sábado, 13 de dezembro de 2014

O MEU AMADO É MEU, E EU SOU DELE!


Por Fabio Campos


Conta-se a história de um rei que vivia numa terra distante, o qual se apaixonou por uma pobre moça do seu povoado. Com o coração enternecido em favor da moça, o rei que era poderosíssimo, declarou o seu amor a ela. A moça com medo de recusar, aceitou a proposta do rei. Todavia, o rei percebeu que o aceite foi movido somente pelo medo do possível castigo caso a pobre mulher rejeitasse o seu amor.

O rei querendo viver um amor real e verdadeiro, entretanto, rico, se fez pobre; se despiu da sua realeza e se vestiu igualmente aos outros homens do convívio da bela moça. Logo, então, o rei agora plebeu, através de atos se pôs a conquistar aquela que viria a ser o grande amor da sua vida. Resumindo, o plebeu-rei conquistou o coração da sua amada – ele não deixou de ser rei, mas se fez plebeu para conquistar sua amada plebeia e torna-la rainha. O amor por eles vivido foi real e intenso que durara a vida toda.

Deus em Cristo fez o papel deste rei. O Verbo que é Deus se fez carne em Cristo Jesus. Agora Deus falou aos homens pelo Filho. Este amor é que nos constrange e nos conduz ao arrependimento. Como poderia. eu, rejeitar, alguém que fez tudo para se reconciliar comigo? Tudo foi por amor! As pessoas não vão para o inferno porque são pecadoras, mas sim porque rejeitaram o amor de Deus. O Pai “amou o mundo de tal maneira”; o ponto principal levantando no grande dia será o “amor do Pai”.

Um relacionamento real e verdadeiro com o Noivo, Jesus Cristo, abala toda nossa estrutura. Este amor é forte como a morte; suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. Ainda que um oceano avance suas muitas águas jamais apagará este amor.

Deus exige antes mesmo do cumprimento da lei o amor para com Ele. É o amor que encobre a os nossos muitos pecados e lança fora todo o medo. O maior desperdício da vida cristã é viver um relacionamento superficial, frio, enrijecido e formal com o nosso Deus e Pai que é tão amoroso e compassivo. Ainda que Ele seja Rei e Soberano, se fez conhecido como Pai e Amigo. A intensidade deste relacionamento é a mesmo entre o noivo e a noiva que se amam; um Noivo que é loco de paixão por sua noiva e faz de tudo para preserva-la. Como disse Thomas Merton:

“Deus ama você, está presente em você, vive em você, habita em você, chama você, salva você e oferece entendimento e compaixão que não se comparam a nada que algum dia tenha encontrado num livro ou lido num sermão” [1]

Não dá para viver a vida cristã baseado em regras e formalismo. O amor precisa arder em nosso peito quando o Nome do Noivo, Jesus, for mencionado e entoado. Podemos até ser cristãos e anunciar este amor, mas é possível estarmos apenas convencidos intelectualmente deste amor e não convertido a ele. As práticas espirituais (oração, jejum e meditação) muitas das vezes precisam de disciplina para ser exercitadas. Mas quando esta disciplina precisa ser exercida com frequência, alguma coisa está errada conosco. Quando já não há mais o prazer de se estar na presença do noivo, algo em nós não está de acordo.

Ainda que estejamos ativos na ceara – ainda que de boa vontade labutemos em prol do reino e por sua integridade; ainda que se deixemos desgastar pela Sã Doutrina – se tais virtudes estiverem acompanhadas do formalismo, o Noivo terá algo contra nós: “Deixaste o primeiro amor”. É possível estarmos certos na forma litúrgica e alinhados com a ortodoxia, contudo falando apenas de lábios com o coração distante do Amado. Isso é gravíssimo! Quem de fato teme a Deus se preocupa com tal coisa.

Aquilo que fazemos para o Senhor é de suma importância, todavia, Ele nos deseja mais do que aquilo que podemos “fazer pra Ele”. Ele deseja ser amado assim como Ele nos ama. Sem este amor somos homens e mulheres caídos, pois Ele mesmo disse para uma igreja perfeita teologicamente e ativa no ministério, mas que deixou apagar a chama do amor: “Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te”. Qual homem ou mulher desejaria ser amado por obrigação? Você iria se sentir confortável caso soubesse que o seu cônjuge o ama somente por uma conveniência ou por algum medo?

Amados, o amor de Deus não confunde, pois pelo o Espírito foi derramado em nosso coração. Quem poderá nos separar deste amor? Será a morte? A vida? A fome? Os anjos ou demônios? Nada e nenhuma criatura poderão nos separar deste amor; nem mesmo os nossos pecados, pois em Cristo, Deus condenou o pecado – nos reconciliando, para que nenhuma condenação venha sobre nós.

O amor é fortalecido na intimidade do matrimonio; Deus nos chama para vivermos este amor com Ele; não em temor, pois através do Noivo clamamos pelo ABA. Mas em amor, pois Ele mesmo disse: “Com laços de amor e de carinho, eu os trouxe para perto de mim” (Os 11.4 NTLH). Quem não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor.

Não há outra coisa a fazer a não ser lançar-se neste amor com toda intensidade. Só assim nos livraremos do medo da condenação da lei para podermos viver em novidade de vida através de um novo e vivo caminho. Quem tem medo ainda não está aperfeiçoado no amor.

Ainda que o nosso momento não favoreça – que nossa vida pareça não “estar em ordem” ou no “lugar certo”, não é isso que faz Deus nos amar mais ou determina se Ele nos amará menos. Ele nos ama com amor Eterno em Cristo Jesus. Apenas amemo-Lo, pois Ele nos amou primeiro, quando ainda éramos pecadores. Não há em nada em nós que seja digno do seu amor, mas mesmo sim, e sem jogar isso em nossa cara, Ele nos ama.

O meu Amado é meu, e eu sou Dele!


Soli Deo Gloria!

Fabio Campos

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Notas: 

[1] MANNING, Brennan. O impostor que vive em mim. São Paulo, SP; Mundo Cristão, 2007, p. 23.