domingo, 28 de julho de 2013

O PECADO DESEJA CONQUISTÁ-LO, MAS VOCÊ DEVE DOMINÁ-LO!


Por Fabio Campos

Texto base: Portanto, não permitam que o pecado continue dominando os seus corpos mortais, fazendo que vocês obedeçam aos seus desejos”. (Rm 6.12 NVI)

A tentação não respeita a ninguém! Para ela não existe papa, pastor, operário ou executivo; nem simples, nem famoso. Por vinte e quatro horas [até por sonho] ela o tem por presa e deseja ser consumada.

O recado de Deus a Caim, irmão de Abel, se estende a todo homem e mulher que está debaixo do sol: “... o pecado o ameaça à porta; ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo” (Gn 4.7). Essa é a ordenança do Senhor Deus a todos os moradores da terra. Digo: “Alguém já conseguiu dominá-lo ao ponto de nunca ter pecado”? Por isso Deus encerrou a todos debaixo da desobediência (Rm 11.32), e o mundo de uma forma empírica ratifica as Palavras do Senhor Jesus Cristo: “quem peca é escravo do pecado” (Jo 8.34). Um erro, uma consequência; o salário do pecado é a morte; por isso não há um justo (Rm 3.10), e ninguém pode dizer “meu coração está puro, estou limpo de pecado” (Pr 20.9)

A condição humana não isenta o homem de sua responsabilidade perante a legislação Divina. Por isso Deus entregou seu Filho, condenando o pecado na carne, satisfazendo todas as exigências da Lei, para aquele que todo Nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna; tudo por causa do Filho, pois quem está Nele, não está sob o juízo debaixo de condenação; o Espírito testifica com nosso espírito que somos filhos de Deus, pelo qual não atemorizado por causa da condenação, mais em agradecimento pela justificação, clamamos, ABA-Pai.

O Espírito foi dado para nos livrar da escravidão do pecado. A força do mau desígnio no coração do homem é muito mais forte do “querer fazer o bem”. Mas se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. Nesta condição Deus requer santidade, pela a qual ninguém verá o Senhor.

Ser tentando não é pecado; pecado é quando a tentação, pelo o engodo que nos atrai, gera um ato consumado. Paulo nos ensina em Rm 6.12 que devemos lutar contra os impulsos e contra nossas paixões. A auto sabotagem se encontra no fato de pensarmos que para vencê-lo é necessário não ser por ele atraído. Não espere sentir o desejo de “não pecar” para não praticar a iniquidade. Enquanto ainda neste corpo que aguarda ansiosamente a redenção, o mal nos é por habitação. Em algumas áreas você poderá até não desejar consumar a iniquidade, mas em outras, a ordem é fugir, não permitindo que ele reine em nosso corpo. O comando deve ser “não obedeça aos seus desejos”. O pecado está sempre batendo em nossa porta com pratos atraentes naquilo que “mais gostamos”.

Amputar algo é dolorido; mas é melhor entrar no Céu com um olho, do que ir para o inferno, com os dois (Mt 5.19). O nosso velho homem precisa ser destruído pela crucificação dos desejos, não se submetendo ao pecado (Rm 6.6). Andar no Espírito, revestido do Senhor Jesus Cristo, é modo para mortificar os desejos e a força da concupiscência (Gl 5.16).

Lute com toda sua força contra seus apetites nocivos; odeie seu pecado; foque na graça e na bondade que conduz ao arrependimento. O amor de Cristo o constrangerá a não mais premeditar em realizar os desejos carnais. Que Deus ajude a mim e a você, nessa árdua luta, a permanecer no caminho estreito; não segundo as paixões humanas, mas segundo a vontade de Deus, que é boa, perfeita, e agradável. Assim, experimentaremos uma alegria e uma paz que está acima do entendimento humano.


“... livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta...” (...) “Na luta contra o pecado, vocês ainda não resistiram até o ponto de derramar o próprio sangue”. (Hb 12.1,4 NVI)

Soli Deo Gloria!

Fabio Campos

APRENDENDO A VIVER


Por Alexandre Sousa

Desde os primórdios, tudo segue exatamente em uma ordem cronológica, principalmente respeitando as naturezas. Sejam elas físicas com os elementos da terra, ou humanas, com as razões psíquicas e fisiológicas.
Muito bem...

Homem aprende a lidar socialmente com o mundo exterior a começar consigo. Um diálogo sistemático, primeiro verbalizado com choros nos primeiros meses, ou qualquer som adaptável. Então, chora-se pra comer, pra dormir, pra ser trocado ou para distração. É incrível!

As idades vêm e com ela as experiências necessárias com as adaptações de espaço e pessoas. Horários e inicio das regras, em especial o “não pode”. Normalmente em tom desesperador ou taxativo.

E segue o aprendendo a viver...

Em cada estágio da vida, além dos sons, das regras, dos os elementos importantes vem seguido de valores sociais, uns seguem em fase adulta sobre pelo menos três frentes: Os que não abrem mão dos seus valores em potencial. Os que são adaptáveis. E os que se corrompem.

E seguimos...

Neste século, como em outros levados ao caos, desde Alexandria a Roma antiga. Desde quando não se existia clã algum, o homem cai na depreciação moral e civil.

