sábado, 29 de novembro de 2014

O Cristão e a Tentação Sexual | Paulo Romeiro




Sobre o preletor:



Dr. Paulo Rodrigues Romeiro é pastor e apologista cristão evangélico. Atualmente é pastor da Igreja Cristã da Trindade em São Paulo, uma igreja de teologia assembleiana, e é professor no curso de pós-graduação em Ciências da Religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

LUTO NA VILA!


Por Fabio Campos


Sabe aquela informação que você deseja que seja apenas mais um boato? Sim! Quantas e mais quantas caímos na pegadinha de que Roberto Bolaños, o Chaves, tinha morrido. Era aquele “bafafá” até comprovar de fato que tal notícia não passava de mais uma fraude.

Ontem, dia 28/11/2014, a informação chegou. Desta vez não era “pegadinha”! Sites de notícias de grande expressão e os principais canais da televisão brasileira e do mundo confirmaram: Roberto Bolanõs - autor e criador da personagem Chaves e Chapolin Colorado - entre outros - de fato, faleceu.

O programa do Chaves sempre me trouxe muita alegria. Lembro aqui do meu falecido pai; vendedor e comerciante que se desdobrava para nos sustentar. Quantas vezes, depois de um dia super estressante devido às complicações nas negociações; meu pai sentava ao nosso lado para assistir o Chaves. Neste instante ele deixava este mundo e viajava para uma terra distante da qual, lá, era aliviado desta sobrecarregada. Nestas horas somente o Chavinho junto do Seu Madruga para tirar, pelo menos por um momento, o “franzir da testa” e colocar um sorriso nos lábios de meu pai.

Somente isso basta para amar esta programação seus atores para toda a vida!

Um gênio se foi, mas sua genialidade ficou, e faço questão de apresentar este talento aos meus filhos. Este é o “Chespirito”. Gênio! Tal apelido, Chespirito, lhe foi dado devido ao seu dom; trata-se do diminutivo de “William Shakespeare”. O pequeno Shakespeare, como era chamado pelo diretor Augustín P. Delgado, conseguiu tirar gargalhadas de diversos tipos de pessoas das mais variadas idades.

Frente à televisão, assistindo Chaves e Chapolin – não tinha branco nem negro – pobre nem rico – criança nem idoso – todos em todos os tempos - nestes mais de 40 anos, no ato da transmissão; no mesmo intuito se prendiam frente à TV, ou seja, para dar boas risadas e lembrar que podemos sim, rir de nós mesmo pela identificação nas características de cada personagem. 

Agora é preservar sua memória perpetuando o seu talento aos que chegaram e aos que vão chegar. Os dias são difíceis e já não há tanto talento sem a pureza que é devida. Um grande exemplo para nós de que a “juventude nunca morrerá”, como ele mesmo disse: "Para continuar sendo jovem você precisa ter projetos. Quem os tem, pode ser jovem, mesmo se tiver 90 anos. Quem não tem, é um ancião mesmo que tiver apenas 15 anos".

Posto isso, não vejo outro meio a não ser o de agradecer a Deus por tal graça dada a Roberto Bolaños. Como é bom saber que temos o “Chavinho” para nos desestressar. O Senhor deu dons aos homens. Ainda que na graça comum, louvo a Deus por aquilo que Ele faz pela excelência na vida de pessoas como Roberto Bolaños.

Sem dúvida não teremos um comediante a altura para nos fazer rir na presença de toda família sem que haja nenhum tipo de constrangimento. Em Deus reconheço o talento dado a Bolaños, o nosso eterno Chavinho do Oito, como está escrito: “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto”. (Tg 1.17)

“Sigam-me os bons!”

“Como eu gostaria de ser lembrando depois da minha morte? Já me fizeram essa pergunta muitas vezes, mas nunca soube respondê-la. Na verdade, não sou ambicioso, então, como quiserem. Mas, sobretudo, como um homem bom; não quero monumentos nem belas memórias, nem nada disso”.  - Roberto Bolaños (1926 - muitas risadas - 2014)

Este é meu humilde panegírico ao Pelé do humor.

