terça-feira, 21 de janeiro de 2014

OS BENEFÍCIOS MORAIS TRAZIDOS ATRAVÉS DA ÉTICA CRISTÃ À SOCIEDADE


Por Fabio Campos

'A Santa Bíblia não poderia jamais mentir ou errar, seus preceitos são de uma verdade absoluta e inviolável'. - Galileu Galilei


O teólogo e filósofo, Agostinho de Hipona, certa vez, afirmou que “toda verdade é verdade de Deus, não importa onde seja encontrada”. Contudo, mesmo dentro desta atmosfera “sacra”, o termo religião, tornou-se pejorativo a sociedade pós-moderna. Por estes dias li algo na internet que me fez refletir. Alguém disse que o índice de violência é maior em países religiosos. Analisando o cenário precisamos concordar que isto é uma realidade. É só direcionarmos nossa atenção a um lugar que foi apelidado por “Terra Santa”. Alguém afirmou que “O ar de Jerusalém está saturado com orações como a fumaça nas cidades industriais” [1]. O poeta Israelense Yehuda Amichai diz que “a poluição da fé é difícil respirar” [1].

O cristianismo “nominal” já matou muitos na época da inquisição e das cruzadas. Infelizmente alguns morreram pelas mãos daqueles que diziam defender a “sã doutrina”. Contudo, precisamos fazer uma distinção entre o “cristianismo nominal social” e o genuíno “cristianismo bíblico”. O cristianismo nominal matou; o cristianismo verdadeiro morreu, pois cumpriu a ordem do Senhor: “E serão minhas testemunhas”.

Testemunha no grego significa “Mártir”, de onde se deriva a palavra “Martírio”. Portanto, o cristianismo e a ordem de Jesus nunca foram para matar a ninguém - mas pela justiça e pela verdade, se possível, morrer, não temendo o homem que mata o corpo, mas temendo a Deus que pode matar o corpo e lançar a alma no inferno.

Partindo deste pressuposto convido o leitor a arrazoar de uma forma racional a despeito dos benefícios que os princípios cristãos podem trazer à sociedade quando praticados. É importante salientar que, todo cristão autêntico, tem a Bíblia como verdade absoluta para sua vida e faz dela sua regra de fé e prática. Quero trazer então, em três esferas [familiar, social e religiosa], os benefícios auferidos.

Segue os princípios:

1.  A honra e o respeito mútuo nos relacionamentos conjugais, evitando assim, a desunião na família e os traumas causados através de uma traição (Hb 13.4).

2. O governo do marido sobre sua casa com excelência cuidando da esposa e dos filhos (1 Tm 3.5).

3. A preservação da integridade física, emocional e espiritual do lar (Pr. 11.29).

4. A submissão da mulher por amor ao marido e não por medo dele (Ef. 5.22).

5. O amor do marido pela esposa, amando a ela mais do quê sua própria vida, morrendo por ela caso necessário (Ef. 5.25).

6. O respeito dos filhos para com os pais honrando a hierarquia econômica familiar (Ef. 6.2).

7. A educação sensata e amorosa dos pais para com os filhos, não os provocando, mas sendo exemplo do que é justo e honesto (Ef. 6.4).

8. Cuidar não somente dos da sua própria família, mas também de sua parentela (1 Tm 5.8).

9.  Ter o discernimento ao escolher os governantes, sabendo que a soberania de Deus não isenta a responsabilidade do homem [Deus usa ímpios no governo para trazer juízo à maledicência do povo] (Jó 34. 12-17).

10. Respeitar as autoridades constituídas - sejam governantes – professores - guardas de trânsito – juízes - pois foram estabelecidos por Deus para inibir o mal e preservar o bem (Rm 13.1-6). A exceção é válida quando a ordem é contrária ao preceito bíblico; não podemos nos sujeitar quando os princípios da Palavra de Deus são contrariados (At. 5.29).

11. Pagar honestamente os impostos e tributos - não fomentar o mercado da pirataria pelo consumo - cumprir os deveres como cidadão (Rm 13.7; Mt 22.21).

12. Aos patrões, que paguem os salários dos seus colaboradores pontualmente e não deixem atrasar, pois disto depende seu sustento (Dt 24.15; Lv 19.13).

13. Estimar e valorizar os colaboradores de suas empresas e não ameaça-los; antes, tratai-os com dignidade e  justiça na qualidade pai de família (Jó 31.13-15; Ef. 6.9; Cl 4.1).

14. Não exigir trabalho sem a paga do salário (Jr. 22.13).

15. Pagar salários justos e nunca reter o direito do trabalhador por meios fraudulentos (Ml 3.5; Tg 5.4).

16. Aos empregados, obedecer aos seus superiores (Ef. 6.5), sendo fiéis no lugar que prestam serviço (Cl 3.22); respeitar a hierarquia conforme o cronograma da empresa (1 Tm 6.1), com o desejo e com a generosidade de agrada-los (Tt 2.9); ser paciente nas situações difíceis (1 Pe 2.18).