É difícil olhar para as ruas das cidades brasileiras e encontrar cidadania em alguém que um dia foi aquele dependente que simplesmente chorava pra comer, trocar de fralda, ter ou chamar atenção.

É difícil ter que ignorar que os senhores de outro tempo, cumprimentavam uns aos outros com a cordialidade, seja tirando o chapéu, um aperto de mão, ou qualquer outro gesto de comprometimento civil e educado.

É difícil passar ao que seria publico e defensoria publica e sentir-se maltratado em descaso.

E seguimos...

Agora eu pergunto, até quando?

Se o caos é eminente, saibamos de uma coisa, esta geração será destruída pra se dá lugar uma nova. Inevitavelmente e consequentemente. Ao menos que mudamos e busquemos retroceder em nossos pensamentos, escolhas e principalmente atitudes.

Pra complementar, uma história de valor, como Mandela, Gandhi entre outros.

No império Aquemênida, o rei Dario tinha cento e vinte governadores das províncias em seu reino. E sobre estes governadores, seu reinado tinha três presidentes e destes três, somente um se destaca por seu espírito de excelência. Cidadão moral, ético e que não negocia seus princípios. Seja por qualquer decreto, razões incoerentes ou imorais, não são atendidas valendo-se de uma integridade moral incontestável. Este presidente chamava-se Daniel.

Todos nós sabemos historicamente o valor e peso de um império. E nos dias de hoje, o sistema imperialista ainda perpetua de alguma maneira ou outra. Fato é, qual é nossa postura meio as autoridades? Qual tem sido nossa postura ainda que manifestando como “gigante adormecido”? 

Ainda sobre Daniel, o presidente do império de Dario (Aquemênida). Cento e vinte governadores mais dois outros presidentes, movidos por suas faltas de caráter e integridade moral. Conspiraram juntos em uma trama para que a integridade moral de Daniel (Presidente) fosse atacada a valer por um decreto do rei, e isso, custaria sua vida. Era a única maneira dos safados conseguirem prevalecer em suas decadências e sustentá-las como ainda hoje.

É estranho quando falamos de valores morais as pessoas se sentem ofendidas, agredidas às vezes.

É estranha, uma sociedade que cresce não mais aos sons dos seus ouvidos, mas ignoram o direito do outro e então o “viva voz” do aparelho toca uma melodia suja e ruim.

É estranho ainda, vibrarmos com as agressões de pessoas aproveitando-se da legitimidade de protestos ou manifestações. Talvez os “pay per view” do MMA responda nossa insanidade.

Mas este Daniel, ainda que o decreto falasse que não poderia ser integro mais, ele permaneceu com seus valores. Não negociou sobre nenhuma hipótese sua integridade. E a Verdade o livrou da cova dos Leões.

É preciso mais que dizer, é preciso ser.

Esta nossa sociedade ainda não aprendeu a viver com respeito e valores sociais.

É um tempo...

Se continuarmos a negociar nossos valores, talvez não tenhamos mais tempo.

Este é o sistema.

Alexandre Sousa


quinta-feira, 25 de julho de 2013

SUCESSOR DE PEDRO OU DE CÉSAR? A PRIMAZIA PAPAL E SUAS CONTROVÉRSIAS!


Por Fabio Campos

Texto base: Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem”. (1 Tm 2.5 AFC)


As Escrituras não podem falhar (Jo 10.35), o Verbo de Deus, Jesus Cristo, que pela Palavra da Verdade, liberta o homem dos conhecimentos humanos contrários aos parâmetros estabelecidos por Deus. O Brasil está agitado. A vinda do papa Francisco foi aguardada em grande expectativa entre os fiéis católicos.

Antes de abordar o tema de uma forma bíblica e histórica, quero deixar o meu respeito e carinho pelos católicos. O artigo não tem por finalidade a de denegrir a religião de ninguém; mas em um breve estudo, pelas Escrituras, trazer luz a respeito do papa e a sua primazia naquilo que se refere a “cadeira de Pedro”.

A igreja após a “conversão de Constantino” foi direcionada pela liderança do imperador e dos bispos de Roma. Com a fusão da religião cristã e do império romano, o poder bélico foi perdendo sua “força aparente”, e em um ponto da história, o imperador foi substituído pelo papa, naquilo que foi constituído pela Eclésia. De acordo com o ensinamento oficial da Igreja Católica Romana, definido no Primeiro Concílio do Vaticano (1870), Jesus Cristo estabeleceu o papado com o apóstolo Pedro; e o bispo de Roma como sucessor de Pedro exerce a autoridade suprema (primazia) sobre toda igreja.

A história indica que o conceito de reinado papal foi estabelecido em estágios penosos e lentos. Nesse processo, Leão é a figura principal por fornecer pela primeira vez as bases bíblicas e teológicas da reivindicação papal. Por isso, é um engano falar de papado antes dessa época. O título “papa” expressa o cuidado paternal de todos os bispos do rebanho. Começou a ser reservado para o bispo de Roma apenas no século VI, muito depois da reivindicação de primazia.

