sábado, 29 de dezembro de 2012

A AFLIÇÃO DOS JUSTOS


Por Fabio Campos

Texto base: Quando quero fazer o bem, o mal está junto a mim. No íntimo do meu ser tenho prazer na Lei de Deus; mas vejo outra lei atuando nos membros do meu corpo, guerreando contra a lei da minha mente, tornando-me prisioneiro da lei do pecado que atua em meus membros. Miserável homem que eu sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte?” (Rm. 7: 21-24 NVI)

         Importa que por muitas tribulações os justos entrem no Reino dos céus! O verdadeiro crente em Jesus, regenerado pelo o Espírito, que deseja a santificação com sinceridade, é uma crise em pessoa. Desconfie de pessoas que não ficam por um momento depressivo! Que não são inquietas com sua condição espiritual. Quem vive dessa forma são os ímpios! Para eles, em seu ponto de vista, o “não roubar e matar, o não predicar o próximo”, é o perfeito! Com isso pensam que estão bem e são pessoas boas aos olhos de Deus.
         De fato, nós que temos a Lei de Deus em nosso interior desfalecemos quando a lei do pecado operado em nossos membros. Podemos dizer que somos desventurados! A Lei é santa e perfeita, e nós somos falhos e pecadores. A Lei aponta e anuncia a Perfeição de Deus, mas ela também denuncia nossa miséria espiritual e nos condena pelo nosso pecado.

         A inquietação do justo é louvável! Há algo santo dentro dele, posta em seu coração, mas no operar da mesma, faz com que o oposto prevaleça. É necessário o desespero! É necessário lutarmos mesmo sabendo que não ganharemos todas às vezes. Precisamos chorar nossa situação dizendo: “Desventurado homem que sou”! O bem que quero este não faço, mas o mal que não quero fazer, este se tornar espontâneo! Pelo o fato de ter a Lei de Deus em meu coração, minha pecaminosidade não o deixa operar em perfeição porque o mal é habitação dos meus membros. Por isso que somos pecadores santificados! O pecador santificado luta consigo mesmo em busca da santificação, na qual sem ela, ninguém verá a Deus.

         O justo é feliz porque foi salvo nos méritos de Cristo e já não há mais condenação para ele! Entretanto, a lei de Deus sendo seu prazer, meditando nas Escrituras de dia e de noite, o mesmo geme no seu íntimo aguardando a redenção deste corpo corruptível. Sempre que a Lei de Deus é exposta, o Espírito nos leva a Cristo! Nossa reação será a de Pedro, o qual disse para se afastar devido ao seu pecado. Mas Jesus, aquele que cumpriu a lei, condenando o pecado na carne nos diz: “Eis que toco seus lábios; a tua iniquidade foi tirada, e perdoado estão os teus pecados”.
          Minha oração é que você continue com esta aflição no seu interior! Pois no dia que ela não existir mais em você, e seu pecado não lhe causar tristeza, ao contrário, a lei dos homens começar ganhar força em seu coração por meio da auto justificação de suas iniquidades, tenha por certo que, o pecado não bate mais na sua porta, mas já entrou e gerou morte. Por isso ele não pode mais ser resistido, porquanto você já é morto!

         Glória a Deus por essa aflição! Ao invés de ficarmos desejosos pelas coisas do presente século, com gemidos em nosso interior, ansiosamente aguardamos a manifestação dos filhos, para vivermos em uma terra renovada, a Jerusalém celestial, e assim vivermos com nosso Senhor onde não haverá mais pecado para nos entristecer.

SOLI DEO GLORIA!

Fabio Campos


quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O ELO PERFEITO


Por Fabio Campos

Texto base:Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o elo perfeito”. (Cl 3:14 NVI)

         Há textos na Bíblia que nos condena! É o caso: “Sede perfeitos como perfeito é o Pai celeste” (Mt. 5:48)! Haja vista o contexto dito por Jesus o qual se refere ao “amor aos inimigos”. Assim como Deus manda chuva e nasce o sol para os justos e ímpios (graça comum), assim devemos amar nossos inimigos, para sermos chamados “filhos de Deus”. O amor ao inimigo não se refere a uma atitude pacata ao erro, mas sim na retaliação quando se obtém no direito pela infração de outrem e abre-se mão do mesmo!

