segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Resposta ao deputado Jean Wyllys Marina Silva


“E andarei em liberdade; pois busco os teus preceitos. Também falarei dos teus testemunhos perante os reis, e não me envergonharei”.  (Salmos 119.45-46 AFC)



sábado, 28 de setembro de 2013

O MAIS PIEDOSO HOMEM SERIA O MAIS MALIGNO “DEUS”


Por Fabio Campos

Uma proposta nos é apresentada todos os dias: “Coma do fruto e sereis como Deus”. A soberba que antecede a queda nos faz tomar o lugar de Deus e julgar de acordo com a nossa justiça. Muitos travestidos de piedade, mesmo que há aparente louvor na sua ira contra o mal, por não se examinarem, não conseguem produzir a justiça de Deus. Onde quero chegar? Creio sim que Deus ama o pecador!

Muitos samaritanos são consumidos pelo fogo do céu “determinado” por alguns de nós. Não tem problema, são os “reprovados” desde antes da fundação do mundo. Esse é o “deus” que seríamos  porém o Verdadeiro e Único é bem diferente disso: Mas Jesus, voltando-se, os repreendeu, dizendo: "Vocês não sabem de que espécie de espírito são, pois o Filho do homem não veio para destruir a vida dos homens, mas para salvá-los" (Lc 9.55).

Deus é um Pai que deve ser seguido como exemplo. Aliás, o mandamento é, “Sedes vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste” (Mt 5.48). Mas qual o contexto dito aqui pelo Senhor Jesus? O que precisamos para alcançar esta perfeição dita no imperativo? O contexto trata do “amor ao próximo”. Muito mais que isso! Trata do amor aos inimigos (Mt 5.43). A justiça do homem caído não tem prazer em amar os inimigos e orar pelos os que o perseguem. Já Deus prova o seu amor para com o pecador que fez nascer o sol sobre maus e bons, e fez descer chuva sobre os justos e injustos. Isso não é amor? Seria um paradoxo o Senhor pedir para amar nossos inimigos sendo que Ele os odeia.

Nosso Deus não o homem que diz: “Faça o que mando, mas não faça o que eu faço”. Nada disso! Pelo contrário, sua orientação tem o parâmetro Nele mesmo. Ame o pecador: “Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa receberão? Até os publicanos fazem isso! E se vocês saudarem apenas os seus irmãos, o que estarão fazendo de mais? Até os pagãos fazem isso! Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês". (Mt 5.46-48 NVI).

Não podemos usar dos salmos precatórios para amaldiçoar ou demandar fogo dos céus contra os inimigos. O que seria de Paulo se João não tivesse apreendido a lição com o Mestre? Mesmo que o pecador seja lançado no inferno Deus em nenhum momento deixou de ama-lo, pois seu amor não é manifesto em não jogar as pessoas no inferno, mas em dar o seu único Filho para que os que Nele crer, não vá para lá. Deus é amor (1 Jo 4.8) e não pode negar a si mesmo. Isso explica o porquê Jesus amou Judas até o fim mesmo sendo ele o filho da perdição (Jo 13.1). Negar o amor ao pecador é negar um atributo de Deus e torna-lo mutável. Ele não muda (Ml 3.6) e assim é ontem, hoje e sempre será. Ainda que o pecador não atenda o chamado de Deus, o ato de convencer [mesmo que continue na dureza do seu coração] pela ministração por meio dos arautos demonstra o seu amor para com todos (Sl 25.8).

Por nós amados, já teríamos jogado a muitos no inferno que hoje estão em Cristo. Somos bons até o momento que precisamos exercitar os frutos do Espírito. O Senhor é Deus e não homem (Os 11.9). O homem é ruim (Rm 3.10-12; Mt 7.11), inclinado para o mau desde de sua infância (Gn 6.5; Sl 51.5). Deus é bom e sua misericórdia dura para sempre. Quem não entendia muito bem como Jesus poderia ser amigo de pecadores eram os fariseus legalistas (Mt 11.19; Lc 7.39; 19.7). Lógico que todos se arrependiam e o seguia. Mas Ele foi criticado por ter andando com eles [pecadores].

Deus é Deus e está no trono da Graça. Não podemos tirar o poder de amar de suas mãos e distribuir conforme nossas convicções teológicas. Convido você a ler Mt 5.43-48 sem as pressuposições dos pregadores [os quais muitos os admiro, mas não concordo com sua ideia] de que Deus odeio o pecador assim como o pecado.

A ira do homem não produz a justiça de Deus (Tg 1.20). A história de Jonas tipifica muito bem a justiça do homem e a justiça de Deus. Jonas um grande profeta foi repreendido por tratar os ninivitas como pecadores odiados; pois é, odiados pelos israelitas, mas amados por Deus. Logo quem somos para falar do assunto com tanta “propriedade”? Nisto confirma que o amor de Deus transcende toda teologia, pois como entender isso?

“De fato, no devido tempo, quando ainda éramos fracos, Cristo morreu pelos ímpios.
Dificilmente haverá alguém que morra por um justo; pelo homem bom talvez alguém tenha coragem de morrer. Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores”.
- Romanos 5. 6-8 NVI

Pense nisso!

Fabio Campos


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

UMA MENSAGEM DE ESPERANÇA – EM MEMÓRIA DA HELAINE


Por Fabio Campos

Texto base: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança”. (Lm 3.21 ARA)


Quanta tristeza e aflição estiveram em nosso espírito nestes últimos dois dias. Uma prima nossa descansou. A forma pelo qual isso veio acontecer foi trágica. Naquilo que as Escrituras nos diz não é isso que devemos trazer a memória, mas sim o que pode nos dar esperança. Foi em um contexto assim que Jeremias escreveu o texto citado.  Tristeza, perplexidade e a angústia devido à falta do temor a Deus. O seu povo estava sendo saqueado pelos babilônicos, e a destruição da sua família, do seu povo, o levava ao desespero rumo à desesperança.

O significado de esperança na Bíblia transcende todas as conotações emitidas nos dicionários da academia brasileira de letras. Falamos da disposição de crer no amanhã, esperando em Deus, confiando no seu caráter que é bom, tendo a certeza que as suas misericórdias se renovam a cada manhã e que por meio delas somos encorajadas a enfrentar os desafios cruéis propostos por este mundo.

