sábado, 29 de novembro de 2014

LUTO NA VILA!


Por Fabio Campos


Sabe aquela informação que você deseja que seja apenas mais um boato? Sim! Quantas e mais quantas caímos na pegadinha de que Roberto Bolaños, o Chaves, tinha morrido. Era aquele “bafafá” até comprovar de fato que tal notícia não passava de mais uma fraude.

Ontem, dia 28/11/2014, a informação chegou. Desta vez não era “pegadinha”! Sites de notícias de grande expressão e os principais canais da televisão brasileira e do mundo confirmaram: Roberto Bolanõs - autor e criador da personagem Chaves e Chapolin Colorado - entre outros - de fato, faleceu.

O programa do Chaves sempre me trouxe muita alegria. Lembro aqui do meu falecido pai; vendedor e comerciante que se desdobrava para nos sustentar. Quantas vezes, depois de um dia super estressante devido às complicações nas negociações; meu pai sentava ao nosso lado para assistir o Chaves. Neste instante ele deixava este mundo e viajava para uma terra distante da qual, lá, era aliviado desta sobrecarregada. Nestas horas somente o Chavinho junto do Seu Madruga para tirar, pelo menos por um momento, o “franzir da testa” e colocar um sorriso nos lábios de meu pai.

Somente isso basta para amar esta programação seus atores para toda a vida!

Um gênio se foi, mas sua genialidade ficou, e faço questão de apresentar este talento aos meus filhos. Este é o “Chespirito”. Gênio! Tal apelido, Chespirito, lhe foi dado devido ao seu dom; trata-se do diminutivo de “William Shakespeare”. O pequeno Shakespeare, como era chamado pelo diretor Augustín P. Delgado, conseguiu tirar gargalhadas de diversos tipos de pessoas das mais variadas idades.

Frente à televisão, assistindo Chaves e Chapolin – não tinha branco nem negro – pobre nem rico – criança nem idoso – todos em todos os tempos - nestes mais de 40 anos, no ato da transmissão; no mesmo intuito se prendiam frente à TV, ou seja, para dar boas risadas e lembrar que podemos sim, rir de nós mesmo pela identificação nas características de cada personagem. 

Agora é preservar sua memória perpetuando o seu talento aos que chegaram e aos que vão chegar. Os dias são difíceis e já não há tanto talento sem a pureza que é devida. Um grande exemplo para nós de que a “juventude nunca morrerá”, como ele mesmo disse: "Para continuar sendo jovem você precisa ter projetos. Quem os tem, pode ser jovem, mesmo se tiver 90 anos. Quem não tem, é um ancião mesmo que tiver apenas 15 anos".

Posto isso, não vejo outro meio a não ser o de agradecer a Deus por tal graça dada a Roberto Bolaños. Como é bom saber que temos o “Chavinho” para nos desestressar. O Senhor deu dons aos homens. Ainda que na graça comum, louvo a Deus por aquilo que Ele faz pela excelência na vida de pessoas como Roberto Bolaños.

Sem dúvida não teremos um comediante a altura para nos fazer rir na presença de toda família sem que haja nenhum tipo de constrangimento. Em Deus reconheço o talento dado a Bolaños, o nosso eterno Chavinho do Oito, como está escrito: “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto”. (Tg 1.17)

“Sigam-me os bons!”

“Como eu gostaria de ser lembrando depois da minha morte? Já me fizeram essa pergunta muitas vezes, mas nunca soube respondê-la. Na verdade, não sou ambicioso, então, como quiserem. Mas, sobretudo, como um homem bom; não quero monumentos nem belas memórias, nem nada disso”.  - Roberto Bolaños (1926 - muitas risadas - 2014)

Este é meu humilde panegírico ao Pelé do humor.

Muito obrigado Roberto Bolaños!

Neste momento, a Vila, representa o mundo todo.

Estamos em luto!

Silêncio por um instante!


Fabio Campos

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Referências bibliográficas:

Chaves, a história oficial ilustrada. São Paulo, SP; Universo dos livros, 2012.