         “O verso de colossenses indica ‘perfeição’ por meio de uma ‘maturidade completa’. Esta é a plena expressão da vida divina na comunidade, sem palavras amargas ou sentimentos rancorosos, e livre dos terríveis defeitos da imoralidade e desonestidade”. (Chave Linguística NT de Fritz Rienecker e Cleon Rogers). Esta é a perfeição exigida por Deus!

         O amor além de preservar o próximo, também nos preserva: “O ódio provoca dissensão, mas o amor cobre todos os pecados”. (Pr. 10: 12 NVI). Assistindo o filme “o menino do pijama listrado” que narra a história de uma amizade entre duas crianças em contextos diferentes, uma de família nazista, que teve que se mudar devido a demanda dada a seu pai, um oficial nazista (David Tewlis) que assume um cargo importante em um campo de concentração. O outro, filho de Judeu, cativo deste sistema alemão, preso junto a seus pais. Na medida em que iam se encontrando escondido para brincar, a amizade foi crescendo. O menino filho do nazista ficou sabendo que se mudara no dia seguinte, e foi ao encontro de seu amiguinho judeu para contar-lhe a notícia. O rapazinho semita procurava seu pai por algum tempo dentro do campo, e antes de partir, o alemãozinho compadecido de tal situação, vestiu a roupa de refugiado, passou para o outro lado da cerca para ajudar seu amiguinho. Infelizmente, aquele foi o dia marcado para o extermínio daqueles judeus, os quais foram jogados dentro de uma câmara de gás. O amor preserva não somente ao próximo, mas a você. A lei da cobra: “mata um hoje; em retaliação, amanhã matarei dois”! Só que do outro lado pode estar alguém que você ama, e o diabo não tem sentimento compassivo por ninguém: “Sobretudo, amem-se sinceramente uns aos outros, porque o amor perdoa muitíssimos pecados”. (1 Pe. 4:8 NVI)

        O amor ama o próximo como a si mesmo! Por mais que alguém não tenha amor por si, todos os dias tal pessoa se alimenta, se veste, corre atrás do seu sustento! Alguém que visa o outro como possibilidade “ama” até o ponto que convém! Isso não é amor, mas negócio! “você é meu líder até o dia que me contrariar”. Jesus não recrutou “súditos”, mas amigos! Se você vem a mim, digo na função de líder, apenas para ser liderado, peço por gentileza que procure um profissional no ramo da “Eclésia”. Desculpe-me, mas preciso de amigos, talvez mais chegados que irmãos, os quais me compreenderão quando falhar com eles ou caso haja alguma queda de minha parte para que possa me estender a mão.

        A falta de amor é a causa das ofensas! Se amarmos, não teremos prazer em magoar a pessoa amada. Quem assim procede não tropeça: “Aquele que ama seu irmão permanece na luz, e nele não há nenhum tropeço”. (1 Jo 2: 10 ARA). A Lei sendo Santa, Perfeita, e Boa, de fato é resumida em dois mandamentos: “Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. O amor nos torna conhecidos de Deus! Podemos dizer que conhecemos a Deus, mas será que Ele nos conhece? O conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica. Quem pensa conhecer alguma coisa, ainda não conhece como deveria. Mas quem ama a Deus, este é conhecido por Deus”. (1 Co 8:1a-3 NVI). “Um palácio todos conhecem o rei, mas nem todos são conhecidos por ele. O segundo estágio indica intimidade pessoal e consequentemente conhecimento de primeira mão”.

