sábado, 28 de dezembro de 2013

O DEUS CRIADO A IMAGEM E SEMELHANÇA DO HOMEM!


Por Fabio Campos


Desde o princípio o homem não se contentou em ser apenas “imagem e semelhança” de Deus. Se metendo em várias astúcias, uma proposta sempre foi do seu agrado: “Coma do fruto e sereis como Deus”. Blaise Pascal com muita propriedade disse que “Deus fez o homem a sua imagem, e o homem devolveu a gentileza”. O desejo primário em ser como Deus nasceu no coração de Lúcifer. O homem faz de tudo para se salvar. Purgar os pecados acusados pela consciência é a principal razão para tantas religiões e ritos existentes no mundo. Ser chamado de “sensitivo”, “poderoso”, “profeta”, ou ser considerado aquele que está acima dos demais em espiritualidade, é um alimento e tanto ao ego o qual deseja ser seu próprio “deus” e o “deus” dos outros.

O grande e maior problema da humanidade nunca foi o desejo de ser mais humano. As guerras e contendas provem do desejo em satisfazer a cobiça da carne. Então, nada melhor do que se tornar um “deus” que tem poder em dominar o outro. Este desejo é maligno. A dificuldade permeia nos corações incrédulos em se submeter ao Senhorio do Senhor. A serpente tem enganado a muitos no meio gospel. Muitos estão sendo arrastados para longe da simplicidade de Cristo, fazendo “bezerros de ouro” para adorar e por homens ser adorados.

Muitos pastores, bispos e apóstolos não se contentam com o simples. Requintar o evangelho com “unções especiais”, “sacerdotais” - conduzir a “arca da aliança”; pendurar o “mezuzá” nas batentes e acender o candelabro – traz a conotação e fama de “super-espiritual”. Títulos ministeriais? É o anseio de um coração vazio do Espírito Santo e cheio de si mesmo. Falam da Bíblia, mas não a conhecem. É necessário que Ele [Jesus] cresça e que nós diminuamos. Quanta baboseira que nada tem haver com a simplicidade e o Evangelho de Jesus. Gostam das “últimas novidades” - da nova revelação – da nova direção – dos atos proféticos – do derramar de 30 litros de azeite na consagração do seu rei.

Irmãos, vamos nos apegar ao que é humilde. Não sejamos sábios aos nossos próprios olhos. Tocar o Shoffar traz a impressão de uma alta espiritualidade, mas nunca trará o amor fraternal que prefere dar mais honra ao próximo a si mesmo. Dizer ter tido a revelação que este é o ano de Abraão, de Pedro, de Paulo, só faz do líder um ser “angelical” e não o servo de todos. Dominar o próximo argumentando ser o “ungido” de Deus - o líder - aquele que recebe a palavra “Rhema”-, é agir com desonestidade com Escrituras (1 Pe 5.1-4). O líder segundo o coração de Deus nunca constrangerá a ninguém - antes, conduzirá seus liderados espontaneamente e de boa vontade - jamais será um centralizador imperial, dominador dos que lhe foram confiados.

O maior desafio e o mais difícil para todo o cristão não é ser um super-espiritual – nem tão pouco conquistar cargos dentro da hierarquia eclesiástica. Tudo isso ficará por aqui quando o Supremo Pastor, Jesus Cristo, se manifestar. O maior desafio do cristão é ser parecido com Jesus, e ter assim o mesmo sentimento que nEle houve; pois, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo.

O diabo nos quer “divinizar” – Deus quer-nos “humanizar”. Quanto mais humano nos tornarmos, mais parecidos com Deus ficamos. Porém, quanto mais divinos tentamos ser, mais parecidos com Lúcifer nos tornamos. Portanto, seja nossa atitude a mesma de Cristo Jesus, que foi encontrado na forma “humana”, esvaziando-se a si mesmo, tornando-se “semelhante aos homens”.

Só há um Deus, e você não é Ele!

Soli Deo Gloria!

Fabio Campos
fabio.solafide@gmail.com

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

O ESCANDALOSO AMOR DE DEUS


Por Fabio Campos


Henry Nouwen conta a história de um velho que costumava a meditar cedinho a cada manhã sob uma enorme árvore na margem do Ganges. Certa manhã, depois de ter terminado sua meditação, o velho abriu os olhos e viu um escorpião flutuando sem defesa sobre a água. Enquanto o escorpião se aproximava da árvore pela água, o homem depressa estirou-se sobre uma das longas raízes que se espraiavam rio adentro e estendeu a mão para resgatar o animal que se afogava. Logo que o tocou o escorpião picou-o. Instintivamente o homem recolheu a mão. Um instante mais tarde, depois de recuperar o equilíbrio, ele estirou-se novamente sobre as raízes para salvar o escorpião. Desta vez o escorpião o picou tão gravemente com sua cauda venenosa que a mão do homem ficou inchada e ensanguentada e seu rosto contorcido de dor.

Naquele momento um passante viu o velho estirado no chão lutando com o escorpião e gritou:

- Ei, velho, o que há de errado com você? Só um idiota arriscaria a vida por uma criatura tão feia e maligna. Você não sabe que pode se matar tentando salvar esse escorpião ingrato?

O velho virou a cabeça. Olhando nos olhos do estranho, disse calmamente:

- Meu amigo, só porque é da natureza do escorpião picar, isso não muda a minha natureza de salvar.

O amor de Deus é um escândalo ao mundo, por isso que não o aceitou. Cristo crucificado é loucura para os que se perdem, mas poder de Deus aperfeiçoado na fraqueza do homem que foi salvo. A graça do Senhor Jesus escandaliza. Ela desestrutura toda dogmática convencional meritória. Os religiosos pedem sinais. Os ascéticos asseguram sua salvação com as próprias mãos e temem em perdê-la. Se nada fiz para merecer a graça de Deus, por que, então, temo em perdê-la?

