domingo, 24 de maio de 2015

VOCÊ TEM UM ÍDOLO!


Por Fabio Campos

Texto base: "Venha, faça para nós deuses que nos conduzam...”. – Êxodo 32.1b (NVI)


Segundo o dicionário popular de teologia da Editora Mundo Cristão, ídolo é qualquer coisa que não seja Deus e à qual se presta adoração devida apenas ao Todo-Poderoso [1]. Certa vez, o Reformador João Calvino, disse que o coração do homem é uma fábrica de ídolos. Calvino ainda diz que, “uma imensa turba de deuses nasce da mente dos homens, quando cada um, com vaga licenciosidade, inventa indevidamente isso ou aquilo a respeito de Deus” [2]. É mais ou menos o que disse o filósofo e matemático Francês, Blaise Pascal: “Deus criou o homem a sua imagem e semelhança; o homem foi lá e retribuiu a ‘gentileza’”.  

Contrário do que muitos pensam, ídolo não é somente (ainda que repugnante) uma imagem ou estátua feita pelas mãos dos homens. Por exemplo: o seu vício é um ídolo que, quando consumido, pela prática, transforma-se numa adoração. O ser humano, de modo geral, possui um ídolo. O homem devido a sua natureza pecaminosa é um idólatra por natureza. Nem os ateus se safam disto! Eles não possuem uma religião (ainda que eu considere o ateísmo uma religião), mas têm o seu objeto de adoração e devoção. Sejam as bandas de rock – seja alguma ideologia ou partido. Mas eles encostam a algo para tentar suprir o vazio do coração que emana da busca do significado da vida.

Por que os homens edificam ídolos para si mesmos? A semente do transcendente foi colocada por Deus no coração de todos os homens. O ser humano, nunca, ainda que se esforce, sentirá segurança em si mesmo; ele sempre busca algo fora de si para se apoiar e sentir-se protegido. Não há como escapar do anseio pelo Criador! Vem de fábrica, pois “o sentimento da divindade foi naturalmente impresso no coração dos homens” [3]. O homem é a criatura mais medrosa e amedrontada dentre as criaturas, por isso que, pela guerra, faz-se da “vitória” e da “reputação”, um ídolo.

Deus, no entanto, não divide a Sua Glória com ninguém (Is 42.8). Relativizando a verdade, pelo pluralismo [4], na dureza do seu coração, o homem não se submeteu ao Criador. A questão é que, quem não se submete ao Criador, mesmo inconsciente, submete-se a criatura. Ao invés, então, de adorar ao Criador, adora-se a criatura. Todo mundo está adorando alguém. Pode ser Jesus, Buda, Kardec, Karl Marx, Darwin, o Papa ou o pastor da igreja; mas alguém, ainda que não citado aqui, está controlando o seu coração. Desta lista, Jesus é Criador (Jo 1.1-3); todo o resto é criatura.

Quando se rejeita o Criador e adora-se a criatura, pelo desprezo do conhecimento de Deus, o próprio Deus os entrega a uma disposição mental reprovável, para praticar coisas terríveis (Rm 1.28). Desta disposição mental é que surgem a gama de deuses. Estes veem por meio das religiões, ideologias, filosofias e falsas-teologias. Tudo para suprir este anseio pelo o divino. Quando eles servem estes deuses, sua consciência culpada, se auto-sabota, atenuando a culpa latente que convence, pela lei moral, intrínseca em todo ser humano, a respeito do “certo e errado”.

Como disse Calvino, a vaidade, unida a soberba, mostra-se nisto: os homens miseráveis, na busca de Deus, não elevam acima de si, como seria esperado, mas querem medi-lo segundo a dimensão de seu entorpecimento carnal. Negligenciando a verdadeira procura, passam por alto, por curiosidade, a vãs especulações [5].

Este tipo de assunto causa muito desconforto, principalmente porque nosso país é um país místico. Aqui se acredita em tudo: Saci-Pererê, Mula sem cabeça, político honesto (ok, há exceções, ainda que bem poucas)!... Mas é necessário que a verdade seja dita, pois é somente por meio dela que há libertação (Jo 8.32). O propósito de um teólogo não é deleitar ou ouvidos, mas, ao ensinar o que é verdadeiro, certo e útil, confirmar as consciências [6].

Há uma serie de restrições na Bíblia concernente aos ídolos e a idolatria: “não fazer imagem escultura” (Ex 20.4); “não se inclinar diante dos ídolos ou estátuas para assim adorá-los ou venerá-los” (Lv 26.1); “não atribuir os milagres e bênçãos doados por Deus aos ídolos” (Is 42.8). Jesus mesmo disse que não há como servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará o outro (Mt 6.24).

