domingo, 26 de abril de 2015

O DEUS QUE CONSOLA OS ABATIDOS!


Por Fabio Campos

Texto base: Deus, porém, que consola os abatidos, consolou-nos com a chegada de Tito”. – 2 Co 7.6 (NVI)

A segunda carta de Paulo aos coríntios foi escrita com lágrimas, temor e tremor. Talvez seja o escrito de Paulo que mais demonstra sua personalidade. Paulo em suas cartas, logo de inicio, sempre dá a entender o assunto que ele vai abordar. Por exemplo, na epístola aos Gálatas, combatendo os falsos mestres que queriam inserir a lei de Moises como “meio de salvação”, logo de inicio, Paulo ratifica o seu chamado dizendo que “não fora chamado por homens, mas por Deus” (v1). No verso 6 ele sentencia os gálatas com ironia dizendo que estava “admirado de como os irmãos daquela igreja, tão depressa, estavam abraçando um outro evangelho em detrimento do Verdadeiro”.

No primeiro capítulo Paulo usa palavras como “misericórdia”, “consolação”, “consolo”, “tribulação”. Paulo realmente abriu o seu coração para aquela igreja e expôs sem medo o que ele estava passando: “Falamos abertamente a vocês, coríntios, e lhes abrimos todo o nosso coração” (2 Co 6.11).

O intuito era defender seu apostolado, pois ali seus próprios filhos na fé estavam se deixando levar por falsos apóstolos, quais difamavam o apostolado de Paulo. Ele ratifica a fidelidade do seu ministério (2 Co 4.1-6), dizendo que seu “poder” vinha de Deus (2 Co 4. 7-15). Paulo foi ousado e não se importou de “fazer conhecidas suas aflições (2 Co 4.16-18) ao ponto de cogitar, naquele momento, a morte, dizendo que se “a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos, então, um edifício da parte de Deus” (2 Co 5. 1-10). Ele também, mais uma vez, “confirmou o seu zelo apostólico (2 Co 5. 11-17).

Deus teve apenas um Filho que nunca pecou, mas não teve nenhuma que nunca sofreu. Certa vez, Martinho Lutero, o grande teólogo do século XVI, experimentou um longo período de preocupação e desânimo. Certo dia, sua esposa se vestiu com roupas pretas, de luto.

“– Que morreu?”, perguntou-lhe Lutero.
“– Deus”, respondeu a sua esposa.
“– Deus!”, Lutero falou horrorizado. “– Como você pode afirmar uma coisa dessas?”.

E ela lhe respondeu: “Estou apenas falando sobre o que você está vivendo”.

Lutero compreendeu que, na verdade, ele estava vivendo como se Deus já não estivesse vivo e cuidando deles com amor. Sua fisionomia transformou-se de tristeza em gratidão.

Paulo esteve abatido. Em 2 Co 5.7.6, “abatido” é usado no sentido psicologicamente “deprimido” (Chave linguística do NT Grego; Vida Nova, p. 352). Paulo passou por muitos sofrimentos e abnegações: “privação”, “tristeza”, “açoites”, “prisões”, “tumultos”, “trabalhos árduos”, “noites sem dormir”, “fome”, “difamações” (2 Co 6. 4-11). Você não acha que Paulo tinha motivo suficiente para se encontrar abatido? Você se encontra neste estado de abatimento?

Como se encontra no título do sermão, “O Deus que consola os abatidos”, Qual consolou Paulo, é o Nosso Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo. O que precisamos entender é que “as tribulações fazem parte da vida daquele que deseja ser fiel a Deus”, como está escrito:

“... fortalecendo os discípulos e encorajando-os a permanecer na fé, dizendo: ‘É necessário que passemos por muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus’”. – At 14.22 (NVI)

Deus nos dará vitória nas aflições, entretanto, elas sempre nos acompanharão. Não são poucas, mas muitas são as aflições do justo. No entanto Deus o livra de todas (Sl 34.19). Teve um momento que Paulo confessou que suas tribulações foram “acima de suas forças, ao ponto dele se desesperar concernente a sua própria vida” (2 Co 1.8).

Suas tribulações eram “incessante” (nenhum alívio), “por todos os lados” (em tudo), “externa” (por fora) e “interna” (por dentro). Alguns estudiosos dizem que os motivos destas “lutas” e “temores” foram por conta das discussões exaltadas com os “incrédulos” (At 17. 5-14) e com os “opositores cristãos” (Fp 3.2).

