terça-feira, 17 de setembro de 2013

DEUS ME MOSTROU? DEUS ME FALOU? DEUS ME REVELOU? TEM CERTEZA?


Por Fabio Campos

Texto base: “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão”. (Ex 20.7 AFC)


Fico preocupado com alguns irmãos quando fazem o que vem na cabeça dizendo ser a vontade de Deus! É tanta “profecia”, “revelação” e “experiências sobrenaturais” que começo a duvidar se de fato sou um cristão genuíno – essas coisas não são corriqueiras a mim.

Não quero com isso limitar o poder de Deus nem tão pouco menosprezar as experiências verdadeiras que alguns irmãos tiveram. Até porque não sou “cessacionista” e acredito piamente nos dons espirituais e nos milagres que seguem os que creem. A questão é a forma que muitos têm usado o nome de Deus para seu próprio benefício. Quanta carnalidade escondida no excesso de “espiritualidade” ostentada a vista da plateia. Quando me deparo com alguém falando que foi ao terceiro céu, ou que viu anjo, ou se não, viu o próprio Jesus, logo me vem à mente – ou este irmão é muito “ungido”, ou ele é um tremendo de um “picareta” e não é irmão.

Há muita falta de temor por traz destas coisas. Gente que não conhece o Deus da Bíblia -, mas que fala em seu nome. Não é bom o zelo sem o conhecimento (Pr. 19.2). Pior é jurar em nome de Deus ou por sua própria cabeça. Temos que ser honestos mesmo que nosso ministério não ganhe popularidade. Fomos chamados para ser fiel e não para ganhar ibope. Quantas pessoas correm atrás disso - “feiticeiros evangélicos” que não se contentam com o que está escrito. Nossa palavra deve ser sim, sim ou não, não -, passou disso - vem do maligno.

Paulo se fosse um charlatão faria um grande sucesso perante os gregos e judeus. Um homem que foi até o terceiro céu - viu coisas que nunca poderão ser compreendidas neste corpo mortal. Este mesmo Paulo não se beneficiou nem um pouco da visão que lhe foi dada. Pelo contrário! Preferiu não ir além do que está escrito (1 Co 4.6).

Quantas pessoas caindo em maldição por votarem precipitadamente. A Bíblia é clara, “guarda o pé, quando entrares na Casa de Deus; chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal”. Quantos irmãos pronunciam palavras diante de Deus, prometendo o que não vão cumprir - falando que Deus falou sem ter Ele falado. São como sinos que ressoam sem a afinação devida. O cristão é de poucas palavras, pois do muito falar, nascem às palavras néscias. Há mais esperança para o insensato do que para o homem que é precipitado no dizer (Pr. 29.20).

Amados, a aplicação prática deste pequeno estudo é alertar que nem sempre Deus está quando seu nome é citado. Não importa quem seja – qualquer ensino, revelação e profecia que não se enquadrem com o ensino das Escrituras, imediatamente devem ser rejeitados e tratados em caráter de maldição. Até Paulo que foi ao terceiro céu, disse que caso mudasse sua doutrina da que foi transmitida por ele no começo do seu ministério, e mesmo que um anjo do céu endossasse tal ensino, deveria ser rejeitado e considerado como anátema (Gl 1.8).

É necessário no temor lembrar que Deus está no Céu e nós estamos na terra. Tomar o nome de Deus em vão é falar daquilo que não se conhece para receber se auto-promover, tomando para si a glória que pertence ao único Digno de louvor. Muito cuidado, pois o Senhor não dará por inocente aquele que tomar Seu Santo Nome em vão!

Cuidado com este evangelho esotérico pragmático apresentado em algumas igrejas ditas evangélicas. Nestes lugares há sempre um líder que recebe as visões e toda comunidade é coagida a acatar como sendo canônicas - imunes de julgamentos. Isso não tem respaldo bíblico! Tratam de pessoas carnais, manipuladoras e sem temor a Deus - que reivindicam uma “unção” dos “superes ungidos”; “e ai daquele que tocar no ungido do Senhor”. Quanto a estes, as Escrituras são claras. Ela é nossa maior autoridade pelo qual podemos confrontar qualquer um que se diz profeta, apóstolo, bispo, ou a quarta pessoa da trindade, mas que está fora do crivo escriturístico, pois está escrito: “Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões, enfatuado, sem motivo algum, na sua mente carnal”. (Cl. 2.18 ARA)

Pensemos duas vezes antes de falar “ah Deus me mostrou, Deus me falou ou Deus me revelou”. Que o Senhor nos ajude a sermos humildes o bastante a ficarmos apenas com as Escrituras e nada a ela acrescentar, pois este é o ensino:

“...aprendais a não ir além do que está escrito, não vos ensoberbecendo a favor de um contra outro”. (1 Co 4.6 AFC)

Sola Scriptura!

Fabio Campos