Ao lembrar-se de nossa amada prima não me veio outra coisa para poder descrevê-la a não ser esperança. Ela morreu lutando pela vida! Passou por muito mais coisas do que muita mulher da “melhor idade”. De fato, experimentada no sofrimento, mas sem perder o rebolado da alegria. Quanta vontade de viver. Esta foi à mensagem passada a nós por meio da sua memória.

Neste momento não há outro meio a não ser descansar na graça e soberania de Deus. As misericórdias não têm fim, por isso Ele nos agracia com o seu perdão. Um Deus que fez as milhões de galáxias não poderá ser discernido por alguém que vive em São Paulo e pensa que mora em uma cidade grande. No Senhor repousamos, pois Nele vivemos e nos movemos, e assim cremos na sua bondade para com a Helaine pela esperança da eternidade.

Diante do exposto ficou um desafio enorme a todos nós. Honrar sua memória fomentando a vida. Olhando para si, entendendo que não está tudo bem, e que tudo que é morte em nós precisa ser removido dando lugar vida e a esperança. Não há outra maneira! As reflexões no luto excedem em sabedoria as afirmações das festas. Só há um caminho, só há uma verdade, só uma vida – tudo isto se encontra na Pessoa do amado Filho de Deus e Deus o Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele mesmo disse: Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá”.

É hora de mudar. É hora de viver de verdade. É hora de valorizar a vida, as pessoas, como se não houvesse o amanhã. É hora do novo, e para que entre o novo, o velho precisa ser removido. Essa é mensagem dita a todos os conhecidos da nossa amada Helaine. Vida, esperança e vontade de viver.

“Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo!(2 Co 5.17 NVI)

Soli Deo Gloria!

Fabio Campos






terça-feira, 17 de setembro de 2013

DEUS ME MOSTROU? DEUS ME FALOU? DEUS ME REVELOU? TEM CERTEZA?


Por Fabio Campos

Texto base: “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão”. (Ex 20.7 AFC)


Fico preocupado com alguns irmãos quando fazem o que vem na cabeça dizendo ser a vontade de Deus! É tanta “profecia”, “revelação” e “experiências sobrenaturais” que começo a duvidar se de fato sou um cristão genuíno – essas coisas não são corriqueiras a mim.

Não quero com isso limitar o poder de Deus nem tão pouco menosprezar as experiências verdadeiras que alguns irmãos tiveram. Até porque não sou “cessacionista” e acredito piamente nos dons espirituais e nos milagres que seguem os que creem. A questão é a forma que muitos têm usado o nome de Deus para seu próprio benefício. Quanta carnalidade escondida no excesso de “espiritualidade” ostentada a vista da plateia. Quando me deparo com alguém falando que foi ao terceiro céu, ou que viu anjo, ou se não, viu o próprio Jesus, logo me vem à mente – ou este irmão é muito “ungido”, ou ele é um tremendo de um “picareta” e não é irmão.

Há muita falta de temor por traz destas coisas. Gente que não conhece o Deus da Bíblia -, mas que fala em seu nome. Não é bom o zelo sem o conhecimento (Pr. 19.2). Pior é jurar em nome de Deus ou por sua própria cabeça. Temos que ser honestos mesmo que nosso ministério não ganhe popularidade. Fomos chamados para ser fiel e não para ganhar ibope. Quantas pessoas correm atrás disso - “feiticeiros evangélicos” que não se contentam com o que está escrito. Nossa palavra deve ser sim, sim ou não, não -, passou disso - vem do maligno.

Paulo se fosse um charlatão faria um grande sucesso perante os gregos e judeus. Um homem que foi até o terceiro céu - viu coisas que nunca poderão ser compreendidas neste corpo mortal. Este mesmo Paulo não se beneficiou nem um pouco da visão que lhe foi dada. Pelo contrário! Preferiu não ir além do que está escrito (1 Co 4.6).

Quantas pessoas caindo em maldição por votarem precipitadamente. A Bíblia é clara, “guarda o pé, quando entrares na Casa de Deus; chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal”. Quantos irmãos pronunciam palavras diante de Deus, prometendo o que não vão cumprir - falando que Deus falou sem ter Ele falado. São como sinos que ressoam sem a afinação devida. O cristão é de poucas palavras, pois do muito falar, nascem às palavras néscias. Há mais esperança para o insensato do que para o homem que é precipitado no dizer (Pr. 29.20).

Amados, a aplicação prática deste pequeno estudo é alertar que nem sempre Deus está quando seu nome é citado. Não importa quem seja – qualquer ensino, revelação e profecia que não se enquadrem com o ensino das Escrituras, imediatamente devem ser rejeitados e tratados em caráter de maldição. Até Paulo que foi ao terceiro céu, disse que caso mudasse sua doutrina da que foi transmitida por ele no começo do seu ministério, e mesmo que um anjo do céu endossasse tal ensino, deveria ser rejeitado e considerado como anátema (Gl 1.8).

É necessário no temor lembrar que Deus está no Céu e nós estamos na terra. Tomar o nome de Deus em vão é falar daquilo que não se conhece para receber se auto-promover, tomando para si a glória que pertence ao único Digno de louvor. Muito cuidado, pois o Senhor não dará por inocente aquele que tomar Seu Santo Nome em vão!

Cuidado com este evangelho esotérico pragmático apresentado em algumas igrejas ditas evangélicas. Nestes lugares há sempre um líder que recebe as visões e toda comunidade é coagida a acatar como sendo canônicas - imunes de julgamentos. Isso não tem respaldo bíblico! Tratam de pessoas carnais, manipuladoras e sem temor a Deus - que reivindicam uma “unção” dos “superes ungidos”; “e ai daquele que tocar no ungido do Senhor”. Quanto a estes, as Escrituras são claras. Ela é nossa maior autoridade pelo qual podemos confrontar qualquer um que se diz profeta, apóstolo, bispo, ou a quarta pessoa da trindade, mas que está fora do crivo escriturístico, pois está escrito: “Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões, enfatuado, sem motivo algum, na sua mente carnal”. (Cl. 2.18 ARA)

Pensemos duas vezes antes de falar “ah Deus me mostrou, Deus me falou ou Deus me revelou”. Que o Senhor nos ajude a sermos humildes o bastante a ficarmos apenas com as Escrituras e nada a ela acrescentar, pois este é o ensino:

“...aprendais a não ir além do que está escrito, não vos ensoberbecendo a favor de um contra outro”. (1 Co 4.6 AFC)

Sola Scriptura!