Quem põe sua confiança em imagens de prata e ouro, obras das mãos dos homens, tornam-se iguais a elas; ou seja, têm boca, mas não falam; têm olhos, mas não veem; têm ouvidos, mas não ouvem; têm nariz, mas não cheiram; têm mãos, mas não apalpam; têm pés, mas não andam (Sl 115).  Quantas pessoas por aí, devotas de tantas coisas, fervorosas, entretanto, mortas espiritualmente estão semelhantes aquilo que adoram!?

A Bíblia é clara ao ordenar para “guardarmo-nos dos ídolos” (1 Jo 5.21). Não somente as imagens, mas há uma série de outras coisas que pode se tornar nosso ídolo: um artista; o padre; um time de futebol; o pastor ou um teólogo. Sexo, cobiça, dinheiro - também entram na lista dos ídolos (Cl 3.5). Sua vontade, quando não de acordo com a vontade de Deus, é um ídolo.

Deus pode mudar sua sorte e fazer da sua vida uma bênção para o louvor da Sua Glória. Apenas se submeta a Ele, ou seja, ao Criador. Particularmente, identifiquei que há sim ídolos em minha vida que precisam ser destruídos. Examine-se a si mesmo e peça a Deus para libertá-lo desta “desgraça” chamada idolatria. O Senhor demanda que caminhemos com Ele na paz e com alegria. Ele é quem tira, quando “decidimos por isto”, todo empecilho que embaraça nossa caminhada rumo à pátria celestial. Aos idólatras obstinados que não querem abandonar suas práticas, a Bíblia diz que ficarão de fora do Reino (Ap 22.15).

Quero fazer deste artigo uma proposta, a mesma de Josué qual fez diante do povo; o mesmo povo que pediu a Arão que fizesse “deuses que os conduzissem” (Ex 32.1, conforme nosso texto base). Se for preciso você romper com a “tradição religiosa” da sua família, faça!, pois quem ama mais os familiares do que a Jesus, não é digno dEle (Mt 10.37). Eis aí a proposta:

“Se, porém, não lhes agrada servir ao Senhor, escolham hoje a quem irão servir, se aos deuses que os seus antepassados serviram além do Eufrates, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra vocês estão vivendo. Mas, EU E A MINHA FAMÍLIA SERVIREMOS AO SENHOR". – Josué 24.15 (NVI)


Minha “escolha” é servir a Deus, e você, quem irá servir?


Considere este artigo e arrazoe isto em seu coração,


Soli Deo Gloria!

Fabio Campos
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Notas: 

[1] ERICKSON, Millard J. Dicionário Popular de Teologia. São Paulo, SP; Mundo Cristão, 2011.
[2] CALVINO, João. A instituição da Religião Cristã. São Paulo, SP; Unesp, 2008, p.62.
[3] Ibid, p. 50.
[4] Situação caracterizada pela existência de diversas opções religiosas e perspectivas sobre religião, com o problema decorrente para os adeptos de um ponto de vista sobre que atitude adotar em relação aos dos demais [Dicionário de Apologética e filosofia da religião; EVANS, C. Stephen; Editora Vida].
[5] CALVINO, João. A instituição da Religião Cristã. São Paulo, SP; Unesp, 2008, p. 74.
[6] Ibid, p. 154 

domingo, 17 de maio de 2015

EBD - Lição 7 - "PODER SOBRE AS DOENÇAS E MORTE"


Escola Bíblica Dominical – 17 de maio de 2015 | Lição 7

Texto Áureo: Lc 7.16

Verdade prática: Ao curar os enfermos e dar vida aos mortos, Jesus demonstrou o seu poder messiânico e provou também o amor de Deus pela humanidade.

INTRODUÇÃO:

Leitura bíblica em classe: Lc 4.38,39; 7. 11-17

Ø  O ser humano foi afetado integralmente (corpo, alma e espírito) na queda. Com o pecado, veio à morte (Rm 5.17).
Ø  A diferença entre a cultura judaico-cristã para a era pós-moderna, para entender o sofrimento, é o ponto de partida, ou seja, a QUEDA DO HOMEM: “... maldita é a terra por tua causa” (Gn 3.17).

Jesus e a viúva de Naím:

Ø  Este é chamado o “Milagre supremo”, pois o relato só se encontra no evangelho de Lucas. (Houve três ressurreições: 1) Filha do centurião, 2) Lázaro e 3) este milagre do filho da viúva de Naím).


