domingo, 26 de abril de 2015

O DEUS QUE CONSOLA OS ABATIDOS!


Por Fabio Campos

Texto base: Deus, porém, que consola os abatidos, consolou-nos com a chegada de Tito”. – 2 Co 7.6 (NVI)

A segunda carta de Paulo aos coríntios foi escrita com lágrimas, temor e tremor. Talvez seja o escrito de Paulo que mais demonstra sua personalidade. Paulo em suas cartas, logo de inicio, sempre dá a entender o assunto que ele vai abordar. Por exemplo, na epístola aos Gálatas, combatendo os falsos mestres que queriam inserir a lei de Moises como “meio de salvação”, logo de inicio, Paulo ratifica o seu chamado dizendo que “não fora chamado por homens, mas por Deus” (v1). No verso 6 ele sentencia os gálatas com ironia dizendo que estava “admirado de como os irmãos daquela igreja, tão depressa, estavam abraçando um outro evangelho em detrimento do Verdadeiro”.

No primeiro capítulo Paulo usa palavras como “misericórdia”, “consolação”, “consolo”, “tribulação”. Paulo realmente abriu o seu coração para aquela igreja e expôs sem medo o que ele estava passando: “Falamos abertamente a vocês, coríntios, e lhes abrimos todo o nosso coração” (2 Co 6.11).

O intuito era defender seu apostolado, pois ali seus próprios filhos na fé estavam se deixando levar por falsos apóstolos, quais difamavam o apostolado de Paulo. Ele ratifica a fidelidade do seu ministério (2 Co 4.1-6), dizendo que seu “poder” vinha de Deus (2 Co 4. 7-15). Paulo foi ousado e não se importou de “fazer conhecidas suas aflições (2 Co 4.16-18) ao ponto de cogitar, naquele momento, a morte, dizendo que se “a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos, então, um edifício da parte de Deus” (2 Co 5. 1-10). Ele também, mais uma vez, “confirmou o seu zelo apostólico (2 Co 5. 11-17).

Deus teve apenas um Filho que nunca pecou, mas não teve nenhuma que nunca sofreu. Certa vez, Martinho Lutero, o grande teólogo do século XVI, experimentou um longo período de preocupação e desânimo. Certo dia, sua esposa se vestiu com roupas pretas, de luto.

“– Que morreu?”, perguntou-lhe Lutero.
“– Deus”, respondeu a sua esposa.
“– Deus!”, Lutero falou horrorizado. “– Como você pode afirmar uma coisa dessas?”.

E ela lhe respondeu: “Estou apenas falando sobre o que você está vivendo”.

Lutero compreendeu que, na verdade, ele estava vivendo como se Deus já não estivesse vivo e cuidando deles com amor. Sua fisionomia transformou-se de tristeza em gratidão.

Paulo esteve abatido. Em 2 Co 5.7.6, “abatido” é usado no sentido psicologicamente “deprimido” (Chave linguística do NT Grego; Vida Nova, p. 352). Paulo passou por muitos sofrimentos e abnegações: “privação”, “tristeza”, “açoites”, “prisões”, “tumultos”, “trabalhos árduos”, “noites sem dormir”, “fome”, “difamações” (2 Co 6. 4-11). Você não acha que Paulo tinha motivo suficiente para se encontrar abatido? Você se encontra neste estado de abatimento?

Como se encontra no título do sermão, “O Deus que consola os abatidos”, Qual consolou Paulo, é o Nosso Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo. O que precisamos entender é que “as tribulações fazem parte da vida daquele que deseja ser fiel a Deus”, como está escrito:

“... fortalecendo os discípulos e encorajando-os a permanecer na fé, dizendo: ‘É necessário que passemos por muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus’”. – At 14.22 (NVI)

Deus nos dará vitória nas aflições, entretanto, elas sempre nos acompanharão. Não são poucas, mas muitas são as aflições do justo. No entanto Deus o livra de todas (Sl 34.19). Teve um momento que Paulo confessou que suas tribulações foram “acima de suas forças, ao ponto dele se desesperar concernente a sua própria vida” (2 Co 1.8).

