domingo, 29 de março de 2015

EBD - Lição 13 - "A IGREJA E A LEI DE DEUS"


Escola Bíblica Dominical – 29 de Março de 2015 | Lição 13

Texto Áureo: Rm 3.31

Verdade prática: O grande desafio da igreja é cumprir essa lei, entretanto, na perspectiva da graça; não pelo medo, mas pelo amor, como está escrito:  

“Porque nós pelo Espírito da fé aguardamos a esperança da justiça. Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem valor algum; mas sim a fé que opera pelo amor”. – Gl 5. 5-6 (AFC)

Leitura bíblica em classe: Mt 5. 17-20; Rm 7. 7-12


INTRODUÇÃO:

1. A retrospectiva do trimestre: Os dez mandamentos e os seus valores para uma sociedade em constante mudança.

2. A Lei é todo o Pentateuco, pois abrange todos os aspectos da sociedade de Israel: religioso, moral e civil.

I. O QUE SIGNIFICA CUMPRIR A LEI?

1. Completar a revelação.

a. A lei é a sombra dos bens vindouros e não a imagem real das coisas (Hb 10.1).

b. Jesus é a imagem do Deus invisível (Cl 1.15).

“Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho” – Hb 1.1. (AFC)

2. Cumprimento das profecias.

a. O grande argumento dos apóstolos ao Messias que deveria aparecer era a despeito dos “cumprimentos das profecias” do Cristo (messias) de Deus.

“... mas Deus assim cumpriu o que já dantes anunciara por boca de todos os profetas que o seu Cristo havia de padecer”. – At 3.18 (NVI)

“Paulo, segundo o seu costume, ali entrou, e por três sábados discutiu com eles, tirando argumentos das Escrituras, expondo e demonstrando ser necessário que o Cristo padecesse e ressurgisse dentre os mortos. Este Jesus, que eu vos anuncio, dizia ele, é o Cristo”. – At 17. 2-3 (NVI)

“Pois eu vos entreguei primeiramente o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que foi ressuscitado ao terceiro dia segundo as Escrituras”. – 1 Co 15. 3-4 (NVI)

b. O Antigo Testamento contém sessenta principais profecias messiânicas e aproximadamente 270 ramificações todas elas cumpridas em uma só pessoa, a saber, Jesus Cristo.

c. Aproximadamente quarenta homens já afirmaram ser o messias, mas apenas um – Jesus Cristo – apelou para o cumprimento das profecias a fim de substanciar suas afirmativas, e somente suas credenciais garante essas afirmativas.

d. Certa editora ofereceu um prêmio de mil dólares para quem conseguisse encontrar outra pessoa viva ou morta, além de Jesus Cristo, que pudesse cumprir apenas metade das previsões messiânicas delineada nos testamentos. Não houve quem reclamasse o prêmio.

3. O centro das Escrituras.

a. Jesus é o centro das Escrituras: Veja a ordem que a “Bíblia em ordem cronológica” da Editora Vida inicia a sua tradução:

“No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus. Ela estava com Deus no princípio. [Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito”]. – Jo 1. 1-3 (NVI)

“Antes de nascerem os montes e de criares a terra e o mundo, de eternidade a eternidade tu és Deus”. – Sl 90.2 NVI)

“No princípio Deus criou os céus e a terra”. – Gn 1.1 (NVI)

b. Mesmo sendo alguém versado no Antigo Testamento, com a conversão, Paulo não pregava outra cousa a não ser “o Cristo crucificado” (1 Co 2.2).

c. O príncipe dos pregadores, Charles Spurgeon, qualquer texto que ele utilizava para fundamentar o seu sermão, mesmo que fosse o do Antigo Testamento, no decorrer da exposição, caminhava com ele até a cruz do calvário. Cristo deveria ser proclamado, e este crucificado.

SÍNTESE DO TÓPICO I

As profecias foram cumpridas em Cristo, e Cristo cumpriu a lei por nós para que fossemos justificados pela fé nEle.

