quarta-feira, 22 de julho de 2015

QUANDO AS BOAS OBRAS SE TORNAM TRAPOS DE IMUNDÍCIA


Por Fabio Campos

Texto base: “... todas as nossas boas ações são como trapos sujos”. – Isaías 64.6b (NTLH)


Quão belo é contemplar alguém caridoso, não é verdade!? Não é para menos, pois além de “glorificar o Pai que está nos céus”, às obras ajudam o próximo e materializa nossa fé, como está escrito: “... foi pelas obras que a fé se consumou” (Tg 2.22b).  As boas ações e a caridade não são boas somente para aqueles que delas se beneficiam, mas para aqueles que as praticam.

Mas há um tipo de “boa ação” que é pecado diante de Deus; aquela qual não é feita pela fé, e como está escrito, “tudo o que não provém de fé é pecado” (Rm 14.23b). A Escritura diz que este tipo de obra é tida por Deus como trapo de imundície. Trapo de imundície, na época, era qualquer pedaço de papo mal cheiroso que fora utilizado para limpar algo impuro, como por exemplo, a “menstruação da mulher” e as feridas de um leproso. Ambos os casos eram considerados impuros no Antigo Testamento e exigiam, até que sarados, o isolamento social (Lv 15.3; 13. 8-10).

É extremamente necessário “examinarmo-nos a si mesmo” todos os dias para saber se de fato fazemos boas ações para glorificar a Deus e ajudar o próximo ou para nos vangloriar do que fazemos e se mostrar aos homens. C. S. Lewis já dizia a respeito do ativismo, o que parece ser fervor pode ser apenas inquietação ou até auto-adulação de quem se considera importante. Por isso algumas motivações tornam nossas boas ações trapo de imundície perante Deus.

Temos, por exemplo, os fariseus hipócritas tão duramente criticados pelo Senhor Jesus Cristo. Para angariar aplausos, se mostravam caridosos, no entanto faziam a vista da multidão tocando trombetas para alardear suas “virtudes”. Muitos agem do mesmo modo! Fazem o bem com mão direita e logo a esquerda já está sabendo. Basta qualquer boa ação, que por um instante traga um conforto a consciência culpada, para uma bela postagem do tal ato no facebook. Tal coisa é contrária ao ensino bíblico, como está escrito: “Tu, porém, ao dares a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita” (Mt 6.3).

Outra coisa que torna nossas boas ações trapo de imundície é quando fazemos algo para ganhar o favor de Deus. Muitos querem se salvar em seus próprios méritos. Não são caridosos por amor ao próximo, mas porque amam a si mesmos. Quando uma “Testemunha de Jeová” bate na porta da sua casa, o objeto da salvação não é você, mas ele mesmo. Pensa que por suas obras, por aquilo que fazem para Deus serão salvos.

Muitos fazem por medo de Deus e, assim, pela caridade, pensam que estão, com isso, merecendo sua salvação. Boas obras neste intuito, por medo de Deus, para ganhar a salvação e não por amor a Ele, é uma afronta, já que somente em Jesus, e não na caridade, podemos ser salvos (At 4.12). Tal cousa é como um sino que ressoa; não faz sentido. Sem amor, ainda que eu distribua todos os meus bens aos pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se tal coisa não for feita unicamente por amor a Deus, de nada se aproveitará (1 Co 13. 3).

Nossas ações só são consideradas quando a realizamos por fé, pois tudo que não provem da fé, até nossas boas obras, quando são uma tentativa de merecer a salvação, é abominável. Na soberba, diríamos: “A minha própria mão me livrou” (Jz 7.2). Com a mesma soberba do Diabo, assim faz todo homem que se exalta diante de Deus ostentando sua “caridade”. Deus odeia o soberbo, mas concede favor aos humildes (Tg 4.6).

Os argumentos citados acima, geralmente são refutados pelos “cristãos” marxistas e pelos católicos romanos (não todos), com o texto de Mt 25. 31-46. O trecho em questão trata acerca de visitar o preso, dar comida ao faminto, hospedar o forasteiro e vestir aquele que não possui roupa. De fato, não há como ser cristão e faltar nestas coisas.