Suas tribulações eram “incessante” (nenhum alívio), “por todos os lados” (em tudo), “externa” (por fora) e “interna” (por dentro). Alguns estudiosos dizem que os motivos destas “lutas” e “temores” foram por conta das discussões exaltadas com os “incrédulos” (At 17. 5-14) e com os “opositores cristãos” (Fp 3.2).

Assim como Paulo, “não somos divinos, mas pó, por isto que a angústia nos sobrevém”. O salmista, cheio do Espírito Santo, certa vez disse que “cordéis de morte o cercaram, e angústias do inferno se apoderaram dele; ele só tinha aperto e tristeza” (Sl 116.3). Na sua agitação ele disse que “todo homem é mentiroso” (v.11). Quem nunca disse tal coisa num momento de perturbação?

Grandes homens de Deus tiveram os seus momentos de abatimentos:

Moisés: Sob a responsabilidade de conduzir Israel, desejou a morte (Nm 11.15).

Josué: Quando os israelitas foram derrotados em ai, devido o pecado de Acã, Josué abatido interrogou a Deus do porque Ele abandonou o povo logo após ter passado o Jordão (Js 7.7).

Elias: Desejou a morte quando soube que Jezabel queria matá-lo (1 Rs 19.4).

Jó: Protestou a severidade de Deus dizendo que tinha “tédio da vida” (Jo 10.1).

Davi: No momento de tristeza escreveu dizendo que sua “alma estava abatida dentro dele”. (Sl 46.6)

Jeremias: Quando fora perseguido pelo seu próprio povo (Jr 15.10).

Discípulos: No caminho de Emaús quando discorriam acerca da morte de Jesus, quando Jesus o chamou e perguntou do que eles estavam conversando, a Bíblia diz que “eles pararam entristecidos” (Lc 24.17).

Mas “Deus consola os abatidos”. Com Paulo Ele usou Tito. Paulo estava muito aflito ao não ver Tito quando chegou em Trôade (2 Co 2. 12-13). Tito fora enviado para fazer as coletas na igreja de coríntios (2 Co 8.23). Paulo foi quem o gerou em Cristo através da sua pregação (Tt 1.4). Tanto é que ele foi fiel a Paulo até o fim (2 Co 8.23). Tito também foi comissionado para organizar as igrejas em Creta (Tt 1.5). Sendo o significado de seu nome “louvável”, Paulo o tinha em grande estima e o amava muito. Deus assim o usou para consolar o amado apóstolo no momento de seu “abatimento” (2 Co 7.6).

Deus sempre manda um “Tito” quando estamos abatidos. O Senhor nos ama e nos consola com amor de mãe. Quantas vezes vemos “homens e mulheres adultos” no desespero, clamar, dizendo: “Eu quero a minha mãe” (rs). Deus é essa mãe, como está escrito: “Como a mãe consola o filho, eu também consolarei vocês; eu os consolarei em Jerusalém”. – Is 66. 13 (NTLH). O Senhor nos guardará no dia da adversidade em seu tabernáculo; ainda que ela nos sobrevenha, Deus nos porá em segurança sobre um rochedo (Sl 27.5).

Deus não se esqueceu de nós. Basta crermos e esperarmos com paciência, como fez o salmista: “Por que você está assim tão triste, ó minha alma? Por que está assim tão perturbada dentro de mim? Ponha a sua esperança em Deus! Pois ainda o louvarei; ele é o meu Salvador e o meu Deus”. – Sl 42. 5-6a (NVI). Deus, no tempo oportuno, enviará um “Tito” para nos consolar:

Ø  Com Paulo, Ele usou Tito.
Ø  Com Elias, Ele usou o corvo.
Ø  Com Jacó, Ele usou e devolveu seu filho José.
Ø  Com Jesus, Ele usou os anjos.

Com você, Ele pode usar:

Ø  Uma mensagem.
Ø  Um irmão.
Ø  Uma pregação.
Ø  Uma situação.
Ø  Um sonho.

O certo é que Deus vai agir e consolar todos os abatidos e quebrantados de coração que por Ele clamar. Toda esta leve e momentânea tribulação lhe trará um peso eterno de glória. Tudo só está cooperando para o seu bem, para o propósito pelo qual Deus o chamou. Apenas confie e submeta a Sua Palavra, e, certamente, o Deus de paz que consola os abatidos, assim como esteve com Paulo, estará com você todos os dias da tua vida.


Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

Ministração exposta na ICTJ dia 22/04/2015
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Referências bibliográficas:

Deus está vivo! Extraído do site: http://www.conscienciarosa.org/

HARRISON F, Everett. Comentário Bíblico Moody Vol. 2. São Paulo, SP; EBR, 2010.

EBD - Lição 4 - "A TENTAÇÃO DE JESUS"



Escola Bíblica Dominical – 26 de Abril de 2015 | Lição 4

Texto Áureo: Hb 4.15

Verdade prática: Jesus firmou-se na Palavra de Deus para vencer Satanás. Assim devemos agir para obter a vitória.

Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti”. – Sl 119.11 (AFC).

Não basta ter a palavra na mente, é necessário tê-la no coração se quisermos ter vitória contra o pecado.

Leitura bíblica em classe: Lc 4. 1-13

INTRODUÇÃO:

1. Deus teve apenas um Filho que nunca pecou, contudo Ele não teve nenhum que não foi tentado.

2. Jesus mesmo sendo divino, foi tentado, porém, na sua natureza humana.

3. A tentação é personalizada; é oferecida com a concupiscência daquele que é tentado.

I. A REALIDADE DA TENTAÇÃO

1. Uma realidade humana

a. “Jesus também era diferente das divindades pagãs em outras características. As histórias retratam os deuses e as deusas da mitologia como seres sujeitos às paixões pecaminosas que também pairam sobre a humanidade: luxúria, orgulho, ambição egoísta e calúnia” (Comentário histórico-cultural do NT, p. 140).

b. O Espírito Santo quem levou Jesus para o deserto afim de ser tentado.

c. A tentação de Jesus foi diferente da nossa; nós somos tentados de “dentro para fora”; Jesus foi tentado de “fora para dentro”, pois diferente de nós, no Seu coração não havia mácula.

d. Jesus enfrentou a tentação pela natureza humana, pois o texto diz que depois de quarenta dias, “teve fome” (v. 1-2).

2. Vencendo a tentação.

a. Jesus “abdicou dos seus privilégios divinos” usou as armas espirituais nesta batalha: Jejum, Palavra e oração.

b. Se Jesus usou, por que nós não deveríamos usar?

c. John Piper diz que “Jejum é fome de Deus”.

d. Quando comemos o maná da terra, saciamos o nosso físico; quando jejuamos, nos alimentamos do próprio “pão do céu”.

SÍNTESE DO TÓPICO I

A tentação é uma realidade para todos os filhos de Deus.


II. A TENTAÇÃO DE SER SACIADO.

1. A sutileza da tentação.

a. As vezes o que nos separa de Deus é um pudim; ou uma garrafa de coca-cola, etc. Que mal teria de Jesus comer um pão? Não foi Ele mesmo que fez uma multiplicação?

b. Na verdade Satanás queria que Jesus usasse seus poderes divinos para satisfazer suas necessidades à parte da vontade de Deus.
c. O pecado está quando colocarmos as necessidades imediatas à frente dos objetivos eternos.

d. John Charles Ryle diz que “se não pode impedir-nos de ir ao céu, Satanás de alguma maneira se esforçará para tornar nossa jornada bastante dolorosa. Se não pode destruir nossas almas, pelo menos ele ferirá os nossos calcanhares (Gn 3.15)”. p. 57

2. Gratificação pessoal.

a. O intuito da tentação é sempre saciar para uma “gratificação pessoal”.

b. As vezes travestimos nossas “concupiscência” em “jejuns”, pois o fazemos para nossos próprios deleites.

c. O Senhor não aceitou o jejum do seu povo (Is 58), pois suas motivação era no seu “próprio interesse”.

Ø  Contendas e rixas (parecer mais santo do que o outro)
Ø  Trazer um conforto para a consciência através de penitencias em detrimento daquilo que Deus realmente exigia, a saber, libertar os escravos, libertar os oprimidos, repartir o pão com o faminto e abrigar os pobres.

SÍNTESE DO TÓPICO II

Jesus foi tentado a satisfazer sua necessidade de ser saciado.


III. A TENTAÇÃO DE SER CELEBRADO.

1. O príncipe deste mundo.

a. O mundo jaz no maligno por isso não podemos esperar ser saciados através das coisas que ele nos oferece.

