quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

DEUS PODE SE DECEPCIONAR COM VOCÊ?


Por Fabio Campos


Quem nunca teve a sensação, ao pecar, de ter decepcionado Deus? Creio que todos tiveram tal sentimento. Ainda que o nosso conhecimento a respeito de “justificação” seja vasto; ainda que entendamos bem a “graça e a misericórdia”; ainda que “clamamos pelo Espírito: “Aba”!, quando caímos em pecado, a primeira “seta” enviada a nossa mente, é que “Deus está decepcionado conosco”.

É importante salientar que o pecado muda o nosso humor (Sl 51.12), o que consequentemente nestas horas, nossa razão, por um instante, é subjugada pela emoção (Sl 116.11). Parece que Deus não quer “mais nada conosco”; diante de tantos acusadores, oramos (ainda que subjetivamente) o que orou Jó: Trazes novas testemunhas contra mim e contra mim aumentas a tua ira (Jó 10.17).

Mas a Escritura nos traz “boas-novas”. Deus não pode se decepcionar com você! Não há nada que você faça que Deus não soubesse que você faria. É isso mesmo! Deus não pode se decepcionar porque “Ele de antemão te conheceu” (Rm 8.29). Aquilo ainda que você não fez, mas vai fazer, Deus já sabe que você fará, e mesmo assim, de forma Soberana, te chamou (1 Pe 1.2). Quando Deus te comprou Ele sabia que os seus pecados estariam inclusos no pacote (Rm 5.8). Mesmo assim Ele comprou!

Ele não criou uma expectativa sobre nós. Sempre esteve ciente a despeito da nossa estrutura, pois sabe que somos pó, como disse Martinho Lutero: “Se a minha salvação fosse deixada ao meu encargo, eu não conseguiria enfrentar vitoriosamente todos os perigos, dificuldades e demônios contra os quais teria que lutar. Porém, mesmo que não houvesse inimigos a combater, eu jamais poderia ter a certeza do sucesso”.

Sabendo Deus que o “coração do homem é mau desde a mocidade e que isso duraria para sempre” (Gn 8.21,22), sendo impossível que o homem pudesse salvar a si próprio ou mesmo garantir a permanência da sua própria salvação, Deus fez do Filho Jesus a expiação pelo pecado qual condenava o homem, cumprindo todo o preceito que a lei demandava para que o homem pudesse ser justo no tribunal (Rm 8.3). Ele fez tudo por nós, e para nos assegurar para sempre, nos livrando do perigo, pelo Sangue de Jesus, nos declarou santo de forma irrevogável ainda que caiemos em pecado, como está escrito: Como é feliz aquele que tem suas transgressões perdoadas e seus pecados apagados! Como é feliz aquele a quem o Senhor não atribui culpa e em quem não há hipocrisia” (Sl 32. 1-2 NVI).

Você pode estar pensando: “então posso pecar deliberadamente que mesmo assim não vou perder a salvação”? Não!, não é que você vá perder a salvação. Na verdade você nunca foi salvo, como está escrito: “... aquele que vive pecando não o viu, nem o conheceu” (1 Jo 3.6). Sabemos quem de fato pertence a Deus quando o tal se “afasta da iniquidade” (2 Tm 2.19).

Não existe “pecador santo”; o que existe perante Deus é “santo pecador”. Somos pecadores em nós, mas santos em Cristo. Pecar, não tem jeito, vamos pecar!, todavia, ainda que você tenha caído em “grande pecado”, se houver a “tristeza segundo Deus qual produz arrependimento” (2 Co 7.10), saiba que Deus está lhe chamando novamente para a comunhão. Não importa quantas vezes Ele precisará fazer isto. Havendo arrependimento, ainda que no mesmo dia seja preciso te perdoar 70 x 7, Ele o fará e não te perderá.

Deus não pode se decepcionar com ninguém, nem mesmo com o ímpio, pois sobre os desobedientes não há “decepção”, mas “ira”. Antes que tivéssemos conhecidos a Deus, a Bíblia diz que “por Ele já éramos conhecidos” (Gl 4.9). As ovelhas conhecem o seu pastor e o pastor conhece as suas ovelhas (Jo 10.14). Se há temor em nós - ainda que pecadores – certamente não escutaremos naquele dia: “Nunca vos conheci” (Mt 7. 23).