II. O SENHOR JESUS VIVEU A LEI

1. Preceitos cerimoniais.

a. Jesus cumpriu todo o preceito cerimonial da lei: Ex. 1) a crucificação, como está escrito: “maldito todo aquele que for pendurado no madeiro” (Dt 21.23; Gl 3.13).; 2) o Cordeiro Pascal (1 Co 5.7).

“Estas coisas são sombras do que haveria de vir; a realidade, porém, encontra-se em Cristo”. – Cl 2.17 (NVI)

2. Preceitos civis.

a. A igreja é o representante legal de Deus aqui na terra (1 Pe 2.9). Não somos teocráticos, pois seria um erro impor a lei de Deus num estado “não regenerado”.

b. O escritor Leon Tolstoi, do século XIX, queria fazer do sermão do monte a base da colônia que instalou em uma grande área. Fracassou totalmente porque faltaram, na composição da colônia, elementos regenerados, cheios do fruto do Espírito.

“... a mentalidade da carne é inimiga de Deus porque não se submete à lei de Deus, nem pode fazê-lo”. – Rm 8.7 (NVI)

c. A lei e o cachorro: Somos o cachorro que após ser educado, ao ver um gato em sua frente, não consegue dominar seus instintos e ataca o gato. A lei do instinto domina, mesmo depois de ficar convencida pelo erro. A vontade “carnal”, isto é, do homem sem assistência do Espírito, é totalmente incapaz de se aniquilar. Isso faz parte de sua natureza caída e egoísta.

3. Preceitos morais.

a. Jesus cumpriu os preceitos morais para satisfazer a justiça de Deus. Esta lei ainda é vigente à igreja para o seu cumprimento, não para a salvação, mas porque já foi salvo (Ef 2. 8-9).

b. Agostinho disse: “Ame a Deus e faça tudo o que você quiser”.

c. Acerca do cumprimento da Torá (Pentateuco), o Rabi Hileu disse: “O que você abomina, não faça a seu próximo. Essa é toda a Torá. O resto é comentário”.

SÍNTESE DO TÓPICO II

Jesus viveu toda a lei e se fez lei por nós. Ele trocou de lugar conosco.

“Na cruz, a dívida do pecado foi paga. Na ressurreição, Ele veio nos oferecer um relacionamento que transforma a vida”. – Russell Shedd


III. A LEI NÃO PODE SER REVOGADA

Pergunta para a classe: “Jesus aboliu a lei”?

1. Jesus revela seu pensamento sobre a lei.

a. De forma alguma Jesus reagiu contra a lei; pelo contrário, Ele veio cumprir a lei para que pudéssemos, pela fé Nele, cumprir todos os seus preceitos e sermos justificados perante Deus.

“Porque, aquilo que a lei fora incapaz de fazer por estar enfraquecida pela carne, Deus o fez, enviando seu próprio Filho, à semelhança do homem pecador, como oferta pelo pecado. E assim condenou o pecado na carne, a fim de que as justas exigências da lei fossem plenamente satisfeitas em nós”. –  Rm 8. 3-4 (NVI)

b. Jesus esclareceu a lei ao apontar a incapacidade do homem de cumpri-la.

“A lei não ensina o que os homens podem fazer, mas o que os homens devem fazer”. – Martinho Lutero

2. Até que o céu e a terra passem.

a. A lei vigora até o dia de hoje e continuará até a consumação dos séculos. Todo ser humano será julgado através dela. Todavia, haverá os que serão julgados nos méritos de Jesus e os que serão julgados nos seus próprios méritos.

“Pois estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio do homem que designou”. – At 17.31 (NVI)

b. Todos nós compareceremos no tribunal de Deus para darmos conta da nossa vida (2 Co 5.10).

3. O menor mandamento.

a. Ainda que haja a possibilidade de haver um “menor mandamento”, toda a Bíblia deve ser observada com reverencia:

“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça”. – 2 Tm 3.16 (NVI)

SÍNTESE DO TÓPICO III

A lei é eterna e não pode ser anulada. Precisamos tomar cuidado com pessoas que diz haver “distinção entre a lei de Moisés e a lei de Deus”.

