domingo, 26 de maio de 2013

PAULO! UM APÓSTOLO DESQUALIFICADO PARA O APOSTOLADO MODERNO!


Por Fabio Campos

Texto base: “Todavia, não me julgo nem um pouco inferior a esses ‘super-apóstolos’”. (2 Co. 11.5 NVI).


Sem sombras de dúvidas, o Apóstolo Paulo foi de fundamental importância para a sistematização da teologia cristã. Entretanto, nos últimos dias, aquilo que em sua carta está escrito, “seja meus imitadores porque eu sou de Cristo”, de fato, se perdeu e deixou de ser referência para os cristãos e para alguns líderes, especialmente para aqueles que se intitulam “apóstolos” de Cristo.

Publicamente, seja na TV, no rádio, ou no culto público, ainda não ouvi de nenhum apóstolo, que o mesmo, não teve sua petição atendida depois de três orações consecutivas. Eles falam de suas visões e revelações dadas no terceiro céu! Confirmam seu ministério ao expor suas visões e fundamentam a “doutrina” da igreja naquilo que foi lhe revelado. Diferente de Paulo – quando ele diz acerca da visão no terceiro céu, sua figura de linguagem para eliminar uma possível soberba do seu coração, o coloca em posição de um cristão que diminuiu para que Cristo crescesse: “Conheço um cristão que há catorze anos foi levado, de repente, até o mais alto céu. Não sei se isso, de fato, aconteceu ou se ele teve uma visão; somente Deus sabe” (2 Co 12.2 NTLH).

Somente após quatorze anos Paulo revelou tal visão. E não somente isso, além de confessar não ter tido sua oração respondida por três vezes, também disse que havia um “mensageiro de satanás” para lhe dar bofetadas; dessa forma seu ego não foi alimentado. Em temor, Paulo sabia que sua visão era real e que, as coisas vistas, jamais poderiam ser contadas para ratificar o seu ministério. Ao contrário de muitos hoje – nunca viram nada, dizem ter ido ao céu e também ao inferno, e voltam contando tudo. Paulo não seria bem quisto em uma reunião com estes apóstolos - diante da visão, o que lhe restou dizer, foi: “Portanto, eu me sinto muito feliz em me gabar das minhas fraquezas, para que assim a proteção do poder de Cristo esteja comigo. Eu me alegro também com as fraquezas, os insultos, os sofrimentos, as perseguições e as dificuldades pelos quais passo por causa de Cristo” (2 Co 12. 9-10 NTLH). Já pensou um testemunho desses nestas igrejas que gosta mais das bênçãos materiais do que de Deus?

Diante do arrazoado acima, estudaremos algumas das características do Apóstolo Paulo e dos apóstolos contemporâneos. Hoje ninguém quer ser servo e ter por título pastor! Basta abrir uma igreja no fundo de casa e logo aquele que tem mais carisma é denominado apóstolo. Estes não foram chamados por Deus, mas auto se intitulam apóstolos de Cristo (2 Co 11.13). Para efeito de esclarecimento, a grande maioria possui algumas dessas características, mas como toda generalização é “burra”, cabe a cada um, pelos frutos, demonstrar que tal personalidade não lhe é cabível nesta lista.


CARACTERÍSTICAS DOS APÓSTOLOS MODERNOS:

·         Semi-deus ou quarta pessoa da trindade.

·         Vive uma vida nababesca; são ricos por serem custodiados por intermédio da lã das ovelhas.

·       Poderosos aos olhos do seu rebanho; da mesma forma, precisam andar com três ou quatro seguranças fortemente armados.

·       São centralizadores; uma única palavra e todos têm que obedecer cegamente sem poder questionar, pois do contrário, estarão em rebelião contra o profeta de Deus e não conseguirão prosperar.

·        Não servem, gostam de ser servidos.

·         Querem estar acima dos demais e ver sua denominação em destaque na mídia (briga pública).

·         Nunca sofreram pelo o Evangelho e como um bom soldado de Cristo; sofrem sim por fazerem o mal, e as perseguições por eles ditas são simplesmente oriunda do seu mau comportamento.