Muito obrigado Roberto Bolaños!

Neste momento, a Vila, representa o mundo todo.

Estamos em luto!

Silêncio por um instante!


Fabio Campos

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Referências bibliográficas:

Chaves, a história oficial ilustrada. São Paulo, SP; Universo dos livros, 2012.


domingo, 23 de novembro de 2014

NINGUÉM TEM PACIÊNCIA COMIGO


Por Fabio Campos

Texto base: Ora, o Deus de paciência e consolação vos conceda o mesmo sentimento uns para com os outros, segundo Cristo Jesus”. – Romanos 15.5 (AFC)


Este menino órfã, o Chaves do oito, já me fez rir bastante e continua a fazer. Sua famosa frase “Ninguém tem paciência comigo!” ao ser repreendido pelos moradores da “vila”, me veio à mente quando estava fazendo o devocional no livro de Romanos capítulos 14 – 15. Pois é, pois é, pois é... ! Acreditem se quiser... Risos...

Paulo trata nestes dois capítulos (14 – 15) o modo pelo qual devamos lidar com os “fracos na fé”. Questões como a tolerância em questões controvertidas não essências (14. 1-11); liberdade e a caridade (14.13-23); e o principal, a simpatia e o altruísmo para que sejamos verdadeiramente imitadores de Cristo (Rm 15.1-8).

Sempre haverá em nosso meio os irmãos mais fracos. Não trata de uma possibilidade, mas de uma certeza, seguida de uma exortação (Rm 15.1). A imaturidade do irmão o leva a pensar que “ninguém tem paciência com ele”. Assim como a “criança, ele deseja ser o centro das atenções. Geralmente se irrita fácil e por um longo período, por algo banal, fica ressentido. São tardios para perdoar. Ainda são “crianças em Cristo” (1 Co 3.1). Não estou me excluído desta fraqueza.

É importante salientar que ninguém ainda “alcançou a perfeição” (1 Jo 3.2). E que também por sermos pecadores, até os “fortes na fé” têm suas fraquezas. Ser forte não é deixar de ter qualquer sentimento pecaminoso, mas subjugá-lo ao Senhoril do Espírito Santo. A paciência é algo que precisa ser exercitada, pois ao exercê-la você deixará de agradar a si mesmo para agradar o outro. Tanto “paciência” como “consolação” são virtudes dadas somente pelo Espírito Santo (Rm 15.5).

Vai além, não é somente “tolerar”, mas “tolerar” em amor; ajudando estes irmãos, da forma mais amável possível (Cl 4.6), a crescerem em Cristo. Há muita dificuldade em se portar assim, principalmente no que concerne aos irmãos iracundos. Todavia, a Escritura exorta a agir de forma a “não agradar a nós mesmos”, como está escrito: “A sabedoria do homem lhe dá paciência; sua glória é ignorar as ofensas” (Pr 19.11 AFC).

O forte muitas vezes se cala (2 Tm 2.16), e até propositalmente se permite perder alguns debates para que, acolhendo o irmão (Rm 14.1), no tempo oportuno ele possa “responder pacientemente” aquele que de algum modo de opõe (2 Tm 2.24-26).

Nosso modelo em tudo deve ser o Senhor Jesus. Você acha que foi fácil para Jesus nos amar quando ainda éramos pecadores? Um Deus Santo, Puro e Justo – Criador dos céus e da terra – a Ele, será que foi fácil submeter-se a Pilatos, Caifás e toda autoridade iníquo? Ele foi cuspido e crucificado por aqueles que eram Seu. Será que foi fácil ao Senhor submeter a tudo isso por amor a um bando de pecadores como nós? Certamente, não! Quem poderá dizer: "até que não tenho abusado tanto da misericórdia de Deus!" Por isso que a Escritura diz: “Pois nem o próprio Cristo procurou agradar a si mesmo; pelo contrário, como dizem as Escrituras: ‘As ofensas daqueles que te insultaram caíram sobre mim’” (Rm 15.3 NTLH).

