domingo, 9 de novembro de 2014

UMA BREVE PALAVRA AOS MEUS IRMÃOS PENTECOSTAIS


Por Fabio Campos

Texto base: Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu de Apolo; porventura não sois carnais?” – 1 Coríntios 3.4 AFC


O grande reformador, Martinho Lutero, ao se deparar com o partidarismos que se criou em torno da sua pessoa, devido a reforma, muito sabiamente e no temor de Deus, usando o texto de 1 Co 3.4-5 para fundamentar sua exposição, disse:


“Em primeiro lugar, peço que não citem meu nome e não se digam luteranos, mas cristãos. O que é Lutero? Esta doutrina realmente não é minha. Eu não fui crucificado para ninguém. São Paulo, na 1º Epístola aos Coríntios (III, 4-23), não tolerava que os cristãos se dissessem discípulos de Paulo ou de Pedro, mas simplesmente cristão. Como eu, pobre envoltório de carne malcheirosa e prometida aos vermes, poderia sonhar, pois, que meu miserável nome fosse dado aos filhos de Cristo? Não, caros amigos, vamos extirpar esses nomes partidários e chamemo-nos de Cristão, pois, de Cristo nos vem a doutrina que temos” [1].


Esta breve palavra é direcionada aos meus irmãos pentecostais que vez em quando são expostos ao “ridículo” pelos “santos sabichões”. Tenho visto em muitos grupos nas redes sociais, questões levantadas por estes irmãos do tipo “posso ser pentecostal calvinista”? Ou, então “o dom de línguas é para atualidade”. Isto me preocupa bastante! Não somos cristãos? Mas ao que pensa diferente, não faças perecer aquele a favor de quem Cristo morreu” (Rm 14.15).

Irmãos, graças a Deus que nossos principais teólogos, em solo brasileiro, não são partidários. Mesmo que tenha sua posição acerca do que é secundário, eles convivem muito bem com as posições divergentes. Você não vai encontrar partidarismo entre o Augustus Nicodemus (calvinista presbiteriano) e o Dr. Paulo Romeiro (pentecostal clássico). Isso é maturidade! Já viu o Dr. Russell Shedd, Hernandes Dias Lopes e Luiz Sayão discutir estas questões? Eles até podem defender suas posições, mas vão reconhecer como muito temor a posição daquele que difere deles.

Quanta falta de temor vejo em alguns artigos e comentários nas redes sociais quando o contexto é “assuntos teológicos”. Fico a pensar -, será que esta pessoa sabe que Deus acolheu para Si o pentecostal (Rm 14.3)? Grande parte dos irmãos mais simples são oriundos do pentecostalismo. Na periferia Jesus é o advogado, o médico, e o juiz desses irmãos mais “humildes” na suas condições intelectuais e financeiras. Eles não tem para onde correr a não ser para Jesus. Será que não deveríamos, então, acolhê-los como Cristo os acolheu sem discutir opiniões (Rm 14.1)? Será que Deus toma partido nestas discussões e se alegra em ver alguém destruindo a obra que Ele mesmo fez (Rm 14.20)?

O grande apologista C. S. Lewis, disse que “os pecados da carne são maus, mas, dos pecados, são os menos graves. Todos os prazeres mais terríveis são de natureza puramente espiritual: o prazer de provar que o próximo está errado, de tiranizar, de tratar os outros com desdém e superioridade, de estragar o prazer, de difamar” [2]. Ele (Lewis) faz uma interessante distinção entre os pecados cometidos devido ao instinto animal (aquilo que é inerente a nossa natureza) e o pecado diabólico (aquilo que é inerente à natureza de lúcifer). Ele diz que o “’ser’ diabólico é o pior dos dois. É por isso que um moralista frio e pretensamente virtuoso que vai regularmente à igreja pode estar bem mais perto do inferno que uma prostituta” [3].

Todo estes partidarismos como disse Paulo, provém de irmãos salvos, mas carnais. É importante salientar que há irmãos carnais que possui um vasto conhecimento teológico e um tempo considerável de caminhada com Deus (1 Co 3.1-3). Todavia, como disse o Espírito por boca do Apóstolo: “Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras” (Tg. 3.13). Mas se houver inveja amargurada e sentimento partidário, aí há toda espécie de sentimento ruim; há uma aparente sabedoria, no entanto é demoníaca (Tg 3. 14-18).

Alguns desconhecem o “pentecostalismo clássico” e faz disso pretexto para baderna. Sou contra isso! Mas como pentecostal, com temor e tremor, digo: “Pela sua graça, Cristo nos aceitou”. Aleluia! E se Deus é por nós, quem será contra nós? É isso, irmãos! Procure sim, dialogar! Entretanto, tenha critério e peça a Deus o discernimento a respeito daqueles que “não junta, mas só espalha”. A estes, evita-os (Tt 3.10).


Considere este artigo e arrazoe isto em seu coração,

Soli Deo Gloria!

Fabio Campos
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Notas: 

[1] LUTERO, Martinho. A Liberdade do Cristão. São Paulo, SP; Escala, 2007, p. 65.

[2] LEWIS, C. S. Cristianismo puro e simples. São Paulo, SP; Martins Fontes, 2014, p. 135.

[3] Ibid, p.136