·         Não têm formação teológica e não sabem manusear bem a Palavra da Verdade; fato é que suas interpretações estão carregadas de heresias e mentiras que levam os homens a perdição.

·       São vingativos; não demonstram o fruto do espírito, antes, quando contrariados, logo tomam para si o título de “ungido do Senhor”, e sentenciam aqueles que discordaram em algum ponto de vista com o famoso discurso apelão: “ai daquele que tocar no ungido do Senhor”.

·         São inacessíveis; dificilmente você conseguirá tomar um café com eles a não ser se for do interesse deles.

·       Pensam que são insubstituíveis; com o espírito messiânico, de salvador do mundo, dizem que a obra de Deus será paralisada caso não estejam presente ou na administração dos negócios da igreja local.

·         Gosta do culto a personalidade; falam de si mesmo como o ‘cara diferente’ e aquele que possui mais experiência com Deus do que os demais.


Conforme listada as principais características de um apóstolo moderno, vemos que, a vida de Paulo e sua personalidade depõem contra aquilo no que de fato deveria ser observado e seguido como exemplo. Paulo, primeiro se diz “servo de Cristo” (Rm 1.1), depois “o menos importante dentre os apóstolos” por ter perseguido a igreja no tempo de fariseu (1 Co 15.9), e por último, quase no fim de seu ministério, diz ser o “principal dos pecadores” (1 Tm 1.15). Por toda sua caminhada cristã, Paulo passou por privações. Quando me refiro a privações, são as necessidades mais básicas do ser humano em questão fisiológica como, fome, sede, nudez, insônia. Nem moradia certa tinha (1 Co 4.11). Vejamos as características que o desqualificariam  para o apostolado moderno.

CARACTERÍSTICAS DO APÓSTOLO PAULO:

·         Sempre fiel as Escrituras mesmo tendo a oportunidade de usa-la para melhorar sua situação terrena (1 Co 9.1-18).

·      Sabia que não era um “deus” e como homem pecador, no querer fazer o bem e muitas das vezes não conseguir, examinava a si mesmo sabendo que a qualquer momento poderia ser desqualificado e cair em tentação (1 Co 9.27; 10.12).

·         Abominava o culto a personalidade; não pregava a si mesmo, mas a Cristo, e este, crucificado (2 Co 4.5; 1 Co 3.4-9).

·        Nunca teve seu nome envolvido em escândalos! Todas as acusações contra sua pessoa se provaram fraudulentas e mentirosas mediante o seu correto proceder. Portanto, sofria e era perseguido por fazer o bem, e não por fazer o mal (2 Co 6.3).

·         Alguns apóstolos de hoje são ricos porque empobreceram a muitos; Paulo era pobre porque enriqueceu a muitos (2 Co 6.10).

·     Nunca teve problema para confessar e escrever acerca de suas fraquezas; confessou estar abatido e aflito, com temores por dentro e por fora, o que para os “super-poderosos” é um sinal de fraqueza (2 Co 7.5-6).

·         Nunca se vangloriou do seu ministério e das suas obras, pois sabia que sua capacidade vinha de Deus (2 Co 10.18).

·         Anunciou o Evangelho de graça (2 Co 11.7-8) - trabalhou para não depender do rebanho financeiramente (2 Co 11.9-10) - não tratava as pessoas como mercadoria, mas sim como filhos amados na fé (2 Co 11.11).


·         Tinha por orgulho o seu trabalho secular para não depender da igreja (mesmo com direitos firmados pela Palavra) no seu sustento (1 Ts 2.9; 2 Ts 3.8; 2 Co 11.9).

·         Nunca repreendeu o espírito da miséria nem da pobreza, pois podia todas as coisas, quer abundância quer escassez, Naquele que o fortalecia (Fp 4.10-18).

·         Nunca difamou Pedro e os demais apóstolos para ter um destaque ministerial; antes, em humildade, considerava a si mesmo inferior a todos (Fp 2.3).