        Jesus nos disse que seremos conhecidos como discípulos se amarmos uns aos outros (Jo. 13:35). Quer ser conhecido como um erudito? Estude! Quer ser conhecido pelos homens? Seja “poderoso”! Quer ser conhecido por Deus? Ame! O termômetro do quanto amamos a Deus está em quanto amamos nosso irmão: “Ele nos deu este mandamento: Quem ama a Deus, ame também seu irmão”. (1 Jo 4:21 NVI)

         O amor só pode existir no relacionamento de mínimo duas pessoas! Não há como amar sem o outro! Por isso não existe igreja sem congregação! Onde estiver dois ou mais reunidos em nome de Jesus, ali Ele se fará presente. Você que não congrega, por mais desculpas que tenha, a Palavra nos diz que o “amor tudo sofre, tudo suporta”. Creio que Deus, caso você não esteja infeliz em sua congregação por motivo doutrinário ou pecados da liderança por ordem moral, Ele te mostrará o lugar que você deva congregar! Mas é necessário estar entre irmãos! Como você diz que ama a Deus o qual não se vê, e não ama a seu irmão o qual reflete a imagem e semelhança de Deus?

         Muitas das nossas buscas mesmo que louváveis, não tem como fundamento o amor, e por isso do vazio no coração quando as mesmas são conquistadas! Às vezes amar é dolorido devido a fragilidade demandada para ser compreendido! Compadece por meio da miséria (sofre junto) para se entender a dor do outro. Ninguém gosta de lembrar-se dos que passam fome diante de um banquete! Logo ignora o aperto do coração! De fato amar é muito mais profundo do que este amar raso, medíocre o qual a sociedade promove. O amor é forte como a morte, paixão cruel como o sepulcro! A maior demonstração de amor que já ouve foi um sacrifício feito por um Pai com seu próprio Filho, para que todos os que Nele creem não morram, mas tenham a vida eterna! Já parou para pensar que aquela morte horrível, sangrenta, cruel, foi o ápice do amor demonstrado por Deus para com o mundo?

        É necessário amar mais! É necessário buscar mais e doar mais! De fato, sem dúvida nenhuma, nenhum ser humano pode bater no peito e dizer que tem a plenitude do dom de amar: “Não devam nada a ninguém, a não ser o amor de uns pelos outros” (Rm 13:8 NVI). Estamos em divida para com Deus e para com o próximo!
Abaixo um pequeno teste para saber o nível do seu amor:

       “Quem ama é paciente e bondoso. Quem ama não é ciumento, nem orgulhoso, nem vaidoso. Quem ama não é grosseiro, nem egoísta, não fica irritado, nem guarda mágoas. Quem ama não fica alegre quando alguém faz uma coisa errada, mas se alegra quando alguém faz o que é certo. Quem ama nunca desiste, porém suporta tudo com fé, esperança e paciência”.  (1 Co 13: 4-7 NTLH)

         Você pode ser um pregador genial! Fazer milagres! Mas se não tiver amor de não valerá! Pode defender a fé ao ponto de dar o corpo para ser queimado, mas não tendo amor, será como o som de um gongo ou como o barulho de um sino. Pode ter toda a ciência e conhecimento, ainda mesmo uma fé que transporte montanhas, se não houver amor, tenha por certo que tudo isso foi apenas uma demonstração do seu fracasso para com Deus, pois agora existem três coisas: a fé, a esperança e o amor. Porém a maior delas é o amor.

SOLI DEO GLORIA!

Fabio Campos
fabio.solafide@gmail.com

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

A IGREJA PRECISA DE QUEBRANTAMENTO E NÃO DE “AJUNTAMENTO”


Por Fabio Campos


Texto base: “Agora, porém”, declara o SENHOR, voltem-se para mim de todo o coração, com jejum, lamento e pranto.”  Rasguem o coração, e não as vestes. Voltem-se para o SENHOR, o seu Deus”. (Jl. 2:12 NVI)

          Muito se fala em “avivamento”. A ideia hoje de avivamento é um povo reunido, falando em línguas estranhas, vendo uma guerra entre anjos e demônios, curas, sinais e maravilhas. Será de fato este o avivamento bíblico?