É a misericórdia de Deus que lança fora o medo de entrar no trono confiadamente. A igreja deve ser acolhedora – lugar onde as pessoas se sintam seguras e certas de que não serão expostas; como está escrito: “o amor não se conduz inconvenientemente” (1 Co 13.5). Por estes dias vivi uma experiência que me fez refletir, em algumas vezes, sobre o nosso comportamento quando a “misericórdia precisa ser exercitada”.

Tal pessoa fez o que não devia. Qualquer repressão mais dura, certamente, seria justa neste caso. Todavia, essa “pessoa” foi sim repreendida, mas ao invés de ser “jogada fora”, concomitante a repressão, foi acolhida por todos. O detalhe que me levou a reflexão: a maioria das pessoas ali não era “cristã de fato”. Enquanto isso, muitas das vezes o nosso “amor cristão” não é paciente, benigno, humildade (pois pela soberba prefere destruir o outro ao invés de edifica-lo). Muitos se alegram com a queda do irmão; tal amor não consegue sofrer com os que sofrem. Não suporta o suficiente àquele que é “pesado demais”.

Graças a Deus, pela Sua misericórdia, o Senhor não nos trata assim. Ele é um Pai amoroso e bom. Ainda que venhamos a “comer as lentilhas do mundo”, Ele sempre estará de braços abertos a nos receber; não com ira, mas com alegria e em festa, sabendo que seu filho que estava morto, voltou a viver. Ele não resiste a um coração quebrantando e contrito.

Se de fato quisermos viver para a glória de Deus, a unidade (ainda que na diversidade) é um caminho exigido pelo próprio Senhor (Rm 15.6). Até mesmo aquele que pensa “ninguém tem paciência comigo”!, como diz o “Chavinho”, a estes devemos acolher assim como Cristo nos acolheu (Rm 15.7). Você merecia ser acolhido por Cristo? Eu, não! Logo, então, “sigamos, pois, as coisas que servem para a paz e para a edificação de uns para com os outros” (Rm 19.14).

Se a sua fala não for edificar, exortar ou consolar - ainda que tenha o “dom de profecia” e que “conheça todos os mistérios e toda a ciência” - é melhor você ficar calado, pois certamente, por ser um “prato que retine”, no entanto sem amor, você destruirá a obra de Deus (Rm 14.20). Quem acolhe em amor, negando a si mesmo (Rm 14.1), será louvado por Deus e pelos homens, como está escrito:


“... aquele que assim serve a Cristo é agradável a Deus e aprovado pelos homens”. – Romanos 14.18 (NVI)


Considere este artigo e arrazoe isto em seu coração,


Soli Deo Gloria!

Fabio Campos
fabio.solafide@gmail.com

sábado, 22 de novembro de 2014

MEU PARECER SOBRE “CRISTIANISMO PURO E SIMPLES” DE C. S. LEWIS


Por Fabio Campos


O meio cristão ortodoxo, pela graça de Deus, têm diversas “teologias sistemáticas” de excelente qualidade. Muitas mesmo Todas elas elaboradas por estudiosos e eruditos, quais estão no convívio acadêmico elevadíssimo.

Todavia, “Cristianismo puro e simples”, pra mim, é a “Teologia Sistemática” feita com a alma. A obra praticamente não cita os escritos dos pais da igreja e nem dos reformadores. Entretanto, por inferência, o pensamento de Lewis é formado em torno da linha dos grandes mestres da igreja.

Leia a “Biblioteca de C. S. Lewis” (li esta obra publicada pelo Ed. Mundo Cristão) e você vai se deparar com os pensamentos de George MacDonald, João Calvino, Martinho Lutero, John Bunyan, Bernado de Claraval, Agostinho, G. K. Chesterton, Atanásio, Tomás de Aquino, Richard Hooker, Andrew Murray, Blaise Pascal, Thomas à Kempis, Richard Baxter, Willian Law e por aí vai.

