domingo, 1 de fevereiro de 2015

PERCEPÇÃO QUE TRANSCENDE


Por Fabio Campos

Texto base: “Ó Senhor, Senhor nosso, quão magnífico em toda terra é o teu nome! Pois expuseste nos céus a tua majestade”. – Salmo 8.1 (ARA)


Por estes dias, voltando do trabalho por volta das 19 hs (o horário de verão favorece isto) pude contemplar o firmamento e sentir algo diferente no meu espírito. Aquele crepúsculo me fez louvar o Senhor por Sua Grandeza, e ao mesmo tempo acalmou o meu coração (consequência de um dia atarefado); o Deus que criou tudo isso com tamanha beleza e capricho é o mesmo Deus que controla a minha vida. “Logo não há o que temer”, foi a percepção que me veio.

Quão é o nosso privilégio em poder contemplar a obra de Deus concomitante a certeza de comunhão com Aquele que a fez. O grande reformador, João Calvino, disse: “ainda que mesmo a alma dos ímpios seja forçada a elevar-se até o Criador pela visão da terra e do céu, a fé tem o seu modo peculiar de atribuir a Deus o pleno louvor da criação. ‘Apenas pela fé compreendemos que o mundo foi disposto pela palavra der Deus’, pois que, se não chegamos até sua providencia, por mais que pareçamos compreendê-lo com a mente e confessá-lo com a língua, não podemos entender o que vai dizer que Deus é Criador” [Institutas, Ed. UNESP; TOMO I, p. 184].

Nós cristão somos a resposta para este mundo louco e maluco qual caminha desesperadamente rumo a um lugar que não sabe onde se encontra o seu destino. O mundo que está imerso na angustia, e precisa encontrar em nós a “paz que excede todo o entendimento”. Precisamos de ousadia e dar às pessoas a “razão da nossa esperança”.

Os planetas nada mais são que pequenos enfeites da casa de Deus. Do mesmo modo que você possui enfeites na sua casa, que não tenha outra utilização a não ser enfeitar, assim são os planetas e o universo que “decoram” o que Deus criou e aponta para a sua magnitude, como está escrito: “Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Sl 19.1 AFC).

Deus se responsabilizou pela sua criação, e devido a queda do homem, antes da fundação do mundo, “providenciou o Cordeiro” (Ap 13.8). Com a queda, Deus podia acabar com tudo e com todos, já que o “pecado trouxe a morte” (Gn 2.16-17). Mas Ele escolheu a vida ainda que tenha que ter havido a morte. Esta vida estava no Seu Filho (Jo 1.4); em Cristo, Deus decidiu seguir com a humanidade, por isso é escrito: “... sem ele, nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3).

O salmo [8], escrito por Davi, trata justamente desta percepção; um Deus tão magnífico, perfeito, zeloso e grande, que fez o universo empreendendo o “mesmo esforço” que nós ao trocarmos um copo d’água de um lugar para o outro [Sl 8. 1,3]. Um Deus que não depende da força do homem, mas que prefere “suscitar força do recém-nascido”; não através de armas, “mas do louvor” [Sl 8.2]. Davi diante desta grandeza e maravilhado com tudo isso, pergunta: “Que é o homem que dele te lembres. E o filho do homem, que o visites” (Sl 8.4 ARA)?

Preparei esta mensagem em um lugar que eu gosto muito, que serve um café maravilhoso. Localiza-se nas redondezas da av. Paulista (coração financeiro do Brasil). O interessante foi a conversa paralela de dois senhores, muito bem vestidos, que ocorria ao meu lado. Eu ali pensando nas “verdades eternas” de Deus e aqueles dois senhores (aparentemente bem sucedidos financeiramente) desesperados articulando planos para fugir da crise econômica. Nós temos aquilo que dinheiro nenhum poderá comprar, ou seja, “paz com Deus”. Nós temos uma mensagem!

A grandeza de Deus me deixa perplexo, mas ao mesmo tempo me acalma. Justamente aquilo que eu não entendo é o que tranquiliza o meu coração. As coisas que não nos foi reveladas (Dt 29.29), na eternidade, serão as que mais trarão alegria e gozo, pois "olho não viu e ouvido não ouviu, e nem o mais sábio pensador conseguiu arrazoar aquilo que Deus preparou para aqueles que O amam" (1 Co 2.9).

Deus está no controle, amados. Quando você estiver ansioso e desesperançoso, olhe para o céu, pois o mesmo Deus que fez tudo isso, é Soberano para te fazer “repousar em pastos verdejantes”; Ele é o nosso Descanso (Mt 11.28-30). Precisamos apenas esperar como esperou o salmista: “com paciência no Senhor” (Sl 40.1). O desafio para nós, em meio a tudo isso, é contemplar a glória de Deus, confiar no seu amor e esperar nEle (Jo 13.15). Que nossos pés não resvalem. Simplesmente “pratiquemos a justiça, amemos a misericórdia, e com Deus andemos humildemente” (Mq 6.8).

Este Deus tão Maravilhoso e Perfeito trará ao nosso coração a percepção que transcende aquilo que os nossos olhos permitem visualizar. Deste modo, então, com toda convicção intelectual seguido da testificação do Espírito, dizemos:

“Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida”. – Salmos 26.6 (AFC)


Soli Deo Gloria!

Fabio Campos
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Sermão ministrado na Igreja Cristã da Trindade – Jabaquara – em 28.01.2015