“A lei foi concedida por Deus para que busquemos a graça, e a graça nos é oferecida para que possamos cumprir a lei”. – Agostinho de Hipona


IV. A LEI E O EVANGELHO.

1. O papel da lei.

a. A lei veio para mostrar:

Ø  Nossa incapacidade em cumpri-la (Gl 2.16)
Ø  Somos mal e Deus é bom (Rm 7. 12-13)

b. O “anti” [contra] “nomismo” [lei] depende de uma graça barata em vez da graça transformadora pela qual o filho de Deus recebe uma dose transbordante do amor de Deus (Rm 5.5). A fome pela justiça (Mt 5.6) motiva o cristão a buscar o reino de Deus (Mt 6.33).

c. O cristão é livre, entretanto, pelo o Espírito obedece a lei de Deus (Rm 7 – 8)

“A lei me leva até Cristo; Cristo me justifica e me leva até a lei”. – Martinho Lutero

2. Jesus e Moisés estão do mesmo lado.

a. “O salvo vive como salvo”. – João Calvino

b. Todo cristão autentico tem prazer na lei de Deus e deseja cumprir os seus mandamentos. Não pelo temor, mas pelo amor. (Jo. 17.17; santificação)

c. Em Cristo somos livres para contemplar a sua face, para sermos transformados a sua própria imagem e semelhança (2 Co 3. 17-18); este é o propósito principal para todos aqueles que amam a Deus, que foram chamados segundo o seu propósito (Rm 8. 28-29).

“O que preocupa nosso Deus não é se nos conformamos a um padrão de comportamento aceitável ao pastor e aos diáconos, mas se reconhecemos o quanto nos falta para sermos conformes à imagem de Jesus Cristo”. – Russell Shedd

3. A justiça dos fariseus.

a. Jesus diz que a lei, agora no Novo Testamento, é cumprida pelo amor e não pelo medo.
b. A lei que antes fora registrada nas tábuas de pedra (sem vida), agora é registrada no coração de carne (com vida).

"Esta é a aliança que farei com a comunidade de Israel depois daqueles dias", declara o Senhor: "Porei a minha lei no íntimo deles e a escreverei nos seus corações. Serei o Deus deles, e eles serão o meu povo”. – Jr 31.33 (NVI)

SÍNTESE DO TÓPICO IV.

A função da lei era apontar para a santidade e a justiça de Deus. A salvação só foi fácil porque a cruz foi difícil.

CONCLUSÃO

1. Só poderá entrar no céu pessoas que NUNCA pecaram, como está escrito:

“Pois quem obedece a toda a Lei, mas tropeça em apenas um ponto, torna-se culpado de quebrá-la inteiramente”. – Tg 2.10 (NVI)

2. Em Cristo somos justificados pela fé e aceitos em com amor eterno, como está Escrito:

“Quem fará alguma acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica.
Quem os condenará? Foi Cristo Jesus que morreu; e mais, que ressuscitou e está à direita de Deus, e também intercede por nós”. – Rm 8. 33-34 (NVI)

3. Só nos resta adorar e amar Nosso Senhor por tudo aquilo que Ele é e, por aquilo que Ele fez em nós e por nós.

“Toda a teologia se resume na graça. Toda a ética cristã surge da gratidão”. – F. F. Bruce


Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

Aula ministrada na ICTJ dia 29/03/2015
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Referências bibliográficas:

Escola Bíblica dominical. Os dez mandamentos. 1º trimestre de 2015; CPAD; lição 13.
LUTERO, Martinho. Nascido Escravo. São José dos Campos, SP; Editora Fiel, 2009.
SHEDD, Russell. Lei, Graça e Santificação. São Paulo, SP; Vida Nova, 2005.
MANNING, Brennan. A assinatura de Jesus. São Paulo, SP; Mundo Cristão, 2006.
McDOWELL, Josh & McDOWELL, Sean. Mais que um carpinteiro. São Paulo, SP; Hagnos, 2012.
A Bíblia em ordem cronológica. São Paulo, SP; Editora Vida, 2003.

quinta-feira, 26 de março de 2015

RELIGIÃO E LAZER! É PECADO SE DIVERTIR?