Antes de sua eleição para o ofício papal, Leão, um nobre de uma região ao norte de Roma, foi mandado à Gália pelo imperador para arbitrar a disputa. Quando o bispo de Roma morreu, o clero romano enviou um delegado para informar Leão que a escolha de um novo bispo havia recaído sobre ele.

No sermão que pregou no dia de sua posse, Leão louvou a “glória do abençoado apóstolo Pedro cuja cadeira seu poder vive e sua autoridade brilha”. Leão fez sua entrada na história como chefe supremo de toda a cristandade. Leão, o primeiro papa, baseou o fundamento teórico para a primazia papal apelando ao testemunho triplo do evangelho (Mateus 16.13; Lucas 22.31-32; e João 21. 15-17): Cristo prometeu construir sua igreja sobre Pedro, a pedra para todas as épocas, e os bispos de Roma são seus sucessores nessa autoridade, dizia Leão. Um século mais tarde elevou o status do ofício do bispo em Roma de uma vez por todas. A dinastia de Pedro, príncipe da igreja, foi estabelecida, solenemente, de forma decisiva.

O que não estava nos planos de Roma era o propósito de Deus de reformar sua igreja, voltando à doutrina dos profetas e dos apóstolos, o qual Cristo é a Pedra Angular. Depois da pré-reforma, a emancipação de Roma se deu por meio de Martinho Lutero (1483-1546), pai da Reforma Protestante. Em 1517 Lutero fixou suas 95 teses na porta da igreja do Castelo, em Wittenberg. Os cinco pilares da Reforma, o Sola Christus (Somente Cristo), fez cair por terra a supremacia papal diante dos leigos dominados e manipulados pela igreja romana. Com o advento da Reforma todo crente em Jesus passou a ler e a interpretar as Escrituras. O sacerdócio centralizador do papa foi substituído pelo o universal, ensinado pelo próprio Pedro (1 Pe 2.9). O sacerdócio real é concedido a todo aquele que tem a fé em Jesus Cristo e no seu sacrifício vicário.

A teologia Romana com base em Mateus 16.18, quando Jesus diz a Pedro “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja”, declara que a expressão “esta pedra” significa que a igreja está edificada sobre Pedro, que foi o primeiro papa e exerceu este cargo em Roma durante vinte e cinco anos. A nota de rodapé da Bíblia apologética ICP emite a seguinte refutação:

“A expressão ‘sobre esta pedra’ está relacionada à resposta de Pedro, que disse: ‘Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo’. É sobre Cristo que a Igreja já foi edificada e não sobre Pedro. Jesus afirmou que Ele próprio era a Pedra (Mt 21.42). A afirmação de Jesus é uma interpretação veraz do salmo 118.22. O próprio Pedro identifica Jesus como sendo a pedra (At 4.11,12; 1 Pe 2.4-6). Se Pedro foi papa durante vinte e cinco anos, então existe algo errado, já que o apóstolo foi martirizado no reinado de Nero, entre os anos 67 e 68 a.D. Subtraindo desta data vinte e cinco anos, retrocedemos ao ano 42 ou 43 A.D. Nessa época, não havia sido realizado ainda concilio de Jerusalém (At 15); que ocorreu por volta do ano 48 a.D, ou um pouco depois. Pedro participou do Concílio, mas foi Tiago quem o realizou e presidiu” (At 15.13,19).

Os fundamentos da igreja católica para revogar o ministério papal contradizem a história e os acontecimentos em suas devidas datas.

Continuando com a refutação, a Bíblia ICP diz:

“O apóstolo Paulo escreveu sua epístola aos romanos no ano 58 a.D. e, no capítulo 16, mandou saudação para muita gente em Roma, mas Pedro sequer é mencionado. Por outro lado, Paulo chegou a Roma no ano 62 a.D e foi visitado por muitos irmãos (At 28. 30,31). E também nesse período não há nenhuma menção a Pedro ou a algum papa. O apóstolo Paulo escreveu quatro cartas de Roma: Efésios, Colossenses e Filemon (62 a.D) e Filipenses (entre os anos 67 e 68 a.D). Todavia, Pedro não é mencionado em nenhuma delas e, novamente, não se tem notícia do suposto pontificado de Pedro”.

O interessante é que Pedro em sua segunda carta (3.15-16) menciona Paulo pelo seu profundo conhecimento das Escrituras e pela autoridade apostólica que lhe foi dispensada. Já Paulo, que foi quem mais livros escreveu do Novo Testamento nunca mencionou uma “autoridade especial” concernente ao apostolo Pedro.

No contexto de Mateus 16.18 duas considerações em nota a Bíblia apologética ICT nos traz:

“[1] Enquanto Pedro é mencionado na segunda pessoa (tu), e expressão “esta pedra” está na terceira pessoa. [2] Pedro (petros) é um substantivo masculino, enquanto Pedro (petra), um feminino singular. Consequentemente, estas palavras não têm a mesma referência. Ainda que Jesus tivesse falado em aramaico, o original grego inspirado traz distinções. O interessante é que até as próprias autoridades teológicas católicas concordam que a referência bíblica em estudo não está relacionada a Pedro. O destaque aqui é para João Crisóstomo e Agostinho”.