         Quando nos referimos a este evento, quem tem familiaridade com as Escrituras, logo lhe vem à mente o profeta Joel! O famoso versículo desta promessa: E, depois disso, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os velhos terão sonhos, os jovens terão visões. Até sobre os servos e as servas derramarei do meu Espírito naqueles dias. Mostrarei maravilhas no céu e na terra:” (Jl. 2: 28-39 NVI). Este foi o versículo citado por Pedro em Pentecostes, no cumprimento da promessa feita pelo Senhor Jesus.

         A igreja brasileira não precisa de avivamento, mas de quebrantamento! Avivamento é consequência de um quebrantamento! Repare que profeta, Joel, no mesmo capítulo diz: “Convertam-se ao Senhor e isto com JEJUNS, CHORO E LAMENTO. O pecado está mais próximo de nós! A cada dia aumenta o numero de evangélicos no país, mas o índice de roubo, de morte, e charlatões, também aumenta. Sabe por quê? Porque nos últimos tempos, devido o aumento do pecado, o amor de muitos se esfriou! A igreja precisa de quebrantamento!

         Os falsos profetas têm ensinado que o sacrifício é necessário, este por meio de dinheiro, mas Deus quer que rasguemos o coração por meio do choro e lamento pela nossa miséria moral. Dizem estes: “façam campanhas”! “toquem na toalhinha para conseguir a benção”! “vem para a corrente dos três milhões de pastores”! Ensinam o “sacrifício”, mas esquecem do coração contrito, o qual não desprezará o Senhor Deus: “Rasguem o coração, e não as vestes. Voltem-se para o SENHOR, o seu Deus”. (Jl. 2:13).

          Os líderes deveriam estar chorando pela violência do país! Deveriam se lamentar por cada pastor que escandaliza o evangelho! Cadê os líderes que estão com dores de parto gerando Cristo nos seus liderados! Cadê o choro? Cadê a dor? Em tempo como os nossos não há razões para nos alegrarmos com a nossa performance: “Reúnam o povo, consagrem a assembleia; ajuntem os anciãos, reúnam as crianças, mesmo as que mamam no peito. Até os recém-casados devem deixar os seus aposentos.  Que os sacerdotes, que ministram perante o SENHOR, chorem entre o pórtico do templo e o altar, orando: “Poupa o teu povo, SENHOR. Não faças da tua herança objeto de zombaria e de chacota entre as nações. Por que se haveria de dizer entre os povos: ‘Onde está o Deus deles”? (Jl. 2: 16-17 NVI). Misericórdia da minha vida!

          Hoje os jejuns são para “auferir” milagres! Deus nos chama para o jejum de lamento em choro pelos nossos pecados! Sejam eles de comissão ou omissão! Pensamos que estamos agradando a Deus em um congresso de louvor com trinta mil pessoas. “Mas a festa de verdade feita nos céus se dá quando apenas UM pecador se arrepende”! Deus se deleita em perdoar, pois tem prazer na misericórdia! O grande avivalista do século XX, Billy Graham disse: O avivamento não é descer a rua com um grande tambor; é subir o calvário em grande choro" Esse conhecia de avivamento!

         Depois de quebrantamento, humildade, teremos este avivamento! E avivamento que fica dentro do templo, de fato não é, mas sim “reteté”. Avivamento começa na sua casa, no seu bairro, depois na cidade, e assim sucessivamente, até chegar às nações. Enquanto o homem for o centro do culto, baseado em emoções por meio de nossa mente caída, teremos uma leva de pessoas psicologicamente salvas, mas não nascidas de novo! Avivamento = Quebrantamento, arrependimento, perdão, mudança de caminho! A começar por este que vos escreve! Somente assim veremos de fato a glória de Deus ao invés da “glória” do homem, pois Ele, o Senhor, não divide sua Glória com ninguém! Enquanto isso “louvemos” os “homens” por meio da tietagem "gospel"!