O problema é que este pessoal faz eisegese, e não exegese do texto. Tiram do contexto! Isolam da temática bíblica qual abrange outros textos para impor suas ideias e construir suas teologias. 

No treco de Mateus, Jesus trata do julgamento, e antes mesmo de iniciar, já é separado ovelhas dos bodes (v. 31). O que precisa ficar entendido é que ovelha sempre foi ovelha; ela nunca se esforçou para ser ovelha (v. 33). Contudo, tem o outro lado; o pessoal que foi posto a esquerda, estes são bodes. Sempre foram bodes; mas por muito tempo se disfarçaram de ovelhas e tentaram enganar muitas pessoas com sua falsa caridade, como está escrito: “acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores” (Mt 7.15). Geralmente têm aparência de piedade, são caridosos, mas negam a Deus e a salvação em Jesus Cristo (2 Tm 3.5).

Não se deixem enganar, o diabo é muito mais bonito do que muita gente pensa. A Bíblia nos exorta a não ignorarmos os seus ardis (2 Co 2.11). Os filhos das trevas são mais habilidosos do que os filhos da luz (Lc 16.8).

A ovelha verdadeira faz sem saber que fez. O cristão verdadeiro - dá de comer ao faminto; dá de beber aquele que tem sede; hospeda o forasteiro sem saber (Hb 13.2); veste o que está nu e cuida do enfermo - mas ele tem para si mesmo que não está fazendo nada mais além do que sua obrigação. Veja que eles só saberão naquele dia que fizeram o bem, quando perguntarão ao Senhor: Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber” (Mt 25.37 NVI).

O verdadeiro cristão é como a candeia; sem saber, ilumine os de sua volta. O sol nunca poderá deixar de brilhar; ele não se esforça para tal coisa. Brilha sobre justos e injustos simplesmente porque é sol.  Tão logo o cristão verdadeiro faz boas obras, mas se gloria somente em Cristo, porque sabe que fazendo o bem, ainda estará devendo o amor (Rm 13.8).

Não há quem ame o suficiente; e Deus requer que amemos perfeitamente (Mt 5. 48). Se você está devendo o amor, está pecando contra Deus; por isso que por obras ninguém se salvará, mas somente pela fé em Cristo. Mesmo sendo falhos, para Deus, em Cristo, somos perfeitos e santos (Hb 10.14). Isso nos humilha sob a poderosa mão de Deus e nos abate. É como um espinho na carne qual nos ajuda a não se vangloriamos diante do Senhor.

A Bíblia nos exortar a dar esmolas, entretanto, com critério. Ela não endossa a filantropia aos vadios, como está escrito: “... se alguém não quiser trabalhar, também não coma” (2 Ts 3.10). Jesus, no texto usado por aqueles que se vangloriam de suas obras, se refere fazer aos “pequeninos” que lhe pertenciam (v 41,45). Precisamos ter critério.

Precisamos ter prioridades. A Bíblia diz que precisamos cuidar de nossa família. Se você é caridoso com os de fora, mas tem negligenciado sua família, a Escritura diz que você é pior que um descrente (1 Tm 5.8). O Reverendo Hernandes Dias Lopes diz que deixar de socorrer seus progenitores é um escândalo para o cristão, uma contradição, uma negação do verdadeiro cristianismo [1]. A Bíblia também diz para priorizarmos os “domésticos da fé” (Gl 6.10).

Muitos usam o texto de Mateus (conforme citei anteriormente) para se apoiar em suas boas ações, cantando em alto e bom som a sua “bondade” aos homens. Contudo, vão visitar os presos (por justa causa) e alimentar os pedintes (que não querem trabalhar). Lógico que todos os seres humanos por serem a imagem e semelhança de Deus precisam ser respeitados na sua singularidade e tratados com dignidade. No entanto, aqueles que defendem este pessoal usando este texto, erram na sua interpretação. Estão justificando suas obras-mortas (já que delas se vangloriam) em algo que Deus não as considera.