Assim como Paulo, “não somos divinos, mas pó, por isto que a angústia nos sobrevém”. O salmista, cheio do Espírito Santo, certa vez disse que “cordéis de morte o cercaram, e angústias do inferno se apoderaram dele; ele só tinha aperto e tristeza” (Sl 116.3). Na sua agitação ele disse que “todo homem é mentiroso” (v.11). Quem nunca disse tal coisa num momento de perturbação?

Grandes homens de Deus tiveram os seus momentos de abatimentos:

Moisés: Sob a responsabilidade de conduzir Israel, desejou a morte (Nm 11.15).

Josué: Quando os israelitas foram derrotados em ai, devido o pecado de Acã, Josué abatido interrogou a Deus do porque Ele abandonou o povo logo após ter passado o Jordão (Js 7.7).

Elias: Desejou a morte quando soube que Jezabel queria matá-lo (1 Rs 19.4).

Jó: Protestou a severidade de Deus dizendo que tinha “tédio da vida” (Jo 10.1).

Davi: No momento de tristeza escreveu dizendo que sua “alma estava abatida dentro dele”. (Sl 46.6)

Jeremias: Quando fora perseguido pelo seu próprio povo (Jr 15.10).

Discípulos: No caminho de Emaús quando discorriam acerca da morte de Jesus, quando Jesus o chamou e perguntou do que eles estavam conversando, a Bíblia diz que “eles pararam entristecidos” (Lc 24.17).

Mas “Deus consola os abatidos”. Com Paulo Ele usou Tito. Paulo estava muito aflito ao não ver Tito quando chegou em Trôade (2 Co 2. 12-13). Tito fora enviado para fazer as coletas na igreja de coríntios (2 Co 8.23). Paulo foi quem o gerou em Cristo através da sua pregação (Tt 1.4). Tanto é que ele foi fiel a Paulo até o fim (2 Co 8.23). Tito também foi comissionado para organizar as igrejas em Creta (Tt 1.5). Sendo o significado de seu nome “louvável”, Paulo o tinha em grande estima e o amava muito. Deus assim o usou para consolar o amado apóstolo no momento de seu “abatimento” (2 Co 7.6).

Deus sempre manda um “Tito” quando estamos abatidos. O Senhor nos ama e nos consola com amor de mãe. Quantas vezes vemos “homens e mulheres adultos” no desespero, clamar, dizendo: “Eu quero a minha mãe” (rs). Deus é essa mãe, como está escrito: “Como a mãe consola o filho, eu também consolarei vocês; eu os consolarei em Jerusalém”. – Is 66. 13 (NTLH). O Senhor nos guardará no dia da adversidade em seu tabernáculo; ainda que ela nos sobrevenha, Deus nos porá em segurança sobre um rochedo (Sl 27.5).

Deus não se esqueceu de nós. Basta crermos e esperarmos com paciência, como fez o salmista: “Por que você está assim tão triste, ó minha alma? Por que está assim tão perturbada dentro de mim? Ponha a sua esperança em Deus! Pois ainda o louvarei; ele é o meu Salvador e o meu Deus”. – Sl 42. 5-6a (NVI). Deus, no tempo oportuno, enviará um “Tito” para nos consolar:

Ø  Com Paulo, Ele usou Tito.
Ø  Com Elias, Ele usou o corvo.
Ø  Com Jacó, Ele usou e devolveu seu filho José.
Ø  Com Jesus, Ele usou os anjos.

Com você, Ele pode usar:

Ø  Uma mensagem.
Ø  Um irmão.
Ø  Uma pregação.
Ø  Uma situação.
Ø  Um sonho.

O certo é que Deus vai agir e consolar todos os abatidos e quebrantados de coração que por Ele clamar. Toda esta leve e momentânea tribulação lhe trará um peso eterno de glória. Tudo só está cooperando para o seu bem, para o propósito pelo qual Deus o chamou. Apenas confie e submeta a Sua Palavra, e, certamente, o Deus de paz que consola os abatidos, assim como esteve com Paulo, estará com você todos os dias da tua vida.


Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

Ministração exposta na ICTJ dia 22/04/2015
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Referências bibliográficas:

Deus está vivo! Extraído do site: http://www.conscienciarosa.org/

HARRISON F, Everett. Comentário Bíblico Moody Vol. 2. São Paulo, SP; EBR, 2010.