quarta-feira, 5 de março de 2014

DO QUÊ PODE SE GLORIAR UM SERVO INÚTIL?


Por Fabio Campos

Texto base: “Assim também vocês, quando tiverem feito tudo o que lhes for ordenado, devem dizer: ‘Somos servos inúteis; apenas cumprimos o nosso dever”. – Lucas 17.10 NVI


Na última semana tive uma experiência que me fez refletir acerca do “serviço que prestamos a Deus”. Como de costume, fui a Rua Conde de Sarzedas no Centro de São Paulo; lugar este mais conhecido como “Rua dos Crentes”. Lá se encontra de tudo - coisas boas - coisas ruins-, entre elas, a conduta irreverente de alguns irmãos, a venda de produtos piratas, e literaturas de “aparente peidade, mas que pela mentira, leva muitos à destruição”.

Entrei em uma loja para me informar acerca de uma obra teológica. Como de costume, sempre há os “debates e discussões”, entre testemunhos e “admoestações”. Um irmão muito mais velho estava contando acerca de suas experiências com Deus. De fato, muitas delas louvável e que merece apreciação pelo o que Deus têm feito por intermédio do irmão. Entretanto, há momentos que precisamos se calar diante dos homens para não ultrapassarmos o bom senso e tropeçarmos pelo muito falar.

Contando ele do seu ministério itinerante e de como ele conduzira a vida daqueles que foram ganhos através do seu dom, o irmão [amado] começou a exaltar suas obras de justiça apontando para a “nossa omissão na condução de pessoas ao evangelho seguido da nutrição pedagógica no discipulado” [segundo o seu julgamento]. Eu quieto na minha, pedindo o discernimento a Deus para saber se de fato o Senhor estava falando algo. Logo veio o discernimento! No momento que ele olhou pra mim e perguntou quantas almas eu tinha ganhado para Cristo?, sem ao menos escutar minha resposta, disse ele que não tinha desculpas para dar [detalhe que não consegui responder].

Logo minha mente [pelo Espírito que nos faz lembrar todas as coisas] me levou para as Escrituras. A primeira menção foi à expressão de Paulo, “mesmo pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado” (1 Co 9.27). De falador, o irmão [amado] passou a escutar [com mansidão]. Não existiu evangelista mais eficiente em toda a cristandade do que o Apóstolo Paulo. Diferente de muitos de nós que anunciamos nossas obras e delas nos gloriamos para esconder nossas mazelas, Paulo disse “longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo” (Gl 6.14).

É preciso um pouco mais de cautela para expor nosso desempenho ministerial. Nosso ego demanda por apreciação e nossa natureza caída requer aplausos. Talvez toda boa-obra à vista dos homens possa ser “trapo de imundícia perante Deus”. A partir do momento que o dom ministerial entrou em campo para se exaltar diante do outro, ele deixou de ser ferramenta para edificação, e assim como “o prato que retine”, de nada valerá diante de Deus. “É necessário que Ele cresça e nós dimunuamos”. Proclamar o Evangelho de Cristo por “inveja e por rivalidade”, de fato, pela Soberania de Deus, trará benefícios aos ouvintes (Fp. 1. 15-18), contudo, ao que fala, diante de Deus, torna-se tolo. São eles iguais aos Gálatas Insensatos que Paulo mencionou: “Porém eles querem que vocês circuncidem para que eles possam se gabar de terem colocado o sinal da circuncisão no corpo de vocês” (Gl 6.13 NTLH).

O grande reformador John Knox, no leito de morte, foi tentado a gloriar-se em sua própria coragem por Cristo, e nesta virtude excelente [a coragem], fez dela esterco para experimentar a “excelência do conhecimento de Jesus”. Precisamos constantemente meditar pelo auto-exame em nosso espinho na carne para lembramos que, além de tudo, somos apenas pó. Do quê, então, se gloriar? Da nossa pregação que levou milhares a Cristo? Ou do nosso evangelismo ousado que desafiou o Diabo em seu próprio território? Ou dos nossos estudos eloquentes e das nossas longas orações? Tudo isso é válido e faz parte da vida daqueles que foram “salvos pela fé para as boas-obras”. Contudo, depois de ter feito o que lhe fora ordenado, a ordem de Nosso Senhor, é “considerem servos inúteis, que cumpriu apenas com sua obrigação”.

Que Deus nos ajude a não cairmos no engodo de satanás pelo pensar que somos mais do que de fato somos! A dica Escriturística é esta:

“Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho”. – 1 Coríntios 9.16 AFC


Soli Deo Gloria!

Fabio Campos
fabio.solafide@gmail.com