No tempo de Jesus, na Palestina, os desfavorecidos só conseguiam recursos unicamente através de esmolas. Não tinham acesso com facilidade a um trabalho digno e nem sequer poderiam recorrer a pensão de um salário mínimo. Estes são os “pequeninos” que Jesus sinalizou. Os forasteiros eram aqueles que foram lançados em prisões por motivos injustos. Era comum também tomar o estrangeiro por escravo. Por isso que junto da viúva e do pobre, o estrangeiro está entre a classe que Deus tem mais ciúmes.

No mundo antigo, as pousadas eram notoriamente sujas, notoriamente caras e notoriamente imorais. Portanto, aqueles que abriam seu lar aos pregadores itinerantes prestavam um importante trabalho à custa do evangelho [2]. Jesus disse que aquele recebe um profeta e der a ele algo de beber, ainda quer for um simples copo d’água fria, pelo o fato de pertencer ao Senhor, tal pessoa de maneira alguma perderá o seu galardão (Mt 10.40-42).

Outro texto muito usado por aqueles que querem se apoiar em sua caridade é o de Tiago, que diz: A religião que Deus, o nosso Pai aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo” (Tg 1.27 NVI). Até o cuidado para com as viúvas deveria ter seus critérios. A Bíblia diz para honrarmos as viúvas piedosas (1 Tm 5.3), e não aquelas que se entregam a prostituição (1 Tm 5.6). Nunca estaremos isentos das boas obras, pois os “pobres sempre estarão conosco” (Jo 12.8), entretanto, tudo precisa ser feito com critério através da “fé que opera pelo amor” (Gl 5.6).

Portanto, não perca o galardão de Deus em busca dos aplausos dos homens. Faça boas obras e seja caridoso, mas nunca perca de vista que para Deus você ainda é um “servo inútil” (Lc 17.10). Se você quiser se vangloriar de suas obras, lembre-se que tropeçando num só ponto da lei, também será réu de todos os outros (Tg 2.10). Eu pergunto: O seu amor é perfeito? Você já deixou de fazer o bem mesmo tendo como fazê-lo? Se sim!, a Bíblia diz que você pecou, pois certamente você deixou de fazer a um dos pequeninos de Jesus (Tg 4.17).

Não divulgue suas boas ações e seus atos caridosos; tente fazer o possível para que ninguém as descubra, pois caso comece a divulgá-las, tudo se tornará trapo de imundície para Deus, e o seu galardão será somente a adulação hipócrita dos homens. Faça tudo por amor a Deus; certamente Ele se alegrará de ti. Tudo mais que você fez no secreto, O Senhor te honrará perante os homens.

Termino dizendo: Você tem obras por que não tem fé; ou você tem fé e a demonstra por meio das obras? Deus se alegrará das suas obras se primeiro encontrar fé! Você tem fé para isso? Não deixe suas boas obras virarem trapo de imundice; faça por gratidão e não para ser agraciado.


Considere este artigo e arrazoe isto em seu coração,


Soli Deo Gloria!

Fabio Campos
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Referências bibliográficas:

[1] LOPES, Hernandes Dias. 1 Timóteo; o pastor, sua vida e sua obra. Hagnos, 2014. São Paulo, SP, p. 118.
[2] Ibid, p. 120.

domingo, 12 de julho de 2015

EBD - Lição 2 | "O EVANGELHO DA GRAÇA"


Escola Bíblica Dominical – 12 de julho de 2015 | Lição 02
Texto Áureo: At 20.24

Verdade prática: O evangelho da graça de Deus é por excelência o evangelho da libertação do homem através do sacrifício salvífico de Jesus Cristo.

Reflexão e objetivo da aula: “Expor o evangelho da graça e o efeito que ele causa em nós”.

Ø  Definição de graça: Graça é quando Deus nos dá o que não merecemos.
ØMesmos sendo rebeldes, merecedores da ira, Deus nos provou que nos ama, pois entregou Jesus por nós quando ainda éramos pecadores.