·         Falou mais de alegria quando estava preso do que quando livre; a alegria dos apóstolos de hoje é estar no conforto de suas mansões com seus carros importados na garagem – fora os jatinhos milionários estacionados nos aeroportos (Fp 3.1).


·       Tinha formação teológica e sabia manusear bem a Palavra de Deus em fidelidade a iluminação e inspiração do Espírito Santo (2 Co 11.6).


·         Sabia e assim agia deliberadamente no propósito para o qual Deus levantou os apóstolos: serem servos, estarem nos últimos lugares, serem condenados à morte por causa do Evangelho do Senhor Jesus – por tanta crueldade de Roma, os apóstolos era os personagens principais nos espetáculos de horror, e por isso eram considerados a escória da sociedade e o lixo dos homens (1 Co 4.9).


O ORGULHO QUE PAULO APRESENTAVA O SEU CURRÍCULO E AQUILO QUE ELE TINHA POR BENÇÃO E PROSPERIDADE

“São eles servos de Cristo? — estou fora de mim para falar desta forma — eu ainda mais: trabalhei muito mais, fui encarcerado mais vezes, fui açoitado mais severamente e exposto à morte repetidas vezes. Cinco vezes recebi dos judeus trinta e nove açoites. Três vezes fui golpeado com varas, uma vez apedrejado, três vezes sofri naufrágio, passei uma noite e um dia exposto à fúria do mar. Estive continuamente viajando de uma parte a outra, enfrentei perigos nos rios, perigos de assaltantes, perigos dos meus compatriotas, perigos dos gentios; perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, e perigos dos falsos irmãos. Trabalhei arduamente; muitas vezes fiquei sem dormir, passei fome e sede, e muitas vezes fiquei em jejum; suportei frio e nudez. Além disso, enfrento diariamente uma pressão interior, a saber, a minha preocupação com todas as igrejas. Quem está fraco, que eu não me sinta fraco? Quem não se escandaliza, que eu não me queime por dentro”? (2 Co 11.23-29 NVI).

Paulo finaliza este texto naquilo que jamais os “super-apóstolos” se orgulhariam:

“Se devo me orgulhar, que seja nas coisas que mostram a minha fraqueza”. (2 Co 11:30 NVI)


Amados, tem muita gente séria trabalhando em prol do Reino de Deus. Mas diante do exposto confrontando nossa realidade, será que não há nada de errado? Por reverência aos apóstolos de Cristo e respeito aos pais da igreja (nenhum tomou o título de apóstolo para si) sou contrariado naquilo que acredito - o título de apóstolo nos dias atuais. O significado de apóstolo é “enviado”; muitos plantam igrejas e por isso são assim chamados. Agora, falar que o apóstolo de hoje em dia tem a mesma autoridade e função da do início da Igreja Cristã, de fato, é não conhecer a história da Igreja e nem a si mesmo. Pessoas com esse pensamento são carentes e ainda não entenderam sua filiação por meio de Jesus Cristo. Não tem comparação e é uma afronta contra a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Por fim, alguns estudiosos dizem que se Paulo não se tornasse cristão, ele ultrapassaria em sabedoria e popularidade grandes filósofos por nós conhecidos. Mas Paulo pela causa de Cristo terminou seu ministério em uma cadeia sem as mínimas condições necessárias para abrigar um ser humano. Entretanto, ele sabia em quem tinha crido, e mais do que bens adquiridos ou popularidade, seu tesouro era sua fé, a qual foi guardada pelo justo juiz, o qual lhe dará a coroa da justiça. Ele foi abandonado pelos homens, mas assistido por Deus em todas as suas dificuldades, e os seus sofrimentos, privações e aflições, aquilo que os apóstolos atuais diriam ser maldições, ele declarou em alto e bom tom o contrário:

“Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé.Agora me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia”. (2 Timóteo 4:7-8 NVI).


Paulo poderia ser um diácono, um simples pastor, um líder de pequeno grupo. Mas apóstolo, mediante os pré-requisitos exigidos nos dias atuais, de fato, suas qualificações estariam distante das exigências contemporâneas.

SOLI DEO GLORIA!

Fabio Campos