Aos sábios deste mundo este amor é loucura. Contudo, a loucura de Deus é mais sábia do que a dos os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens. A mensagem da morte escandalizou a Pedro, e Jesus o repreendeu severamente dizendo estar ele [Pedro] preocupado com o reino dos homens. A graça de Deus é uma ofensa aos legalistas. Não basta o favor de Deus, é preciso merecê-lo. Não! Somos escorpiões picando constantemente a mão Daquele que nos salvou. Nascido e gerado debaixo da ira de Deus. Contudo, a misericórdia triunfou sobre o juízo, e por Ele, por amor ao Seu Nome, decidiu assim renovar as misericórdias todas as manhãs.

O mundo tropeça nas suas obras de caridade. A igreja busca a lei da justiça e sem um pingo de discernimento, pensam que alcançam - exigem o que nunca lhe foi de direito. São confundidos porque se escandalizam da Rocha que é imutável no seu amor. Anunciar a circuncisão resolve todos os problemas de diálogo com o mundo, porém, anula o escândalo da cruz. Precisamos e assim também preciso eu voltar à pureza do evangelho e simplicidade devida a Cristo por meio do escândalo da cruz. O maior desafio da igreja é ser parecida com Jesus. Precisamos entender que Deus é o ser mais livre que há no universo e por isso faz todas as coisas conforme a sua vontade - muitas das vezes suas dádivas serão dispensadas em lugares inesperados.

O amor de Deus é ilimitado, e não há nada que você faça ou deixe de fazer para Deus te amar mais ou menos. No seu caráter não há sombra de mudanças. Segui-lo pelo discipulado é a resposta deste amor. Não é a coisa mais importante, trata-se da única. “Falta-te uma coisas! dê tudo o que você tem e siga-me”. Crer em um Deus pessoal que chama e conduz é o resultado da fé verdadeira. Certa vez, uma senhora orando, escutou de Deus que disse ao seu coração: “Mais agradável para mim do que todas as suas orações, sacrifícios e boas palavras é que você creia que eu a amo”.

De fato, quem teme ainda não está aperfeiçoado no amor, pois o verdadeiro amor lança fora todo medo. Não há como ser indiferente a tudo isto. Não trata de moralismo ou regras de conduta. Trata-se de um novo nascimento - da água e do Espírito-, pois o desejo de todo nascido de Deus é fazer a vontade do seu Senhor sem medir esforços. Agora a lei é escrita nos corações e gravada no mais profundo de nosso ser. Este amor nos abre para novas prioridades e refaz a importância dos eventos de nossa agenda. Nas palavras de Brennan Manning “a cruz é ao mesmo tempo símbolo de nossa salvação e Pedrão da nossa vida”.

O Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos amados. O seu amor nos constrange e sua bondade nos conduz ao arrependimento. Só o nascido de Deus pode ama-lo de todo o entendimento, de todo o intelecto e com todas as suas forças. Este amor cobre uma multidão de pecados. O contrário disto é a lei retributiva – “faça e será feito”. O escandaloso amor de Deus ofende os primeiros trabalhadores quando o denário é dado na mesma proporção dos últimos. Não há nada que possa atrair verdadeiramente um homem a Deus além do Seu eterno amor. Não há! – e assim segue o escândalo da cruz por meio do favor imerecido de Deus. O Senhor continua a chamar homens e mulheres para esta comunhão de paz através de Jesus Cristo, confundido assim, o sábio na sua sabedoria – o forte na sua força – e, o rico na sua riqueza. Se o arrependimento e a mudança de vida não vierem por meio do amor, muito menos uma conversão genuína se dará através do temor. Pois Ele mesmo disse...,

“Com laços de amor e de carinho, eu os trouxe para perto de mim” - Oseias. 11:4a NTLH

Soli Deo Gloria!

Fabio Campos
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

A assinatura de Jesus; MANNING, Brennan; Ed. Mundo Cristão.

domingo, 15 de dezembro de 2013

NECESSIDADE OU PRIVAÇÃO?


Por Fabio Campos

Pedimos a Deus por diversas vezes o que não precisamos. De fato, pedimos mal, pedimos para nosso próprio deleite. A cobiça fomentada pelo “marketing e a propaganda” gera em nós o murmúrio que nos torna insatisfeitos com aquilo que possuímos. As privações viram necessidades. Quando digo “necessidade”, trato do essencial, daquilo que fisiologicamente não há como viver com a falta. Ninguém consegue viver sem comida, bebida e roupa. Já “privação” é o ato de privar-se de algo que não necessita meramente ser essencial. A comida é essencial, mas aquilo que quero comer não é o essencial - seja pelo valor ou por uma questão de saúde – logo me privo de algo em busca de outro. Em tempos de recesso financeiro posso trocar restaurantes por lanchonetes. Essa é a diferença. O marketing não cria a necessidade! A necessidade é inerente à natureza do homem. Porém, nesta falta, o marketing trabalha para “despertar o desejo”. “Você precisa se vestir, então compre na Louis Vuitton e sinta-se mais importante do que os que compram na Renner” -, este é o papel do marketing diante de uma necessidade.

Quando entendemos esta diferença, entre “necessidade x privação”-, pela mente renovada, o Espírito Santo nos torna grato por aquilo que já possuímos. Passamos a viver contente em qualquer circunstância. Israel quem o digo no deserto. Quanta murmuração contra Moisés e Arão. A loucura chegou ao nível de eles desejarem morrer na podridão e servidão do Egito por lá haver carne e pão com fartura. O Senhor providenciou-lhes o Maná - o pão que desceu dos céus. A necessidade era suprida pelo pão, mas agora o povo queria carne. Este é o espírito desconte que peca contra Deus. Fazer do pão que perece a necessidade, enquanto nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.

O Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos. Nosso Pai que está nos céus sabe de nossas necessidades antes mesmo de as pedirmos. Muitos acumulam coisas para sua própria destruição. Quanto mais se tem, mas difícil fica em desprender-se quando necessário. Creio ser este o motivo porque muitos irmãos [talvez a maioria] passam por “privações”. Não que não existam cristãos ricos ou que todo rico não é salvo em Cristo; de forma nenhuma! Porém, muitos têm o livramento de desejar encher o seu celeiro para que possa descansar sua alma na incerteza das riquezas. Nossas necessidades são supridas por Deus; seja ela física ou espiritual; tudo vem pela mão do Senhor. O cristão entende e se alegra na multiplicação; mas para que haja multiplicação se faz necessário multiplicar também as necessidades. Os cinco mil pães não veio pela providencia divina somente por causa dos doze discípulos, mas pela multidão faminta de homens e mulheres que tiveram a demanda do essencial [a fome].