Fabio Campos

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

DEPRESSÃO ESPIRITUAL



Por David Martyn Lloyd-Jone

O renomado pregador e pastor David Martyn Lloyd-Jones diz que “o que poderíamos chamar de“depressão espiritual”, com muita freqüência, é tratada nas Escrituras Sagradas”. Isso nos leva a conclusão que é um problema muito comum, e que parece ter afligido o povo de Deus desde o princípio, pois tanto o Velho Testamento como o Novo Testamento o descrevem e o tratam demoradamente. Isso, por si só, nos leva a concluir que este problema continua a afligir o povo de Deus de forma particular nos dias atuais.

Estamos tratando desse assunto aqui neste livro, para que aqueles que estão nesta condição, possam ser libertos de sua infelicidade, inquietação, desconforto e tensão, pois é muito triste saber que há cristãos que vivem a maior parte das suas vidas neste mundo em tal situação. Muitos cristãos parecem que estão carregando o mundo todo sobre seus ombros. Estão abatidos, tristes, perturbados, perplexos. Tudo parece estar em cima deles, esmagando-os. Eles não conseguem controlar as suas emoções, e chegam a ponto de perderem o apetite. Todos estamos familiarizados com esse fenômeno. Se alguém está ansioso ou preocupado, perde o apetite. De fato, a comida parece quase que repugnante.

Um dos problemas resultantes da depressão espiritual é que, com freqüência, quando sofremos dela, não estamos conscientes da impressão que está sendo transmitida a outros, e devemos nos preocupar com isso. É bom olhar para nós mesmos, tentando visualizar o quadro que estamos apresentando aos outros, como uma pessoa deprimida, chorosa, que não quer comer, nem ver ninguém, e está tão preocupada com seus problemas que comunica a todos um quadro de depressão e miséria.

No seu livro Depressão Espiritual Martyn Lloyd-Jones nos diz que existem quatro possíveis razões para a depressão espiritual, são elas:

1- Em primeiro lugar podemos descrever o temperamento.

Tratamos em primeiro lugar o temperamento porque, apesar de sermos cristãos e unidos num mesmo “corpo”, todos somos diferentes, e os problemas e dificuldades, as tribulações e perplexidades que enfrentamos são, em grande medida, determinada pelas diferenças de temperamento e tipos de personalidade. Todos participamos da mesma batalha e temos as mesmas necessidades básicas. Todavia, as manifestações do problema variam de um caso para outro, e de uma pessoa para outra. Não há nada mais fútil, ao tratar desse problema, do que agir com base na suposição de que todos os cristãos são idênticos em todos os aspectos. Não são – e Deus jamais planejou que fossem. Todos nós somos seres humanos, tendo basicamente a mesma constituição física, no entanto, sabemos muito bem que não há duas pessoas idênticas.

Podemos dividir os seres humanos em dois grupos básicos de pessoas – os introvertidos e osextrovertidos. Há um tipo de pessoa que está constantemente voltada para dentro de si mesma, e outro tipo cuja atenção está em geral voltada para fora. E é muito importante compreender, não só pertencemos a um desses dois grupos, mas também que o problema de depressão espiritual tende a afetar um desses grupos mais do que afeta ao outro. Isso não significa que essas pessoas sejam piores do que as outras. Na verdade, podemos sustentar com base que as pessoas que se destacaram de forma gloriosa na história da Igreja eram, muitas vezes, pessoas que passaram por esse problema. Alguns dos maiores santos eram introvertidos; o extrovertido é uma pessoa mais superficial.

Alguns de nós, por natureza e devido ao nosso temperamento, somos mais suscetíveis a esta doença chamada depressão espiritual do que outros. Pertencemos ao mesmo grupo de Jeremias, João Batista, Lutero, Timóteo e muitos outros. Com isso, observando a história bíblica e secular, podemos notar que o mundo se move na anormalidade. Deus levantou grandes líderes durante períodos difíceis de depressão espiritual, para conduzir o rumo da história da humanidade. Portanto, podemos dizer, “que tudo coopera para o bem dos que amam a Deus”, e entender que Deus pode usar até mesmo períodos profundos de depressão para trabalhar individualmente ou coletivamente com o seu povo.

2- Em segundo lugar podemos descrever as condições físicas.

A condição física tem muita influência nisso tudo. É muito difícil marcar uma linha divisória entre esta causa e a anterior, porque o temperamento parece ser controlado, até certo ponto, por condições físicas, e na verdade há pessoas que parecem fisicamente vulneráveis ao problema da depressão espiritual. Em outras palavras, existem certas debilidades físicas que tendem a causar a depressão. Por exemplo, Charles Haddon Spurgeon, um dos maiores pregadores de todos os tempos, esse pastor era sujeito a depressão espiritual, e a explicação, no caso dele, sem dúvida era o fato de que ele sofria de gota, o problema que acabou causando a sua morte. Ele teve que enfrentar esse problema de depressão espiritual muitas vezes em sua forma mais intensa devido ao seu problema de saúde que ele herdou de seus ancestrais.

Estão incluídos nesse grupo de causas físicas: cansaço, esgotamento, estresse e qualquer outro tipo de doença. Não se pode isolar o físico do espiritual. Pois somos corpo, mente e espírito. Os melhores cristãos são mais propensos a ataques de depressão espiritual quando estão fisicamente fracos. E, se reconhecermos que nosso físico pode ser parcialmente responsável por nosso problema espiritual, e levarmos em consideração, será mais fácil tratar do espiritual.

3- Em terceiro lugar podemos descrever o que poderíamos chamar de “reação”.