I. DOENÇAS, PERDÃO E CURA.

1. Culpa, perdão e cura.

a. O conceito no AT entre pecado e doença estava interligados (Sl 103.3)
Ø  A cura do paralítico: “os teus pecados são perdoados” (Lc 5.23).

b. Há possibilidades das doenças serem por consequência de pecados (Jo 5.14; Tg 5. 15,16).

c. Porém, todavia, há também possibilidade de não ser por algum pecado cometido.

Ø  Cego de nascença (Jo 9.1,2): “Nem ele pecou, nem seus pais”.
Ø  Morte dos galileus e a queda da torre de Siloé: “Jesus respondeu: ‘Vocês pensam que esses galileus eram mais pecadores que todos os outros, por terem sofrido dessa maneira? Eu lhes digo que não! Mas se não se arrependerem, todos vocês também perecerão’”. (Lc 13.1-5 NVI)

d. Precisamos tomar muito cuidado em aplicar a lei de “causa e efeito” sobre o que acontece na nossa vida e daqueles que nos rodeiam (Citar os amigos de Jó).

e. Justos também ficam doentes: O presbítero ao amado Gaio, a quem amo na verdade. Amado, oro para que você TENHA BOA SAÚDE e tudo lhe corra bem, assim COMO VAI BEM A SUA ALMA” (3 Jo 1. 2,3)

2. A ação de satanás.

a. Origem das doenças:

Ø  Consequência pela queda (Gn 2.17).
Ø  Consequência por um pecado pessoal (1 Co 5.5; 11.30)
Ø  Ação direta de satanás: “... e ali estava uma mulher que tinha um espírito que a mantinha doente havia dezoito anos. (...). Então, esta mulher, uma filha de Abraão a quem Satanás mantinha presa por dezoito longos anos, não deveria no dia de sábado ser libertada daquilo que a prendia?”. – Lc 13. 11,16 (NVI)


SÍNTESE DO TÓPICO I

O perdão é terapêutico. Muitas doenças são resultado da falta de perdão, de mágoas e ressentimentos.


II. RAZÕES PARA CURAR.

1. Compaixão.

a. Neste milagre, a mulher nada falou, e por um “acaso”, Jesus encontrou o cortejo; movido de intima compaixão por ela, disse: “Não chores” (Lc 7.13).

b. Jesus realizava milagres não para ostentar, mas porque Ele se preocupava com as pessoas (Lc 5. 12,13). – este sentimento deve estar em nós.

c. A vida é o mais importante; pois o sábado foi feito por causa do homem e não o homem por causa do sábado.

“Jesus disse ao homem da mão atrofiada: "Levante-se e venha para o meio". Depois Jesus lhes perguntou: "O que é permitido fazer no sábado: o bem ou o mal, salvar a vida ou matar? "Mas eles permaneceram em silêncio. Irado, olhou para os que estavam à sua volta e, profundamente entristecido por causa dos seus corações endurecidos, disse ao homem: "Estenda a mão". Ele a estendeu, e ela foi restaurada”. – Mc 3. 3-5 (NVI)

2. Manifestação messiânica.

a. Na cura do cego (Jo 9. 1-12), curar a cegueira de nascença, na cultura popular era o tipo de milagre que somente o messias teria poder para realizar (Is 61.1; Lc 4.18).

b. Jesus e a quebra de paradigmas: Trabalhou no sábado, pois fez lodo, em prol do ser humano.

c. Pelo o fato do ministério profético haver cessado já a 400 anos, restando apenas a interpretação dos escribas, com este milagre grandioso, o povo ficou maravilhado e glorificou a Deus, dizendo: “Um grande profeta se levantou entre nós, e Deus visitou o seu povo” (Lc 7.16).

SÍNTESE DO TÓPICO II

Uma das razões para Jesus curar era a compaixão.


III. AUTORIDADE PARA CURAR.

1. Autoridade recebida.

a. O Espírito Santo é quem operava em Jesus para que Ele pudesse realizar os milagres na sua natureza humana (Lc 4. 16-18), pois Ele mesmo disse: “O Espírito do Senhor está sobre mim”.

2. Autoridade delegada.

a. Nós somos embaixadores para dar continuar neste ministério.

b. Mas nem todos possui o dom de curar (1 Co 12.30).

SÍNTESE DO TÓPICO III

Jesus tinha autoridade para curar os enfermos e libertar os oprimidos.


IV. A REDENÇÃO DO NOSSO CORPO

1. O reino presente.

a. O poder de Jesus sobre a morte (Lc 8. 53-55).

b. A demonstração de Jesus, dos apóstolos e da igreja prova que Jesus estabeleceu o seu reino para destruir o poder do pecado e vencer a morte.

