segunda-feira, 2 de junho de 2014

DESASTRE! ESTÃO CHAMANDO A PALAVRA DE TEORIA E A LETRA DE HOMICIDA!


Por Fabio Campos

Texto base: Você lhes falará as minhas palavras, quer ouçam quer deixem de ouvir, pois são rebeldes”. – Ezequiel 2.7 (NVI)



Não vim de um lar “protestante” e sabendo do que me aguardava quando me converti, perguntas e interrogatórios, diante de mim se apresentou um grande desafio: “se preparar para responder àqueles que me perguntassem à razão da minha esperança” (1 Pe 3.15). Mal sabia que estudara a Palavra não para responder somente aos de minha casa, mas a alguns irmãos evangélicos que não são muitos chegados a “doutrina”, “teologia”, “estudo bíblico” e “ortodoxia cristã”.

Convencido estou e na própria pele tenho experimentado que aquele que ama a Palavra de Deus e a defende [fazendo apologética] jamais terá uma popularidade elevada e por muitos serão taxados de “fariseus hipócritas”. Todo estudioso das Escrituras já ouviu de um “abençoado”: “A letra mata, mas o Espírito vivifica”, não é verdade? Não vou entrar no mérito para explicar tal texto, mas dizer isto sem contexto, arrumando pretexto, é chamar a bíblia de “homicida”. Será mesmo cristão quem fala tal coisa deliberadamente enquanto o salmista diz: “Como eu amo a tua lei! Medito nela o dia inteiro” (Sl 119.97).

Um grande engano é cometido por aqueles que chamam alguém de “fariseu” pelo fato deste defender a ortodoxia. Jesus nunca repreendeu os fariseus por defender as Escrituras. Antes, os pôs, por exemplo: “Obedeçam-lhes e façam tudo o que eles lhes dizem” (Mt 23.3a). Jesus os reprendeu pela hipocrisia, ou seja, de pregar o que é certo, entretanto, não praticar aquilo o que pregavam: “Mas não façam o que eles fazem, pois não praticam o que pregam” (Mt 23.3b). Ai de nós se o povo judeu, incluindo os fariseus, não preservassem a Palavra de Deus e por Ela não tivessem dado sua própria vida!

O livro apócrifo de 2 Macabeus nos traz um relato importante a respeito do amor dos judeus concernente as Escrituras Sagradas. Este livro [apócrifo], para nós protestantes e para o povo judeu, chamados pela igreja católica de “deuterocanônico”, não têm valor normativo e doutrinário, mas apenas valor histórico acerca de algumas informações de fatos ocorridos entre Malaquias a Mateus.
No capitulo 7 há um relato onde uma mãe e seus sete filhos foram presos pelo o rei selêucida. Antíoco estava coagindo aquela família judaica a comerem “carne de porco”, proibida pelos escritos de Moisés. Sem titubear um deles disse: Estamos prontos a morrer antes de violar as leis de nossos pais” (V.2). O rei então ordenou que aquecessem caldeirões - que cortassem a língua do que falara (por) primeiro e, depois que lhe arrancassem a pele da cabeça, que lhe cortassem também as extremidades, tudo isso à vista de seus irmãos e de sua mãe.
Assim fizeram com ele toda essa barbaridade e o mataram. E sucedeu assim também com os cinco próximos, restando o sétimo. O jovem remanescente não coagido pelo rei se pôs disposto também a morrer através de tais flagelos em obediência a Palavra de Deus. O rei mandou que a mãe se aproximasse e o exortasse com seus conselhos, para que o adolescente salvasse sua vida. Ela aparentemente convencida pelo rei disse ao único filho que lhe restara:

“Meu filho, compadece-te de tua mãe, que te trouxe nove meses no seio, que te amamentou durante três anos, que te nutriu, te conduziu e te educou até esta idade. Eu te suplico, meu filho, contempla o céu e a terra; reflete bem: tudo o que vês, Deus criou do nada, assim como todos os homens.Não temas, pois, este algoz, mas sê digno de teus irmãos e aceita a morte, para que no dia da misericórdia eu te encontre no meio deles.Logo que ela acabou de falar, o jovem disse: Que estais a esperar? Não atenderei às ordens do rei; eu obedeço àquele que deu a lei a nossos pais por intermédio de Moisés” (V 27.30).