Reação a uma grande benção, ou uma experiência extraordinária ou fora do comum. Como exemplo nós temos o próprio Elias, que estaremos falando neste livro. Abraão teve uma experiência semelhante (Gn 15). Por isso quando alguém vem nos contar a respeito de alguma experiência extraordinária que teve, nos regozijamos com a pessoa, dando graças a Deus; porém passamos a observá-la atenta e apreensivamente depois disso, caso haja uma reação. Isso não precisa acontecer, mas pode se dar se não estivermos cientes dessa possibilidade. Se apenas compreendêssemos que quando Deus se agrada em nos dar uma bênção incomum, deveríamos redobrar nossa vigilância, então poderemos evitar essa reação. Alguns anos atrás aconteceu algo semelhante com uma pessoa que conhecemos. Esta pessoa estava com o filho muito doente no hospital, aliás, seu filho estava no CTI. Quando soubemos disso fomos ao hospital para visitá-lo; chegando lá a criança já estava no quarto, mas ainda necessitava de muitos cuidados. Quando eu entrei no quarto, o Espírito Santo me falou que era para ungir a criança que ele ficaria curado, mas antes de ungir e orar pela criança, Deus me falou para falar para mãe da criança que ela precisava retornar para os caminhos do Senhor e se arrepender dos seus pecados, pois a causa da doença do seu filho era ela, mas Deus, naquela tarde, curaria por completo seu filho. No mesmo instante, aquela mãe se reconciliou, com muitas lágrimas, reconhecendo o seu afastamento de Deus; então eu ungi seu filho e orei por ele. Dois dias depois, a criança que estava desenganada pelos médicos estava em casa completamente curada. Houve um grande avivamento naquela família, eles foram a várias igrejas testemunhar do milagre; no entanto, esse avivamento durou um pouco mais de três meses, e aquela mãe tão avivada estava novamente fria espiritualmente. Isso não é fatalismo, mas pode acontecer. Por isso a necessidade de vigilância.

4- Em quarto lugar podemos descrever o ataque do diabo.

Ele pode usar nosso temperamento e nossa condição física contra nós. Ele nos manipula de tal forma que acabamos permitindo que nosso temperamento nos controle e governe nossas ações, em vez de nós mantermos o controle sobre ele. São incontáveis os meios pelos quais o diabo causa depressão espiritual. Temos que nos lembrar dele. O seu objetivo é deprimir o povo de Deus, de tal forma que ele possa ir ao homem do mundo e dizer: “olha aquele crente, você quer ser assim?” A estratégia do adversário de nossas almas, o adversário de Deus, é de nos levar à depressão e ao estado de espírito de perturbação e infelicidade.

Podemos resumir a questão desta forma: a causa básica de depressão espiritual é incredulidade, pois se não fosse por ela nem o diabo poderia fazer coisa alguma. É porque prestamos atenção ao diabo em vez de ouvirmos Deus, que caímos derrotados diante dos ataques do inimigo. Para vencermos todos estes obstáculos só existe um meio: “olhar firmemente para o autor e consumador da nossa fé: Jesus”.

LLOYD-JONES, D. Martyn. Depressão Espiritual. 2ª- ed. Publicações Evangélicas Selecionadas. São Paulo: 1996.


Fonte: Site ministeriobbereia.blogspot.com

domingo, 15 de setembro de 2013

O DIABO EXISTE?


Por Fabio Campos

Desde os primórdios uma pergunta é entoada entre os homens: O Diabo existe? Muitas são as investigações, e junto delas, veem todo tipo de especulação subjetiva, o que por muitas vezes acaba virando mitos e lendas. Alguns acreditam na sua existência de tal maneira que o reverenciam como sendo um “deus” que controla toda maldade ocorrida na humanidade. Têm pavor de recitar o seu nome. Já outros não acreditam! Afirmam ser o escape de muitos para acobertar sua própria maldade. Contudo, o Diabo existe, sim ou não?

Pois é, ele existe! E uma nota que pode surpreender a muitos: Ele não é ateu! A Escritura diz claramente que ele acredita muito mais na existência de Deus do que muitos que proferem a fé no Criador:

“Você crê que existe um só Deus? Muito bem! Até mesmo os demônios creem — e tremem!” (Tg 2.19 NVI)

Constatamos que ele de fato existe, mas então, quem ele é?

A Bíblia nos diz que ele foi o originador do pecado ao incitar o homem a se rebelar contra o Criador (Gn 3.1-6; 2Co 11.3). Porque uma “mentirinha” faz muito mal? Porque ele é o pai de toda mentira! É criminoso desde o princípio (Jo 8.44). Nunca deixou de pecar (1 Jo 3.8), e pelo o engano (Ap 12.9), inspira falsos profetas a realizar milagres para enganar se possível os eleitos (2 Ts 2.9).

Seu trabalho é tentar os filhos de Deus. A cada erro cometido pelos irmãos lá está a nos acusar, requerendo nossa vida para cirandar-nos como trigo (Ap 12.10). Sua artimanha é a mesma usada no princípio no jardim do Éden. Propostas atraentes são postas diante dos homens prometendo poder, satisfação imediata e independência para a não submissão a Deus. Ele não respeita ninguém. Nem o Filho de Deus e Deus o Filho, Jesus Cristo, escapou dos seus ataques (Mt 4.1). Aliás, Jesus foi o mais tentado, porem nunca cedeu a uma única tentação - diferente de toda humanidade.

O que muitos perdem de vista é que o poder deste inimigo é limitado. Ele tem poder, mas precisa de permissão para usa-lo (Jo 1.12; 2.6). Lutero disse que “Até o Diabo é o Diabo de Deus”. Todo crente revestido do Espírito Santo tem autoridade sobre ele. Esta [autoridade] foi conquistada pelo Senhor Jesus, quando na cruz, despojou principados e potestades, fazendo deles um espetáculo público. Com o inferno não falamos com amor, mas com autoridade! Entretanto, precisamos ter cautela com qualquer soberba quanto a ele, “pois nem mesmo o arcanjo Miguel, quando estava disputando com o diabo acerca do corpo de Moisés, ousou fazer acusação injuriosa contra ele, mas disse: ‘O Senhor o repreenda’” (Jd. 1.9).

Os pecadores, mortos nos seus delitos, estão sob seu poder. Estes tiveram o seu entendimento ofuscado por ele para que não entendam o Evangelho e se convertam dos seus maus caminhos (At. 26.18; 2 Co 4.4). Deus resolveu por si revelar seus mistérios aos pequeninos e ocultar dos sábios e cultos deste mundo. Por isso que diante do cosmo, tão perfeito, catedráticos em geografia e em outras ciências, são ateus. É por isso também que existe muitas pessoas inteligentes do ponto de vista acadêmico, pós-graduadas nas melhores universidades do mundo, que rejeitam esta mensagem, acreditando em duendes, pedras e simpatias. Tudo isso está escrito:

“O deus desta era cegou o entendimento dos descrentes, para que não vejam a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus”. (2 Co 4.4)

Não podemos desprezar seus ardis, pois seu alvo são os seres humanos por presas (1 Pe 5.8), prometendo uma “felicidade mentirosa” (Gn 3.5). Ele é muito inteligente e o principal teólogo e filósofo que fez discípulos por toda sua existência. Exegético habilidoso nas Escrituras (Mt 4.6) que consegue enganar os seus filhos a respeito de sua própria existência. Sempre se apresenta como “bonzinho”, “belo” e “inteligente”. Muitos traçam sua figura sendo o “bicho feito”, com chifres e tridentes, conforme pintado pelos artistas medievais. Se fosse assim, de fato, todos correriam de sua presença. Mas não! Ele se apresenta como “o cara” - aquele que pode atender sua necessidade do momento sem muito esforço ou aquele que pode dar toda riqueza e glória deste mundo (2 Co 11.14).

