domingo, 14 de junho de 2015

AFINAL, DE QUE LADO VOCÊ ESTÁ?...


Por Fabio Campos

Texto base: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”. – Romanos 12. 1-2 (AFC)


Este texto de Romanos, ainda que bastante lido pelos cristãos, deve ser constantemente lembrado para a nossa segurança. Repare que as ministrações, a priori, sempre falam daquilo que já sabemos. C. S. Lewis já dizia que as pessoas devem ser mais lembradas do que propriamente instruídas. Paulo assim fazia com as igrejas: “Escrever-lhes de novo as mesmas coisas não é cansativo para mim e é uma segurança para vocês” (Fp 3.1 NVI).

Este texto é um lembrete do quão estamos expostos ao perigo das propostas do mundo e do “relativismo secular”. Tivemos dias agitados! Primeiro o boicote do Boticário; logo depois um “cantor gospel” publicou um vídeo no facebook fazendo uma propaganda para uma operadora de telefonia, dizendo que a empresa entendeu a visão de Deus; logo após veio a marcha para Jesus com os seus líderes duvidosos na moral e complicados na teologia; e por fim, para coroar o “rebú”, a “parada gay”.

Não quero polemizar os assuntos citados; até mesmo porque creio que a maioria das discussões nas redes sociais viraram verdadeiros “barracos”, tipo “casos de família”. É importante citar o contexto qual foi escrito a carta aos romanos, e esboçar de forma breve o que esta maravilhosa epístola tem a nos exortar.

A carta expõe a “depravação do homem” entregue a suas “paixões desenfreadas” (Rm 1 – 3); faz menção da justiça de Deus e do único meio pelo qual o homem pode ser salvo, a saber, a “fé no Filho de Deus” (Rm 4 – 6). Paulo trata pela sua própria experiência a luta de todo ser humano consigo mesmo, autenticando que a lei é santa, boa e perfeita, e que o problema está em nós que somos impuros, maus e imperfeitos (Rm 7). Logo no capítulo seguinte Paulo anuncia uma excelente notícia; já não há condenação aos que estão em Cristo. Este é o capítulo qual Paulo trata de forma brilhante acerca da “liberdade e da redenção” e da nossa segurança eterna em Jesus Cristo, pois nada e nenhuma criatura poderá nos separar do amor do Pai que está alicerçado no Filho (Rm 8).

Os três capítulos seguintes, ainda que muito debatidos no meio teológico, basicamente tem por propósito a dizer-nos acerca da “eleição” dos santos e do plano de Deus para com os gentios e para com os judeus (Rm 9 – 11). Paulo termina sua carta exortando a respeito da postura que todo cristão precisa se valer para que possa viver de modo santo e agradável ao seu Senhor (Rm 12 – 16). Só vamos conseguir colocar Rm 12 – 16 em prática se tivermos entendido Rm 12. 1-2. Por isso trouxe este texto (Rm 12. 1-2) para a nossa reflexão.

De uma coisa não podemos nos esquivar; Deus nos chamou para sermos santos (separados deste mundo), como está escrito: “A todos os que em Roma são amados de Deus e chamados para serem santos” (Rm 1.7NVI).

Quando Paulo diz para apresentarmos o nosso corpo por “sacrifício vivo, santo e agradável”, o apóstolo dispõe da linguagem “veotestamentária” da qual os judeus ofereciam seus sacrifícios. O sacrifício no Antigo Testamento era cerimonial; Paulo, aqui, especificamente neste texto, trata da questão “moral” pelo qual Deus aceita o nosso culto racional. Ele foi além no seu apelo; “rogou-lhes pelas misericórdias de Deus”.  

A palavra “vivo” nos lembra do que Deus fez por nós. Logo, então, se estamos mortos para o pecado, estamos vivos para Deus (Rm 6.11). Como tem ascendido o nosso “sacrifício” aos céus? Será fogo estranho? Será que temos sido constantes em arrazoar nesta questão para sabermos se de fato nossa vida tem sido agradável ao Senhor? São perguntas relevantes que farão todo o sentido para não escutarmos naquele dia: “apartai-vos de mim vós que praticais a iniquidade, pois NUNCA vos conhecei”.

Repare que este pessoal tinha certeza da sua salvação; eles foram pegos de surpresa, e isso se comprova quando, apavorados, dirão: “Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizando em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres” (Mt 7.22)? Eles estavam “conformados com o mundo”; e por isso foram surpreendidos em iniquidades.

A Bíblia é bem clara ao dizer a não olharmos as coisas pela ótica deste século. Deus exige o nosso “integral”, e não somente o “parcial”. Ou você é filho de Deus ou você é filho do diabo (1 Jo 3.10). Ou somos luz ou somos trevas (2 Co 6.14); ou somos justos ou somos iníquos (2 Co 6.14); ou somos crentes ou somos incrédulos (2 Co 6.15); ou somos de Cristo ou somos do maligno (2 Co 6.15). Pior ainda, são os mornos!; serão vomitados da boca do Senhor. Só vomitamos o que está nos incomodando. Muitos têm difamado o caminho da verdade pregando uma coisa e vivendo outra; lamentavelmente, se não se arrependerem, serão vomitados.

Afinal, de que lado você está?...