A certeza disto é que “já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1). A justificação é imputada de uma única vez; o que está acontecendo agora conosco é o processo da santificação. A justificação nos tira do mundo; a santificação tira o mundo dentro da gente. Toda nossa segurança deve estar em Cristo, pois Ele nos “conheceu de antemão” (inclusive que você cometeria este pecado hoje); depois Ele nos fez “justos para sempre”. Todo aquele que Deus predestinou, no ato do chamado, passa a ser transformado conforme a imagem do Filho Jesus.

Ele nos glorificou! Ainda que este estágio esteja no por vir, veja que a Escritura trata-o como um fato consumado. No hebraico isso é chamado “tempo passado profético”, ou seja, é uma certeza absoluta. Por isso que Paulo continua Romanos 8 com ousadia expondo esta segurança, coroando a sua certeza, dizendo: “... nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8.37 NVI).

Você e nem eu poderemos decepcionar Deus. Logo, então, apenas o sigamos em amor, buscado dEle em todos os dias a Sua graça e a Sua misericórdia andando no Seu Santo Temor. Certamente “o Sangue do Seu Filho Jesus nos purificará de toda injustiça” (1 Jo 1.7).


Considere este artigo e arrazoe isto em seu coração,

Soli Deo Gloria!

Fabio Campos
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Notas: 
Nascido Escravo; LUTERO, Martinho; Ed. Fiel.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

EBD - Lição 8 - "NÃO MATARÁS"!


Escola Bíblica Dominical – 22 de Fevereiro de 2015 | Lição 8

Texto Áureo: Ex. 23.7

Verdade prática: Deus é vida, pois a morte não foi planejada por Ele; isso se comprova no fato de que o ser humano foi criado para eternidade; mas devido a desobediência, pelo pecado, chegou a morte.

INTRODUÇÃO:

1. O tema é abrangente e requer um estudo diligente acerca desta questão, pois há diversas correntes conflitantes nos corredores teológicos acerca “da guerra” e da “pena capital”.

I. O SEXTO MANDAMENTO

1. Abrangência.

a. Este mandamento está no imperativo, e consiste numa proibição absoluta.

b. Este mandamento entregue ao povo, através de Moisés, abrange a “violência” e a crueldade deliberada fruto do coração corrupto do homem. (Destacar “eutanásia”, “eu” [boa] e thanatos [morte]; seria dar uma “boa morte” aquele que estivesse sofrendo. Contudo, há uma diferença entre “morrer misericordiosamente” para “matar misericordiosamente”.).

c. É importante salientar que o mandamento foi prescrito por intermédio de Moisés, entretanto, sempre esteve vigorando, pois Deus condenou o homicídio de Caim contra seu irmão Abel, jurando vingança a qualquer um que matasse Caim (Gn 4. 8-16).

2. Objetivo.

a. O objetivo principal pelo qual esta mandamento foi dado por Deus, era para que houvesse reverencia a respeito da “santidade da vida”.

b. Jesus trouxe mais luz ainda acerca deste texto, quando Ele diz que “se houver ira contra o irmão, sem motivo, tal estaria sujeito a julgamento; e que qualquer um que chamar o seu irmão de tolo, estaria sujeito ao inferno (Mt 5.21-22).

c. O fato de você odiar o seu irmão já te faz um homicida (1 Jo 3.15).

d. Este mandamento tem por objetivo “preservar a vida” e fomentar a “paz entre os homens”.

“Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem,
para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus”. – Mateus 5. 44-45

3. Contexto.

a. Não matarás é uma lei que está latente no coração de todo homem; repare que todas as civilizações tem restrições concernente ao homicídio.

b. Código de Hamurabi é o código de leis qual foi escrito na mesopotâmia em aproximado 1700 a.C.

c. Diferente de todos os códigos, somente o Pentateuco, possui o selo divino confirmando o mandamento que fora dado aos homens; entretanto, é fato que, tal mandamento não precisa ser impresso em cartilhas para se ter a ciência, pois o próprio Deus imprimiu-o no coração do homem.

“(De fato, quando os gentios, que não têm a lei, praticam naturalmente o que ela ordena, tornam-se lei para si mesmos, embora não possuam a lei; pois mostram que as exigências da lei estão gravadas em seus corações. Disso dão testemunho também a consciência e os pensamentos deles, ora acusando-os, ora defendendo-os.)” – Romanos 2. 14-15 (NVI)

II. IMPORTÂNCIA

1. Da vida.

a. Somente Deus tem o direito de tirar a vida de alguém.