SOLI DEO GLORIA


Fabio Campos

domingo, 9 de dezembro de 2012

O DIA DA BÍBLIA



            A Igreja Anglicana Reformada celebra cada ano o Dia da Bíblia. Também, convidamos você a celebrar conosco este evento tão importante no ano cristão que terá lugar no próximo domingo.
         O Dia da Bíblia surgiu em 1549, na Grã-Bretanha, quando o Arcebispo Tomas Cranmer, da Igreja Anglicana, incluiu no Livro de Oração Comum, um dia especial para que a população intercedesse em favor da leitura do Livro Sagrado. A data escolhida foi o segundo domingo do Advento – celebrado nos quatro domingos que antecedem o Natal. Foi assim que o segundo domingo de dezembro tornou-se o Dia da Bíblia. No Brasil, o Dia da Bíblia passou a ser celebrado em 1850, com a chegada, da Europa e dos Estados Unidos, dos primeiros missionários evangélicos que aqui vieram semear a Palavra de Deus.
         Durante o período do Império, a liberdade religiosa aos cultos protestantes era muito restrita, o que impedia que se manifestassem publicamente. Por volta de 1880, esta situação foi se modificando e o movimento evangélico, juntamente com o Dia da Bíblia, se popularizando.
          Pouco a pouco, as diversas denominações evangélicas institucionalizaram a tradição do Dia da Bíblia, que ganhou ainda mais força com a fundação da Sociedade Bíblica do Brasil, em junho de 1948. Em dezembro deste mesmo ano, houve uma das primeiras manifestações públicas do Dia da Bíblia, em São Paulo, no Monumento do Ipiranga.
         Hoje, o dia dedicado às Escrituras Sagradas é comemorado em cerca de 60 países, sendo que em alguns, a data é celebrada no segundo Domingo de setembro, numa referência ao trabalho do tradutor Jerônimo, na Vulgata, conhecida tradução da Bíblia para o latim. As comemorações do segundo domingo de dezembro mobilizam, todos os anos, milhões de cristãos em todo o País.
Fonte: SBB


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

CONHECER A DEUS E POR ELE SER CONHECIDO É O SUFICIENTE



Por Fabio Campos

Texto base: “mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em entender, e em me conhecer, que eu sou o Senhor, que faço benevolência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor”.  (Jr. 9: 24 ARC)

          Muitas são as dúvidas que pairam sobre nosso coração! Do certo e errado, se estamos agradando ou não a Deus, qual a teologia correta, qual caminho a escolher, do que falar em momentos de importância.  De fato a abundância de informações ao nosso alcance nos faz temer se estamos corretos no que acreditamos!

          Várias são as batalhas travadas em nosso coração quando escutamos algo acerca do Divino por pessoas influentes, sejam elas da Eclésia ou não. Teorias! Linhas teológicas! O saber é necessário, mas certas coisas, em momentos de vulnerabilidade são nocivas à fé quando ela precisa ser exercitada. Algumas opiniões roubam a fé inocente requerida por Cristo, a de criança, e são prejudicais para nosso relacionamento com Deus. Charles Spurgeon disse que “o segredo de sua grande força estava em dizer o que Deus pôs no seu coração, não usando palavras persuasivas de sabedoria humana” (extraído do livre Spurgeon versus Hipercalvinismo, Ed, PES). Isto é conhecimento de Deus! Isto é relacionamento!

          Temos que entender, que nem todos que falam de Deus, ensinam as coisas de Deus, e pregam a Palavra de Deus, de fato conhecem a Deus (1 Co. 8: 1-3). Muitos estão fazendo milagres, expulsando demônios, pregando, tudo em nome de Jesus, mas Cristo não os conhece, e nunca os conheceu (Mt. 7: 15-23). As aparências enganam! Repare: tem gente que se diz cristão, são formados em teologia, mas Deus, em suas bocas, é um “ser estranho”.