Por Fabio Campos

Texto base: "Para quem estou trabalhando tanto, e por que razão deixo de me divertir?" – Ec 4.8 (NVI)


Não há nada melhor ao homem, pelo desfrute do seu trabalho, do que tirar umas boas férias. Estive em férias no mês de março (2015), e pude mais uma vez comprovar tal coisa, sendo uma necessidade fisiológica. Mas algo me inquietou! Peguei-me numa “sensação de culpa” simplesmente porque estava divertindo-me com minha amada esposa. Logo, então, disse a mim mesmo: “algo está errado”! Orei a Deus e pedi sua orientação para poder discernir de onde era o “intruso sentimento”.

Pois é, imperceptivelmente, mesmo dizendo que não, somos influenciados por aquilo que está ao nosso redor. Se o nosso pensamento não estiver “cativo a Palavra de Deus”, certamente que por todo vento de doutrina seremos levados. Então fui buscar informações a respeito do assunto nas Escrituras e em outras fontes que não fossem contrários ao ensino bíblico.

Deus nos criou com necessidades físicas. Segundo a biologia, todas elas são supridas por intermédio dos órgãos chamados “órgãos do sentido”. Dentre eles há o “tato” (permite distinguir algo pelo toque), “olfato” (permite distinguir as coisas pelo cheiro), “paladar” (permite sentir o sabor dos alimentos), “visão” (permite enxergar o que é belo) e a “audição” (permite ouvir a boa música que acalmará o nosso espírito). Por que, então, Deus nos criou com tais necessidades? Teria Ele “errado” em nos fazer assim para logo depois proibir de usufruir daquilo que Ele “tão habilmente” criou? Indiretamente alguns acham que sim, principalmente os religiosos legalistas.

Mas não estamos perdidos! Deus foi tão bom conosco que Ele colocou o “Livro do Eclesiastes” no cânon das Escrituras. Confesso que este, no tempo de “crise existencial” me ajuda bastante. Sensacional! O livro trata de diversos assuntos. Entre eles estão a “pobreza e a riqueza” (5.8 – 6.12), o “sofrimento e o pecado” (7.1 – 8.1), a “autoridade e a injustiça” (8.2 – 9.10), a “sabedoria e a loucura” (9.11 – 10.20) e a “vida de alegria” (11. 7-10). Sendo ainda mais especifico, o ele abrange temas como “prazer” (2.1-11), “trabalho” (2.18-23), “desfrute da vida” (2.18-23), “riquezas que devem ser desfrutadas” (5. 8-20), “riquezas que não devem devem ser desfrutadas” (6. 1-9), “moderação” [inclusive no ser justo] (7.15-22) e o “modo pelo qual a vida deve ser desfrutada” (11.9 – 12.8).

O pregador diz que é “uma triste maneira de viver” (Ec 8.4 NTLH), o homem que anda sozinho e que sempre está trabalhando, qual não separa tempo para “aproveitar as coisas boas da vida”. Mais triste ainda (e opressor) são os “religiosos” que fundamentam seus “rigores acéticos” com “eisegeses” (ser desonesto com o texto bíblico), levando os mais simples na fé a prisão dos “rudimentos”. Lógico que isso aparenta piedade! Santidade! Entretanto, Paulo, diz que viver deste modo como “não manuseie!”, “não prove!” “não toque!” de fato, aparenta boa coisa, mas que na verdade não passa de “falsa humildade”, pois toda esta “severidade com o corpo” não atingirá o que tão somente um coração regenerado alcançará, a saber, “refrear os impulsos da carne” (Cl 2.20-23).

Estes tipos de regras impostas por líderes através do medo, nada mais é que, uma “pretensa e maligna religiosidade”, onde traz respaldos que separaram “a vida religiosa” do dever “moral e social”. São privações infundadas. O cristão não é “dictomizado” (separado em partes). Ele é integral! Ainda que seja na diversão, com o coração puro, assim fará em “louvor e agradecimento a Deus”.