“Agostinho, em seu comentário sobre o evangelho de João, escreveu: ‘Nesta pedra, então, disse Ele, a qual tu confessaste, eu construirei minha igreja. Esta Pedra é Cristo; e nesta fundação o próprio Pedro construiu’. Assim, não existe fundamento bíblico nem subsídio histórico para consubstanciar a figura de Pedro como papa” (Ef 2.20).

Outro argumento que a Igreja Católica usa está baseado em Mateus 16.19, quando Jesus diz a Pedro “... E eu te darei as chaves do reino dos céus...”; o catolicismo afirma que tanto Pedro quanto seus sucessores foram revestidos de um poder especial e exclusivo, tornando o papado infalível. A Bíblia Apologética de estudo emite a seguinte nota por refutação:

“A doutrina católica sobre a infalibilidade papal não encontra apoio nas Escrituras. Jesus, de modo algum, outorgou autoridade a outras pessoas para exercerem, de forma singular, a liderança (como cabeça) de sua igreja. Com base em Mateus 18. 15-20, Jesus estende a autoridade que concedeu a Pedro aos demais discípulos, como membros do corpo de Cristo. Esse tipo de autoridade era comum aos rabinos, que tinham o privilégio de dar “permissão” e “proibir”. Não se tratava de uma porção de poder exclusiva somente a Pedro. A igreja também recebeu a mesma autoridade, pela qual proclamamos o evangelho, o perdão de Deus e o julgamento divino aos impenitentes. Contudo, o único que tem proeminência sem igual é Cristo, a pedra angular. Os demais crentes, inclusive Pedro, são as “pedras vivas” nesta edificação”.

A Pedra angular é Cristo; ainda por continuação...

“O papel de Pedro, no Novo Testamento, está longe da reivindicação católica romana de que possuía e era autoridade sobre seus companheiros. Embora tenha sido o orador principal no dia de pentecostes, no entanto, sua atuação no restante do livro de Atos é escassa, sendo considerado tão-somente como “um dos apóstolos”. De forma muito clara, o apóstolo Paulo falou o seguinte: ‘Em nada fui inferior aos mais excelentes apóstolos’ (2 Co 12.11). Será que uma leitura mais cuidadosa da carta escrita aos gálatas nos levaria a aceitar que algum apóstolo foi superior a Paulo? Claro que não. Pois Paulo disse ter recebido uma revelação [do evangelho] que o seu chamado era semelhante ao ministério de Pedro (Gl 1.12; 2.2) ao ponto de usar da autoridade que tinha como apóstolo para repreender duramente o próprio Pedro (Gl 2.11-14)”.

Será que um papa aceitaria ser repreendido por um bispo ou padre? Pedro aceitou a repreensão de Paulo por saber que ele mesmo era suscetível a erros. Pedro era igual a todos:

“O fato de Pedro e João terem sido ‘enviados pelos demais apóstolos’ a uma missão especial em Samaria demonstra que Pedro não tinha uma posição superior entre eles (At 8.4-13). Se Pedro de fato fosse superior aos demais, por que é dispensada ao ministério de Paulo uma atenção maior, fato constatado nos capítulos 13-28, de Atos? No primeiro concílio realizado em Jerusalém (At 15) a decisão final não partiu de Pedro, mas, sim, dos apóstolos e dos anciãos. Além disso, foi Tiago, e não Pedro, que presidiu o conselho (At 15.13). Em momento algum, já que era, segundo o catolicismo, superior aos demais apóstolos, Pedro reivindicou ser pastor das igrejas, antes exortou os presbíteros para que cuidassem do rebanho de Deus (1 Pe 5.1,3). Embora reconhecesse ser ‘um’ apóstolo (1 Pe 1.1), não se intitulou ‘o’ apóstolo, ou chefe dos apóstolos. Sabia que era apenas um dos pilares da igreja, junto com Tiago e João, e não ‘o’ pilar (Gl 2.9)”.

Continuando...

“Segundo afirma o catolicismo romano, os ‘sucessores’ de Pedro ocupam sua cadeira. Quando, porém, analisamos as Escrituras, encontramos critérios específicos para o apostolado (At 1.22; 1 Co 9.1; 15. 5-8), de modo que não poderia haver sucessão apostólica no bispado de Roma ou em qualquer outra igreja”.

Portanto, as chaves não foram entregues a Pedro somente, mas a Igreja de Cristo; as “portas do inferno não prevalecerão contra a igreja”; não diz “contra Pedro”.

Imaginemos que o papa seja o “vigário (substituto) de Cristo como alega o catolicismo. Na renúncia do papa “Bento XVI”, a igreja ficou sem ninguém para representar a Jesus? Não! A Escritura nos diz que todo crente em Cristo é uma testemunha onde estiver (At 1.9). E o que dizer do “Grande cisma papal”! Quando Urbano governava Roma e Clemente em Avignon, eis que surgiu o tenebroso capítulo da história papal chamado o “Grande Cisma”. Estes papas que outorgaram a “primazia papal” para si tinham seu próprio Colégio de Cardeais, garantindo dessa forma a escolha papal de seu agrado. Cada papa alegava ser o verdadeiro Vigário de Cristo, com poder de excomungar qualquer um que não o reconhecesse. Quanta diferença de Paulo, que denunciou essa meninice na igreja de Corinto, quando uns dizia ser de Pedro, outros de Paulo e outros de Apolo. Categoricamente ele afirmou “foi Paulo, Pedro ou Apolo que morreu por vocês” (1 Co 3.1-10)? A Escritura é clara sobre a Soberania e Glória de Cristo, a qual não divide Ele com ninguém: Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo (1Co 3.11 AFC).

