terça-feira, 18 de março de 2014

SINAIS DE UM VERDADEIRO ARREPENDIMENTO


Por Fabio Campos

Texto base: “Arrependei-vos, e crede no evangelho”. – Marcos 1.15 AFC


Alguém já disse: “Não há melhor teste de integridade de um homem do que o seu comportamento quando ele está errado”. Esta frase traz muita verdade-, aliás, quem nunca errou? Se há erro, é preciso concerta-lo; mas para concertá-lo, é preciso se arrepender. O homem tem o coração inclinado para o mau desde a infância (Gn 8.21). Portanto, todos precisam se arrepender dos seus maus caminhos.

A principal ordem de Deus aos homens e a mensagem central de Jesus, antes mesmo do “amor”, é “arrependei-vos”. A palavra “arrependimento” na Bíblia significa “girar”, “retornar”, aplicados ao tornar do pecado e virar-se para Deus. Nas palavras de Stuart Olyott, “arrependimento não trata meramente do temor da consequência que o pecado possa causar, mas uma genuína vergonha de quem você é”. Ele ainda diz, “o evangelho é que Cristo Jesus veio ao mundo pra salvar pecadores! E sem esse sentido claro de pecado, você não pode ser salvo”.

Quando alguém diz na tentativa de justificar-se: “Deus conhece meu coração”! logo penso: “Será que ele entendeu a gravidade disso”? Olyott afirma que “o tempo todo Deus diz: ‘homens olham para aparência exterior, eu olho para o coração’. E o que ele vê é podridão e coisa estragada! É difícil para qualquer homem ou mulher encarar o que eles realmente são. Mas arrependimento requer isso”. Aqui está a diferença entre o Evangelho e as outras religiões. A religião trata de um “deus” feito a imagem e semelhança do homem que executa os desejos pragmáticos humanos. O Evangelho desafia o pecador, e antes de ser uma “boa-nova”, ela vem com uma noticia terrível: “você é pecador e precisa se arrepender”. Religiões trabalham com ritos; o Evangelho expõe a podridão que há no coração e denuncia os caminhos pecaminosos, pois sua palavra é cortante e mais afiada do que a espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir entre juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração (Hb 4.12). Muitos desviam do Evangelho para não serem descobertos por si mesmos.

A história do profeta Jonas ilustra a dureza do coração do homem e sua real situação interior. Mostra também [e isto com prioridade] a graça e a misericórdia de Deus ao pior dos pecadores. Jonas recusa-se a executar a vontade de Deus em pregar a cidade de Nínive, por constituir-se inimiga de Israel. Os Ninivitas eram cruéis! Na execução dos seus inimigos mutilavam os homens pouco a pouco até que eles chegassem, por meios cruéis, ao óbito. Deus comissionou Jonas a “pregar contra aquela cidade” (Jn 3.2). A pregação genuína consiste não em acomodar o pecador nos seus pecados, mas em denunciar seus maus caminhos pregando contra suas práticas.

Somente uma pregação bíblica pode gerar arrependimento. O Senhor disse a Jonas para não pregar outra cousa a não ser o que Ele disse: “... proclama contra ela [Nínive] a mensagem que eu te digo” (Jn 3.1). Portanto, “uma pregação centrada em Cristo terá seus frutos, pois sua Palavra não volta vazia, antes fará o querer de Deus” (Is 55.11). Destaquei quatro pontos que podem ser por sinal de um “verdadeiro arrependimento”:

1. O verdadeiro arrependimento traz tristeza e quebrantamento: Em Jonas [3.5] vemos que os “ninivitas creram em Deus, e proclamaram um jejum, e vestiram-se de panos de saco, desde o maior até o menor”. Não basta somente crer, pois o Diabo também crê e treme. É preciso produzir frutos de arrependimento. Quando os ninivitas vestiram “pano de saco”, eles reconheceram humildemente seu pecado e voltaram-se para Deus. O verdadeiro arrependimento se despoja da “roupa de festa” e veste-se a “roupa de luto”. Não existe jejum em festa; nas festas esquecemo-nos de nossas mazelas. O verdadeiro arrependimento nos dá fome por Deus e “repulsa” por aquilo que já consumimos.