A providência de Deus é diária. A paz em meio às aflições é para quando há aflições. Afligimos-nos tanto pela ansiedade, e nos falta à paz por muitos momentos, simplesmente, porque colocamos nosso coração na possibilidade do amanhã - em algo que não aconteceu, e por muitas vezes não irá acontecer [ex. ser manado dispensado pela empresa que se é colaborador]. Se acontecer, naquele momento, não vai faltar à paz. Mas em nosso imediatismo queremos a paz especificamente para isso quando ainda não aconteceu? O que precisamos fazer é lançar a ansiedade sobre Ele, pois tem cuidado de nós. O Maná era para ser colhido diariamente e comido no mesmo dia, não podendo juntar para o dia seguinte. Basta a cada dia seu próprio mal.

Israel na sua cobiça juntou a porção do maná não somente a do dia, mas pensou no amanhã [não por prudência, mas pela falta de fé na providencia diária de Deus]. Aquele que precisava colher um pouco mais, não lhe sobrava e nem faltava; o que colhia pouco, da mesma forma ocorria - não faltava e nem sobrava. A ordem era... “Ninguém deixe dele [maná] para manhã”. Eles, porém, não deram ouvidos. Deixaram do maná para comer no dia seguinte. O que aconteceu? Estragou, deu bichos e cheirava mal. Muitas vezes retemos o que Deus disse para gastar e gastamos o que Deus disse para reter. Em ambos os casos vamos colher consequências prejudiciais - ou vai estragar ou vai faltar.

Quando Deus nos pede algo ele respalda. O descanso ao povo foi estabelecido para ser cumprido no sábado. Neste dia nem o maná podia-se colher. Contudo, na sexta, a porção enviada pelo Senhor era dobrada, o que mostra que o Senhor tem o controle até mesmo das necessidades mais básicas da vida do cotidiano. Deus cuida de nós nos mínimos detalhes, fato é que todos os fios de nossa cabeça estão na contabilidade divina. Não é errado orar pelas necessidades básicas da vida ou algo que possa trazer um bem-estar e conforto à família. Contudo, usar Jesus como chave do sucesso para suas conquistas terrenas é muita mediocridade.

Não vivemos contentes em toda e qualquer situação porque fazemos da privação a necessidade. Se você está alimentado e vestido, isto é um sinal que Deus cumpriu com sua a Palavra. Ter paz com Deus é viver contente tanto na abundancia como na escassez. É fazer da motivação do realizar a glória de Deus; é saber que os tesouros verdadeiros são juntados nos céus; é vender tudo e segui-lo; é deixar de viver para que Ele viva em mim; é ser achado nEle, ciência e sabedoria de Deus.

Que Deus derrame da sua paz para que possamos dar “glórias” em toda e qualquer situação, sabendo que Ele nos proporciona ricamente aquilo que precisamos [necessidade] para o nosso aprazimento. O resto é lucro!

Soli Deo Gloria!

Fabio Campos
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NOTA: O texto base para esta reflexão foi o de Êxodo capítulo 16. 

sábado, 14 de dezembro de 2013

POR QUE O CRISTÃO DEVE TER CERTEZA DA SUA SALVAÇÃO?


Por Fabio Campos

Estamos vivendo tempos difíceis no campo doutrinário dentro das igrejas evangélicas. O mérito legalista pregado por alguns líderes tem “ofuscado” a doutrina da graça e o favor imerecido de Deus. A pregação não vem mais pela exposição do texto bíblico, agora trata de normas de “boas-condutas” moralista - rudimentos do mundo, baseados em regras como - “não manuseia”; “não prove”; “não toque” – ensinos humanos ascéticos com o intuito de refrear os desejos pecaminosos da carne. Tudo isso tem uma aparência de piedade e humildade, contudo, não tem valor nenhum para domar o coração que é corrupto e enganoso.

Para onde vai à graça? Para o mérito! Se for por mérito, já não é pela graça. Nisto se forma cristãos que estão seguros em seu próprio desempenho ao invés no de Cristo. Resultado? Culpa! Se apoiar na culpa é viver na possibilidade da carne ao invés da do Espírito. Não é a culpa que nos leva ao arrependimento. O que nos leva ao arrependimento é a bondade de Cristo.

Todo cristão precisa ter a certeza da sua salvação! Entretanto, por “cristão”, o “título”, passou a ser genérico socialmente falando. No âmbito social cristão enquadram-se os protestantes, católicos, espíritas e as vertentes destas religiões. Contudo, ser cristão conforme ensina a Escritura está além de um rótulo. Segundo o teólogo Wayne Grudem a fé cristã consiste em “ouvir o evangelho [genuíno], a regeneração do Espírito Santo, a resposta com fé e arrependimento, o consequente perdão e a adoção como filhos da família de Deus”. Todas coisas essas produzidas pelo o Espírito Santo no coração do pecador.

Você pode estar pensando -, “mas continuo a pecar” – sim! e vou além... Você não é pecador porque peca - você peca porque é pecador, e disto ninguém se atreve a levantar suspeita, pois quem assim faz, diz de Deus um mentiroso (1 Jo 1.10). Todos somos pecadores (Rm 3.10), porém, existem duas classes de pecadores: os regenerados e os não regenerados! Os “regenerados” se entristecem com o pecado; os “não regenerados” se alegram com o pecado. Pecar é uma coisa, porém, viver na prática deliberada é outra, o que demonstra que ainda não houve o novo nascimento-, pois o homem carnal deseja as coisas da carne - o espiritual deseja as coisas do Espírito. Tudo é uma questão de onde está o seu coração concernente ao pecado: na alegria ou na tristeza!