A França ficava com Clemente, e a Itália com Urbano. O Império ficava com Urbano, assim como a Inglaterra. A Escócia preferia Clemente. Em 1395, os principais professores da Universidade de Paris propuseram um concílio geral, que, representando a igreja Universal, se reuniria para acabar com o cisma. Mas surgiram complicações. A Lei canônica estabelecia que apenas o papa poderia convocar um concílio. Qual dos papas tinha esse direto, afinal?

Em 1409, uma maioria de cardeais de ambos os lados concordava que sim. Eles se reuniram para um concílio geral em Pisa, na costa oeste da Itália. Depuseram os dois homens que clamavam pela cadeia papal e elegeram um terceiro, Alexandre V. Mas nenhum dos dois homens depostos aceitou a decisão do concílio. Se um papa já é controverso teologicamente, agora, a igreja passou a ter não dois, mas três, reclamantes à cadeira de Pedro.
Três papas ao mesmo tempo é demais para qualquer um, especialmente quando deles se decide por uma cruzada contra o outro e passa a vender indulgências para viabilizá-lo. De fato, o papa não sabia se era sucessor de Pedro ou de César.

A palavra “Papa” vem do latim “pai” e Jesus fez sérias advertências aos discípulos a respeito de se “Centralizar o poder na figura de um líder humano, chamando-o de pai”:

“A ninguém na terra chamem ‘pai’, porque vocês só têm um Pai, aquele que está nos céus. Tampouco vocês devem ser chamados ‘chefes’, porquanto vocês têm um só Chefe, o Cristo. O maior entre vocês deverá ser servo”. (Mt 23. 9-11 NVI)

O único caminho que leva a Deus, o da Verdade e o da Vida, já foi preenchido por Jesus Cristo (Jo 14.6).

Este artigo não foi elaborado para atacar o “papa”, mas abordar a luz das Escrituras e da história a primazia “papal”. Reconheço o trabalho e humildade do atual papa Francisco, mesmo tendo dificuldades de entender como alguém diz ser humilde possa aceitar o título eclesiástico de “papa”. A Escritura nos diz para imitarmos somente a Cristo (1 Co 11.1); Ele sendo a “Pedra Angular”, o “Cabeça e Noivo da Igreja”; aquele que é o Filho de Deus e Deus o Filho, O Verbo encarnado, o Deus Eterno, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo (Fp 2 .6-8).

O Nazareno manso e humilde de coração não nos chama de servos, mas de amigos; por meio Dele fomos feitos “filhos de Deus”, e como Deus não faz acepção de pessoas, não existem homens mais ou menos especiais quando em Cristo.

Portanto, só há um mediado entre Deus e os homens, Jesus Cristo; o papado sempre foi uma pedra de tropeço para a igreja e suas mãos estão cheias de sangue inocente.

Que Deus seja nosso guia na iluminação deste artigo nos fortalecendo na verdade que liberta e que nos traz a paz que excede toda compressão humana.

Sola Christus

Fabio Campos

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Referências bibliográficas:

Bíblia Sagrada apologética de Estudo ACF, ICP, Edição ampliada.
SHELLEY L. Bruce; História do Cristianismo ao alcance de todos; Ed. Shedd Publicações.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

CACHÊS EXORBITANTES! TIETAGEM E TIETES! ADORAÇÃO OU SHOW?





Por Fabio Campos

Texto base: “... tendo despojado os poderes e as autoridades, fez deles um espetáculo público, triunfando sobre eles na cruz”. (Cl 2.15 NVI)


Acharam a mina do tesouro! O mercado da música gospel! Este segmento tem sido o alvo de grandes empresas e empresários para o lucro. Não vamos ser inocentes, a prudência das serpentes faz parte da virtude cristã. Para a rede Globo buscar alianças com líderes evangélicos famosos alguma coisa tem por de traz do “promover” essas canções. Será a bola da vez a musicalidade gospel?

Como lamento toda essa pompa que tem fantasiado esses “ministros”. Recentemente um pastor contratou um cantor que está “explodindo” na mídia para se apresentar em um evento financiado pela igreja local. Tristemente, o servo de Deus gastou 100 mil reais no custeio dessa apresentação; entre hospedagens, infraestrutura para o “show”, e viagem, o que me espantou foi o cachê. Quarenta e dois mil reais! Quer mais? O show foi cancelado minutos antes de se iniciar devido ao não cumprimento de algumas “cláusulas contratuais ($$)” conforme divulgado no twitter do cantor.

O bom senso vem junto do discernimento; de onde o pastor tirou 100 mil para realizar um “show”? Lógico que do caixa da igreja! Quem são os que financiam as obras da denominação local? Os fiéis por meio dos dízimos e das ofertas! Meu Deus! Todos estão com os bolsos cheios ao ponto de rasgar dinheiro com tudo isso? É por meio da lã das ovelhas que os lobos acumulam suas gorduras. Sabia que nessa igreja existe pelo menos um membro que está com a sua luz cortada por falta de pagamento devido a uma crise que bateu em sua porta? Pois é, triste realidade! Jesus mesmo disse que “os pobres sempre estariam conosco”. Não há igreja rica que não exista um pobre.