“Se eu descubro em mim mesmo um desejo que nenhuma experiência deste mundo consegue satisfazer, a explicação mais provável é que fui criado para outro mundo”. – C. S. Lewis

b. C. S. Lewis e o pensamento das “Crônicas de Nárnia”:

“A experiência humana sugere a existência de outro mundo mais maravilhoso, no qual reside nosso verdadeiro destino, mas, atualmente, estamos do lado errado da porta que dá acesso para ele”. – C. S. Lewis

c. A experiência do irmão:”... pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo” (2 Co 6.10b).

“Os homens bons usam o mundo para desfrutar de Deus; os homens maus querem usar Deus para desfrutar do mundo”. - Agostinho

2. A busca pelo poder terreno.

a. A soberba da vida, a concupiscência da carne e a ostentação dos bens não procedem de Deus.

b. A busca pelo poder terreno (teólogos da prosperidade).

c. Satanás muitas das vezes nos leva “até o pináculo do templo” para fazer-nos ganhar o “mundo inteiro” para “perder a alma”.


SÍNTESE DO TÓPICO III

Como homem, Jesus foi tentado a buscar honra e celebração para si.


IV. A TENTAÇÃO DE SER NOTADO.

1. A artimanha do inimigo.

a. O diabo não desiste, pois uma de suas “virtudes” é a persistência.

b. Quando satanás se afasta, tenha por certo que ele voltará com mais empenho em ocasião oportuna. Ele sempre “volta para ver se a casa de onde saiu está vazia” (Mt 12.43-44).
c. Nós, por sua vez, precisamos ser mais perseverante do que ele, pois está escrito:

“Sujeitai-vos, pois, a Deus; resisti ao Diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4.7).

d. Foi isso que fez o Senhor.

e. O diabo é sofista. As seitas sempre modificam a Palavra e Deus para acomodarem suas heresias. Satanás continua usando o mesmo método que usou no princípio: “É assim que Deus disse”? “É certo que não morrereis”. (Gn 3).

2. A busca pelo prestigio.

a. Quando satanás quer nos derrubar, 1) primeiro ele nos “coloca no pináculo do templo”; 2) quando ele quer nos estourar, primeiro ele nos “incha”.

b. O conselho do Pr. Paulo Romeiro: “Se Deus não te der um ministério grande, agrade-O por isso”, certamente Ele te poupou de uma grande queda.
c. O diabo ainda continua a argumentar: “Se tu és filho de Deus”:

Ø  Faça uma oração que vai impressionar.
Ø  Cante mais alto.
Ø  Dê um glória a Deus mais alto que o outro.
Ø  Se mostre mais espiritual.
Ø  Demonstre que você é um eloquente intelectual.
Ø  Prove!... prove!... se mostre! para que “todos vejam que você é filho de Deus”.

d. A Escritura nos ensina a andarmos na “contra mão” de tudo isso aí:

“... não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humilde...”. – Rm 12.16 (AFC)


SÍNTESE DO TÓPICO IV.

Jesus venceu a tentação de ser notado pelos homens.


CONCLUSÃO

1. Adão foi vencido no jardim; Jesus venceu no deserto.

2. Jesus venceu o mundo como homem; pois a arma que Ele utilizou não foram “carnais”, mas “espirituais”, a saber: “Jejum, oração e Palavra (contar do devocional do Pr. Russell Shedd).

3. O espinho na carne nos torna mais humildes e dependentes de Deus.
“[para vencer a tentação] você precisa pedir a ajuda de Deus. Mesmo depois de pedir, poderá ter a impressão de que a ajuda não vem, ou vem em dose menor que a necessária. Não se preocupe. Depois de cada fracasso, levante-se e tente de novo. Muitas vezes, a primeira ajuda de Deus não é a própria virtude, mas a força para tentar de novo. Por mais importante que seja a castidade (ou a coragem, a veracidade ou qualquer outra virtude), esse processo de treinamento dos hábitos da alma é ainda mais valioso. Ele cura nossas ilusões a respeito de nós mesmos e nos ensina a confiar em Deus. Aprendemos, por um lado, que não podemos confiar em nós mesmos nem em nossos melhores momentos; e, por outro, que não podemos nos desesperar nem mesmo nos piores, pois nossos fracassos são perdoados. A única atitude fatal é se dar por satisfeito com qualquer coisa que não a perfeição”. – C. S. Lewis.