Pois bem, suponhamos que você é um cristão de fato, nascido de novo e tem grande desejo em agradar a Deus [mesmo falhando]. Acerca de ti a Escritura diz: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1). O Senhor é por nós! Ele é quem nos ajuda! Então, quem poderá nos condenar (Is 50.9)? Para que possa haver condenação se faz necessário um “julgamento”. Contudo, “quem nEle crer não será jugado” (Jo 3.18). A fé vem pelo ouvir, e crendo no Filho, este [que ouvir e praticar] é porque já tem a vida eterna em si. Ele “não entra em juízo, mas passou da morte para a vida” (Jo 5.24). Deus não brinca de “morto” “vivo”. Quem “passou da morte para a vida”, não “morre” mais. Quem então condenará os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. E não somente isso, mas Cristo morreu por eles, e ressuscitou; se fez Advogado ao lado direito do Pai para ser a propiciação dos nossos pecados quando praticados (1 Jo 2.1-2).

O mandamento principal é “amar a Deus acima de todas as coisas”. O nascido de Deus não se esforça para amar o Senhor. Ele se esforça em agrada-lo. Mas amar a Deus é uma consequência do novo nascimento, pois o amor procede de Deus, e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus (1 Jo 4.7). A Bíblia nos ensina que aquele que se apegou a Deus em amor, é livre, e por conhecer Seu nome, prova que é um salvo (Sl 91.14). Ainda que na angústia, por amor a Deus, ele invocará o Senhor e terá sua resposta, e com ele Deus estará (Sl 91.15-16). Precisamos apenas permanecer no seu amor, pois no amor não existe medo, antes lança fora todo o temor.

Muitos não amam a Deus, mas temem a Ele: “Ora, o medo produz tormento; logo aquele que teme não é aperfeiçoado no amor” (1 Jo 4.18). Muitos irmãos vivem uma vida “raquítica” pelo fato de não terem certeza de sua salvação. De fato, não há felicidade no medo. Mas quando a certeza do amor de Deus invade nosso coração, o que é tribulação virá perseverança; a perseverança gera a experiência; a experiência nos traz esperança, e a esperança não nos traz medo, pois ela não confunde, porque o amor de Deus foi derramado em nosso coração pelo o Espírito Santo. Tudo isso foi pelo seu grande amor, ao ponto de sermos chamados “filhos de Deus” (1 Jo 3.1).

Você pode dizer: “Como sei então que sou filho de Deus?” A Bíblia nos ensina que o “Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos (Rm 8.15). Isso vai além da capacidade cognitiva racional do homem. O Espírito é quem diz direto a nossa consciência e atesta esta certeza em nossa alma tendo por consequência a paz e a alegria que excede todo o entendimento. O processo é o mesmo que houve na vida de Pedro. Ao confessar que “Jesus era o filho de Deus” (Mt 16.17) – isso que ele disse não foi revelado por homem algum, mas pelo “Pai que está nos céus” (Mt16.18).

O Salvador não precisa do salvo. Para ser salvo, o perdido precisa de um salvador. O homem só chegará à perfeição “quando Cristo se manifestar, pois o veremos assim como Ele é” (1 Jo 3.2). Entretanto, o verdadeiro cristão geme pela redenção do corpo e nesta esperança purifica a si mesmo (1 Jo 3.3). Martinho Lutero disse que “o pecado é como a barba; cresceu, tem que raspar”. Nesta condição o sangue de Jesus nos purifica de todo o pecado.

O crente não apenas precisa ter a certeza da sua salvação, mas também que, em momento algum, pode perdê-la, pois o nascido de Deus conserva a si mesmo e o maligno não o toca (1 Jo 5.18). Tenho que concordar com a piada feita por um pastor calvinista. Ele disse que alguns crentes [principalmente os arminianos] fazem de Deus a brincadeira do “bem-me-quer”, e do “mal-me-quer”. “Estou salvo no domingo - na segunda-feira pequei - na quarta me arrependi - voltei a ser salvo na quinta”. Este não é o Deus da Bíblia e nem o Salvador dos homens, Jesus Cristo. O Senhor conhece nossa estrutura e sabe que, se a salvação dependesse de nós pela consequência do nosso desempenho, certamente, perderíamos. Acerca disso diz Martinho Lutero:

“Se a minha salvação fosse deixada ao meu encargo, eu não conseguiria enfrentar vitoriosamente todos os perigos, dificuldades e demônios contra os quais teria que lutar. Porém, mesmo que não houvesse inimigos a combater, eu jamais poderia ter a certeza do sucesso”.

O bom pastor dá a vida pelas ovelhas e não cobram delas. A ovelha verdadeira ouve a voz do seu pastor (Jo 10. 3-5) e mesmo que num momento de loucura, ela se desgarre, o bom pastor deixará as noventa e nove para buscar a que se perdeu. É muita segurança! As ovelhas conhecem o Pastor e o Pastor conhece as suas ovelhas. O Pastor deu a vida por elas! A segurança é tanta que o Filho diz “nenhuma delas [ovelhas] perecerão, e ninguém, absolutamente ninguém, nem você mesmo, poderá fugir das mãos do Pai e do Filho, pois os Dois são Um” (Jo 10.27-30). Warren Wiersbe ilustra bem a dinâmica desta segurança:

 “Deus é por nós e provou isto, dando-nos seu Filho (Rm 8.32). O Filho é por nós e prova isto, intercedendo por nós junto ao Pai (Rm 8.34). O Espírito Santo é por nós, assistindo-nos em nossa fraqueza e intercedendo por nós com gemidos inexprimíveis (Rm 8.26). Deus está trabalhando para que todas as coisas contribuam para o nosso bem (Rm 8.28). Em sua pessoa e em sua providencia, Deus é por nós”.