Ele existe, e todos os que permanecerem na dureza do seu coração fazendo sua vontade será lançado no inferno. Muitos afirmam: “Deus é bom e não lançaria ninguém no inferno”. Engano! A bondade de Deus não se manifesta em não jogar as pessoas no inferno, mas em dar seu Filho para aquele que todo Nele crer não vá para lá. O que está escrito? “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que não vai fazer com que ninguém pereça e tenha a vida eterna?”. De modo nenhum! O correto: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito para o que todo Nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). É pelo Filho que se manifesta a bondade e o amor de Deus. Quem tem o Filho, tem a vida - quem não O tem, já está condenado [caso permaneça sem Ele].

Muitos cristãos só são crentes por causa do Diabo. O que seria dos preletores de “batalha espiritual” se o diabo não existisse? Qual seria sua mensagem? Pois é, não há um dualismo entre Deus e o “capeta”! Deus não é um torcedor que está ansioso na arquibancada torcendo desesperadamente por nosso desempenho em nossa luta contra satanás. O Senhor conhece os que lhe pertence, e estes purificam a si mesmo e o maligno não lhes toca. Ainda que caiamos em pecado, pelo o arrependimento, podemos clamar ao Pai por nosso Advogado que é propiciação pelos nossos pecados (1 Jo 2.1). Tem coisa que o ser humano faz que até o Diabo “duvida” e deve dizer para Deus: “isso não fui eu” (risos).

Que o Senhor nos ajude a não darmos lugar ao Diabo (Ef 4.27), ignorando os seus ardis (2 Co 2. 10-11). Mas que Ele nos ajude a lutarmos com as ferramentas corretas para este combate espiritual. Não por ritos, campanhas, pelos pensamentos positivos e nem pela quebra de maldição, pois o único método bíblico o qual é perfeito e eficaz passa pelo o amor a Deus acima de todas as coisas e a submissão a sua Palavra:

“Portanto, submetam-se a Deus. Resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês”. (Tg 4.7 NVI)

Soli Deo Gloria!

Fabio Campos

sábado, 14 de setembro de 2013

UMA ORAÇÃO – “NÃO ME DÊS O LIVRE-ARBÍTRIO”


Por Fabio Campos 


Senhor Nosso e Nosso Senhor, por quanto tempo andei conforme o curso do meu coração. Por quanto tempo exercitei o meu querer segundo a escravidão das minhas vontades. Não sabia o quão desgraçado era por meio das minhas escolhas. Como poderia eu escolher o bem se tinha por habitação o mal. Como pude por tanto tempo confiar em alguém que era corrupto e enganoso, a saber, o meu coração.

Senhor Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, Libertador de todo homem desventurado, como fui enganado pela concupiscência do meu desejo em pensar que era livre e que todo aquele que te servia era escravo devido à austeridade e rigor ascético do corpo. Mas quando me aproximei da luz fui iluminado pela verdade daquele que habita em Luz inacessível, Criador de todas as coisas e Nosso Senhor. Constatei que era escravo dos meus apetites e servo do meu estômago, fazendo o querer, satisfazendo-me apenas por algumas horas assim como se faz nas refeições diárias. Mas logo ali estava - faminto pela alegria que só há em Ti e a Ti pertence.

Quem poderá ser livre se verdadeiramente o Filho não o libertar?  Quem poderá entender o mistério oculto desde a fundação do mundo se o Senhor não lhe abrir o entendimento? Quem poderá dar algo a ti primeiro pelo qual o Senhor deva restitui-lo? Quem Senhor? Muitos procuram a eficácia destas coisas na força do seu próprio braço; tolos! Maldito todo aquele que faz do seu braço mortal sua força. Então Senhor, quem poderia escolher-Te sem antes ter sido escolhido por Ti? Pois teu plano se cumpre por meio do Cordeiro que foi morto antes da fundação do mundo. Quem estava com o Senhor no princípio para querer andar nos seus caminhos por sua livre escolha? Somente Ti vive na eternidade, Majestade Santa e Deus Poderoso. Pois nos escolhestes antes da fundação do mundo para sermos santos por meio do Teu Amado Filho Jesus, O Filho de Deus e Deus o Filho.

O Senhor provou o seu amor para conosco que Cristo morreu quando ainda éramos pecadores e filhos da desobediência. Senhor Nosso, Teu Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos, pelo qual clamamos ABA - que o seu amor é real e que uma das maiores provas disso foi concedida pela graça aos seus escolhidos em privar-lhes do poder de escolha, impedindo-os de O “rejeitarem”, para fazer valer sua escolha soberana. O limpo limpe-se mais; o sujo suje-se mais. Teu maior castigo para aqueles que o rejeitam deliberadamente e que dão glória a criaturas ao invés do criador é a cauterização da mente para com a sua própria miséria, não tendo mais discernimento, trocando a luz pelas trevas e as trevas pela luz; pois o Senhor os entregou as suas próprias paixões, e eles mudaram o curso natural das coisas que foram criadas perfeitamente por Ti.  Não são disciplinados como são os filhos, e pela aparente vitória aos olhos dos homens pensam que estão bem por nada lhes acontecerem de ruim. Mal sabem que estão acumulando para si uma ira santa e que logo o cálice da justiça irá transbordar. Terrível coisa será o dia do Senhor! Como se lamentarão!

Agindo Deus quem O impedirá! O que é difícil para Ti, Soberano, que pelo poder da Tua Palavra criou os mundos? O Senhor Age; e não reage, como afirmam aqueles que se vangloriam das suas obras, coisa que o Senhor abomina e as consideram como trapo de imundícia. Nisto consiste esta verdade que, Teu Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade. O Senhor veio até nós, e nós nunca fomos até o Senhor; mas pelas suas ternas misericórdias, as quais se renovam todas as manhãs, motivo pelo qual não somos consumidos, O Senhor nos falou pelo Filho a respeito da sua imagem e dos seus atributos, pois Nele habita corporalmente toda plenitude da divindade. O Filho é a imagem perfeita do Pai; ambos são um!