No entanto, o livro contém os seus pensamentos e as impressões da alma de C. S. Lewis, tudo transportado por meio da sua pena, para nos mostrar, através de um raciocino lógico, quem somos perante a grandeza deste Deus. Uma coisa é discutirmos correntes teológicas no conforto do nosso lar. Outra coisa é fazer teologia e falar de Deus, esperança, graça e misericórdia à pessoas que estão a véspera da morte.

Durante a Segunda Guerra Mundial, A BBC convidou C. S. Lewis para fazer uma série de palestras pelo rádio. Foram programas que, ao final, deram um sentido novo à vida de milhares de adultos de todas as classes e profissões. O livro “Cristianismo puro e simples”, que colige essas preleções legendarias, veio a ser considerado a mais popular e acessível de todas as obras de Lewis, lembrando-nos daquilo que é mais importante na vida e apontando-nos o caminho da alegria e do contentamento [1].

Creio que, por isso, C. S. Lewis disse: "Desde que servi na infantaria, durante a Primeira Guerra Mundial, me desagradam as pessoas que, cercadas de segurança e conforto, fazem exortações aos homens na frente de batalha" [2]

Por todas essas coisas, digo, sem dúvidas, que depois da Bíblia, até o dia de hoje [22.11.2014], em obras lidas, esta é a mais fantástica que pude degustar. Um farto banquete contido em suas paginas saciaram a minha mente e a minha alma. Como sempre digo; Lewis representa grande perigo aos ateus.

Se você é ateu, cuidado com as obras de C. S. Lewis, pois seus argumentos em favor do cristianismo poderão abalar sua “fé”.

Eu recomendo!


Soli Deo Gloria!

Fabio Campos

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Notas: 

[1] LEWIS, C. S. Cristianismo puro e simples. São Paulo, SP; Martins Fontes, 2014.

[2] Ibid, p. XVI.



domingo, 16 de novembro de 2014

UMA VIDA NOVA PRA VOCÊ!


Por Fabio Campos

Texto base: “... assim andemos nós também em novidade de vida”. – Romanos 6.4 (AFC) 


O cristianismo bíblico não se trata de uma religião pautada em preceitos como “não toque nisso”; ou “não proves aquiloutro”. Nem tão pouco se trata de “ordenanças” a ser cumpridas a fim de satisfazer um possível mandamento de Deus dado os homens. Dentro do “contexto social” podemos dizer sim, que o cristianismo, é uma religião. Entretanto, biblicamente, sua essencial, é uma “Pessoa”, pela qual através do Seu Espírito, conduz os homens a uma “novidade de vida” de dentro para fora.

Ser cristão é passar de “criaturas” para filhos de Deus. Não é um processo natural pelo esforço do homem, mas é algo vindo de fora que adentra na alma, tornando-o uma “nova criatura”; não somente nos seus atos, mas no seu ser.

É entender que nossas “boas-obras” sem a “justiça” (aquilo que torna o homem justo perante Deus), a qual somente Jesus pode dar aos homens, é o pior de todos os pecados, pois alguém que justifica a si mesmo ostentado sua “caridade”, caiu no mesmo pecado do diabo, ou seja, o orgulho. Tal coisa é abominável diante de Deus (Is 64.6).

Novidade de vida é morrer para o pecado. Tal processo nunca poderá ser consumado se não buscarmos em Deus a capacitação (reconhecendo que estamos perdidos). Quando Ele encontra em nós, humildade suficiente no reconhecimento de que estamos perdidos, O Senhor vem em nosso auxílio. Muita gente, infelizmente, se orgulha da “sua boa conduta”. Alegram-se por serem tidos como uma pessoa “bacana”.

Estes, talvez, são os que mais se demoram a perceber que está indo para o inferno, pois são mais difíceis a serem levadas ao conhecimento de que precisam de Cristo. Deus pela sua misericórdia acordam alguns do seu sono espiritual, permitindo-os que suas “boas-obras”, em determinado momento, fracassem, e que junto dela, sua autoestima, escorra pelo ralo.