4. Que Deus nos dê graça para vencermos a carne o mundo e o diabo.


Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

Aula ministrada na ICTJ dia 26/04/2015
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Referências bibliográficas:

Escola Bíblica dominical. Jesus, o homem perfeito. 2º trimestre de 2015; CPAD; lição 4.
WARREN W. Wiersbe. Comentário Bíblico NT. Santo André, SP; Central Gospel, 2009.
RYLE, J. C. Meditações no Evangelho de Lucas. São José dos Campos, SP; Fiel, 2013.
LEWIS, C. S. Cristianismo puro e simples. São Paulo, SP; Martins Fontes, 2014.
RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro, RJ; CPAD, 2014.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

TEOLOGIA, SEM TESTEMUNHO DO ESPÍRITO, É MORTA!


Por Fabio Campos

Texto base: “O próprio Espírito testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus”. – Romanos 8.16 (NVI)


John Wesley tinha o grande desejo de levar Cristo aos índios da Geórgia. E isto de fato aconteceu. Certo dia, ao compartilhar da refeição com um deles, conta-se, que ao ver o índio orar agradecendo pelo o alimento, na sinceridade das palavras em gratidão ao Criador, Wesley perguntou ao índio se ele conhecia a Deus. O índio respondeu que sim, dizendo que Deus era seu amigo. Wesley indagou como poderia ocorrer tal cousa se ele não tinha instrução alguma. O índio, então, por sua vez, disse que o testemunho de Deus estava no seu coração (Rm 8.16).

Após ter passado junto dos morávios o perigo de um naufrágio, na iminência da morte - com medo de morrer e os morávios não, escutando daqueles irmãos que “morrer era lucro” – Wesley percebeu que ainda não era convertido de fato, pois não tinha o testemunho do Espírito dentro de si, ainda que já tivesse a teologia na sua mente. Por isto disse: “Fui à América para converter outros, mas nunca fora realmente convertido a Deus” [1]. Após o ocorrido, Wesley, então, buscou a Deus em oração, e pela primeira vez sentiu-se amado por Deus, fato este que lhe dera o poder de fazer o que fez, trazendo um grande avivamento ao seu povo.

Paulo em sua oração a favor dos efésios pediu a Deus que aqueles irmãos fossem “fortalecidos com poder pelo Espírito no homem interior” (Ef 3.16). O puritano Matthew Henry, comentando este verso, disse que “a força do Espírito de Deus no homem interior é a melhor e mais desejável força” [2].

Não adianta somente conhecer a vontade de Deus. É necessário praticá-la. Quando lemos as Escrituras, conhecemos a vontade de Deus; mas quando oramos, do alto somos revestido de poder para cumpri-la. Aqui está a questão do excesso de intelectualidade, no entanto sem piedade. Muitos têm teologia, mas não possuem o testemunho do Espírito no homem interior. Não conseguem se desvencilhar do pecado que os assedia porque lhes falta o poder do Espírito que livra o cristão da “corrupção deste mundo” (1 Pe 1.3).

Na sequencia de sua oração em favor dos efésios, Paulo expressa outro desejo: “que Cristo habite, pela fé, no coração dos irmãos” (Ef 3.17). O sentido deste texto é para “Cristo sentir-se em casa”.  Pois é, Cristo está na mente de alguns, no entanto, distante dos seus corações. Se nossa teologia não vier acompanhada do testemunho do Espírito, certamente, será morta. Por isto que muita gente se esfria nos seminários teológicos. Não é por causa da teologia, mas pela postura ímpia dos alunos e professores. O reverendo Hernandes Dias Lopes diz que, “um ministro mundano representa um perigo maior para a igreja do que falsos profetas e falsas filosofias” [3].

O conceito de fé tem sido deturpado nos dias de hoje. Para muitos, ter fé, é simplesmente acreditar que a coisas darão certo. Mas a Escritura vai além. Quando Cristo habita em nosso coração, pela fé, o Seu Espírito nos dá força para vencermos o mundo, a carne e o diabo.