A garantia perpétua da salvação não se encontra em nós, mas na fidelidade do Senhor. A aliança foi feita pelo sangue de Cristo e por um alto preço fomos comprados. Tanto o querer como o efetuar esta no Senhor: ”Por isso Deus, quando quis mostrar mais firmemente aos herdeiros da promessa a IMATABILIDADE do seu propósito, se interpôs com juramento” (Hb 6.17 ARA). Segundo o comentário bíblico WIERSBE, “quando Deus fez aquela promessa a Abraão, ele a endossou, pondo a própria reputação em jogo. Ele disse: ‘Prometo que o abençoarei com tudo que tenho; bênção, bênção e bênção’. Abraão se agarrou a isso e recebeu tudo que lhe fora prometido. Quando alguém faz uma promessa, oferece também uma garantia, apelando para alguma autoridade acima dele. Assim, se houver alguma dúvida a respeito da promessa, a autoridade entra em ação, decidindo qualquer questionamento. Deus, como garantia de suas promessas, deu sua palavra – uma garantia sólida como rocha. Deus não pode quebrar sua própria palavra, e, como sua palavra não pode mudar, sua promessa é também imutável”. 

O texto [Hebreus 6.17-19] traz o sentido de “um fundamento firme, forte, estável e seguro; aquilo que não falha ou oscila, imóvel e no que se pode confiar”. Fomos justificados pelo sangue de Cristo, e justificação nas palavras do Rev. Hernandes Dias Lopes, “trata do ato forense, legal e final. Ela jamais pode ser alterada, cancelada ou diminuída em seus efeitos. A justificação é irrepetível”. Em segurança o Senhor nos selou por sua propriedade: “... o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória” (Ef 1.13-14). Esse selo tem por conotação “estampar”, “marcar” (com um sinete ou uma marca particular) para segurança ou preservação (literal ou figurado). O penhor trata de “um calção”; uma garantia oferecida como forma de ratificação de um contrato (LXX: Gn 38.17,18,20). É usado metaforicamente referindo-se aos privilégios dos cristãos nesta vida, especialmente ao dom do Espírito Santo, como sendo uma garantia, uma bem-aventurança futura no reino do Messias. Tudo isso foi pelo Senhor para sermos sua propriedade. Quando você compra um imóvel é necessário que haja uma averbação na matrícula da transferência da propriedade do antigo para o novo dono, aquele que a comprou. Tudo isso é lavrado em cartório. Uma vez que esse procedimento é feito dentro da lei, o antigo dono não poderá “reclamar” pela propriedade que um dia lhe pertenceu. Foi exatamente isso que o Senhor fez conosco. Nos comprou por um alto preço [a saber, o sangue de Cristo] e nos transferiu do reino das travas para o reino da luz. O Espírito Santo é o selo e a garantia desta compra –  e o dom dado por Deus é irrevogável (Rm 11.29).

A reflexão que fica: “se você não tem certeza da sua salvação, então o que falta fazer para tê-la”? Existe alguma coisa que você possa fazer [mesmo confessando ser um cristão verdadeiro] para ter a certeza da salvação? Se for assim já não é pela fé, mas por obras; porém, as Escrituras nos ensina que é “pela fé e não por obras, para que ninguém se glorie diante de Deus” (Ef 2.8-9). No dia que tivermos a certeza de nossa salvação em decorrência das nossas obras, diante de Deus, seremos pobre, cego e nu, pensando estar ricos e com falta de nada. A prepotência diante de Deus e dos homens tomará conta de nosso coração para nossa própria ruína. Por isso que graça nos faz humildes para com Deus e para com homens; ela confronta nossa limitação com infinitude de Deus. O teólogo Wayne Grudem diz que “se pensássemos na justificação como baseada em algo que somos internamente, nunca teríamos a confiança de dizer com Paulo: ‘Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus’ (Rm 8.1)”.

Muitos irmãos tem dúvida acerca da sua salvação porque olham para si ao invés de olharem para Cristo. Não há nada que possamos fazer, ou deixar de fazer, para que Deus nos ame mais ou menos quando estamos em Cristo. “Não vem de nós, é presente de Deus, para que ninguém se glorie”. Muitos pensam que ter a certeza da salvação é um ato arrogante. Pelo contrário! Ela não depende do que faço, mas do que Cristo fez, e isso exige uma submissão. O contrário é que é orgulhoso! “Ainda não tenho a certeza, mas um dia, pela minha conduta, vou ter”. Não! Tudo é por meio dEle e para Ele. Paulo sabia que não tinha a perfeição, mas prosseguindo para o alvo, a dúvida nunca o assolou. Como sabia em quem cria e que Jesus era [e é] poderoso para guardar sua fé até o dia final, não hesitou em escrever: “Pois estou certo” (Rm 8.38). Repare que ele não tinha dúvida, ele não disse: “Ainda não tenho certeza”. Não! É certeza absoluta; não por ele, mas pelo amor de Deus que está em Cristo Jesus, o Senhor. Você que está em Cristo e tem dúvida da sua salvação, convido a meditar nesta passagem:

“Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: "Por amor de ti enfrentamos a morte todos os dias; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro". Mas, em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, NEM QUALQUER OUTRA COISA NA CRIAÇÃO SERÁ CAPAZ DE NOS SEPARAR DO AMOR DE DEUS QUE ESTÁ EM CRISTO JESUS, nosso Senhor”. – Romanos 8. 35-39 NVI

É muita segurança para que possamos ter uma única dúvida ainda que seja do tamanho de um grão de mostarda. Em Cristo “temos esta esperança como âncora da alma, firme e segura” (Hb 6.19). Ainda que o diabo e os homens nos acusem, Deus jamais aceitará acusação contra nós que fomos justificados pelo Nosso Senhor Jesus Cristo - ainda que nosso coração nos acuse, Deus é maior que nosso coração, pois Ele sabe de todas as coisas.

“Sabendo que, se o nosso coração nos condena, maior é Deus do que o nosso coração, e conhece todas as coisas”. – 1 João 3.20 AFC

Que Deus ponha em nós através de Jesus Cristo a certeza de nossa salvação - assim desfrutaremos pela paz que excede todo o entendimento da comunhão e da alegria que há em Nosso Senhor. Só assim teremos vida, e esta, em abundância.

Soli Deo Gloria!