2. O reino futuro.

a. O reino presente (parcial)

Ø  Poder sobre as doenças.

b. O reino futuro (integral)

Ø  Poder sobre a morte.

“Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou". – Ap 21.4 (NVI)

SÍNTESE DO TÓPICO IV.

Um dia Jesus vai redimir o nosso corpo e não estaremos mais sujeitos às enfermidades e à morte (1 Jo 3.2).


CONCLUSÃO

1. Jesus curou por misericórdia e para demonstrar o seu poder sobre o pecado e sobre a morte.

2. Precisamos entender um pouco mais sobre este assunto tão desvirtuado hoje em dia pela grande parte da igreja evangélica.

3. Deus se importa conosco. Nossa cura poderá chegar com ou sem remédio, mas tal cousa não descredencia o milagre de Deus.

4. A história do passeio a cavalo de Blaise Pascal.

5. Não importa a forma que Ele vai curar; ou até mesmo se não vai; mas sabemos que todas as coisas Ele fará cooperar para o nosso bem em favor do propósito pelo qual Ele tem nos chamado. (ilustração do pai e do filho).


Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

Aula ministrada na ICTJ dia 17/05/2015
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Referências bibliográficas:

Escola Bíblica dominical. Jesus, o homem perfeito. 2º trimestre de 2015; CPAD; lição 7.
PEARLMAN. Myer. Lucas, o evangelho do homem perfeito. Rio de Janeiro, RJ; CPAD, 2012, 10º impressão.
RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro, RJ; CPAD, 2014.




domingo, 10 de maio de 2015

O QUE É DEVOCIONAL? COMO PRATICÁ-LO?


Por Fabio Campos

Texto base: Esquentou-se-me o coração dentro de mim; enquanto eu meditava se acendeu um fogo...”. – Salmos 39.3 (AFC)


Uma das coisas que mais me deixam alegre é quando alguém me pergunta “como fazer o devocional”. Isto demonstra o quanto esta pessoa está interessada em conhecer mais o Senhor. Certa vez, escutando o Dr. Russell Shedd falar ao ser perguntado como ele fazia o seu devocional, ele respondeu que separava um tempo logo pela manhã (entre 05h30 até 07h00). Ele diz ter um lugar que certamente não será incomodado para tão somente orar e ler as ESCRITURAS. Depois das 07hs, ele sai para caminhar. Nesta caminhada, o teólogo John Piper o acompanha (por meio do seu radinho) com uma ministração escolhida a dedo pelo pastor. Somente depois disto o Dr. Shedd diz estar preparada para iniciar o seu dia e cumprir com suas obrigações diárias.

Duas coisas me chamaram a atenção: 1) O Dr. Shedd faz devocional, coisa que muito teólogo já não faz mais por achar que é “coisa de néscio”; 2) mesmo com uma vasta bagagem teológica – o pastor escuta e aprende com outros pastores, também coisa rara nos “corredores teológicos”. O cristão que não é eficaz na prática do devocional poderá até ser um “gigante” do saber, entretanto, não passará de pigmeu no que concerne a fé e a espiritualidade. Seu conhecimento só lhe trará orgulho e soberba, como está escrito:

“O conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica. Quem pensa conhecer alguma coisa, ainda não conhece como deveria. Mas quem ama a Deus, este é conhecido por Deus”. – 1 Co 8. 1-3 (NVI)

Para os amigos e irmãos que não estão familiarizados com o “devocional”, tal prática é mais simples do que se apresenta. Trata-se em orar a Deus por meio de Jesus Cristo (1 Tm 2.5) e meditar nas Escrituras (Sl 1. 2). É algo que quando praticado, nos faz mais íntimos de Deus. Como disse o reformador John Knox: “Orar é ter uma conversa familiar com Deus”. Não se trata de um ritual ou reza. Jamais poderá se tonar algo mecânico pela “demanda da obrigação”. O devocional exige disciplina, mas quando iniciado se torna o nosso maior deleite e prioridade dentre todos os afazeres diários.  

É simples! Separe um tempo. Se ainda você não possui o hábito, comece com vinte minutos diários. Divida estes 20 minutos para 10 de oração e 10 para a leitura. Comece a oração em “louvor e gratidão” a Deus por tudo o que Ele fez e por tudo o que Ele é. Ore por você e por seus familiares. Apresente diante de Deus as pessoas que você deseja que conheça o Senhor Jesus. Ore pelos os governantes, líderes e pastores, pois o Senhor se agrada deste tipo de oração (1 Tm 2. 1-4). Na leitura bíblica, comece pelo o Novo Testamento.

