domingo, 23 de novembro de 2014

NINGUÉM TEM PACIÊNCIA COMIGO


Por Fabio Campos

Texto base: Ora, o Deus de paciência e consolação vos conceda o mesmo sentimento uns para com os outros, segundo Cristo Jesus”. – Romanos 15.5 (AFC)


Este menino órfã, o Chaves do oito, já me fez rir bastante e continua a fazer. Sua famosa frase “Ninguém tem paciência comigo!” ao ser repreendido pelos moradores da “vila”, me veio à mente quando estava fazendo o devocional no livro de Romanos capítulos 14 – 15. Pois é, pois é, pois é... ! Acreditem se quiser... Risos...

Paulo trata nestes dois capítulos (14 – 15) o modo pelo qual devamos lidar com os “fracos na fé”. Questões como a tolerância em questões controvertidas não essências (14. 1-11); liberdade e a caridade (14.13-23); e o principal, a simpatia e o altruísmo para que sejamos verdadeiramente imitadores de Cristo (Rm 15.1-8).

Sempre haverá em nosso meio os irmãos mais fracos. Não trata de uma possibilidade, mas de uma certeza, seguida de uma exortação (Rm 15.1). A imaturidade do irmão o leva a pensar que “ninguém tem paciência com ele”. Assim como a “criança, ele deseja ser o centro das atenções. Geralmente se irrita fácil e por um longo período, por algo banal, fica ressentido. São tardios para perdoar. Ainda são “crianças em Cristo” (1 Co 3.1). Não estou me excluído desta fraqueza.

É importante salientar que ninguém ainda “alcançou a perfeição” (1 Jo 3.2). E que também por sermos pecadores, até os “fortes na fé” têm suas fraquezas. Ser forte não é deixar de ter qualquer sentimento pecaminoso, mas subjugá-lo ao Senhoril do Espírito Santo. A paciência é algo que precisa ser exercitada, pois ao exercê-la você deixará de agradar a si mesmo para agradar o outro. Tanto “paciência” como “consolação” são virtudes dadas somente pelo Espírito Santo (Rm 15.5).

Vai além, não é somente “tolerar”, mas “tolerar” em amor; ajudando estes irmãos, da forma mais amável possível (Cl 4.6), a crescerem em Cristo. Há muita dificuldade em se portar assim, principalmente no que concerne aos irmãos iracundos. Todavia, a Escritura exorta a agir de forma a “não agradar a nós mesmos”, como está escrito: “A sabedoria do homem lhe dá paciência; sua glória é ignorar as ofensas” (Pr 19.11 AFC).

O forte muitas vezes se cala (2 Tm 2.16), e até propositalmente se permite perder alguns debates para que, acolhendo o irmão (Rm 14.1), no tempo oportuno ele possa “responder pacientemente” aquele que de algum modo de opõe (2 Tm 2.24-26).

Nosso modelo em tudo deve ser o Senhor Jesus. Você acha que foi fácil para Jesus nos amar quando ainda éramos pecadores? Um Deus Santo, Puro e Justo – Criador dos céus e da terra – a Ele, será que foi fácil submeter-se a Pilatos, Caifás e toda autoridade iníquo? Ele foi cuspido e crucificado por aqueles que eram Seu. Será que foi fácil ao Senhor submeter a tudo isso por amor a um bando de pecadores como nós? Certamente, não! Quem poderá dizer: "até que não tenho abusado tanto da misericórdia de Deus!" Por isso que a Escritura diz: “Pois nem o próprio Cristo procurou agradar a si mesmo; pelo contrário, como dizem as Escrituras: ‘As ofensas daqueles que te insultaram caíram sobre mim’” (Rm 15.3 NTLH).

É a misericórdia de Deus que lança fora o medo de entrar no trono confiadamente. A igreja deve ser acolhedora – lugar onde as pessoas se sintam seguras e certas de que não serão expostas; como está escrito: “o amor não se conduz inconvenientemente” (1 Co 13.5). Por estes dias vivi uma experiência que me fez refletir, em algumas vezes, sobre o nosso comportamento quando a “misericórdia precisa ser exercitada”.

Tal pessoa fez o que não devia. Qualquer repressão mais dura, certamente, seria justa neste caso. Todavia, essa “pessoa” foi sim repreendida, mas ao invés de ser “jogada fora”, concomitante a repressão, foi acolhida por todos. O detalhe que me levou a reflexão: a maioria das pessoas ali não era “cristã de fato”. Enquanto isso, muitas das vezes o nosso “amor cristão” não é paciente, benigno, humildade (pois pela soberba prefere destruir o outro ao invés de edifica-lo). Muitos se alegram com a queda do irmão; tal amor não consegue sofrer com os que sofrem. Não suporta o suficiente àquele que é “pesado demais”.

Graças a Deus, pela Sua misericórdia, o Senhor não nos trata assim. Ele é um Pai amoroso e bom. Ainda que venhamos a “comer as lentilhas do mundo”, Ele sempre estará de braços abertos a nos receber; não com ira, mas com alegria e em festa, sabendo que seu filho que estava morto, voltou a viver. Ele não resiste a um coração quebrantando e contrito.

Se de fato quisermos viver para a glória de Deus, a unidade (ainda que na diversidade) é um caminho exigido pelo próprio Senhor (Rm 15.6). Até mesmo aquele que pensa “ninguém tem paciência comigo”!, como diz o “Chavinho”, a estes devemos acolher assim como Cristo nos acolheu (Rm 15.7). Você merecia ser acolhido por Cristo? Eu, não! Logo, então, “sigamos, pois, as coisas que servem para a paz e para a edificação de uns para com os outros” (Rm 19.14).

Se a sua fala não for edificar, exortar ou consolar - ainda que tenha o “dom de profecia” e que “conheça todos os mistérios e toda a ciência” - é melhor você ficar calado, pois certamente, por ser um “prato que retine”, no entanto sem amor, você destruirá a obra de Deus (Rm 14.20). Quem acolhe em amor, negando a si mesmo (Rm 14.1), será louvado por Deus e pelos homens, como está escrito:


“... aquele que assim serve a Cristo é agradável a Deus e aprovado pelos homens”. – Romanos 14.18 (NVI)


Considere este artigo e arrazoe isto em seu coração,


Soli Deo Gloria!

Fabio Campos
fabio.solafide@gmail.com