Muitas vezes o sofrimento bate em nossa porta para nos direcionar a “esta novidade de vida”. Deus é mais interessado em mudar você do que a situação. Certa vez, disse C. S. Lewis: "Se o cristianismo fosse algo que inventamos, certamente ele seria mais fácil". Muitas querem uma nova vida sem abandonar suas crenças antigas. Recusam-se (e nem se esforçam em Deus) a abandonar seus “velhos vícios”. Para que o novo tome lugar, o velho precisa se retirar -, ou seja, o velho estilo de vida, o pecaminoso, onde a fonte de “alegra” se encontra na prática daquilo que não convém.

Enquanto nesta vida, devido a nossa natureza corrupta, sempre seremos “atraídos” pela tentação. Todavia, viver em novidade de vida, é sair debaixo do “reinado” do pecado - obedecendo ao que ele manda -, para submeter-se a Deus - caminhando em santificação, fugindo da aparência do mal. A santificação traz uma alegria eterna, enquanto que o pecado traz uma satisfação momentânea, e isso com consequências terríveis de serem administradas por toda uma vida.

O cristianismo é estar e viver em “novidade de espírito” (Rm 7.6). Os benefícios que temos em Deus, através de Cristo, são infinitos. Deus é o que precisamos. Sem Ele algumas coisas até chegam a nós, no entanto com muita perturbação, ansiedade e confusão. Feliz daquele que de Deus desfruta. Este tem o refrigério que a alma de todo homem anseia.

Finalizando este artigo novamente recorro a C. S. Lewis:

“Para nos tornarmos novas criaturas, temos de perder o que agora chamamos de ‘nós mesmos’. Temos de sair de nós mesmos e entrar em Cristo. A vontade dele tem de ser a nossa e temos de pensar seus pensamentos” [1]. Do contrário, “se você buscar a si mesmo, no fim só encontrará o ódio, a solidão, o desespero, a fúria, a ruína e a podridão. Se buscar a Cristo, o encontrará; e junto com ele, encontrará todas as coisas” [2], como amor, alegria, paz, paciência, a delicadeza, a bondade, a fidelidade, a humildade e o domínio próprio.

Não faz nenhuma diferença se o homem tem religião ou não; o importante é que ele seja uma nova pessoa nascida em Jesus (Gl 6.15). Como disse o cantor: “nada muda enquanto eu não mudar”. Em Cristo podemos e devemos andar em novidade de vida - desfrutando de tudo, a saber, do próprio Deus.

Considere este artigo e arrazoe isto em seu coração,

Soli Deo Gloria!

Fabio Campos
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Notas: 

[1] LEWIS, C. S. Cristianismo puro e simples. São Paulo, SP; Martins Fontes, 2014, p. 296.

[2] Ibid, p. 300.

domingo, 9 de novembro de 2014

UMA BREVE PALAVRA AOS MEUS IRMÃOS PENTECOSTAIS


Por Fabio Campos

Texto base: Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu de Apolo; porventura não sois carnais?” – 1 Coríntios 3.4 AFC


O grande reformador, Martinho Lutero, ao se deparar com o partidarismos que se criou em torno da sua pessoa, devido a reforma, muito sabiamente e no temor de Deus, usando o texto de 1 Co 3.4-5 para fundamentar sua exposição, disse:


“Em primeiro lugar, peço que não citem meu nome e não se digam luteranos, mas cristãos. O que é Lutero? Esta doutrina realmente não é minha. Eu não fui crucificado para ninguém. São Paulo, na 1º Epístola aos Coríntios (III, 4-23), não tolerava que os cristãos se dissessem discípulos de Paulo ou de Pedro, mas simplesmente cristão. Como eu, pobre envoltório de carne malcheirosa e prometida aos vermes, poderia sonhar, pois, que meu miserável nome fosse dado aos filhos de Cristo? Não, caros amigos, vamos extirpar esses nomes partidários e chamemo-nos de Cristão, pois, de Cristo nos vem a doutrina que temos” [1].