Fabio Campos
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Destinados para glória; LOPES, Hernandes Dias; Ed. Mundo Cristão.
Manual de doutrinas cristãs; GRUDEM, Waynem; Ed. Vida Acadêmica.
Bíblia de estudo palavras-chave; Ed. CPAD.
Comentário bíblico Wiersbe; WIERSBE, Warren; Ed. Central gospel.
Nascido Escravo; LUTERO, Martinho; Ed. Fiel.

sábado, 7 de dezembro de 2013

ESTOU DESESPERADO, ENCONTRO-ME EM UM POÇO DE DESTRUIÇÃO AFOGADO PELA LAMA!


Por Fabio Campos


Este é o sentimento de todo homem convencido pelo Espírito Santo acerca da sua situação. Querer fazer o bem, mas estar aprisionado pelo mau, tendo a lei de Deus no interior, nos traz angústia e desespero. Muitas das vezes nos encontramos neste estado: “dentro de um fosso atolado pela lama”. A paternidade divina que nos faz clamar pelo “Aba” dá lugar ao juízo que diz, “horrenda coisa é cair nas mãos do Deus Vivo”.

Davi, homem segundo o coração de Deus, principal dentre todos os reis de Israel, estava neste estado mental de condenação. No salmo 40 sua confissão trata justamente da culpa em decorrência dos seus pecados. O mal que estava o rodeando atribuiu ele ao juízo de Deus, e devido seus pecados serem mais numerosos do que os cabelos de sua própria cabeça, seu coração desfaleceu. Davi não tinha confiança para se achegar ao trono da graça a fim de receber graça e misericórdia: “... as minhas iniquidades me prenderam de modo que não posso olhar para cima” (Sl 40.12).

Em tempos de fraquezas e quedas - momentos em que damos mais vazão à carne por “resistir o Espírito” – nosso sentimento é de vergonha ao ajoelhar-se diante de Deus. Davi neste estado clamou ao Senhor dizendo: “não me negues a tua misericórdia” (Sl 40.11). Parece que não há mais saída. O que olhamos ao redor é diversos homens aparentemente piedosos com pedras nas mãos em “nome da lei”. Por estes somos levados Àquele que é Santo e que não pode contemplar o mal. Mas quando o coração está quebrantado e contrito, a misericórdia triunfa sobre o juízo, pois Ele conhece os que lhe pertence, e mais do que “não pecar” [pois se não fazemos dEle mentiroso], é ter prazer na vontade de Deus. Ainda que nos membros haja outra lei que milita contra a lei do Espírito e da vida - ainda sim, os nascidos de Deus têm prazer na lei do seu Senhor, pois ela [lei] está no seu coração (Sl 40.8).

Como é bom saber que tudo o que Deus “tinha” a fazer para nos perdoar assim Ele fez não pela nossa fidelidade, mas pela a fidelidade do Filho Jesus. Muitas das vezes não conseguimos ser fiel a Deus; contudo, Ele permanece fiel, pois não pode negar a si mesmo. Diante da Aliança feita no sangue de Jesus, tudo o que foi demandado pela justiça da lei, foi suprida pela justiça de Cristo. Agora a vida que vivo na carne, vivo-a pela fé no Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim. Aleluia! Diante disso, então, oremos sem medo, o que Davi orou: “Agrada-te, Senhor, em libertar-me; Apressa-te, Senhor, a ajudar-me”. (Sl 40.13).

Portanto, regozijem-se todos os que buscam ao Senhor – todos aqueles que amam sua salvação, pois grande é o Senhor. Como é feliz o homem que nestes tempos põe sua confiança no Senhor ao invés de apoiar-se no seu desempenho. Ele é bem-aventurado por não ter sua iniquidade atribuída pelo Senhor (Sl 32.2). As maravilhas do Senhor são tantas, e o que Ele tem operado para com conosco é tão magnificente que, ao começar a falar dEle, faltam as palavras, e todas elas jamais poderão explica-Lo.

Então, podemos sim, achegar-se por um novo e vivo caminho confiadamente no trono da graça. Ainda que nossos pecados sejam mais do que os fios de cabelo de nossa cabeça, ainda sim, o trono em Cristo, não será de juízo, mas de graça e misericórdia. Isto [graça e misericórdia] nós teremos no tempo oportuno. Ele conhece nossa estrutura e sabe que somos pó! Por isso entoemos...

“Mas eu sou pobre e necessitado; contudo o Senhor cuida de mim”. (Salmos 40.17 AFC)


Soli Deo Gloria!

Fabio Campos


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

TRÊS RAZÕES PORQUE A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE É DIABÓLICA


Por Fabio Campos

Texto base: Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios” – 1 Timóteo 4.1 AFC


A serpente era o mais astuto de todos os animais (Gn 3.1), e desde a criação vem enganado a muitos (Ap 12.9). “Endeusar” o homem e o “tornar divino” são o sucesso do marketing: “... e vocês serão como Deus” (Gn 3.5). Satanás tem seus planos; mas o principal deles é nos afastar da simplicidade de Jesus Cristo (2 Co 11.3), a qual nos faz humanos pela humildade (Fp 2.5-8).

A “Teologia da prosperidade”, movimento também conhecido como “confissão positiva” e “palavra da fé”, apregoa que a marca do cristão maduro é a plena saúde física e emocional, e a prosperidade material. O cristão da confissão positiva é “supercrente”, pois acredita que nada o atinge. Esse movimento surgiu na primeira metade do século XX, nos Estados Unidos. De acordo com essa doutrina, o cristão não deve ser atingido pelas vicissitudes da vida, assunto que ainda atrai multidões devido às carências da vida. Seus arautos proclamam que a pobreza não faz parte dos propósitos divinos.

Na tentativa de fazer do homem um “semideus”, seus adeptos alegam por ter sido o homem criado a imagem e semelhança de Deus, assim também Ele deseja distribuir riqueza, saúde e felicidade àqueles que têm fé e a experimentem intensamente. Essa teologia é irresponsável pelo seu pragmatismo. Sem nada a perder, mas tudo a ganhar, o fiel é incentivado a apostar tudo para que, de imediato ou em um curto período de tempo, qualquer situação de revés mude radicalmente, experimentando assim o sentimento de já estar no caminho da prosperidade.