O Dr. Russell Shedd diz que o “legalismo procura controlar o crente como alguém que ainda vive no mundo (“como se vivêssemos no mundo”). Trata o regenerado como um incrédulo carregando-o de exigências que criam temor (“falhei, assisti durante oito minutos a um programa de televisão”) ou a soberba (“não danço, não fumo, não bebo e não me associo com ninguém que pratica qualquer destes males”). É fácil esquecer que há muitos não-convertidos que não se interessam por nenhuma dessas práticas, mas nem por isso estão mais perto do reino. A raiz do pecado não está nas práticas externas de proibições humanas, mas no amor próprio que brota no lugar da devoção a Deus”. O legalismo foca o “dever”, enquanto que a liberdade no Espírito depende do “querer”. Continuando, Shedd, diz: “Muitos homens religiosos gastam duas vezes mais esforços para chegar ao inferno do que seria necessário para alcançar o céu”.

O sábio pregador do Eclesiastes recomenda que desfrutemos daquilo que Deus criou (já que tudo foi feito com excelência), pois “não há nada melhor para o homem do que comer, beber e alegrar-se” (Ec 8.15). Muitos têm comida e bebida, no entanto poucos conseguem desfrutar disto, pois a recompensa pelo trabalho só poderá ser concedida por Deus (Ec 3.13).

A vida é dádiva de Deus! E por falar nisso, do trabalho do homem, sua única recompensa é comer, beber e alegrar-se junto de sua família em usufruto das obras de suas mãos (Ec. 3.22). Desfrute da “bênção da intimidade” com a sua esposa. Aproveite muito!, pois somente ela poderá satisfazer o seu libido (Ec 9.9; Pr. 5.16-19).

O verdadeiro cristão tem prazer na comunhão com o seu Senhor. Ele é regido pela Palavra de Deus e moderado em suas ações (Fp 4.5). Deus nos deu a “livre-agência”, entretanto, esta liberdade será trazida a julgamento (Ec. 11.9; 12.14). O verdadeiro servo de Deus jamais terá prazer na diversão com “motivações mundanas” (Ec. 2.1,4; Is 22.13). Não! O que precisamos discernir são atividades puras, inocentes, das impuras e maliciosas. Creio não ser necessário dizer a uma pessoa que ir numa boate não agradará a Deus.

Posto isso, não precisa se sentir culpado ao se divertir, como está escrito: Portanto, vá, coma com prazer a sua comida, e beba o seu vinho de coração alegre, pois Deus já se agradou do que você faz” (Ec 9.7 NVI). Se tal coisa não escandalizar o seu irmão, e se a sua liberdade não for pedra de tropeço a ele, desfrute-a para a glória de Deus (1 Co 10.31). Auréola na cabeça não é sinal de coração puro.  

Paulo, pregando aos gentios de Listra, disse que “Deus não ficou sem testemunho, pois mostrou sua BONDADE, dando-lhe chuva do céu e colheitas no tempo certo, CONCEDENDO-LHES sustento com fartura e um CORAÇÃO CHEIO DE ALEGRIA” (At 14.17). Tudo isto Deus fez e faz aos “não- crentes”, imagina, então, aos seus filhos?

A vida de Paulo não foi fácil. Ele foi um homem piedoso que e “irrepreensível” concernente às atividades religiosas. Entretanto, Paulo, assim como nós, era “mortal” e carecia de necessidades. Uma delas era em ter momentos de refrigério dentro de suas atividades ministeriais. Ele ansiou estar com os irmãos de Roma para que, com eles, pudesse se alegrar; desejou RECREAR-SE (divertir, entreter) com eles (Rm 15.32 ARA). A chave linguística do Novo Testamento Grego, da Editora Vida, diz que este verso (Rm 15.32), no original, traz o sentido de “descansar junto com”; “refrescar-se com alguém”; [era como que Paulo tivesse falando] “eu [quero] descansar e refrigerar o meu espírito junto com vocês” (p. 282, RIENECKER, Fritz & ROGERS, Cleon; impressão 2007).

