sábado, 28 de setembro de 2013

O MAIS PIEDOSO HOMEM SERIA O MAIS MALIGNO “DEUS”


Por Fabio Campos

Uma proposta nos é apresentada todos os dias: “Coma do fruto e sereis como Deus”. A soberba que antecede a queda nos faz tomar o lugar de Deus e julgar de acordo com a nossa justiça. Muitos travestidos de piedade, mesmo que há aparente louvor na sua ira contra o mal, por não se examinarem, não conseguem produzir a justiça de Deus. Onde quero chegar? Creio sim que Deus ama o pecador!

Muitos samaritanos são consumidos pelo fogo do céu “determinado” por alguns de nós. Não tem problema, são os “reprovados” desde antes da fundação do mundo. Esse é o “deus” que seríamos  porém o Verdadeiro e Único é bem diferente disso: Mas Jesus, voltando-se, os repreendeu, dizendo: "Vocês não sabem de que espécie de espírito são, pois o Filho do homem não veio para destruir a vida dos homens, mas para salvá-los" (Lc 9.55).

Deus é um Pai que deve ser seguido como exemplo. Aliás, o mandamento é, “Sedes vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste” (Mt 5.48). Mas qual o contexto dito aqui pelo Senhor Jesus? O que precisamos para alcançar esta perfeição dita no imperativo? O contexto trata do “amor ao próximo”. Muito mais que isso! Trata do amor aos inimigos (Mt 5.43). A justiça do homem caído não tem prazer em amar os inimigos e orar pelos os que o perseguem. Já Deus prova o seu amor para com o pecador que fez nascer o sol sobre maus e bons, e fez descer chuva sobre os justos e injustos. Isso não é amor? Seria um paradoxo o Senhor pedir para amar nossos inimigos sendo que Ele os odeia.

Nosso Deus não o homem que diz: “Faça o que mando, mas não faça o que eu faço”. Nada disso! Pelo contrário, sua orientação tem o parâmetro Nele mesmo. Ame o pecador: “Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa receberão? Até os publicanos fazem isso! E se vocês saudarem apenas os seus irmãos, o que estarão fazendo de mais? Até os pagãos fazem isso! Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês". (Mt 5.46-48 NVI).

Não podemos usar dos salmos precatórios para amaldiçoar ou demandar fogo dos céus contra os inimigos. O que seria de Paulo se João não tivesse apreendido a lição com o Mestre? Mesmo que o pecador seja lançado no inferno Deus em nenhum momento deixou de ama-lo, pois seu amor não é manifesto em não jogar as pessoas no inferno, mas em dar o seu único Filho para que os que Nele crer, não vá para lá. Deus é amor (1 Jo 4.8) e não pode negar a si mesmo. Isso explica o porquê Jesus amou Judas até o fim mesmo sendo ele o filho da perdição (Jo 13.1). Negar o amor ao pecador é negar um atributo de Deus e torna-lo mutável. Ele não muda (Ml 3.6) e assim é ontem, hoje e sempre será. Ainda que o pecador não atenda o chamado de Deus, o ato de convencer [mesmo que continue na dureza do seu coração] pela ministração por meio dos arautos demonstra o seu amor para com todos (Sl 25.8).

Por nós amados, já teríamos jogado a muitos no inferno que hoje estão em Cristo. Somos bons até o momento que precisamos exercitar os frutos do Espírito. O Senhor é Deus e não homem (Os 11.9). O homem é ruim (Rm 3.10-12; Mt 7.11), inclinado para o mau desde de sua infância (Gn 6.5; Sl 51.5). Deus é bom e sua misericórdia dura para sempre. Quem não entendia muito bem como Jesus poderia ser amigo de pecadores eram os fariseus legalistas (Mt 11.19; Lc 7.39; 19.7). Lógico que todos se arrependiam e o seguia. Mas Ele foi criticado por ter andando com eles [pecadores].

Deus é Deus e está no trono da Graça. Não podemos tirar o poder de amar de suas mãos e distribuir conforme nossas convicções teológicas. Convido você a ler Mt 5.43-48 sem as pressuposições dos pregadores [os quais muitos os admiro, mas não concordo com sua ideia] de que Deus odeio o pecador assim como o pecado.

A ira do homem não produz a justiça de Deus (Tg 1.20). A história de Jonas tipifica muito bem a justiça do homem e a justiça de Deus. Jonas um grande profeta foi repreendido por tratar os ninivitas como pecadores odiados; pois é, odiados pelos israelitas, mas amados por Deus. Logo quem somos para falar do assunto com tanta “propriedade”? Nisto confirma que o amor de Deus transcende toda teologia, pois como entender isso?

“De fato, no devido tempo, quando ainda éramos fracos, Cristo morreu pelos ímpios.
Dificilmente haverá alguém que morra por um justo; pelo homem bom talvez alguém tenha coragem de morrer. Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores”.
- Romanos 5. 6-8 NVI

Pense nisso!

Fabio Campos