No ato da morte o jovem bradou: “A exemplo de meus irmãos, entrego meu corpo e minha vida em defesa às leis de nossos pais”. E assim este morreu com crueldade ainda maior da de seus irmãos e seguindo as pegadas de todos os seus filhos, a mãe pereceu por último”. Sinto-me envergonhado diante deste relato - o quanto ainda sou displicente para com a Palavra e de não dar a ela o devido valor no país que me encontro. Nunca fui agredido por estar lendo a Bíblia em público.

Como é lamentável escutar irmãos defendendo “falsos profetas” dizendo que estes pelo menos estão fazendo a obra ainda que não coerente com o ensino escriturístico. Parece que o discurso é padrão: “cabe a eu servir e não julgar, pois Deus os julgará”; e também: “por causa deste tipo de estudo, muitos se desviram e Deus vai requerer o seu sangue”. Por esses dias um irmão me disse sem nunca ter conversado pessoalmente comigo, que eu estava “cheio de teoria” e que, muitos não davam frutos, pois ficam apenas sentados atrás do computador criticando e não fazem nada pelos outros.

Pois é, não importa o meio; o importante é o resultado, é o que me parece ser o crivo destes. Nesta pequena “discussão” este irmão não citou ao menos uma vez a Bíblia, a não ser “o famoso jargão” daqueles que apelam por não conhecer as Escrituras: “A letra mata, mas o Espírito vivifica”. De fato, precisamos ser ouvintes praticantes. Mas como saber do que Deus se grada sem conhecer as regras? Certa vez disse Thomas Watson: “Os praticantes da palavra são os melhores ouvintes”. Não adianta ter zelo por Deus sem o conhecimento do que Ele realmente ordenou (Rm 10.2). Este zelo se tornará “trapo de imundície”, como está escrito: “Porquanto, ignorando a justiça que vem de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se submeteram à justiça de Deus” (Rm 10.3).

Amados, que Deus tenha misericórdia desta geração, a qual tem mais compromisso com a “música gospel” do que com o estudo da Palavra de Deus. Como lamento pela memória curta da maioria dos crentes de nossos dias. Não conhecem sua história e da origem daquilo que se dizem fazer parte, e que em todas as épocas houve mártires para preservar este livro que eles mesmos chamam, ainda que indiretamente, de “homicida”! quando com através dele são confrontados: A “letra MATA”.

Paul Washer relatou em uma de suas ministrações “o menino, Andrew Mayman, muçulmano, levou 5 tiros no seu estômago e que logo após o deixaram na calçada simplesmente porque ele exclamou: 'Estou com muito medo mas eu não posso negar Jesus Cristo. Por favor não me matem mas eu não o negarei.' Assim, Paul Washer, confrontou a atitude deste garoto com a igreja atual, dizendo: E você se diz um cristão radical porque você veste uma camiseta gospel e vai a um congresso."

Deus zela pelos seus e honra por todos os que amam a Sua Palavra. É verdade que muitos têm uma ortodoxia morta e árida, e que não praticam, assim como os fariseus, aquilo que pregam. Mas outros são instrumentos levantados pelo Senhor Jesus para despertar uma igreja que está dormindo à sonífero dos falsos profetas.

Acautelai-vos” é a ordem de Nosso Senhor! Em temor e pedindo muita graça para Deus fico e quero para a minha vida o que disse o Dr. Martyn Llod-Jones: “Sinto que estaria traindo minha missão e a chamada de Deus para o ministério cristão se não expusesse a verdadeira doutrina da palavra de Deus, qualquer que seja a opinião moderna”.

“Muita paz têm os que amam a tua lei, e para eles não há tropeço”. – Salmos 119.165 (NVI)

Considere este artigo e arrazoe isto em seu coração,

Soli Deo Gloria!

Fabio Campos
fabio.solafide@gmail.com