2. Não matar.

a. O texto proíbe o “assassinato”. Este verbo “ratsach” engloba “matar”, “assassinar”, “destruir”.

b. A tradução mais precisa do texto seria “não assassinarás” ou “não cometerás assassinato”.

c. O texto refere-se a proibição do “homicídio premeditado (doloso)” por uma vingança pessoal.

d. Refere-se também ao “homicídio culposo” (quando não há intenção de matar).

3. Etimologia.

a. “Cognato” são palavras que possuem, etimologicamente, sua origem comum. A pronúncia é parecida, porém com algumas adaptações a ortografia local: ex. ar (Brasil); aire (espanhol); air (francês); air (inglês); aria (italiano).

b. O termo não aparece quando “matar” se trata de “guerra” ou “administração de justiça”, seja no contexto judicial ou militar.

c. Alguns estudiosos dizem que este termo aparece somente em Nm 35.30 quando deveria ser aplicada a pena de morte: "Quem matar uma pessoa terá que ser executado como assassino mediante depoimento de testemunhas” (Nm 35.30 NVI).

d. Mas o sentido primário do verbo era a ideia de não matar por vingança.

III. PROCEDIMENTO JURÍDICO

1. Significado de homicídio.

a. Não há coisa mais horrenda diante de Deus do que tirar a vida de alguém.

b. Repare que Deus diferencia o crime cometido contra o homem e contra um animal quando diz: “porque Deus fez o homem segundo a sua imagem” (Gn 9.6b).

2. Homicídio doloso (Nm 35.16-21).

a. Trata do homicídio deliberado, premeditado, com dolo, exclusivamente em caráter de vingança ou maldade.

b. Este tipo de homicídio tinha por punição a pena capital.

"Quem derramar sangue do homem, pelo homem seu sangue será derramado”. – Gênesis 9.6 (NVI)

3. Homicídio culposo (Nm 35.22-25).

a. Crime por ocorrência de um acidente de modo involuntário.

b. Nestes casos, a lei preservava o causador deste acidente e o protegia.

c. O homem era transportado para um cidade de refúgio, criada justamente para protegê-lo caso cometesse o crime acidental, se houvesse o desejo de vingança por parte dos familiares.

d. Outro modo também era agarrar-se nas pontas do altar como foi o caso de Adonias quando Salomão na fúria queria matá-lo (1 Rs 1. 50-51).

e. Esses dois recursos equivalem ao “habeas corpus” concedido atualmente, ou seja, proteger indivíduos que estão tendo sua liberdade infringida.

IV. PUNIÇÃO

1. O sangue de Abel.

a. O sangue de Abel representa o sangue de toda sua descendência.

b. O sangue de Jesus clama por misericórdia.

“... a Jesus, mediador de uma nova aliança, e ao sangue aspergido, que fala melhor do que o sangue de Abel“. – Hebreus 12.24 (NVI)

2. O vingador.

a. A lei dava o direito de vingar o sangue inocente.

“O vingador da vítima matará o assassino; quando o encontrar o matará”. – Números 35.19 (NVI)

b. Este principio de vingança até hoje é aplicando com base neste capítulo pelos beduínos (parte de um grupo árabe habitante dos desertos).

c. Jesus mandou substituir a vingança pelo perdão.

"Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente’. Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita”. – Mateus 5. 38-39 (NVI)

d. Contudo, o que precisar ficar claro é que Jesus não recriminou o “uso da espada”

“Ele lhes disse: "Mas agora, se vocês têm bolsa, levem-na, e também o saco de viagem; e se não têm espada, vendam a sua capa e comprem uma”. – Lucas 22.36 (NVI)

e. Tirar a vida de alguém em legitima defesa não é considerado assassinato.

"Se o ladrão que for pego arrombando for ferido e morrer, quem o feriu não será culpado de homicídio”. – Êxodo 22.2 (NVI)

3. Expiação pela vida.

a. Homicídio doloso: “vida pela vida” (Ex 35.23)

b. Homicídio culposo: “viver na cidade de refúgio até a troca do sacerdócio” (Ex 35.25)

INFORMAÇÕES EXTRAS:

1. A complexidade do tema:

“Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens”. – Romanos 12.18 (NVI)

2. Deus usa as autoridades para punir o mal e proteger o bem; a espada não vem em vão.

“Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal”. – Romanos 13.4 (AFC)