Um irmão muito simples me disse que estava com vontade de ir ao show desse cantor. Mas porque o valor era 40 reais não poderia comparecer. Minha orientação a ele foi que não fosse! Além do preço alto, as letras que iriam ser proferidas, teriam apenas técnica musical, mas sem conteúdo naquilo que Lutero diz: “O louvor é um sermão cantado”. Tudo bem, não há problemas em se pagar quarenta reais para assistir uma apresentação; mas para onde vai toda essa renda? Quais as obras sociais envolvidas para o benefício; se tiveram que cancelar por causa do dinheiro, logo parte desse recurso não tinha por destino em ajudar os órfãos e as viúvas em suas necessidades, pois “cavalo dado não se olha os dentes”, mas sim em pagar o mercenário dito cantor. Isso me enoja.

Os espetáculos da Bíblia difere um muito dos realizados diante dos fãs frenéticos. O maior deles [espetáculo] projetado nas Escrituras foi o da Cruz; escândalo para os judeus e loucura para os gregos. Uma morte horrenda, digna de pena, imposta ao pior dos criminosos, se tornou o espetáculo PÚBLICO à vista de todos; mas poder de Deus para os que creem. Aí daquele que se diz cristão e não prega o Cristo crucificado! Os irmãos da igreja primitiva foram expostos a um espetáculo de vergonha e humilhação por não negarem o Senhor Jesus Cristo (Hb 10.33). Alguma coisa está errada! Shows com estrutura de altíssimo padrão, cachês altos, milhões de fãs, de fato, o mercado está inflacionado. Só há consumo porque existem consumidores! Essa é a lei da oferta e demanda arrazoada pela ciência da economia! A mídia sabe que evangélicos não compram CD’s piratas (pelos menos assim deveriam). O empresário ambicioso fomenta o amor ao dinheiro, e muitos por aderirem suas orientações acabam se desviando, atormentando-se em muitos sofrimentos.

Não vejo problema ir a uma apresentação prestigiar o seu cantor favorito. Mas fazer da adoração um show e do cantor um “deus”, além de ser uma adoração a Mamon, é satânico, e nada tem haver com o Filho de Deus que é manso e humilde de coração; Ele mesmo disse: Beba de graça da água da vida” (Ap 22.17). Tudo tem um custo e precisa do patrocínio para sua manutenção; creio ser a oferta de fundamental importância em cumprimento da ordem bíblica que diz “digno é o obreiro do seu salário”. Mas oferta é uma coisa; cachê para megalomaníacos é completamente diferente: De fato, a piedade [Evangelho] com contentamento é grande fonte de lucro, pois nada trouxemos para este mundo e dele nada podemos levar; por isso, tendo o que comer e com que vestir-nos, estejamos com isso satisfeitos. Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos”. (1 Tm 6.6-9 NVI)
Minha oração é que Deus abra nossos olhos e inquiete nosso coração concernente ao que traz glória ao homem; que o Senhor tome o seu lugar e destrone toda personalidade carismática ostentada nos palcos humanista com letras antropocêntricas. Que nossa glória seja a cruz de Cristo; que o meio para atrair pessoas ao Evangelho seja unicamente o Nazareno. Ele se fez carne, tornando-se homem e servo de todos para a Glória de Deus, por isso está escrito... não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes” (Rm 12.16).
Espetáculos? Shows? Que sejam então nos parâmetros bíblicos; passou disso, vem do maligno:


“Viemos a ser um espetáculo para o mundo, tanto diante de anjos como de homens. Nós somos loucos por causa de Cristo, mas vocês são sensatos em Cristo”! (...) “Até agora estamos passando fome, sede e necessidade de roupas, estamos sendo tratados brutalmente, não temos residência certa e trabalhamos arduamente com nossas próprias mãos. Quando somos amaldiçoados, abençoamos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, respondemos amavelmente. Até agora nos tornamos a escória da terra, o lixo do mundo”. (1 Co 4. 9, 11-13 NVI).


Soli Deo Gloria!

Fabio Campos

Fabio.solafide@gmail.com 

sexta-feira, 19 de julho de 2013

ENTRISTEÇAM-SE, LAMENTEM E CHOREM!


Por Fabio Campos


Grandes conversões passaram por grandes conflitos! Não há conversão sem arrependimento; não há arrependimento, sem tristeza. Todo cristão nascido do Espírito foi contristado para a salvação. É necessário trocar “o riso por lamento e a alegria por tristeza” (Tg 4.9). A fé nos aproxima da luz; e a luz denuncia as trevas; por isso que Hebreus nos diz “sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam”  (Hb 11.6).