Deus, meu pedido final, que o Senhor me conceda a graça que, assim como o ocidente está para o oriente, assim o Senhor afaste de mim o meu “livre-arbítrio” naquilo que poderia tornar minha escolha em não ama-lo de todo o meu coração. Se não fosse pelo o teu Espírito nunca seria de mim a escolha em te servir, sabendo que a carne não se submete a tua Lei, mas o Espírito traz vida, e convence a atender-nos a teu chamado que misticamente foi compulsivo, mas tangivelmente, aos olhos dos homens e ao meu coração, em amor. Foi com Laços de carinho e ternura que me fez de Ti Teu prisioneiro, livre da condenação. Pensando eu que fazia um favor de ir até Ti pela ignorância dos meus sentidos, lancei-me aos teus braços. E como o imã que não pode escolher em afastar-se do metal quando próximos estão devido à força invisível que é maior do que qualquer coisa visível, assim foi quando o Teu Santo Espírito me Levou ao Teu Filho, e eu em Ti, já não tinha mais medo, pois o perfeito amor lança fora todo o medo. Se O Pai enviar ao Filho, de modo algum o Filho o lançará fora, pois Ele mesmo atraiu os homens para si quando foi pendurado no madeiro, e nisto nos tornarmos um por meio do Teu Santo Espírito em Cristo Jesus o Senhor.

Então Senhor, cheguei a conclusão que sou um miserável. E quem me libertará do corpo sujeito e esta morte? A Teu Filho bendito por estar Nele, pois a estes, já não há mais condenação e toda livre-escolha conforme a dureza do meu coração que estava levando-me ao inferno foi removida pela Tua, que é boa, perfeita e agradável.

Assim eu oro para o louvor da Tua Glória, em Nome de Jesus a quem muito amamos. Amém!

Soli Deo Gloria!

Fabio Campos

terça-feira, 10 de setembro de 2013

COMO ESTÁ SUA FAMÍLIA?


 

Por Fabio Campos

Deus é uma família (Pai, Filho e Espírito Santo). Cada Um entende perfeitamente sua função dentro da Divindade. O projeto familiar foi arquitetado antes da fundação. No princípio quando Adão fora criado o vazio e carência pela foi suprido pela companhia da Eva. O homem deixará pai e mãe e unir-se-á a sua esposa. Desta abençoada relação se dará a posteridade perpetuando o “sobrenome”.
Isso é família! Este é o projeto de Deus! E não somente um projeto, mas o mais importante projeto. Como temos negligenciado este plano dando “menos importância” dentro de nossa agenda de prioridades! Pessoas que não professam a fé bíblica por muitas vezes dão mais valor a este principio do que alguns que em alta convicção dizem ter a Escritura como única regra de fé e prática. É o caso da mulher Cananéia que tinha sua filha possessa de demônios e foi pedir ajuda ao Senhor Jesus sem medir esforços ainda que taxada de maltrapilha (Mt 15.22). A Bíblia está repleta destas situações.

Família só troca de nome, mas os problemas são os mesmos. Marta “exortando” a Cristo para que demandasse Maria ao serviço doméstico é um exemplo das “picuinhas” entre irmãos (Lc. 10.40). Se você está esperando uma família perfeita para ama-la, de fato, morrerá frustrado. Não existe! É necessário o entendimento que cada um tem sua personalidade e alguns são mais fracos em certas áreas. Mesmo as [famílias] de origem cristã haverá os seus incrédulos. A família de Jesus é prova disso. O “meio” irmão de Cristo, Tiago, converteu-se somente algum tempo depois da ressurreição do Senhor. As crianças crescem e infelizmente alguns escolhem o caminho largo ao invés de andar pelo estreito. O melhor Pai de todos experimentou a dor de ter um filho desviado. É caso de Adão! Mas Deus não deixou de ama-lo! O Pai não deixou de amar seu filho pródigo - com o coração cheio de perdão, esperava todos os dias por sua volta.
O que dizer de Abraão e seu cuidado para com Ló – de Jacó para com seus filhos – de Jó o qual oferecia sacrifícios pelos pecados de seus filhos sem ter a certeza da quantidade das iniquidades por eles cometidas. A humanidade em amor de Davi para com Absalão que tornou inimigo de seu pai; entretanto Davi chorou amargamente a morte do seu filho. O cuidado Deus-Pai no ministério terreno do seu Filho Jesus - a comunhão bendita entre Eles - a reciprocidade e alegria de ambos Um no Outro.

A família é o principal ministério! A validação do chamado passa pelo crivo da experiência primeira em ser pai, mãe ou filho. Às vezes na dinâmica dos nossos compromissos ministeriais damos mais atenção aos de fora do que aos de nossa parentela. Quantas vezes negligenciamos o cuidado que era necessário em nome do “Corbã”. Na época de Cristo, qualquer um que apresentasse no templo uma oferta denominada de “Corbã” [pela tradição dos homens, mas repudiada por Deus], estaria isento de honrar seu pai e sua mãe financeiramente (Mc 7.1-23). Um tipo de “Corbã” tem sido o ponto de apoio para o “conforto da consciência” de alguns sendo a principal justificativa neste chamado.

Irmãos, um telefone não custa muito! Honrar monetariamente é necessário. Visita-los, passar um final de semana. Quão terrível será para aqueles que tardarão em perceber a tolice que estão fazendo em se afastar dos seus preferindo a solidão. Quem vive isolado é o diabo.  Para você ter uma ideia, nem o pior criminoso gosta de viver na “cela solitária”, pois é considerada pelos críticos uma “forma de tortura psicológica”. Ainda há tempo em voltar-se e reconciliar-se com aqueles que estão afastados. Sua família é preciosa! Não importa a religião que eles professam, o status ou o estado que se encontram – você quem é luz e sal. A responsabilidade maior é sua! Quem tem o amor de Deus no coração derramado pelo Espírito Santo é você! Deus não esperou você ama-lo para te amar; antes Provou o seu amor para contigo que te amou quando você ainda era pecador. O amor dar e não espera nada em troca. Deus deu o seu Filho por amor ao mundo. Portanto, a candeia precisa estar no alto para alumiar os de sua volta. Se tiver debaixo do alqueire, como se iluminará o ambiente.
Você deseja ganhar sua mãe, seu pai ou seu filho para Cristo? Ame-os na função de filho, de pai e de mãe. Antes de pregar, seja filho – você mãe ou pai que deseja salvar seu filho, seja mãe e pai. Não negligencie seu papel alegando ser o ministério na igreja mais importante. Está errado quem pensa e age assim! Não queira ser um missionário ou uma missionaria dentro da sua casa se você ainda não tem sido o que a Bíblia diz para você ser: pai, mãe ou filho! Estes são os principais ministérios pelo qual o Senhor te dará vitória e lhe abençoará.

