terça-feira, 4 de junho de 2013

ABORDAGENS E OS LIMITES NOS DEBATES


Por Fabio Campos


A Bíblia diz que no final dos tempos a ciência iria se multiplicar. Hoje as fontes de informações são muitas, e suas facilidades dão oportunidades “do saber” a qualquer leigo em poucas palavras e em poucos minutos. Por conta disso os críticos cresceram em muito, e a luta no “campo das ideias” teve o seu aumento. Em toda a história da humanidade sempre houve debates. O fato está “em discordar de outrem” expondo os seus argumentos. No decorrer da igreja tivemos grandes apologistas que defenderam a “sã doutrina” por meios acadêmicos. Grande parte das doutrinas centrais ortodoxas cristãs foram frutos de debates contra os hereges da época que distorceram as Escrituras. O debate é bíblico; portanto, é válido (Jd 3)! Mas qual a forma de se debater e o seus limites? Este é o nosso desafio como cristão: expor a verdade de uma forma equilibrada e sadia, tendo o modo certo, a hora certa, com as palavras certas, para convencer os “contradizentes”.

O Ego e a vaidade nos atrapalham em muito no arrazoado das questões controvertidas. Para o cristão, seu dever para com todos, é demonstrar antes de tudo, acima da sua eloquência e da sua erudição, a sabedoria que provém do alto, que é pura, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial e sem fingimentos (Tg. 3.17). Essas são as características de um debatedor cheio do Espírito Santo. Antes de mostrar sua sabedoria e inteligência, ele exala mansidão por meio do seu bom comportamento. Caso tenha inveja, amargura, sentimento faccioso, a Bíblia diz que, esta sabedoria, é terrena, animal e demoníaca, pois onde há inveja e sentimento partidário, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins (Tg 3.13-16).

Precisamos tomar cuidado em nossa argumentação para os de fora - com aqueles que professam uma fé diferente da nossa. Com estes, o conhecimento cognitivo e a experiência com Deus são imprescindíveis - somente assim responderemos com mansidão os quais pedirão a razão de nossa esperança (1 Pe 3.15). A sabedoria em boas-obras nos dará oportunidades para falarmos com credibilidade a respeito de Nosso Senhor Jesus Cristo. Com o coração cheio do amor de Deus, falaremos palavras agradáveis, temperadas com sal, respondendo como convém aos seus ouvintes.  O homem sereno de espírito é tido por inteligente (Pr 17.27). O servo do Senhor não pode viver em contendas - antes deve ser brando para com todos, instruindo pacientemente e disciplinando com toda mansidão os que se opõe - na expectativa de que Deus lhes conceda o arrependimento para que cheguem ao pleno conhecimento da verdade (2 Tm 2.24-25).

Existem os debates com os hereges! Com estes a abordagem é diferente! Geralmente são apóstatas que saíram de nosso meio - mas nunca chegaram ao pleno conhecimento de Deus. Precisamos estar em integridade e reverência, para que, com uma linguagem sadia e irrepreensível, possamos envergonha-los, não dando nenhum motivo para falar contra nós (Tt 2.7-8). Paulo nos diz que precisamos ser apegados com a Palavra fiel - que é segundo a doutrina - de modo que tenhamos poder tanto para exortar pelo reto ensino como também para convencer os contradizentes (Tt 1.9).

Muitas das vezes teremos que se opor aos insubordinados, aos de palavras frívolas, e aos enganadores, fazendo-os calar, não por causa deles - mas para que os mesmos não pervertam a fé das ovelhas de Cristo - e que pelo o seu mau procedimento não venham expor o Nome do Senhor a ignomínia (Tt 1.10-11). Caso não deem ouvidos a verdade (digo aqueles que se dizem irmão e não os de fora) e estejam irredutíveis a exortação, passaremos jogar pérolas aos porcos, pois está escrito: Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o, Sabendo que esse tal está pervertido, e peca, estando já em si mesmo condenado” (Tt 3:10-11ACF). No fato de resistirem à verdade, a Bíblia os sentencia de homens de “mente corrompida, que foram reprovados na fé” (2 Tm 3.8). Paulo entregou a satanás Himineu e Alexandre para serem castigados por blasfemarem da fé (1 Tm 1.20). Precisamos nos guardar destes (2 Tm 2.15).

Há também os debates entre irmãos nos assuntos secundários da fé, oriundos de posições teológicas diferentes. Neste caso a paz de Jesus deve ser o árbitro na diretriz e condução das conversas (Cl 3.15). Seremos conhecidos como discípulos de Cristo pelo amor. Mesmo em discordância nos pontos “não essências” da “doutrina cristã”, a unidade é necessária. Assim os homens verão nossas boas-obras e glorificarão ao Pai que está nos Céus.

Portanto irmãos, o cuidado é necessário! Às vezes é melhor perder um debate, mas ganhar um irmão. Muitos virão com o “Argumentum ad hominem” (latim, “argumento contra a pessoa”) desviando o foco da argumentação, passando a nos criticar ao invés do conteúdo. O Diabo que gosta de jogar um contra o outro no intuito de destruir e não construir. Fuja deste tipo de discussão. O debate é valido para “responder com mansidão aqueles que nos perguntarem a razão de nossa esperança” - para “calar os hereges e para proteger o rebanho de Cristo” - e para “crescer no conhecimento de Deus de uma forma equilibrada e respeitosa”. Passou disso é do maligno, no qual tem por ajuda o ego humano que deseja ser apreciado.

Sejamos um exemplo no amor, na caridade, na mansidão e na longanimidade, os quais tem por fruto a sabedoria Divina, dada pelo Pai das luzes como dom. Seja de Deus e fuja das controvérsias tolas, genealogias, discussões e contendas a respeito da lei, porque essas coisas são inúteis e sem valor”. (Tt 3:9 NVI)

Soli Deo Gloria!

Fabio Campos