Leitura bíblica em classe: 1 Tm 1. 3-10

INTRODUÇÃO:

a. Paulo tinha um grande zelo com as igrejas; sua preocupação sempre foi manter a pureza doutrinária.

b. A igreja sempre foi atacada pelos os de fora e pelos os de “dentro”.

Ø  De fora:
 “Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho”. – Atos 20.29 (AFC)

Ø  De dentro:
“E que de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si”. – Atos 20.30 (AFC)

I. AS FALSAS DOUTRINAS CORROMPEM O EVANGELHO DA GRAÇA.

1. O Evangelho da graça.

a. Deus é tão bom que nos chamou irresistivelmente; a Bíblia disse que Ele nos escolheu e não o contrário.

b. Paulo jamais escolheria Jesus; por isso o seu chamamento não foi um convite, mas uma convocação compulsória.

c. O fato ocorrido em sua conversão comprova esta verdade. As três narrativas a respeito de sua conversão:

Ø  Sua conversão na íntegra (At 9. 1-9)
Ø  Sua exposição aos judeus (At 22. 1-21)
Ø  Sua exposição ao rei Agripa (At 26. 9-23)

d. Os aguilhões de Paulo: “Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura coisa é RECALCITRARES CONTRA OS TEUS AGUILHÕES” (At 26.14)

Ø  Recalcitrar: Desobedecer, resistir. Teimar, obstinar-se. Revoltar-se.

e. Paulo era um boi indomável que só pôde ser amansado somente com aguilhões, quais perfuram o seu corpo. Quanto mais Paulo se mexia (fugia), assim como acontece com o boi, mais ele se feria.

f. O evangelho da graça, é Deus indo até o homem; o homem fugindo de Deus; é Deus insistindo com o homem até vencê-lo. (A ilustração do velho e do escorpião).

Um velho ao contemplar um escorpião flutuando e se debatendo num rio, generosamente estendeu a mão para socorrê-lo. Logo que ele tocou no escorpião, o escorpião fez aquilo que pertence a sua natureza, picou-o. Alguns minutos depois, o velho retomando o equilíbrio (por ter sido ferido com a picada), estendeu novamente a mão ao escorpião. Desta vez, a picada foi muito mais forte, pois com a cauda o escorpião picou o velho. A mão do senhor ficou inchada e o seu rosto ficou entorcido de dor. Naquele momento um homem passou pelo o local e, inconformado com a atitude do velho, disse: - “Ei velho, o que há de errado com você? Só um idiota arriscaria a vida por uma criatura tão feia e maligna”. O velho virou a cabeça. Olhando nos olhos do estranho, disse: - “Meu amigo, só porque é da natureza do escorpião picar, isso não muda a minha natureza de salvar”.

g. Talvez essa ilustração nos traga alguma iluminação acerca da natureza de Deus e da nossa natureza. Deus reconciliou o mundo consigo mesmo e nos provou o seu amor antes mesmo que tivéssemos O amado.

2. As falsas doutrinas.

a. Paulo cita “fábulas e genealogias” como sendo os motivos das controvérsias inúteis na igreja de Éfeso.

b. Estas fábulas e genealogias citadas por Paulo, poderia ser, como é mais provável, as “intermináveis interpretações” especulativas das genealogias bíblicas que alguns mestres judeus envolviam-se.

“... querendo ser mestres da lei, quando não compreendem nem o que dizem nem as coisas acerca das quais fazem afirmações tão categóricas”. – 1 Timóteo 1.7 (NVI)

c. Em contraste com aquilo que os rabinos discutiam, as boas-novas do Evangelho estão claras e produzem fé, em vez de promover controvérsias.

d. Em muitas igrejas não é diferente; pregadores querem trazer “revelações” através de “novas interpretações” (alegórica) que os apóstolos, pais e reformadores da igreja não “conseguiram” enxergar nestes mais de dois mil anos de cristianismo.

e. Devemos, antes de entrar em uma discussão, refletir se “vai trazer luz ou calor” (Rm 14.1)?

f. Paulo sabia que o juízo deveria começar pela Casa de Deus. Se a igreja não julgar a si mesma, será condenada com o mundo. Mas, quando julga a si mesma, é disciplinada pelo Senhor.