Muitos promovem congressos de batalha espiritual para “exorcizar” os diversos tipos de demônios [inventado por eles ou copiado dos cultos afros]. Dizem, se o crente está no deserto, é porque tem brecha em sua vida ou foi possuído pelo demônio. Contudo, se esquecem de que, quem conduziu Cristo para o deserto foi o Espírito de Deus e não o Diabo. O Diabo estava no deserto e não no “corpo de Jesus” (Mt. 4.1).  O Senhor nos conduz para o deserto para provar nosso coração (Dt 8.2). Depois de ter jejuado quarenta dias e quarenta noites, Jesus teve fome. As necessidades físicas de Cristo lhe sobrevieram com força apenas depois de muitos dias. Isto só lhe foi possível porque seu alimento era fazer a vontade de Deus (Jo 4.34) - assim subjugava sua fome com Sua Palavra (Mt 4.4). Os teólogos da prosperidade não se sujeitam a vontade do Senhor. Antes, determinam sua própria vontade pela confissão positiva. Suas exegeses comprovam que eles são nutridos pelos tesouros terrenos, visto o seu desprezo para com a “Sã Doutrina”.

Com base na passagem de Mateus (4.1-11), onde Jesus foi tentado no deserto pelo Diabo, quero trazer a luz das Escrituras, os ensinos e as promessas dos “teólogos da prosperidade” fronte o que foi “ensinado” e “prometido” a Cristo pelo Diabo.


As três formas que satanás fala pela boca destes “teólogos”:

I)              “O tentador aproximou-se dele e disse: “Se você é o Filho de Deus, mande que estas pedras se transformem em pães”“. (Mateus 4.3 AFC)

O Diabo sempre nos tenta a usarmos de métodos carnais e pragmáticos para provarmos ao mundo que somos de fato filhos de Deus. “Se você é filho de Deus - não aceite esta dificuldade - não aceite esta luta e nem essa enfermidade - mas venha para nossa igreja”, dizem eles com seus “evangelismos corporativos”. Com doutrinas espúrias transformam pedras em pães para suprir a necessidade do momento não importando o seu meio. Preocupam-se não com o que é certo, mas o que dá certo. Suas igrejas estão lotadas de pessoas, porém, grande parte, insatisfeitas com aquilo que possuem, sempre querendo mais. Esses agentes de satanás se colocam na posição de “heróis da guerra”, mas sem domínio próprio (Pr. 16.33), são dominados pela cobiça e sensualidade das riquezas.

A verdade da Palavra de Deus não faz sentido para eles. Negam o Soberano Senhor que diz: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”. Ela é o verdadeiro alimento, e supri até nossas necessidades físicas em tempos de crises e provações (Dt 8.3). Um fato que comprova a malignidade desta teologia se encontra na escassez da Palavra nos púlpitos destas igrejas. O contraste disso é a pregação de auto-ajuda que foca no acúmulos de bens e no bem estar do homem ao invés de exaltar a Cristo e proclamar a Glória de Deus. Nisto prova-se que estão pervertendo a verdade juntando tesouros terrenos.


II)            Então o diabo o levou à cidade santa, colocou-o na parte mais alta do templo e lhe disse: "Se você é o Filho de Deus, jogue-se daqui para baixo. Pois está escrito: ‘Ele dará ordens a seus anjos a seu respeito, e com as mãos eles o segurarão, para que você não tropece em alguma pedra’". (Mateus 4. 5-6 AFC)

Os teólogos transportam muitos para os seus templos. No clima do sacro, colocam seus membros nas “partes mais altas”, dizendo: “você nasceu para ser cabeça e não calda; vai emprestar ao invés de tomar emprestado”, e com a proposta de destaque sobre os demais, seja na igreja - seja na empresa ou na família, dizem: “Se você é filho de Deus, prove ao mundo esta verdade”. Aprenderam com o seu pai em como tirar textos do seu contexto para auferir benefícios que suprem a ganância do seu coração. Promovem a ostentação dos bens. Reivindicam promessas que não foram prometidas. Os crentes carnais, os quais desejam as coisas da carne, caem no seu conto porque não são seduzidos pela as coisas do Espírito (Rm 8.5).

A resposta do Senhor Jesus: Não tentarás o Senhor teu Deus”, é uma prova clássica do quanto estes teólogos não têm temor. Tentar a Deus é lançar dúvida sobre o seu caráter. Ficam pedindo sinais. A fé não pede sinais - quem pede sinais é a dúvida - e aquele que duvida quando pede é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento, e lançada de uma para outra parte. Não pense tal homem que receberá do Senhor alguma coisa (Tg 1.6-7). Homem inconstante em todos os seus caminhos. Vemos com frequência esses apóstolos e bispos colocarem Deus na parede. Assim como fez satanás com Cristo dizendo: “joga-te daqui para baixo”, assim também fazem eles dizendo: “se Deus não fizer, eu rasgo minha Bíblia”. Que absurdo! O povo vai ao delírio; Deus passa a ser o coadjuvante e servo no culto, ao invés de ser Cristo e Senhor para a Glória de Deus Pai. Determinam pela palavra da fé [criada na mente deles], e rejeitam a Palavra de Deus que é Eterna e imutável. Tentam a Deus o tempo todo! As rádios ditas evangélicas estão cheias de promessas baseadas na reciprocidade. “Se Deus não fizer eu devolvo a oferta”. Dorme nesse barulho, vai...! Suas obras são más, porque são mentirosas, por isso têm eles por pai o Diabo (1 Jo 3. 8-10).

