terça-feira, 19 de março de 2013

A IMITAÇÃO DE CRISTO



Por Thomas à Kempis

          Jesus tem muitos que amam seu reino celestial, mas poucos que carregam a cruz. Muitos desejam consolo, mas poucos a tribulação. Muitos sentarão à mesa com ele, mas poucos compartilharão seu jejum. Todos querem alegrar-se com ele, mas poucos desejam com ele sofrer.

            Muitos o seguirão até o partir do pão, mas poucos beberão com ele o cálice de sua Paixão. Muitos admiram seus milagres, mas poucos abraçam a vergonha de sua cruz. Muitos amam a Jesus quando tudo está bem com eles, e o louvam quando ele lhes concede um favor; mas, se Jesus se esconde e os abandona por algum tempo, eles começam a queixar-se e ficam abatidos.

            Aqueles que amam a Jesus unicamente por ele e não por amor a si mesmos bendizem-no na tribulação e na angústia assim como no tempo da consolação. Mesmo que ele nunca lhes enviasse um consolo, eles ainda o louvariam e lhe renderiam graças.

          Ah! Como é poderoso o amor puro de Jesus, quando não vem misturado com interesses egoístas ou amor-próprio! Os que pensam apenas na própria vantagem não mostram que amam a si mesmos mais do que a Cristo? Onde se encontrará alguém disposto a servir a Deus sem procurar uma recompensa?

        É difícil encontrar alguém tão espiritual que esteja disposto a despojar-se de todas as coisas. Onde se encontrará alguém realmente pobre em espírito e livre de todo apego às criaturas? Tal pessoa é um raro tesouro trazido de mares distantes (v. Pv 31.14).



Texto extraído do livro: “A biblioteca de C. S. Lewis”; BELL, James & DAWSON, Anthony; Ed. Mundo Cristão, P. 244