Os mais pecadores se consideram os mais santos; e os mais santos, se consideram os principais pecadores. Aqueles que não se referenciam em Deus no parâmetro de santidade caem no engodo do coração corrupto e mentiroso e se apoiam no seu próprio entendimento; se comparam ao estuprador, assassino, e ao mais inescrupuloso da sociedade em uma tentativa de atenuar a culpa de sua consciência. Mas quem é luz no Senhor entendeu que um dia já foi treva. Agostinho a respeito diz: “Mas esses homens, querendo ser luz não no Senhor, mas em si mesmos, imaginam que a natureza da alma se confunde com a de Deus; vão-se fazendo trevas ainda mais densas, porque em sua terrível arrogância, se afastaram ainda mais de Ti, luz verdadeira, que ilumina a todo homem que vem a este mundo”.

Todo aquele que foi santificado pela Palavra sente no corpo o peso do pecado, e por isso aguarda ansiosamente a redenção em Jesus Cristo. Quem quiser viver piedosamente em Jesus Cristo passará por grandes aflições e perseguições. Não há vários atalhos! Existe um único caminho a percorrer: o estreito! Todos somos pecadores e não há um único justo! O “pecador perdido” se vangloria no pecado; o “pecador salvo” se entristece por ser pecador. Quem tem a Lei de Deus no seu interior jamais será um acomodado com sua atual situação. Ele tenta fazer o bem mesmo fazendo o mal que não queria fazer. Redundante mesmo! Um cristão que não vive em crise, de fato, não tem sido desafiado pelo o Evangelho e ainda conhece a Deus como deveria.

Quando um pecador contempla a face de Cristo, o dito do arrependido 'miserável homem que sou', não é coagido pela a acusação de satanás, mas sim guiado pelo Espírito que nos constrange ao nos mostrar o amor de Jesus. Enquanto estamos neste mundo, não vivemos pela perfeição, mas pelo perdão'. A graça me leva ao arrependimento - o amor de Cristo me constrange a não pecar - a misericórdia será em favor do justo quando ele falhar. A graça é maravilhosa - não façamos dela barata!

Portanto,

“Pecadores, limpem as mãos, e vocês, que têm a mente dividida, purifiquem o coração. Entristeçam-se, lamentem e chorem. Troquem o riso por lamento e a alegria por tristeza. Humilhem-se diante do Senhor, e ele os exaltará”. (Tg 4. 8-10 NVI)


Soli Deo Gloria!

Fabio Campos

quinta-feira, 18 de julho de 2013

A CHAMADA PARA O MINISTÉRIO


Por Pr. Silas Figueira

“Esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja. Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar”.  (1Tm 3.1-2 – ACF)

 “Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue. Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho” (At 20.28-29 – ACF)

Creio que a vida do pastor começa com o seu chamado. Muitos pensam que é o seminário que faz o pastor, mas não é. O papel do seminário é a formação acadêmica do vocacionado. Erwin Lutzer define o chamado pastoral assim: O chamado de Deus é uma convicção interior, dada pelo Espírito Santo e confirmada pela Palavra e pelo corpo de Cristo. Agora é bom deixar claro que existe o pastor chamado e o chamado pastor. O primeiro é vocacionado por Deus, já o segundo se auto vocaciona.

 A vocação para o pastorado é a mais sublime de todas as vocações. O Rev. Hernandes Dias Lopes citando John Jowett diz: “que vocação pastoral não acontece quando você busca fazer medicina, e não consegue passar no vestibular; corre para engenharia, e não logra êxito; bate à porta de outro curso universitário, e também fracassa; então, conclui que Deus está abrindo a porta do ministério. Ao contrário, vocação pastoral é quando todas as outras portas estão abertas, mas você só anseia entrar pela porta do ministério. O chamado de Deus é irrevogável e intransferível. Quando ele chama, chama eficazmente. Os vocacionados não são profissionais, frutos de uma decisão meramente humana nem são sacerdotes separados por uma herança familiar. São homens separados com um propósito divino”.

 CARACTERÍSTICAS DO CHAMADO

Certamente nem todos são chamados por Deus da mesma maneira. Deus chama pessoas diferentes, em circunstâncias diferentes, em idades diferentes, para ministérios diferentes. Ao olharmos para os homens de Deus, tanto no Antigo Testamento quanto no Novo Testamento, encontramos pessoas com diversos chamados. O chamado de Deus é intransferível, irrevogável e é uma chamada eficaz. Com ele obtemos a firmeza de propósito para o ministério sem olhar para trás.

Como já falamos o chamado não ocorre da mesma maneira com todos os vocacionados. Para algumas pessoas a chamada pode ser repentina; para outras, pode ser gradativa. Uma pessoa pode não sentir nenhum chamado até ser incentivada por outras pessoas. Veja o exemplo de Eliseu:

“Partiu, pois, Elias dali, e achou a Eliseu, filho de Safate, que andava lavrando com doze juntas de bois adiante dele, e ele estava com a duodécima; e Elias passou por ele, e lançou a sua capa sobre ele. Então deixou ele os bois, e correu após Elias; e disse: Deixa-me beijar a meu pai e a minha mãe, e então te seguirei. E ele lhe disse: Vai, e volta; pois, que te fiz eu? Voltou, pois, de o seguir, e tomou a junta de bois, e os matou, e com os aparelhos dos bois cozeu as carnes, e as deu ao povo, e comeram; então se levantou e seguiu a Elias, e o servia”. (1Re 19.19-21 – ACF)

O exemplo da vida de Elizeu se repetiu na vida do jovem teólogo João Calvino. Diz a história que João Calvino passou a noite em Genebra depois que o inflamado pregador Ferrel lhe apontou o dedo e disse: “Se você não ficar aqui em Genebra e não ajudar o movimento da Reforma, Deus o amaldiçoará!”. É certo que foi algo incomum, mas será que alguém discorda de que Calvino fora chamado por Deus para ministrar em Genebra? Pergunta Lutzer.