          O conhecimento de Deus é algo revelado no espírito pelo Espírito! Antes de você tivesse qualquer contato com o texto Sagrado ou ministrações da Palavra, a obra regeneradora por meio do Espírito, começou a ser exercida em seu coração, no qual a sede em buscar-se a Deus, mesmo sem conhecê-lo intelectualmente, se tornou uma necessidade. Não adianta orar o “Pai-Nosso” e não ter o Espírito para testificar que de fato é filho de Deus! A teologia é de grande ajuda para sistematização de temas fundamentais revelada nas Escrituras e para não entrarmos em apostasia por meio de heresias. Mas conhecer teologia não é o mesmo que conhecer a Deus!

          Muita das vezes este conhecimento se dá em momentos de solidão! A necessidade deste relacionamento nos leva a uma intimidade na qual Jesus nos ensinou, quando orava ao seu Pai a sós nos montes, de madrugada. Jó pensava que conhecia a Deus, mas estava longe disso! Oseias nos diz: “Conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor”. Nisto consiste toda sabedoria e plenitude da felicidade: conhecer a Deus e por Ele ser conhecido! A Palavra nos diz que “em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” (Cl. 2:3). É algo que temos que procurar por estar escondido! O que você tem procurado? O conhecimento meramente humana incha, mas o de Deus nos faz amar, e quem por ele é exercitado, por Deus é conhecido (1 Co. 8:1-3).
         O mundo pode te conhecer! Você é admirado pela sua retórica, conhecimento teológico, ousadia, mas e por Deus, na intimidade, como você é conhecido? Spurgeon disse no mesmo livro que mencionei anteriormente: “As Escrituras ensinam claramente que há uma definida conexão entre o que os homens são em sua vida privada e a sua utilidade pública. A parte da nossa vida que é menos vista pelos outros é a que tem influência determinante sobre o que somos e o que fazemos. Portanto, em todo líder verdadeiramente cristão, a parte de sua vida menos conhecida pelo mundo será sempre a mais importante”.

         Paulo tinha razões do ponto de vista humano em conhecimento teológico e escriturístico para se gloriar. Era circuncidado, pertencente ao povo de Israel, especificamente da tribo de Benjamim, verdadeiro Hebreu; quanto ao zelo pela lei, um fariseu irrepreensível, mas o que para ele era lucro, passou a considerar esterco (fezes), comparado com a suprema GRANDEZA do CONHECIMENTO de Cristo Jesus. Ele pregava não em sabedoria humana, mas no poder de Deus, para que a fé dos pequeninos fosse inocente.

         Um coração contrito não desprezará o Senhor Deus! Alguém que não conhece a Verdade pode estar a buscando de todo seu coração sem saber. O Pai procura por aqueles que o “adoram em Espírito e em verdade”. Busque ao Senhor! Estude a Bíblia com um coração devotado a Deus, em oração e consagração, e você o conhecerá e por Ele será conhecido. Isto não consiste em sabedoria humana, mas no poder de Deus, o qual é sabedoria para o simples, e loucura para os sábios. Uma fé inocente, baseada no conhecimento (experiência), ama a Deus acima de todas as coisas, e sabe que tem um Pai que cuida de seus filhos, chegando-se a Ele chamando de ABA, “Papai-querido”!

          Prossiga em conhecer a Deus independentemente da sua posição social, financeira e cognitiva. Busque-O em amor e humildade, e creia que O Senhor te honrará revelando-se a você!

SOLI DEO GLORIA!