3. O fim do mandamento e a finalidade da lei.

a. “Fim”, no grego, é “Telos”, que significa “objetivo ou consequência desejada. Jesus usou esta palavra em João (19.30) ao dizer: “Está consumado”; Tetelestai”!

b. O objetivo (ou o fim) do mandamento não é produzir pessoas que conheçam a verdade, mas que praticam; não é produzir teólogos, mas discípulos de Cristo com um “coração puro”, com uma “consciência boa” para viver uma “fé não fingida”.

Ø  Coração puro (sem mácula).
Ø Consciência boa (sensível a voz de Deus; hora acusando; hora defendendo; por isso disse Lutero: “não é bom agir contra a consciência”). E disse também Calvino: “A má consciência é a mãe de todas as heresias”.
Ø Fé verdadeira (ortodoxa e fervorosa, como disse o puritano Jonathan Edwards: “O cristão precisa ter luz na mente e fogo no coração”).

c. A finalidade da lei é nos levar até Cristo. (Aio)

d. A lei não é para os justos, mas para os injustos; a lei foi dada depois da queda; como disse Martinho Lutero: “A lei revela o que DEVEMOS fazer e não o que PODEMOS fazer”.

“Também sabemos que ela não é feita para os justos, mas para os transgressores e insubordinados”. – 1 Tm 1.9a (NVI)

e. O propósito da lei é revelar o pecado, e não tirá-lo; ela é como uma lanterna; mostra o obstáculo no caminho, mas não tira o obstáculo. É como o espelho que revela a sujeira do nosso rosto, mas não a elimina.

SÍNTESE DO TÓPICO I

Paulo alerta a respeito das falsas doutrinas, pois elas acabam corrompendo o evangelho da graça.

II. A GRAÇA SUPERABUNDOU COM A FÉ E O AMOR.

1. A gratidão a Deus.

a. Paulo era um homem grato a Deus. Expressões como “dou graças a Deus!” estavam constantemente em seus escritos (Rm 7.25; 1 Co 1.4; 14.18; 2 Tm 1.3).

b. Paulo era grato por saber o tamanho do seu pecado, pois não foi à toa e nem numa falsa humildade que ele disse: “sou o principal dos pecadores”.

c. Paulo dá graças não por aquilo que ele fez para Jesus, mas por aquilo que Jesus fez por ele. Paulo menciona aqui três bênçãos e por quem ele dá graças: 1) o Senhor o fortaleceu; 2) o Senhor o considerou fiel; 3) o Senhor o designou para o ministério.

d. Geralmente as pessoas que mais se consideram pecadores são as mais santas; as que se consideram as mais santas são as mais pecadores.

e. Quem muito foi perdoado, mais amou (Lc 7. 36-50).

2. Humildade.

a. A verdadeira humildade só pode ser produzida por meio de humilhações; reconhecer que não temos justiça em nós mesmos, é se humilhar sob a poderosa mão de Deus. A graça, sem dúvidas, nos humilha.

b. Por isso Paulo se gloriava somente na cruz e não de suas experiências e nem de sua teologia.

c. As boas-obras não são a causa da salvação, mas sua consequência; não guardamos a lei para seremos salvos, mas porque fomos salvos pela graça.

d. Uma pessoa não se torna cristão por fazer boas-obras, mas faz boas obras por ser cristã.

“Toda a teologia se resume na graça. Toda a ética cristã surge da gratidão”. – F. F. Bruce

SÍNTESE DO TÓPICO II

Paulo reconhece que a graça de Jesus superabundou com a fé e o amor que há em Jesus Cristo.