Não caia no engano legalista dos “santarrões”, pois Deus nos criou com necessidades, e uma delas, sem dúvidas, é a diversão. Podemos, sim, se divertir de modo santo e digno para a glória de Deus; mas não caia no asceticismo que tem a sua motivação no desempenho para ostentar o orgulho de “estar aprovado” segundo os preceitos humanos.

Tudo tem a hora apropriada. Então, quando chegar a hora de se divertir, divirta-se!, se conseguir, agradeça a Deus, pois nem todos conseguem usufruir deste benefício, como está escrito:

“E, quando Deus concede riquezas e bens a alguém, e o capacita a desfrutá-los, a aceitar a sua sorte e a ser feliz em seu trabalho, isso é um presente de Deus”. – Ec 5. 19 (NVI).

Certamente, se divertir, é uns dos presentes de Deus!


Considere este artigo e arrazoe isto em seu coração,

Soli Deo Gloria!

Fabio Campos
fabio.solafide@gmail.com
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Referências bibliográficas:

SHEDD, Russell. Lei, Graça e Santificação. São Paulo, SP; Vida Nova; 2005.
F. HARISSON, Everett. Comentário Bíblico Moody. Volume I e II. Batista Regular, 2010. São Paulo, SP
CARSON, D.A. Comentário Bíblico Vida Nova. Vida Nova, 2012. São Paulo, SP

terça-feira, 10 de março de 2015

A AUTOCONFIANÇA E A NOSSA SEGURANÇA EQUIVOCADA


Por Fabio Campos

Texto base: “... fiquem tranquilos e confiem em mim, e eu lhes darei vitória”. – Isaías 30.15c (NTLH)


Já é intrínseco a nossa natureza confiar apenas no que vemos e descansar naquilo que está sob o nosso controle. Todavia, nossa vida, sem qualquer permissão que nós tivéssemos dado, pode tomar rumos para lugares que não planejamos. Basta um telefonema anunciando a perda de alguém querido; ou a notificação do desligamento da empresa; ou se não um diagnóstico contrário.

Pois é, meus amigos e meus irmãos, de fato, e isto se comprova todos os dias, nós não temos o controle do amanhã. Pensamos ter, e, corremos e trabalhamos para tal coisa. Mas é certo que não temos! Nossa autoconfiança só nos leva para uma segurança equivocada. A casa que você construiu - aquilo que você pensou ser de cimento, na verdade, era areia. Veio o vento e a derrubou. E agora?

Deus, porém, nos chama para andarmos com Ele, para viver daquilo que não vemos, como está escrito: “O justo viverá pela fé” (Rm 1.17). Vivemos não pelo o que vemos, mas pelo o que acreditamos (2 Co 5.7). Sem fé é impossível agradar a Deus, pois é somente através dela que poderemos descansar na certeza de que o Senhor nos suprirá em tudo aquilo que necessitamos (Hb 11.6).

Sendo, assim, terrível coisa é colocar nossa confiança nas riquezas (Jó 31.24). Quando assim procedemos, estamos traindo a Deus, pois tal pecado é digno de condenação (Jó 31.28). Os ímpios ao contemplar nossa atitude, de “confiar em Deus”, nos chama de fracos e nos taxa de incapazes. Acusa-nos de jogarmos a nossa responsabilidade para “esta força maior”, atenuando assim nossa culpa para descansar nossa consciência acusada.

Quando o cristão descansa em Deus, ele não cruza os braços e aguarda que as coisas caiam do alto. Não! Simplesmente ele não se apoia em sua própria capacidade, justamente pelos os motivos que elenquei no início do artigo. Ou seja, eu e você não temos o controle da nossa vida. O que é interessante nestes que nos acusam, é que eles não têm paz consigo mesmo, como está escrito: Mas os ímpios são como o mar bravo, porque não se pode aquietar, e as suas águas lançam de si lama e lodo” (Is 57.20 AFC). Certamente, “não há paz para eles” (Is 57.21).