17. Ser benevolente para com o próximo em suas dificuldades (Is. 58.7).

18. Socorrer o necessitado e dar remédio ao enfermo (At. 20.35).

19. Levar as cargas uns dos outros (Gl 6.2); interessar-se pelo infortúnio alheio (Hb 13.3); visitar o necessitado (Tg 1.27).

20. Não cobiçar nada que não seja de sua propriedade (Ex 20.17).

21. Caso alguém roube outrem, se, porém, for achado, deverá pagar em dobro (Ex. 22.4).

22. Receber em alta hospitalidade o estrangeiro que veio morar no seu país (Ex 22.21; 23.9).

23. Não cobrar juros abusivos (Ex 22.25).

24. Não usar da fofoca e de conversa maledicente para denegrir o próximo (Ex 23.1a).

25. Ao ser testemunha em um processo - não usar da mentira no depoimento (Ex 23.2).

26. Não torcer o que é direito mesmo que seja em favor do pobre (Ex 23.2-3).

27. Não perverter o direito de ninguém, especialmente do pobre-, pois além da pouca instrução na maioria dos casos, também [o pobre] não tem o recurso necessário para atrair para sua causa os melhores profissionais para defendê-lo (Ex 23.6-7).

28. Aos juízes, prepostos e testemunhas-, não aceitar suborno para modificar o resultado da sentença no pleito (Ex. 23.8).

29. Os magistrados - as autoridades - o governo e a polícia - devem governar e cumprir sua função com retidão e com justiça (2 Cr 19.6; Sl 2.10; Pr. 29.14).

30. Ser diligente e fazer com excelência tudo o que vier em mãos, pois agindo assim, entendendo sua função dentro da sociedade, quando feito com zelo, todos saem beneficiados e a ninguém ficaremos devendo (Rm 13.8).

31.  Amar e respeitar a todos independentemente do credo [não necessariamente concordar] (Mt 5. 43.-48).

32.  Denunciar os falsos profetas (Mt.7.15), pois eles são uma vergonha para o Evangelho (2 Pe 2.2); um desfavor para a sociedade por meio de ritos ascéticos que vão contra as necessidades da natureza do homem criadas por Deus (1 Tm 4.3-4); também por amor ao dinheiro, levam muitos a perdição (1 Tm 6.3-10); destroem casas e se aproveitam da vulnerabilidade dos que carecem de força (Mt 23.14). Precisam ser denunciados através da teologia apologética, pelo direitos humanos e pela polícia federal.

33. Denunciar e repudiar toda religião que mata em nome de Deus ou em defesa de alguma doutrina (Jo 16.2)

34. Conservar sua integridade sexual da forma como se veio ao mundo. Se homem - permanecer homem; se mulher - permanecer mulher; pois, se Adão e Eva não tivesse preservado este princípio, eu e você não estarímos aqui. A geração de um ser é fruto do relacionamento sexual entre um homem e uma mulher; isso foi criado em perfeição pelo Criador, visto a função do órgão genital e a dinâmica para a consumação do ato (Rm 1.26-27).

35. Cuidar de seus animais e preservar a natureza através de um estilo de vida sustentável (Pr 12.10; Gn 1.28-30).

Conclusão:

Você pode até não concordar com o cristianismo no âmbito espiritual; pode odiar os evangélicos e protestantes; pode também não ter a Bíblia como regra de fé e prática e nem nela acreditar como sendo inerrante [que não contem erros]. Contudo, analisando pelo “bom senso” e sendo uma pessoa que clama pela paz, justiça, amor e solidariedade - terá que concordar que, os princípios bíblicos, são os mais adequados dentro da ótica social religiosa para se viver com ordem e decência. Em nenhuma outra religião você verá estes princípios como verdade absoluta, ao menos que tenham sidos copiados das Escrituras Sagradas. Pode até citar outras religiões, mas até aquelas que não são cristãs, ou não aderiram a “ortopraxia” (prática correta da fé cristã), seus princípios bons têm sua raiz em algum preceito bíblico isolado, pois toda verdade é verdade de Deus, não importa onde esteja.

Quero concluir com uma importante observação: listei apenas 35 princípios e não entrei no mérito “místico espiritual”. Contudo, a Bíblia é rica no ensino em como viver com honestidade, tendo por consequência o “bem-estar” do homem, trazendo aquilo que o mundo mais deseja e busca através do entretenimento, da gratificação pessoal e do reconhecimento do homem, que são: paz, alegria, amor, paz com Deus e consigo mesmo em meio às tribulações neste mundo tenebroso.

Pense nisso!

“A tua justiça é eterna, e a tua lei é a verdade”. Salmos 119.142 NVI


Soli Deo Gloria!

Fabio Campos

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REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

[1] Terra comprometida; MAURÍCIO FERNANDES, Ernani; Ed. Nannoeditoracultural; Monte Verde 2009.