III. UM CONVITE A COMBATER O BOM COMBATE (VV. 18-20)

1. A boa milícia.

a. As coisas mais importantes da sua vida Deus falará a você.

b. Timóteo simplesmente foi lembrado por Paulo acerca do dom que um dia foi lhe revelado.

c. Combater o bom combate é cumprir a proposta que Deus requereu de nós.

d. Você já descobriu para o que Deus te chamou? Você tem se disposto a cumprir o seu chamado?

e. Se ocupe com isso, pois Deus se ocupará com o resto (Mencionar meu testemunho pessoal)

2. A rejeição da fé e suas consequências (1 Tm 1.5).

a. Rejeitar a fé é uma decisão péssima que trará suas consequências.

b. A palavra traduzida como “rejeitando” é “apotheomai” que significa “afastar ou repudiar”. Indica uma rejeição decisiva e violenta.

c. Paulo usa a figura do naufrágio para mostrar as tempestades que atingiam os barcos que navegavam pelo mediterrâneo.

d. Em tais casos, aqueles que estavam a bordo perdiam tudo o que tinham e agradeciam por escapar com vida.

e. Aqueles que rejeitam a fé também perdem tudo o que têm de valor, e também a si mesmos.

f. Paulo menciona os “vasos de desonra” para manifestar os “vasos de honra”, para que, tenham ciência do que NÃO devem fazer (1 Co 11.19).

Ø  Himineu (não se sabe muito da heresia que ele semeava).
ØAlexandre, junto de Himineu, é bem provável que fossem os representantes do gnosticismo que estava tentando se infiltrar no meio da igreja de Éfeso.

g. Os gnósticos negavam a ressurreição de Cristo, por afirmarem que Deus não pode, sendo a matéria má, ter a tocado ou moldado. Ele simplesmente lançou, na visão gnóstica, um “eon” num processo de emanação qual estava tão longe de Deus que pôde tocá-la e manipulá-la.

h. Acreditam que foi essa emanação, e não Deus, quem criou o universo.

i. O maior dos pecadores, como usou Paulo se referindo a ele mesmo, não era idólatra, imoral ou ateu, mas um ortodoxo zeloso da lei que nasceu num lar extremamente religioso. Seu pecado era essencialmente doutrinário.

j. Paulo foi duro com este pessoal, e os entregou a satanás por amor ao rebanho.

"O verdadeiro pastor têm duas vozes: uma para chamar as ovelhas e outra para espantar os lobos devoradores." - João Calvino

SÍNTESE DO TÓPICO III

Paulo convida Timóteo a combater o bom combate, mesmo diante das dificuldades.

CONCLUSÃO

1. O cristianismo nasceu debaixo de perseguição e confronto.

2. Não existe nenhuma doutrina que tenha surgido do nada. Os hereges tiveram a sua contribuição para que fosse sistematizada a teologia cristã.

3. O zelo em preservar o ensino sistematizou a “sã doutrina” para que, quando perguntados, pudéssemos dar razão a respeito da nossa esperança (1 Pe 3.15).

4. Por isso é tão importante estudar não somente a “história da igreja”, mas também a “história da teologia cristã” (sugestão: A história da teologia cristã de Roger Olson).

5. Como sal, precisamos preservar a “sã doutrina”, pois nela é exposta a graça de Deus qual trará consequências eternas na vida das pessoas.

“Atente bem para a sua própria vida e para a doutrina, perseverando nesses deveres, pois, fazendo isso, você salvará tanto a si mesmo quanto aos que o ouvem”. – 1 Timóteo 4.16 (NVI)

6. A conversão de Paulo é uma demonstração qual Deus nos dá no que concerne a infinita paciência de Cristo.

7. Paulo ao contar que ele era o principal dos pecadores, é como se ele quisesse dizer: “não se desesperem. Se Jesus Cristo teve misericórdia de mim, o pior dos pecadores, Ele terá também misericórdia de todos vocês”.

8. Este é o Evangelho da Graça.

Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

Aula ministrada na ICTJ dia 12/07/2015
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Referências bibliográficas:

Escola Bíblica dominical. A igreja e o seu testemunho. 3º trimestre de 2015; CPAD; lição 02.
RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro, RJ; CPAD, 2014.
LOPES, Hernandes Dias. 1 Timóteo; o pastor, sua vida e sua obra. Hagnos, 2014. São Paulo, SP
MANNING, Brennan. A assinatura de Jesus. Mundo Cristão, 2005. São Paulo, SP
OLSON, Roger. História da teologia cristã. Vida Acadêmica, 2009. São Paulo, SP