III)           “Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles. E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares”. (Mateus 4.8-10 AFC)

Os teólogos da prosperidade não se satisfazem apenas em transportarem pessoas para dentro dos seus templos. Eles precisam levá-los aos “lugares mais altos” e “mostrar-lhes toda a glória e riquezas deste mundo. Por isso encontramos testemunhos sensacionalistas, onde de mendigo, em menos de um ano, o fiel passa a ser diretor da “Vale do rio doce”. “Vejam vocês, a mão de Deus está aqui”, é o papo furado deles. Mostram gente bonita e rica, e junto deles “toda a riqueza” em eleva estima. Essa pregação é anti-bíblica, e estes testemunhos não trazem a glória para Deus, pois o mesmo Senhor diz para “não amarmos o mundo nem nele o que há” (1 Jo 2.15). São predadores e não pregadores! Atacam as vítimas por meio dos seus discursos triunfalistas aguçando a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens - todas essas coisas que não provém de Deus, mas do mundo (1 Jo 2.16). Enganam mais ainda o coração dos indoutos que já é corrupto por natureza (Jr 17.9).

São sectários! Pela “idolatria messiânica” aguçada pelas vitórias terrenas, afirmam que suas denominações [se assim podemos chamá-las], são o “caminho”, a “verdade” e a “vida”. “Aqui tem milagre”, é o grito desses hipócritas. Dizem serem eles a resolução para todos os problemas. “Você quer cura, restauração da família ou dinheiro? faça o sacrifício – faça um voto -, afinal, vocês precisam tomar uma atitude”, são suas palavras de “incentivo”. Satanás continua falando hoje: “tudo isto te darei se, prostrado, me adorares”. Adorar não se restringe apenas em curvar a fronte frente outro deus, mas em não entregar o coração ao Único Deus. O “deus” destes pregadores é “mamon”. Jesus foi bem claro ao dizer que “não tem como servir a dois senhores; será inevitável em amar a um e aborrecer o outro; se dedicar a um e desprezar o outro” (Mt 6.24). A ordem para a igreja é: “Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro”. E como bem disse nosso Senhor para terminar com batalha no deserto: “Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás” (Mt 4.10 AFC). Pelos apelos sabemos quem é o “deus” destes “pregadores” e a quem eles adoram.

Conclusão:

A teologia da prosperidade transforma igrejas em empresas e fieis em clientes. É grande e ainda cresce o número de pessoas que não querem mais saber de igreja por causa dos abusos e das frustrações por não terem recebido o que lhe foi prometido. Hoje as ofertas são muitas: alegria, paz, cura, restauração, riquezas e posses. Tudo isso em único produto: “jesus”. O Dr. Paulo Romeiro, pastor da Igreja Cristã da Trindade e professor de ciências e religião da Universidade Mackenzie, diz que “o problema da ‘teologia da prosperidade’ não é a ‘prosperidade’, mas a ‘teologia’”. Ser próspero é bíblico e assim Deus faz de alguns conforme sua Soberania. O contrário também deve ser arrazoado. Ser pobre e de condição humildade não é sinal de maldição. O grande problema da “prosperidade” pregada por estes teólogos é que ela não é bíblica. Antes é “luciferiana”! Não tem contentamento e por isso usam todo tipo de método para auferir ganhos e obter lucros. A prosperidade bíblica tem por plenitude o viver contende em toda e qualquer situação – seja na abundância, seja na escassez – pois o crente é fortalecido em Cristo e assim pode passar por todas as coisas sendo suprido pelo pão que não perece (Fp 4.12-13).

Muitos ignoram o alerta de Jesus - “cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores” (Mt 7.15) -, usando fora do contexto “não julgueis para não ser julgado”. Não podemos fazer o gosto do Diabo. Não se opor a mentira é ser conivente dela. O Senhor nos ensina a “julgarmos os frutos” (Mt 7. 16-23), pois nem todo aquele que diz Senhor é do Senhor; não podemos dar crédito a qualquer espírito; antes, precisamos prova-los se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo a fora (1 Jo 4.1).

Algumas características dos teólogos da prosperidade:

Usam de versículos bíblicos sem contexto para seu próprio beneficio (Mt 4.6).

Privam-se da verdade para obter lucro (1 Tm 6.5).

Não suportam a “sã doutrina”, por isso não ensinam a teologia ortodoxa cristã; antes inventam “todo tipo e doutrina” que se amolde a suas concupiscências (2 Tm 4.3).

Têm aparecia de piedade; são carismáticos; choram com o “povão” (2 Tm 3.5).

São avarentos e amantes de si mesmo (2 Tm 3.2).

Por amarem as coisas ao invés de pessoas, têm por “deus” seu próprio ventre, e por Deus foram sentenciados como “inimigos da cruz” (Fp 3. 18-19)

Amam mais a “Jerusalém” terrestre do que a celestial (Fp 3.20).

Alerta:

Tome cuidado com suas profecias. Ainda que tal profecia ou sinal proceda conforme o que foi dito, tenha muito cuidado. Pois estes só farão seguir a outros deuses, e assim Deus permitiu que tal profecia ou sinal se cumprisse para provar nosso coração, para saber se amamos o Senhor, nosso Deus, de todo o nosso coração e de toda nossa alma (Dt 13. 1-3).

Muitos ignorarão o artigo e dirão que duro foi à escrita. De fato escrevi com muito ódio, mas não do homem, apenas do Diabo e do pecado [o qual também habita em mim]. Contudo, em Deus por meio de Cristo, sou o que sou, e isto pela graça; sabendo do chamado que foi dispensado aos santos (Jd 3), o temor me é constante, pois sei que terei um maior rigor no juízo por haver recibo como dom o ensino das Escrituras (Tg 3.1), e nisto importa, obedecer a Deus do que a homens, sendo escravo da minha consciência que ter por norte a Palavra de Deus.

Que Deus nos livre destes agentes do Diabo nababescos que querem ficar ricos e que querem levar uma vida megalomaníaca. Eles caem em muitas tentações, pois o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males e nessa cobiça alguns se desviram da fé, se atormentando em muitas dores. Não ignoremos os ardis de satanás (2 Co 2.11), pois está escrito:

“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita”. – 2 Pedro 2. 1-3 AFC

Soli Deo Gloria!

Fabio Campos

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Decepcionados com a graça; ROMEIRO, Paulo; Ed. Candeia.
Super Crentes; ROMEIRO, Paulo; Ed. Mundo Cristão.