Esta breve palavra é direcionada aos meus irmãos pentecostais que vez em quando são expostos ao “ridículo” pelos “santos sabichões”. Tenho visto em muitos grupos nas redes sociais, questões levantadas por estes irmãos do tipo “posso ser pentecostal calvinista”? Ou, então “o dom de línguas é para atualidade”. Isto me preocupa bastante! Não somos cristãos? Mas ao que pensa diferente, não faças perecer aquele a favor de quem Cristo morreu” (Rm 14.15).

Irmãos, graças a Deus que nossos principais teólogos, em solo brasileiro, não são partidários. Mesmo que tenha sua posição acerca do que é secundário, eles convivem muito bem com as posições divergentes. Você não vai encontrar partidarismo entre o Augustus Nicodemus (calvinista presbiteriano) e o Dr. Paulo Romeiro (pentecostal clássico). Isso é maturidade! Já viu o Dr. Russell Shedd, Hernandes Dias Lopes e Luiz Sayão discutir estas questões? Eles até podem defender suas posições, mas vão reconhecer como muito temor a posição daquele que difere deles.

Quanta falta de temor vejo em alguns artigos e comentários nas redes sociais quando o contexto é “assuntos teológicos”. Fico a pensar -, será que esta pessoa sabe que Deus acolheu para Si o pentecostal (Rm 14.3)? Grande parte dos irmãos mais simples são oriundos do pentecostalismo. Na periferia Jesus é o advogado, o médico, e o juiz desses irmãos mais “humildes” na suas condições intelectuais e financeiras. Eles não tem para onde correr a não ser para Jesus. Será que não deveríamos, então, acolhê-los como Cristo os acolheu sem discutir opiniões (Rm 14.1)? Será que Deus toma partido nestas discussões e se alegra em ver alguém destruindo a obra que Ele mesmo fez (Rm 14.20)?

O grande apologista C. S. Lewis, disse que “os pecados da carne são maus, mas, dos pecados, são os menos graves. Todos os prazeres mais terríveis são de natureza puramente espiritual: o prazer de provar que o próximo está errado, de tiranizar, de tratar os outros com desdém e superioridade, de estragar o prazer, de difamar” [2]. Ele (Lewis) faz uma interessante distinção entre os pecados cometidos devido ao instinto animal (aquilo que é inerente a nossa natureza) e o pecado diabólico (aquilo que é inerente à natureza de lúcifer). Ele diz que o “’ser’ diabólico é o pior dos dois. É por isso que um moralista frio e pretensamente virtuoso que vai regularmente à igreja pode estar bem mais perto do inferno que uma prostituta” [3].

Todo estes partidarismos como disse Paulo, provém de irmãos salvos, mas carnais. É importante salientar que há irmãos carnais que possui um vasto conhecimento teológico e um tempo considerável de caminhada com Deus (1 Co 3.1-3). Todavia, como disse o Espírito por boca do Apóstolo: “Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras” (Tg. 3.13). Mas se houver inveja amargurada e sentimento partidário, aí há toda espécie de sentimento ruim; há uma aparente sabedoria, no entanto é demoníaca (Tg 3. 14-18).

Alguns desconhecem o “pentecostalismo clássico” e faz disso pretexto para baderna. Sou contra isso! Mas como pentecostal, com temor e tremor, digo: “Pela sua graça, Cristo nos aceitou”. Aleluia! E se Deus é por nós, quem será contra nós? É isso, irmãos! Procure sim, dialogar! Entretanto, tenha critério e peça a Deus o discernimento a respeito daqueles que “não junta, mas só espalha”. A estes, evita-os (Tt 3.10).


Considere este artigo e arrazoe isto em seu coração,

Soli Deo Gloria!

Fabio Campos
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Notas: 

[1] LUTERO, Martinho. A Liberdade do Cristão. São Paulo, SP; Escala, 2007, p. 65.

[2] LEWIS, C. S. Cristianismo puro e simples. São Paulo, SP; Martins Fontes, 2014, p. 135.

[3] Ibid, p.136

domingo, 2 de novembro de 2014

TODOS SE CORROMPERAM!