3. Ser pacifico é uma coisa; ser omisso é outra.

“Quando os crimes não são castigados logo, o coração do homem se enche de planos para fazer o mal”. – Ec 8.11 (NVI)

4. Só quem foi vitima da criminalidade pode emitir um parecer a respeito.

"Desde que servi na infantaria, durante a Primeira Guerra Mundial, me desagradam as pessoas que, cercadas de segurança e conforto, fazem exortações aos homens na frente de batalha". – C. S. Lewis

5. Deus usou a guerra para que menos pessoas pudessem ser vitima dela.

a. Os governos civis são estabelecidos por Deus para honrar os que fazem o bem, enquanto satanás desestimula e ataca aqueles que fazem o bem.

b. Se eu contemplasse um bandido fazendo mal a minha esposa e aos meus filhos, de alguma forma, tentaria (ainda que pela força física) impedi-lo de continuar.

“Fiz uma rápida inspeção e imediatamente disse aos nobres, aos oficiais e ao restante do povo: "Não tenham medo deles. Lembrem-se de que o Senhor é grande e temível, e lutem por seus irmãos, por seus filhos e por suas filhas, por suas mulheres e por suas casas". – Nm 4.14 (NVI)

c. Um grande exemplo disto foi quando Deus levantou Winston Churchill, primeiro ministro da Inglaterra durante a segunda Guerra Mundial.

d. Em 1940, enquanto Hitler invadia Holanda, Bélgica e França, numa noite de terror, Churchill disse:

“Quero dizer à Câmara, como disse àqueles que se juntaram a este governo: ‘Não tenho nada a oferecer além de sangue, trabalho, lágrimas e suor’. Temos diante de nós uma provação das mais dolorosas. Temos diante de nós sofrimento. Vocês perguntam: ‘Qual a nossa política’? ‘Eu responderei: É lutar numa guerra – pelo mar, pela terra, pelo ar – com todo o nosso poder e toda a força que Deus possa nos dar: lutar numa guerra contra uma soberania monstruosa, jamais superada no sombrio e lamentável catálogo de crimes humanos. Essa é nossa política’. Vocês perguntam: ‘Qual é o nosso objetivo’? Posso responder em uma palavra: vitória – a vitória a qualquer custo, a vitória apesar de todo o terror; pois sem a vitória não há sobrevivência”. 

e. Churchill de forma indireta cumpriu o sexto mandamento: “não matarás”, pois ele lutou pela vida. Era melhor morrer uma centena de tiranos do que milhões de inocentes.


CONCLUSÃO

1. A igreja ora e o estado pune o mal e protege o bem.

Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

Aula ministrada na ICTJ dia 22/02/2015
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Referências bibliográficas:

Escola Bíblica dominical. Os dez mandamentos. 1º trimestre de 2015; CPAD; lição 8
LEWIS, C. S. Cristianismo puro e simples. São Paulo, SP; Martins Fontes, 2014.
BATISTA, Paulo Sérgio. Manual de respostas Bíblicas. São Paulo, SP; Kairós Edições.
F. HARISSON, Everett. Comentário Bíblico Moody. Volume I. Batista Regular, 2010. São Paulo, SP
CARSON, D.A. Comentário Bíblico Vida Nova. Vida Nova, 2012. São Paulo, SP
GRUDEM, Wayne. Politica segundo a Bíblia. Vida Nova, 2014. São Paulo, SP
MELO, Edino. Winston Churchill, Um grande líder. Editora Transcultural, 2011. Campinas, SP







quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

VOCÊ TEM MEDO DE DEUS?


Por Fabio Campos

Texto base: No amor não há medo; pelo contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor. Nós amamos porque ele nos amou primeiro”. – 1 João 4. 18-19 (NVI)


“Você tem medo de Deus”?, analisando friamente ao contemplar nossas falhas, creio eu, que,  não seja uma pergunta fácil de responder. Se Deus é amor, por que, por vezes, dEle sentimos medo?

A Escritura diz que “no amor não existe medo, antes o PERFEITO amor lança fora o medo” (1 Jo 4.18a). O nosso amor é falho; ainda que sejamos conhecidos por todos como homens e mulheres que “amam de fato”, mesmo assim, do amor seremos devedores (Rm 13.8). Mas há um PERFEITO amor, e este não nos pertence, mas está, e é de Deus. Se este PERFEITO amor pertence a Deus, por que razão deveríamos como filhos ter medo dEle?