Do contrário do que muitos afirmam - que a Bíblia é um Livro difícil de ser entendido - “ela esclarece e dá entendimento ao simples” (Sl 119.130). Existem traduções por “equivalência dinâmica” que poderão facilitar a compreensão do significado do texto àqueles não estão familiarizados com a linguagem por “equivalência formal”. Sugiro duas traduções: 1) NVI (Nova versão internacional) e a 2) NTLH (Nova tradução linguagem de hoje). Não leia aleatoriamente que nem os “cartomantes”. Leia capítulo por capítulo. Não importa o tanto que você leu, mas se você entendeu o que leu, ainda que seja um único versículo. Minha sugestão é que você comece no Evangelho de João. 

Meditar não é ler correndo, mas conversar com Deus e com o texto. Se um verso lhe chamou a atenção, certamente Deus quer te ensinar algo. Não tenha pressa. Pare no texto. Leia quantas vezes for possível. Deus está falando contigo!

O Senhor Jesus Cristo nos convida a entrarmos em nosso quarto, fechar a porta e, no secreto, falar com o Pai (Mt 6.6). No Antigo Testamento, muitas das vezes, ao levantar um profeta, a primeira coisa que Deus fazia era mandá-lo para o deserto. Ali ele se fortalecia em ousadia e crescia no conhecimento. O próprio Jesus se retirava rumo aos lugares desertos para falar com o Pai no silêncio. A principal virtude cristã, em minha opinião, não é a extravagância, mas a solitude que se desenvolve por meio da introspecção. Somente assim o cristão poderá “examinar-se a si mesmo” como manda a Bíblia (1 Co 11.28).

Somente com a alma quieta escutaremos Deus por meio da leitura bíblica. Só poderemos orar do modo certo se de fato conhecermos a vontade de Deus. Não vamos pedir o que é “somente para nosso próprio deleite”, mas o que convém. Tudo isto nos é ensinado pelo Espírito no Santo em nossos devocionais.

Meditar na Palavra de Deus é demonstrar interesse por Ele (Sl 119.97). Não há forma mais eficaz para o cristão conseguir vencer o pecado do que estar com a Palavra de Deus em seu coração (Sl 119.11); não é estar com ela na mente, mas sim no coração.

Quando alguém se apaixona, ao se recolher para dormir, enquanto o sono não chega, ela não pára de pensar no amado ou na amada. Assim era o salmista; ele deitava e por amar a Deus, com a cabeça no travesseiro, não conseguia parar de pensar no Senhor (Sl 63.6). As insônias das madrugas nos oferecem grandes oportunidades para realizarmos o devocional (Sl 119.148).

Muita gente conhece a Palavra de Deus, mas não conhece o Deus da Palavra; falam de Deus, mas Deus não faz o menos sentido para eles. Muito dos nossos pecados, contendas, porfias, disputas, falta de amor e de compaixão, se resolveriam se a prática do devocional fosse realizada com mais afinco.

Outra dica! Não deixe de escutar os homens de Deus. Infelizmente tem muita “porcaria” por aí, no entanto, Deus preservou um “remanescente”. Aproveita o tempo que você tem no itinerário até o seu trabalho; o tempo que você se exercita na academia. Invista nisto! Você será grandemente abençoado e abençoará a outros. Se possível, para começar, não deixe de escutar estes homens:

Ø   Paulo Romeiro (pentecostal)
Ø   Hernandes Dias Lopes (presbiteriano)
Ø   Russell Shedd (batista)
Ø   Luiz Sayão (batista)
Ø   Augustus Nicodemus Lopes (presbiteriano)

O youtube está forrado de pregações e de ensinos destes irmãos. Hoje devido ao avanço da tecnologia por meio de sites (ex. Clipconverter) você poderá converter estes vídeos para áudio e escutar no seu MP3 ou pelo celular. Repare que entre eles há três linhas teológicas diferentes, entretanto, a mensagem é a mesma, como está escrito: “... os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo” (1 Co 12.4).

A teologia nos ajuda a pensar sobre Deus; mas é somente por meio da espiritualidade que Cristo é gerado em nós. Não há outro caminho de “fortalecer a nossa vida espiritual” do que caminhar pela estrada do devocional. Exercite também esta prática junto da sua família e dos irmãos. Mas não deixe de estar a sós com Deus. Seja displicente com esta prática, falhe nisto, e você falhará em todo o resto.


Considere este artigo e arrazoe isto em seu coração,


Soli Deo Gloria!

Fabio Campos
fabio.solafide@gmail.com