Eles se dizem inteligentes e capazes; mas Deus os rodeia de centenas de pessoas que “são mais que eles”. Por isso vivem amedrontados e sente-se ameaçados o tempo todo (Is 30.16-17). Pois é, aqueles que dizem que “são bons”, que mais querem se aparecer, na verdade “são os mais temerosos e fracos” de todos.

Posto isso, o Senhor é bom conosco e no Seu amor nos tira da nossa “segurança equivocada” para andarmos na sua dependência. Às vezes não entendemos o porquê que algumas coisas fogem do nosso controle. Mas é Deus quem está fazendo com que “tudo coopere para o propósito pelo qual Ele nos chamou” (Rm 8.28). Por isso que a Escritura diz para “considerarmos motivo de grande alegria o fato de passarmos por DIVERSAS provações” (Tg 1.2).

Deus está trabalhando em nós. Tudo isso vai gerar na gente a “perseverança” (Tg 1.3). Acabando o tempo desta provação (pois toda tempestade tem o seu fim), estaremos “maduros” diante de Deus e “íntegros” diante dos homens (Tg 1.4). Nestas horas contemplamos a pequenez de nossa sabedoria; aquela que tanto confiávamos não poderá nos ajudar em nada. É neste momento que pedimos a “sabedoria do céu”, e ela é nos dada de boa vontade por Deus (Tg 1.5).

O propósito disto tudo é reduzir nossa autoconfiança e aumentar a confiança em Deus (Tg 1. 6-7). Como é feliz o homem que deposita toda sua confiança no Senhor nos tempos de incertezas (Sl 40.4; Jr 17.7), pois ele estará seguro em todo o tempo (Pr 14.26), até mesmo “no vale da sombra da morte” (Sl 23.4).

O fim do “pão da adversidade” e da “água da aflição” tem o dia certo para se findar. O Senhor só está esperando terminar o objetivo pelo qual estamos passando por tal coisa, para assim, nos tirar desta “tribulação”, mostrando sua compaixão para conosco. Por isso que são felizes todos os que Nele esperam (Is 30.18).

A nós basta que voltarmos para Deus, pois disto depende o nosso descanso, como está escrito: “... na quietude e na confiança está o seu vigor...” (Is 30.15 NVI). O problema é que muitas vezes não queremos, e imitando os ímpios, nos tornamos malditos, confiando na força de nosso próprio braço (Jr 17.5). C. H. Spugeon certa vez disse que, “às vezes, a melhor coisa que um homem com problemas pode fazer é não fazer simplesmente nada, mas deixar tudo nas mãos de Deus, pois assim está escrito: ‘Acalmai-vos e vede o livramento que o Senhor vos trará’” (Êx 14.13).

Amados, como disse o salmista: “É melhor buscar refúgio no Senhor do que confiar nos homens. É melhor buscar refúgio no Senhor do que confiar em príncipes” (Sl 118. 8-9 NVI). Por quê? Porque o mundo está com o “poder dos homens”, já nós, os filhos de Deus, com o “poder de Deus” (2 Cr 32. 7-8). O Senhor nos ajudará a travar todas as nossas batalhas.

Ainda que você não esteja no controle, Deus está. Tudo isso que está acontecendo, certamente um dia fará sentido e você louvará a Deus por isso, como está escrito: “Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais” (Jr 29.11 AFC).

Apenas confie! Ponha sua confiança em Deus e no Seu infinito amor, pois tenho certeza que Deus honrará a sua atitude, como está escrito:

“Não é a força do cavalo que lhe dá satisfação, nem é a agilidade do homem que lhe agrada; o Senhor se agrada dos que o temem, dos que colocam a esperança no seu amor leal”. – Salmos 147. 10.11 (NVI)


Considere este artigo e arrazoe isto em seu coração,


Soli Deo Gloria!

Fabio Campos
fabio.solafide@gmail.com