O amor de Deus é totalmente seguro, pois no seu “caráter não há variação ou sombra de mudança” (Tg 1.17). Podemos sim correr para este amor mesmo quando tudo diz que não somos merecedores dEle (e de fato nunca seremos). Aliás, não tem lugar mais seguro neste mundo do que estar protegido no amor de Deus, pois este amor “encobre o pecado” (Sl 32.1), e não somente um deles, mas uma multidão (1 Pe 4.8).

O capítulo 13 da primeira carta aos coríntios não se trata (como muitos pensam) somente acerca do amor entre marido e mulher, mas sim do amor de Deus e a forma como os irmãos devem se amar. Para isso, o apóstolo Paulo eleva o nível deste amor e o referencia em Deus. Veja, então, você, se este amor de Deus (1 Co 13. 4-8) não nos assegura dos perigos do mundo, da carne e do diabo:

Ø  O amor é paciente (Deus é paciente conosco)
Ø  O amor é benigno. (Deus age com bondade para conosco)
Ø  O amor não é ciumento (possessivo).
Ø  O amor não se ufana (orgulho, presunçoso, vaidoso).
Ø  O amor não se ensoberbece.
Ø  O amor não se conduz inconvenientemente. (Deus não nos expõe ao ridículo devido às falhas que cometemos).
Ø  O amor não procura os seus próprios interesses.
Ø  O amor não se exaspera (Deus não causa e nem sente irritação conosco).
Ø  O amor não se ressente do mal (ainda que sofra).
Ø  O amor não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade.
Ø  O amor tudo sofre.
Ø  O amor tudo crê.
Ø  O amor tudo espera.
Ø  O amor tudo suporta.

O ápice dessa segurança se encontra no v.8 que diz “o amor JAMAIS acaba”. Novamente pergunto: “Você tem medo de Deus”?

A Bíblia diz que “o medo produz tormento” (1 Jo 4.18b). Lembro-me agora da “tempestuosa” conversão do pai da reforma protestante, Martinho Lutero, no século XVI. Lutero tinha uma visão de Deus totalmente distorcida daquele qual o Senhor Jesus Cristo anunciou (Hb 1.1); um Deus que pune e exige em “caráter tirano” sacrifícios dos seus servos. Martinho Lutero, então, ao ler Rm 1.17 que “o justo viverá da fé”!, viu os portões do paraíso se abrirem para ele.

O temor produz tormento na alma daquele que é consciente do seu pecado antes que o amor de Deus lhe traga a paz através da salvação e perdão dos pecados. O contexto qual o apostolo João trata de “tormento” traz o sentido de “lançar fora”; “mandar embora” [devido alguma falha]; refere-se também aquele que “vive assustado com medo da punição”.

A escritura também diz que “aquele que teme não está aperfeiçoado no amor” (1 Jo 4.18c). Quem teme só espera uma cousa, a saber, punição. Posto isso até agora, faço duas perguntas: 1) Você tem certeza que Deus o ama? 2) Você ama a Deus? A conclusão e o crivo na veracidade destas duas respostas estão no “sim” ou no “não” desta pergunta: “Você tem medo de Deus”? Se sim, “você tem medo de Deus”!, você não tem certeza que Deus o ama o que consequentemente por uma série de razões o seu amor para com Deus esteja “desconfigurado”.

“Medo” no grego clássico conota “provocar fuga”. Caim teve medo de Deus; Deus não se afastou de Caim, mas “Caim se retirou da presença de Deus” (Gn 4.16). Outro também que teve medo de Deus e dEle armou fuga foi Adão (Gn 3.10). Você tem fugido de Deus? Você tem medo de Deus? A Bíblia tem uma excelente noticia para nós: “Ele nos amou primeiro” (1 Jo 4.19).

João Calvino disse que Deus jamais encontrará em nós algo digno de seu amor, senão que Ele nos ama porque é bondoso e misericordioso”. A melhor história do Velho Testamento que ilustra este “obstinado amor de Deus [1]” pelo o seu povo se encontra no livro do profeta Oséias. Em nenhum outro livro você contempla a exposição do coração de Deus de forma tão “desnudada”. É algo extraordinário e ao mesmo tempo “inquietante”.