Fabio Campos

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

CALVINISTAS SECTÁRIOS


Por Fabio Campos

Texto base: “Aceitem entre vocês quem é fraco na fé sem criticar as opiniões dessa pessoa”. (Rm. 14: 1 NTLH) / “Quem é você para julgar o escravo de alguém? Se ele vai vencer ou fracassar, isso é da conta do dono dele. E ele vai vencer porque o Senhor pode fazê-lo vencer”. (Rm. 14: 4 NTLH)


          Antes de começar a discorrer o assunto conforme o tema preciso deixar alguns esclarecimentos e o alvo da reflexão. Quando digo “calvinista” não me refiro ao ensino calvinista. Meu alvo são aqueles que têm por comportamento o “sectarismo” no relacionamento com outros irmãos, os quais tem por opção outra linha teológica dentro da ortodoxia cristã. Este artigo não se refere em nada aos que professam uma fé diferente da cristã bíblica, nem dos apostatas, nem das seitas. Mas sim daqueles que estão em uma igreja séria, que professam a fé cristã no ensino correto da ortodoxia bíblica, porém se comportam de forma sectária.

          Mesmo sendo pentecostal dispensacionalista, posso dizer que sou mais calvinista do que armíniano (se ao ler esta frase você fez “careta”, esta mensagem é para você). Tenho um grande apreço pela teologia reformada! Creio ser ela a interpretação mais coerente com as Escrituras! Não dá para negar a predestinação na qual tem por base mais de quarenta versículos, a obra monergista do Espírito, a eleição e Soberania de Deus.

          Meu aborrecimento com alguns irmãos é a vanglória disfarçada de “glória de Deus”. Eles se vangloriam mais na TULIP (acróstico dos cinco pontos do calvinismo) do que no evangelho de Cristo. Suas pregações são repetitivas! Falam mais de Calvino do que de Paulo. Não se gloriam do evangelho conforme disse Paulo, mas sim do compêndio ensinado pelos reformadores. Quando se deparam com algum irmão pentecostal ou neopentecostal sua fisionomia muda! Não têm amor suficiente para acolher o débil na fé sem discutir assuntos polêmicos (Rm 14:1)!

          Segundo o dicionário de Teologia da Editora Vida, Sectário significa “devoção rígida a uma seita. Refere-se à crença que esse ou aquele grupo é a verdadeira igreja, com EXCLUSÃO DE TODOS OS DEMAIS GRUPOS, CONSIDERADOS FALSAS IGREJAS”. Entendeu agora o porquê do tema? Quem não conheceu um calvinista com essas características!?

         A soberba fomentada pelo “saber” toma conta do coração desses irmãos. A falsa piedade serve de mascara para esconder o orgulho de ser “protestante”, ou seja, SOU do contra! Pensam: “sou revolucionário”. O irmão Solano Portela foi muito feliz quando disse acerca do orgulho espiritual: “Nós calvinistas precisamos nos acautelar para não seguirmos esta trilha tão repisada da igreja. Não podemos nos considerar imunes ao desenvolvimento de uma atitude de que ‘nós reformados’ somos iluminados, únicos entendedores das verdades divinas que se encontram veladas à grande parte dos crentes comuns, a não ser que recebam a explicação lógica e incontestável de nossa parte. Muitos calvinistas têm se deixado pela SÍNDROME DA PÓLVORA  passando a demonstrar o mais evidente orgulho espiritual, no relacionamento com os irmãos, prejudicando o testemunho da fé reformada”.

          Paulo nos diz que “o amor é o elo da perfeição” (Cl. 3:14). Seremos conhecidos como filhos de Deus quando “amarmos com o seu amor” (Mt. 5: 44-45). Se dissermos estar na luz, logo amamos nosso irmão, do contrário, estaremos em trevas (1 Jo. 2: 9-11). Quem não ama seu irmão é homicida (1 Jo. 3: 15). Seremos reconhecidos como discípulos de Jesus não pelo nosso conhecimento teológico, nem pelo fato de sermos calvinistas, nem armínianos, mas sim em amarmos uns aos outros (Jo. 13: 35).