Por Fabio Campos

Texto base: Eis aqui, o que tão-somente achei: que Deus fez ao homem reto, porém eles buscaram muitas astúcias”. – Eclesiastes 7.29 (AFC)


Tudo o que Deus faz é bom. Ao homem o Senhor o coroou com a “sua imagem e semelhança”, e com ele partilhou alguns dos seus atributos como justiça, bondade, criatividade, entre outros. Assim o Senhor colocou o homem em um jardim, plantado pelo próprio Deus (Gn 2.8). Não faltava coisa alguma ao homem. Todo alimento necessário foi dado a ele (Gn 2.9). Até a carência emocional de foi suprida, pois Deus, da costela do próprio Adão lhe fez uma companheira idônea, para que, juntos, pudessem “multiplicar e administrar o planeta criado pelo Senhor” (Gn 1.28).

Tudo corria conforme fora ordenado por Deus até que chegou a serpente com uma proposta. A serpente, o “mais astuto de todos os animais” (Gn 3.1), ofereceu ao homem a fruta que Deus tinha o proibido de comer. Todavia, o “conhecimento do bem e do mal” – a independência de Deus -, agradou Eva que depois convenceu Adão a também comer da fruta. A emancipação do seu criador fez o homem cair “em muitas ciladas”.

Foi a partir daí que vieram todas as desgraças que se encontram no mundo. Todo esta “historinha folclórica” (como taxam alguns) trouxe uma série de consequências: dores no parto; contendas entre marido e mulher; fadiga no trabalhar para se ganhar o sustento; os desastres naturais; a morte física do homem; e a principal - o homem foi lançado fora da presença de Deus. Todas estas consequências é a raiz de todos os males no mundo (Gn 3.1-20). O homem se corrompeu e por isso de nada pode queixar-se contra o seu Criador, como está escrito: “Por que, pois, se queixa o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus próprios pecados” (Lm 3.39 ARA).

É isso, Deus fez tudo perfeito, e o homem Ele o fez reto. Entretanto, o homem se meteu em várias astúcias, ou seja, ele preferiu e prefere se meter em “encrencas”. A equidade, a justiça e a retidão estava no homem de modo perfeito no princípio. Mas ele preferiu a sagacidade. A palavra “astucia”, de princípio, não tem uma conotação ruim. Trata de alguém esperto, sábio e inteligente. Todavia, é importante salientar que esse adjetivo foi dado primeiramente ao diabo. Logo, então, tal coisa tornou-se uma faculdade adquirida para enganar através de uma aparente verdade que leva ao erro”. Por isso que “Deus tornou louca a sabedoria deste mundo” (1 Co 1.20). Infelizmente muitos têm sido enganados pela a astuta serpente, e foram corrompidos no seu entendimento, apartando-vos da simplicidade e pureza devidas a Cristo (2 Co 11.3).

Não há nada fora do homem que contamine o homem, mas o que está no seu coração, e que pela sua boca é externado e pelos atos, consumados. Eu creio que exista socialistas em sua integridade, trabalhando para um convívio melhor e na defesa daqueles que mais precisam. A questão é quando alguns deles colocam a culpa do mal na sociedade e não no indivíduo. A culpa é sempre de um contexto desfavorável e nunca de um coração corrompido e perverso. O contexto desfavorece, todavia, a Babilônia e o Egito nunca poderá tomar lugar dentro de um coração reto e íntegro, como foi o caso de José e Daniel.

O marxismo quer mudar a sociedade sem mudar o homem. No seu ateísmo tira Deus de cena (pois para eles Deus é o ópio do povo) e colocando-se na posição de “conhecedores do bem e do mal”. A igreja cristã, algumas e não todas, têm entrado por um caminho escorregadio, a saber, o “evangelho social”. Usam o texto de atos (2) para fundamentar suas posições. O interessante é que, até aquela “prefeita comunidade”, onde todos tinham tudo em comum, e dos seus bens partilhavam, houve quem se corrompeu. O casal, Ananias e Safira, se deixaram levar pela serpente astuta, e mentindo não para Deus, mas sim aos homens, reteve parte do que fora combinado para as doações.