Oséias é chamado o “profeta do coração partido e do lar desfeito”; é chamado também de Jeremias do reino do norte, porque, como Jeremias, chorou e sofreu pelo o seu povo. Deus lhe dá a ordem de se casar com uma mulher chamada Gômer que logo se mostrou infiel. Os filhos deste matrimônio conturbado foram fonte de tristeza. O primeiro, Oséias considerava que fosse seu; o segundo, uma menina, ele chamou de Lo-Ruama (“não amada”); esta ele não reconhece como sendo a sua filha. O terceiro filho, ele também não reconhecia com seu e pôs o nome de “Lo-Ami” (“não meu povo”). Oséias, então, comprou sua própria esposa, Gômer, mas se recusou a restabelecê-la plenamente até o tempo que a punição tivesse passado.

Deus nesta história é representado na figura do profeta; enquanto Gômer, a esposa infiel, representa Israel (pior que Judá). Deus acusa o seu povo de infidelidade. Ele começa com o povo; depois acusa os sacerdotes; na sequencia Ele dá a sentença e a carta de repúdio para Israel. Todavia, Sua ira não dura para sempre e ainda que na desobediência, Deus não deixa de amar o seu povo:

"Quando Israel era menino, eu o amei, e do Egito chamei o meu filho. Mas, quanto mais eu o chamava, mais eles se afastavam de mim. Eles ofereceram sacrifícios aos baalins e queimaram incenso os ídolos esculpidos. Mas fui eu quem ensinou Efraim a andar, tomando-o nos braços; mas eles não perceberam que fui eu quem os curou”. – Oséias 11. 1-3 (NVI)

O mais lindo desta história se encontra na forma pela qual o Senhor os chama:

“Com laços de amor e de carinho, eu os trouxe para perto de mim; eu os segurei nos braços como quem pega uma criança no colo. Eu me inclinei e lhes dei de comer”. – Oséias 11. 4 (NTLH)

Parece que há uma luta em Deus, sendo Ele misericordioso e justo, diz a Israel o que eles mereciam, ou seja, condenação e rejeição, entretanto, age de forma diferente da sentença que Ele emitiu:

“O meu povo está decidido a desviar-se de mim. Embora sejam conclamados a servir ao Altíssimo, de modo algum o exaltam. "COMO POSSO DESISTIR DE VOCÊ, EFRAIM? Como posso entregar você nas mãos de outros, Israel? Como posso tratá-lo como tratei Admá? Como posso fazer com você o que fiz com Zeboim? O meu coração está ENTERNECIDO, despertou-se toda a minha compaixão. Não executarei a minha ira impetuosa, não tornarei a destruir Efraim. Pois sou Deus, e não homem, o Santo no meio de vocês. Não virei com ira”. – Oséias 11. 7-9 (NVI)

Confesso que isso é complicado pra mim, mas como Ele mesmo disse: “Pois sou Deus, e não homem”!, basta a mim apenas saber que “o evangelho é um escândalo para os religiosos” (1 Co 1.23) que fazem o “juízo trinfar sobre a misericórdia” e não o contrário (Tg 2.13).

Quando achamos que Deus não nos ama mais, é hora de pararmos e analisarmos o nosso amor por Ele, pois Ele nos amou primeiro e o seu amor não tem fim. Como vimos, no amor não existe medo, antes, o PERFEITO amor lança fora todo o medo; o medo é quem traz tormento, todavia quem teme não está aperfeiçoado no amor. A segurança e a boa notícia é que Ele nos amou primeiro e que o próprio Senhor “provou o seu amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8).

O amor de Deus não depende do que fazemos ou deixamos de fazer, mas do que Ele fez através do Filho, pois Ele nos amou de tal maneira que entregou o seu Filho para que nada pudesse nos separar do seu amor. O que poderia nos separar do amor de Deus (Rm 8. 35-39)? Nada poderá nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, Nosso Senhor.

Que toda Glória seja dada ao Nosso Senhor Jesus Cristo que nos comprou para sempre com o seu precioso sangue. Este amor nos constrange a segui-lo e ama-lo para todo sempre, pois Ele nos amou primeiro. Amém!


Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

Sermão pregado na ICT dia 11/02/2015
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Notas:
[1]Obstinado amor de Deus”; titilo do livro escrito por Brennan Manning publicado pela Editora Mundo Cristão.

Referências bibliográficas:
PHILLIPS, John. Explorando as Escrituras. Rio de Janeiro, RJ; CPAD; 1º edição, 2004.
CARSON, D.A. Comentário Bíblico Vida Nova. Vida Nova, 2012. São Paulo, SP