Outro exemplo que temos é o chamado de Jeremias, que foi chamado por Deus ainda criança.

“Assim veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta. Então disse eu: Ah, Senhor DEUS! Eis que não sei falar; porque ainda sou um menino” (Jr 1.4-6 – ACF)

O apóstolo Paulo teve um chamado direto apesar de ser perseguidor da Igreja.

“E Saulo, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote. E pediu-lhe cartas para Damasco, para as sinagogas, a fim de que, se encontrasse alguns daquela seita, quer homens quer mulheres, os conduzisse presos a Jerusalém. E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu. E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões. E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que eu faça? E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer” (At 9.1-6 – ACF).

 “E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado” (At 13.2 – ACF)

 “Por isso, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial. Antes anunciei primeiramente aos que estão em Damasco e em Jerusalém, e por toda a terra da Judéia, e aos gentios, que se emendassem e se convertessem a Deus, fazendo obras dignas de arrependimento” (At 26.19-20 – ACF)

No entanto, vemos algo comum em todos eles, foi o Senhor quem os comissionou. Com isso podemos aprender algumas lições:

O Senhor é quem dá pastores à Sua Igreja. Ao olharmos para a vida dos comissionados pelo Senhor através da lente das Escrituras Sagradas, nós encontramos pessoas que questionaram o seu chamado, pois não se viam capazes para realizar tão grande obra. Eram pessoas que, humanamente falando, não tinham condições de exercer o chamado divino. Mas com isso aprendemos que quem comissiona também capacita. Vejamos alguns exemplos bíblicos. Moisés era pesado de língua - gago (Êx 4.10); Jeremias não passava de uma criança (Jr 1.6); Paulo se considerava o menor dos apóstolos e o maior dos pecadores, no entanto o Senhor o colocou no lugar de maior honra na história da Igreja. Pedro se via como um homem pecador (Lc 5.8-10). Aprendemos com esses exemplos que nenhum pastor pode fazer a obra do Senhor de forma eficaz com altivez e orgulho. A soberba precede a ruína. A vaidade é a antessala do fracasso. Toda glória que não é dada a Deus é glória vazia. Não estamos no ministério porque somos alguém, estamos para anunciar o único que é digno de receber toda honra, glória e louvor. Estamos no ministério mediante a graça de Deus e não por capacidade humana.

Deus dá Pastores à Sua Igreja. Em Efésios 4.11, nós encontramos a relação de cinco ministérios específicos, apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres. A maioria dos teólogos entende que pastores e mestres constituem um só ofício com dupla função. O pastor ensina e exorta. A sua função é alimentar, cuidar, proteger, vigiar e consolar as ovelhas (At 20.28-30).  Embora todo pastor deva ser mestre, nem todo mestre é pastor.  Atualmente nós temos visto uma distorção em relação ao que realmente seja ser pastor e pastorear.

Para muitos o pastorado é simplesmente um status. Um título que foi alcançado através do estudo em um seminário. Por isso que encontramos muitos pastores incrédulos; e por não ter fé, o pastor incrédulo tem que direcionar seu ministério e seu culto para áreas onde sua incredulidade passe mais despercebida. Daí, a liturgia formalista, o ritual litúrgico elaborado, as recitações, as fórmulas, os paramentos, as cores, os símbolos, tudo voltado para ocupar os sentidos de maneira que a fé não faça falta. Não estou afirmando que toda igreja com liturgia formalista seja necessariamente liderada por um pastor sem fé; apenas que é mais fácil disfarçar a incredulidade em custos assim.

Mas se existe o infiel, existem também os fiéis. Os que levam Deus a sério e o seu chamado para o ministério. São homens que deixaram seus projetos para realizar o projeto de Deus. Que abraçaram a causa do Mestre sabendo que o que estavam fazendo era para glória, honra e louvor do Senhor dos senhores apenas. Homens que podem falar como o apóstolo Paulo:

“Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus” (At 20.24 - ACF)

“Porque convém que o bispo seja irrepreensível, como despenseiro da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância; Mas dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante; Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes” (Tito 1.7-9 – ACF)


Notas:

1 – Lutzer, Erwin. De Pastor Para Pastor. Ed. Vida, São Paulo, SP, 2001: p. 14.
2 – Lopes, Hernandes Dias. De: Pastor A: Pastor. Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2008: p. 35.
3 – Lutzer, Erwin. De Pastor Para Pastor. Ed. Vida, São Paulo, SP, 2001: p. 16.
4 - Lopes, Hernandes Dias. De: Pastor A: Pastor. Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2008: p. 38.
5 – Lopes, Augustus Nicodemus. O Que Estão Fazendo Com a Igreja. Ed. Mundo Cristão, São Paulo, SP, 5ª Reimpressão, 2010: p. 76.