Com o crescimento desta mesma igreja já não vemos mais essa atitude nos relatos bíblicos, pois onde há pessoas, há também corrupção. Quanto mais pessoas, mais corrupção. Aquele modelo do princípio já não era mais um estilo. Alguns homens passaram a viver ociosamente, nas igrejas espalhadas, esperando apenas por doações, esquecendo que o trabalho é digno e o ganho do pão era algo nobre. Em alerta para qualquer tipo de “vadiagem e ociosidade”, a Escritura diz: “... se alguém não quiser trabalhar, também não coma” (2 Ts 3.10).

A igreja precisa ser luz também no campo social. A Escritura dá uma importância a este ministério (At 6. 2-3). A ordem bíblica é "visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e em suas necessidades. Contudo, muitos se vangloriam das suas práticas e esquecem da segunda parte do verso (Tg 1.27), ou seja, “não se deixar corromper pelo mundo”. Como, então, podemos mudar o mundo se não conseguimos mudar a si mesmos? Expor nossas boas-obras, se conformando com este mundo, e se amoldando a ele, é, sem dúvidas, "trapo de imundície" perante Aquele que conhece todas as coisas. Talvez, o “Terceiro Setor” é a área que mais há corrupção dentre as que existem. Muitos criam ONGs, infelizmente, apenas para “maquiar” a roubalheira que está por de trás. O Terceiro Setor, sem dúvidas, é um “bom” solo para se plantar e colher os frutos do “ganho ilícito”.

Temos, sim, uma [grande] responsabilidade social perante Deus. Muitos estão tentando fazer algo, entretanto, da forma errada. Outros sabem como fazer, mas não o fazem. Que Deus me ajude na minha obrigação. Mas se fracassarmos dentre de casa, para com a nossa família, até ganharemos o mundo, todavia, perderemos a alma. Se não formos referências para o nosso bairro, como, então, o seremos para o mundo? A postura vale mais que o discurso. Honra e caráter não se compra, mas se constrói em toda uma vida. Como é feliz o filho que pode dizer o nome do seu pai sem nenhum constrangimento. Se fracassarmos dentro de casa, fracassaremos em tudo.

Não adianta gritar por justiça se formos maus pais - filhos rebeldes - maridos e esposas contenciosos. Passaremos a viver uma mentira. Nossos cursos acadêmicos serão apenas para inflar nosso ego, mas não terão valor nenhum naquilo que de fato é proveitoso. A integridade e o caráter ainda são os melhores argumentos para um debate e também é a ferramenta mais eficaz para uma transformação social.

Dentro do plano “temporal” as coisas não eram para ser assim. Do ponto de vista da eternidade, Deus em sua soberania, na sua “secreta vontade”, sabe o que faz. Mas ainda não estamos na eternidade. Tudo é muito simples, mas nós complicamos tudo. A culpa? Não é de uma massa ou um de um grupo exclusivo de pessoas – seja pobre ou rico -, mas de todos, pois TODOS pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Rm 3.23). Como disse Matthew Henry:

“A fonte de toda tolice e loucura do mundo está na apostasia do homem em relação a Deus e sua degeneração de sua retidão primitiva. O homem, assim que saiu das mãos de Deus, era (como costumamos dizer) a cara do seu Criador, que é bom e reto. Ele maculado, e, como consequência, dividido pela própria tolice e maldade”. (Bíblia de estudo Matthew Henry; Ed. Central Gospel; p. 994; comentário de Ec. 7.29).

Que no exercício da autoanálise, antes de colocar a culpa nas autoridades, na polícia, nos professores e nos patrões, através de uma reflexão verdadeira, possamos entender se temos ou não culpa nisto tudo. As nossas crianças “estão com sede de amor”; quem ama, ensina pelo exemplo.

Que Deus nos ajude!

Considere este artigo e arrazoe isto em seu coração,

Soli Deo Gloria!

Fabio Campos

fabio.solafide@gmail.com