         Uma das coisas mais ridículas é a zombaria nos blogs “apologéticos” com irmãos pentecostais! E se o Senhor os acolheu? Creio que você não é o dono deles, mas sim Deus, O qual firmará seus pés para que não tropecem! Tem blog que iria publicar uma notícia a cada dia envolvendo os irmãos de coríntios. Imagine os postes carregados de piadinhas a respeito daquela pobre igreja carnal. O verdadeiro amor corrige em graça, chora com o erro, se alegra quando alguém acerta! Foram estas as atitudes de Paulo concernente às igrejas que tinham problemas doutrinários. Nisto fica o temor devido a Deus: cada palavra nossa será usada para condenação ou justificação.

          Lembre-se, Deus escolheu alguns nos quais você jamais escolheria! Os armínianos, pentecostais, neopentecostais, estes sendo sinceros em sua fé, provam ser escolhidos de Deus. E quem os condenará? É Deus quem os justifica! De fato, não me gloriarei na teologia reformada, nem na pentecostal, nem tão pouco na wesleyana (todas são bênçãos), mas apenas no evangelho de Cristo, no qual o amor é o adjetivo para qualificar “o perfeito” (Jo. 5: 48). Deus é amor! Se Ele te tolera com sua mediocridade mental, sendo ELE Um ser infinito em sabedoria, poder e santidade, por que você não tolera seu irmão que discorda de você em aspectos secundários da fé? O irmão Portela disse: “A nossa intransigência deve limitar-se àquelas coisas que estão perturbando os pontos fundamentais do evangelho, porém a caridade cristã, o amor de Cristo, deve ser refletido em nossas atitudes, derramando-se sobre todos aqueles que foram resgatados pelo precioso sangue de Cristo”.

          Fico chateado quando alguns dizem que o pentecostalismo entre outros ensinos secundários são heresias: O puritano John Owen em defesa a tolerância, neste quesito diz: “... mas, geralmente, erros ocorrem em coisas de difícil compreensão, que não são tão claras e evidentes... Com relação a tais erros, é muito difícil classifica-los de heresias. A sensibilidade de nossos próprios males, falhas, incompreensões, escuridão e o nosso conhecimento parcial, deveria operar em nós uma opinião caridosa para com as pobres criaturas que, encontrando-se em erro, assim estão com os corações sinceros e retos, com postura semelhante aos que estão com a verdade”.

          A intolerância religiosa já matou várias pessoas! O que dizer dos afogamentos dos “Anabatistas”? Você acha que isso passará em branco diante de Deus? Jesus e os apóstolos morreram pela fé, mas nunca mataram! Os fanáticos argumentam: “os magistrados foram constituídos para isso”. Sim, mas a bandidos e não pela opção teológica! Em 1648 John Owen pregou um extenso sermão no parlamento Britânico, na Câmara dos Comuns, intitulado “Sobre Tolerância”, no qual defendeu, mais uma vez a demonstração do amor cristão e a não intervenção dos poderes governamentais nas diferenças de opiniões eclesiásticas. É inadmissível a atitude que Zuínglio teve ao incitar as autoridades a perseguir os “Anabatistas” em nome desta “verdade”, na qual não reflete de fato a Cristo, a Verdade com V maiúsculo! Os fariseus hipócritas encaminharam tal demanda ao império Romano para matar ao Senhor Jesus e os apóstolos em nome da Lei de Moisés. Qual a diferença? De fato cumpriram toda a Lei? amaram a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmos?

         Se tivermos que nos gloriar em algo, que seja apenas no evangelho! Deus salvou alguns da igreja de Corinto, a qual você, com seu manuseio teológico, os jogariam no inferno! Fica a frase do Rev. Ian Hamilton, da Escócia para nossa reflexão: “A graça de Deus deveria adoçar nossas discordâncias. Existe um grande perigo de absolutizar a nossa forma de fazer as coisas. Devemos nos apegar àqueles que se apegam a Cristo”.

E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição”. (Colossenses 3:14 AFC).

SOLI DEO GLORIA!


Fabio Campos


Referencias bibliográficas: Cinco Pecados que ameaçam os Calvinistas; Portela, SOLANO; Ed. PES (Publicações Evangélicas