C. H. Spurgeon dizia que todo cristão ou é um missionário ou é um impostor. Um cristão em conformidade com o mundo não é um cristão. É joio! Jesus mesmo disse a respeito disso: Eles não são do mundo, como eu também não sou” (Jo 17.16 NVI). Infelizmente, pelo discurso de alguns, não sabemos se eles são de Jesus ou se são do mundo. É impossível um cristão verdadeiro não ver o nome de Deus ser blasfemado sem que haja uma “ira santa” no seu coração. Como disse João Calvino: “O cão late quando seu dono é atacado. Eu seria um covarde se visse a verdade divina ser atacada e continuasse em silencio, sem dizer nada”.

Paulo por isso nos admoesta a “transformar-nos pela renovação da nossa mente”. O “entendimento” que o apóstolo emprega vem do termo grego “nous”; não se trata de conhecimento e nem de razão intelectual, mas de perspectiva e modo de pensar. Como isto está distante de nós nestes últimos tempos. O povo mais dividido é o povo evangélico! São muitos os assuntos que jamais deveríamos estar divididos. Em assuntos periféricos deve-se prevalecer o amor; entretanto, em assuntos essências, que denigrem a glória de Deus, a unidade é inegociável.

Tal situação só comprova o quão distantes estamos da Bíblia e do que Deus pensa a respeito destes assuntos. A Escritura assim nos alerta: “... tendo o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, um só espírito e uma só atitude” (Fp 2.2 NVI). Só conseguiremos fazer a vontade de Deus se não cedermos às pressões exercidas pelo mundo para não nos amoldarmos a ele.

Sabe por que toda esta animosidade de uns para com os outros e esta inquietação que se instalou em nosso meio? Simples! Deus não está neste negócio. Essa gente está distante da boa, perfeita e agradável vontade do Senhor.

Paul Washer diz que um homem regenerado, ama o que Deus ama e odeia o que Deus odeia. Somente alguém convertido tem prazer e interesse em realizar a vontade do Senhor. Grandes coisas Deus tem para estes, como disse Matthew Henry: “Um espírito transformado e uma mente renovada dispõem a alma a receber a revelação da vontade divina”.

Este discurso hipócrita com mascara de “amor” não pode de forma alguma representar os cristãos. A Bíblia diz que “o amor não se porta inconvenientemente” (1 Co 13.5) e que também “não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade” (1 Co 13.6).

Deus é Soberano e nada foge do seu controle. Numa casa não há somente utensílios de ouro e prata; mas há também os de madeira e de barro. Alguns para honra; outros para desonra (2 Tm 2.20). Como disse C. S. Lewis: “Certamente você realizará o propósito de Deus, não importa como esteja agindo, mas faz diferença se você serve como Judas ou como João”. Até o diabo é diabo de Deus, como disse Lutero.

 Deus usa o limpo qual deseja se limpar ainda mais; mas também usa o sujo que deseja sujar-se mais ainda. No entanto, em diferentes propósitos: “O Senhor fez todas as coisas para atender aos seus próprios desígnios, até o ímpio para o dia do mal”. (Pr 16.4 AFC). Tudo isto que está acontecendo no meio dos evangélicos e no mundo afora, não afetam em nada a Paz e a Soberania do Trono de Deus, como está escrito: “O firme fundamento de Deus permanece inabalável, tendo este selo: ‘O Senhor conhece os que lhe pertence” (2 Tm 2.19). Foi como li por aí nestes dias:

“Esse Deus que foi expulso por Karl Marx do céu, retirado do inconsciente por Freud, banido da ciência por Darwin, assassinado por Nietzsche, transformado em delírio por Richard Dawkins, secularizado e relativizado por cristãos pós-modernos, em breve virá gloriosamente nas nuvens do Céu para espanto, terror e decepção dos incrédulos”. – Autor desconhecido

Amados, se nos purificarmos destes erros, sem dúvidas, seremos vasos de honra nas mãos de Deus, preparados para toda boa obra. Um breve crivo do que devemos evitar pode ser lido em 2 Tm 2.22-24.

Ø  Discussões a respeito de “assuntos insensatos”. (não caia na tentação de comentar tudo).

Ø  Examine-se constantemente para não se amoldar ao mundo.

Ø  Não vacile e nem seja tímido; não ceda as pressões do mundo quando as suas convicções forem questionadas, pois o mundo quer saber de que lado você está.

Sempre gosto de citar a ilustração do “muro”. Havia um homem que estava em cima do muro. De um lado, se encontrava uma gama de anjos - clamando que ele saísse do muro e que viesse para o lado deles. Do outro lado, havia alguns demônios; no entanto, todos calados. Estranhando o silêncio dos demônios, o homem perguntou o porquê não o pediam que ficasse do lado deles. Os demônios responderam dizendo que “em cima do muro” já era deles.

Afinal, de que lado você está?...

É uma guerra, amados. O Diabo odeia os cristãos e a igreja, como disse o próprio Jesus: “Se o mundo os odeia, tenham em mente que antes odiou a mim”. – Jo 15.18 (NVI).

Se você estiver do lado de Cristo, o conselho é “... segue a justiça, a fé, o amor, e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor”. – 2 Timóteo 2.22 (NVI)

Que Deus tenha misericórdia do seu povo!


Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

Ministração exposta na ICTJ dia 10/06/2015
______________________________________________
Referências bibliográficas:

RICHARDS O, Lawrence. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro, RJ; CPAD, 2014.