. São Paulo, SP
MANNING, Brennan. A assinatura de Jesus. Mundo Cristão, 2005. São Paulo, SP
OLSON, Roger. História da teologia cristã. Vida Acadêmica, 2009. São Paulo, SP