Seja agradável com palavras temperadas. Seja sua moderação e equilíbrio conhecida diante de todos. Deixe o Espírito Santo convencer os seus amados por intermédio de sua conduta. Ame sua família! Perdoe-os e peça perdão - o ministério da reconciliação teve seu alicerce o perdão de Deus, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo mesmo, não imputando os pecados anteriormente cometidos. Seja Cristão! Se você tem negligenciado os cuidados para com os seus, [e não importa quem sejam], ao invés de bênção, você tem sido uma pedra de tropeço, pois está escrito:

“Se alguém não cuida de seus parentes, e especialmente dos de sua própria família, negou a fé e é pior que um descrente”. – 1 Tm 5.8 NVI

 

Pense nisso!

Fabio Campos
fabio.solafide@gmail.com

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

A ORAÇÃO DE CRISTO CONTRA O PARTIDARISMO NA IGREJA


Por Fabio Campos

Texto base: Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti”. – Jo 17.21 AFC

Leia novamente o texto acima usado por base para esta reflexão. Amém? Se isto de fato fosse nossa norma, não entraríamos em muitas discussões. Quanta negligencia nos “corredores teológicos” com este versículo. Uma súplica do Deus-Filho para o Deus-Pai em favor da unidade de sua igreja. Quanta falta de temor revestido de piedade! Pessoas que fazem do “secundário”, o “fundamental”, caracterizando “aquele ou aquilo” como sendo do Diabo. Logo quando um debate entre cristãos começa por meio de zombarias e ataques pessoal, percebe-se que ali não há o temor de Deus nem a sabedoria do alto.

Nuances teológicas tem trazido um orgulho aumentando os partidos sectários dentro do corpo de Cristo. Como isso tem “manchado” o Evangelho! Parece até que Ele foi divido. Nada muda! Os fariseus, os saduceus, zelotes e essênios, foram substituídos pelos os de Paulo, Pedro e de Apolo. Você me entendeu! Existem pessoas que são ligadas pela igreja instituição - outras estão ligadas pela teologia, ou seja, antes de sermos um em Cristo, preciso saber se você é calvinista ou armíniano - se é dispensacionalista ou tem por crença a “teologia do pacto” – se é pré-milenista, pós-tribulacionista ou amilenista? Apenas mais uma para saber se posso chama-lo irmão: É “dicotomista” ou “tricotomista”? Estamos assim, hoje!

Gostei muito da definição de “orgulho espiritual” dita pelo irmão Solano Portela:

“Poderíamos definir o orgulho espiritual como sendo uma atitude de desprezo aos outros irmãos. Seria abrigar a sensação de se achar possuidor de uma visão superior. Seria o desenvolvimento de uma atitude de rejeição do aprendizado, contrária à humildade que Deus requer dos Seus servos. Seria achar que somos conhecedores de uma faceta de compreensão que os demais irmãos ainda não alcançaram”. [1]

Infelizmente há muitos teólogos que se deixaram levar pela “Síndrome da descoberta da pólvora”, prejudicando a comunhão entre os santos, dando munição para os inimigos da Cruz atacar a igreja blasfemando do caminho da verdade.

Não quero menosprezar aqueles que, pelo manuseio teológico, nos ensinou as doutrinas fundamentais e secundárias dentro do ensino cristão. A teoria do “Efeito em cascata” é uma prova de que todos os cristãos estão profundamente influenciados pelos apologistas, pelos pais da igreja e pelos reformadores. Muitos que hoje defendem a Divindade de Cristo não conhecem Atanásio, o qual apresentou um argumento sólido em favor da divindade do Filho de Deus. O teólogo Hans Kung diz que “Deus mantem a igreja na verdade, mas não na evolução tranquila da sua descoberta progressiva”. Os hereges contribuíram em muito para que as doutrinas cristãs fossem elaboradas por meio das Escrituras, trazendo o entendimento apropriado da verdade. Acerca disso Lutero diz: “Nunca se sabe quando Deus pode golpear violentamente com uma vara torta”. Até o vaso de desonra é útil para Deus – assim são manifestos os sinceros dentro do seu eterno propósito.

Não existe nenhuma doutrina do cristianismo que tenha surgido do nada! Cada crença quer considerada “ortodoxa” (teologicamente correta) ou “herética” (teologicamente incorreta), nasceu de um desafio. Seja pelo distorção do evangelho que aparentava cristã ou por uma crença popular ou por qualquer outra coisa que era considerada como não-bíblica ou antiética a fé cristã autêntica. Mesmo uma pergunta aparentemente estranha como: “Quantos anjos conseguem dançar na cabeça de um alfinete?”, não era debatida pelos pensadores cristãos no passado apenas para matar o tempo, nem para dar a impressão de serem eruditos. A questão era explorar a natureza de seres espirituais não-humanos, como os anjos, e refutar a ideia de quem seriam seres materiais que ocupavam espaços.  Por isso também me preocupo com aqueles que não querem saber de teologia e acham estes estudos uma grande bobagem. É preciso estudar e se aprofundar mais no que cremos. Ninguém consegue servir fielmente a Deus sem saber alguma coisa a respeito da natureza e vontades divinas. Ler e compreender a história da teologia cristã requer a consciência prévia de que os cristãos das eras passadas que se debatia com as questões doutrinárias realmente se preocupavam em crer nas coisas certas a respeito de Deus.