É pela fé que vemos e compreendemos as coisas da forma como realmente são. João Calvino disse que, “ainda que mesmo a alma dos ímpios seja forçada a elevar-se até o Criador pela visão da terra e do céu, a fé tem o seu modo peculiar de atribuir a Deus o pleno louvor da criação” [4]. A fé que opera pelo amor faz Deus trabalhar em nós de acordo com o seu “querer e efetuar”.

Muitos querem anunciar a ira e a justiça de Deus, no entanto possuem apenas luz na mente e nenhum fogo no coração. Querem pregar sobre “Pecadores na mão de um Deus irado” sem um terço da piedade de Edwards. Aí já viu!... Como disse Lutero: “Sermão sem unção endurece o coração”. Por isto que falam... , falam... , falam... , mais brigam do que dialogam. Não produzem frutos, pois lhe falta o “poder no homem interior”.

Só vamos conseguir vencer o pecado e testemunhar com eficácia a respeito do Evangelho se de fato estivermos “cheio da força do Espírito” (Mq 3.8). Acerca disso, Matthew Henry comenta: “[O profeta] tinha um amor ardente por Deus e pelas almas dos homens, uma consideração profunda pela glória divina e pela salvação deles, além de um zelo veemente contra o pecado. (...). Em todas as suas pregações havia luz, bem como calor, espírito de sabedoria e zelo” [5].

Jesus ensinou muitas coisas aos seus discípulos, no entanto, antes de subir aos céus, sabendo que o Evangelho já estava na mente deles, exortou-os a não pregar até que “do alto fossem revestidos de poder” (At 1. 1-8). Quanta gente pregando boa teologia, mas sem poder do Espírito. É aquilo que o Reverendo Hernandes Dias Lopes sempre diz: “ortodoxia morta!”.

João Calvino disse que “o testemunho do Espírito é superior a toda razão” [6]. O ser humano ainda que racional, é guiado pela emoção através das suas paixões. Luta para fazer o bem, contudo, sem ao menos perceber, o mal que não gostaria de fazer, este, já está praticando-o. Somente com o poder do Espírito conseguiremos andar conforme nossa razão e convicção da qual é oriunda de uma mente regida pela Palavra de Deus.

Nosso conhecimento precisa estar acompanhado de graça. A mensagem de muitos, infelizmente, apenas informa, mas não alimenta. Apontam o pecador, mas não indicam o Salvador. Sabem as Escrituras, mas não possuem poder para viver em conformidade com ela. Estão inchados pelo saber, mas totalmente desprovidos do amor que edifica (1 Co 8.1-3).

Quero terminar este artigo consultando novamente as palavras do eloquente teólogo e reformador, João Calvino: “É porque o Senhor nos quis tornar eruditos não em questões frívolas, mas na piedade sólida, no temor de seu nome, em uma confiança verdadeira, nos ofícios de santidade, aquiesçamos àquela ciência. (...). Ora, o propósito de um teólogo não é deleitar os ouvidos, mas, ao ensinar o que é verdadeiro, certo e útil, confirmar as consciências [7]

Que Deus confirme por Seu Santo Espírito nossa teologia para que não sejamos homens apenas de “palavras persuasivas, mortas, que não trazem nenhum proveito, mas ministros cheios do poder e virtude do Altíssimo, assim  como foi o Apóstolo Paulo:

“E a minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder”. – 1 Coríntios 2.4 (AFC).


Considere este artigo e arrazoe isto em seu coração,


Soli Deo Gloria!

Fabio Campos
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Notas: 

[1] BOYER, Orlando. Heróis da fé. Rio de Janeiro, RJ; CPAD, 2009, p. 53.
[2] Bíblia de Estudo. Matthew Henry. Central gospel, p. 1929.
[3] DIAS LOPES, Hernandes. Piedade e Paixão. São Paulo, SP; Candeia, 2002, p. 20.
[4] CALVINO, João. A instituição da Religião Cristã. São Paulo, SP; Unesp, 2008, p. 184.
[5] Bíblia de Estudo. Matthew Henry. Central gospel, p. 1349.
[6] CALVINO, João. A instituição da Religião Cristã. São Paulo, SP; Unesp, 2008, p. 74.
[7] Ibid, p. 154