2. O verdadeiro arrependimento traz um forte e profundo desejo por mudança: O rei de Nínive baixou um decreto a todos os homens e animais da cidade. Além do Jejum, homens e animais, “deveriam ser cobertos de pano de saco”. A palavra nos traz sede de mudança: “e se converterão cada um do seu mau caminho e da violência que há nas suas mãos” (Jn 3.8). A Bíblia diz que “todo mundo pecou e não há quem faça o bem” (Rm 3.10). Por isso todos estão destituídos da glória de Deus. O Senhor nos chama a um verdadeiro arrependimento. Em entrevista concedida a Revista “Cristianismo Hoje”, o famoso evangelista Billy Graham diz: “Antes da minha conversão, em 1 de novembro de 1934, como conto no livro, eu sempre me considerei cristão. Foi só quando fui confrontado e convencido do meu pecado que percebi que Cristo faz a diferença na vida daqueles que não apenas se dizem cristãos, mas que obedecem à Sua Palavra. Se não houver mudança na vida de uma pessoa, ela deve se perguntar se de fato tem a salvação que o Evangelho proclama”.

3. O verdadeiro arrependimento nos tira de onde os homens nos colocaram – nos tira do trono para que Deus se assente e Reine sobre nossas vidas. Quando a mensagem de Jonas chegou ao rei pagão de Nínive, imediatamente ele “se levantou do trono” (Jn 3.6). O manto real que os homens colocaram no rei - com a pregação de juízo de Jonas – foi retirada pelo próprio rei: e tirou de si as suas vestes”. Não há escala de poder diante de Deus na horizontal. Todos são iguais e precisam se arrepender. O juízo maior será para os que estão em posição de autoridade, por isso que o rei foi o primeiro a “vestir-se de pano de saco”. Ele lamentou sua posição e a maldade do seu povo, e por isso “sentou-se sobre cinza”. O verdadeiro arrependimento nos traz o senso de miséria e nos leva através do desespero em busca de um salvador. Contudo, ele nos buscou primeiro (Rm 5.8).

4. O verdadeiro arrependimento desvia o furor de Deus. O arrependimento leva para longe a ira de Deus. Quem muda no arrependimento não é Deus mas sim o homem. Deus só administra pela sua Soberania as consequências que causaria os pecados. É visível na vida de alguém, que de fato de arrependeu, o livramento de Deus. Os de fora dizem: “não sei como este não morreu”. Justamente isso, “Deus viu o que eles fizeram e como abandonaram os seus maus caminhos e por isso não lhes deu o que deveria acontecer”. Todos notam a conversão. Até o gato de estimação percebe que algo mudou – ele não é mais “chutado” pelo seu dono [convertido] como era antes - agora o bichano recebe carinhos e cafunés constantes.

A Bíblia diz que “o orgulho precede a queda”. Muitos sabem que estão errados e precisam se concertar. A história de Nínive nos diz do amor de Deus que “deseja que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade” (1 Tm 2.4). Ele mesmo disse “que não tem prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva” (Ez 33.11). Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos. Nínive no dia do juízo será por testemunha contra todo aquele que “acusar a Deus” de cruel e implacável.

Só há salvação se houver arrependimento. Entregue sua vida a Cristo – confie nEle para sua salvação – abandone sua vida de pecado -, e desfrute da comunhão com Deus a qual traz paz, alegria e vida eterna. Quanta bênção há no arrependimento, entretanto, só os “fortes” darão o braço a torcer que de fato precisam se arrepender e mudar a rota do seu caminho.

“E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra”. – 2 Crônicas 7.14 AFC


Pense nisso!

Fabio Campos

OBS: O alicerce do texto foi com base no livro de Jonas capítulo 3.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Jonas, o missionário bem-sucedido que fracassou; OLYOTT, Stuart; Ed. Fiel