Temos que ter a prudência de saber o que é essencial e o que é secundário e periférico. Nas doutrinas fundamentais, por exemplo, a crença da “Divindade de Cristo”, a “Salvação pela fé somente, a “Trindade” e a “Encarnação do Verbo”, isso é necessário e precisa ser unânimes entre os cristãos. Mas se um fala em línguas e o outro não - se um é dicotomista e o outro é tricotomista – essas coisas são secundárias, tendo a liberdade acompanhada de amor. Chamamos isto de “Adiáfora”, palavra que provem de um termo em latim que significa “coisas que não são muito importantes” ou “questões de indiferença”. A historia da igreja foi maculada por muitos fundamentalistas no que é periférico ao ponto de terem ocorrências de mortes e assassinatos em nome de Deus. Afogamentos e fogueiras foram as armas do “Espirito Santo” para tanta tragédia, segundo eles. Lamentável!

O texto base usado para a reflexão, “que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti”, deveria amenizar nossas discussões calorosas. Antes de tudo é necessário entender que o Salvador orou pela unidade da igreja. Somos muitos em um único corpo. Ainda que individualmente, somos membros um dos outros (Rm 12.5). Participantes do mesmo pão (1 Co 10.17), e quem deu o pão foi Cristo, e nós por vezes retemos o mesmo aos famintos por causa das divergências. Já não há mais grego nem judeu, homem nem mulher, pois todos estão em Cristo (Gl 3.28) para um único propósito: “chegar a ‘unidade’ da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus” (Ef 4.13): “Irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo suplico a todos vocês que concordem uns com os outros no que falam, para que não haja divisões entre vocês, e, sim, que todos estejam unidos num só pensamento e num só parecer” (1 Co 1.10 NVI).

Se vivermos em paz em um mesmo parecer, o Deus da paz será conosco (2 Co 13.11). Este é um motivo pelo qual saímos atribulados e exaustos de alguns debates. A falta de paz é a ferramenta que Deus usa para nos avisar que Ele não está no meio disto. Quando a motivação não é preservar a unidade por meio do Espírito, no vinculo da paz (Ef 4.3), é preciso nos acautelar. Precisamos combater juntamente com o mesmo ânimo, firmes no mesmo espírito, a fé do evangelho (Fp 1.27) e não entre nós, um contra o outro, aquilo que é certo e respaldado pela verdade. Cristo é a nossa paz - essa é bandeira a qual defendemos (Ef 2.14).

O que não podemos perder de vista em temor e tremor, e também para não se tornar um sectário, é saber que Jesus acolheu o débil na fé. Que o servo é Dele e não nosso, para fecharmos a porta da graça que Ele nos abriu com tanta misericórdia.  Quem o sustenta é seu Senhor, e isto antes de qualquer coisa deveria a nós causar o temor, visto que seremos julgados pelas obras que fizemos pelo corpo de Cristo. A graça de Deus tem em vista de nos tornar humildes para com todos já que Ele, Deus, escolheu nos amar mesmo na ignorância dos nossos pensamentos dos seus mistérios ocultos (Dt 29.29). Acerca disso o irmão Portela diz:

“Não podemos nunca menosprezar a simplicidade dos crentes comuns, resgatados que foram por Cristo Jesus, pelo Deus soberano que todos amamos, predestinados desde antes da fundação do mundo, separados para a glória do Deus todo-poderoso. Eles sabem o que é justificação, mesmo que nunca tenham ouvido falar de Lutero e Calvino, mesmo que não consigam dizer o que são os cinco pontos do calvinismo, mesmo que não consigam explicar o que é justificação. O Deus poderoso que salva, o faz soberanamente, não dependendo da perspicácia, lógica ou inteligência do escolhido”. [2]

Infelizmente as redes sociais estão sendo usadas por alguns para “glorificar a si” por meio da Glória de Deus. Pregam a Cristo por porfia ou por inveja. Estão certos na teologia, mas errados nas motivações. Os jovens são os mais tentados nesta área, principalmente os seminaristas. A ordem de Paulo ao Jovem Timóteo é “fuja destas paixões”, dispensando as questões insensatas e absurdas que só fomentam contendas. Antes é necessário que o servo do Senhor não viva a contender, e sim deve ser brando para com todos, apto para instruir, seguindo a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor (2 Tm 2.22-25).Tratando deste assunto, Solano Portela diz:

“Com frequência encontramos a ocorrência deste pecado nos jovens que foram expostos e convencidos das realidades das doutrinas da graça. Após devorarem alguns livros, após aprenderem a formular e a discutir os ‘cinco pontos’, eles estacionam por aí. Acham, entretanto, que já dominaram tudo o que se pode saber, dedicando-se a grandes e extensas discussões, como se fossem mestres”. [3]

Amados, sinceramente, a cada dia me afasto destas discussões. Como pentecostal [reconhecendo os abusos que devem ser denunciados] vejo o tamanho do preconceito por parte de alguns irmãos reformados ou “cessacionistas”. Piadas e mais piadas, afirmações desprovidas da graça de Deus e a falta de respeito por aquele que foi resgatado porque Creu. Não quero fazer coro com esta gente - não quero me tornar um sectário e nem tão pouco estar ligados a pessoas somente pela teologia - quero fazer parte daqueles que amam a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo – quero andar com gente que combate a fé com equilíbrio e, mesmo discordando dos meus manuseios teológicos secundários, me respeitem e me tratem como irmão amado que foi regenerado em Cristo Jesus o Senhor, o qual é acima de todos e Deus Bendito para sempre.

Que assim seja! Que o vinculo da perfeição seja o amor - que não venhamos a nos tornar hereges e sectários do ponto de vista divino no proceder um para com os outros. Antes de sermos aprovados pelos homens, sejamos por Deus, e este se enquadra nestas qualidades:

“Quanto ao mais, tenham todos o mesmo modo de pensar, sejam compassivos, amem-se fraternalmente, sejam misericordiosos e humildes”. – 1 Pe 3.8 NVI

Lembre-se, o Salvador orou por isso:

“Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós”. – Jo 17.11 AFC

Soli Deo Gloria!

Fabio Campos


Referência bibliográfica das citações:
[1] Cinco Pecados que ameaçam os Calvinistas; Portela, SOLANO; Ed. PES; P.5.

[2] Cinco Pecados que ameaçam os Calvinistas; Portela, SOLANO; Ed. PES; P.12,13.

[3] Cinco Pecados que ameaçam os Calvinistas; Portela, SOLANO; Ed. PES; P.30.

Referência bibliográfica para o contexto histórico:
História da Teologia Cristã; OLSON, Roger; Ed. Vida Acadêmica