quinta-feira, 8 de novembro de 2012

PODER DAS ‘PALAVRAS’OU PODER DA PALAVRA


Por Fabio Campos

Texto base: “Se vós permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e vos será feito”. (Jo. 15:7 ARC)

          Existe um ensino dentro de algumas igrejas pentecostais e neopentecostais chamado “confissão positiva”. Estes ensinamentos são ministrados em especial pelos “teólogos” da prosperidade. Tem como ênfase que o crente tem poder de adquirir tudo o que quiser! A vontade do homem sobrepuja a Divina! Seu surgimento foi gradual, por meio de Essek William Kenyon (1867 - 1948), pregador desse movimento. Esses “pregadores” se caracterizam por ministrarem saúde e prosperidade como instrumento aferidor da vida espiritual do cristão. Suas fontes de autoridade são a Bíblia, as revelações de seus líderes e a palavra da fé.

         Sendo Kenyon o pai do “Movimento da Confissão Positiva”, também conhecido como Teologia da Prosperidade, Palavra da Fé, influenciou Kenneth Hagin. Hagin ensina que o crente deve declarar que já tem o que Deus prometeu nos textos bíblicos e que tal confissão pode trazer saúde e prosperidade financeira. A confissão negativa por sua vez, é reconhecer a presença das condições indesejáveis. Em outras palavras, você nega a existência da enfermidade e ela simplesmente deixará de existir. Os adeptos deste ensino têm como hábito “amarrar” as palavras contrárias em uma espécie de misticismo.

         Amados, temos que tomar cuidado com tal ensino! Conforme o texto base, Jesus declara que nossas palavras só terão eficácia se de fato estivermos na videira. Será que Jesus diria a nós: “Negue a aflição”, sendo que Ele nos prometeu tal situação? Esse é apenas um exemplo de muitas situações de sofrimento que o cristão enfrentará em sua jornada terrena.

        Isaías nos diz que “apenas a Palavra que procede da boca de Deus tem poder, e jamais voltará vazia” (Is. 55: 10-11). Muitos líderes centralizadores “amaldiçoam” seus liderados por alguma divergência de opinião. O pior é que tem gente que acredita, e passa a andar sob o julgo desta palavra maldita! Damos graças ao Senhor por sua Palavra, a qual nos diz “que em Cristo já não há mais condenação”. “Maldição sem causa não prospera” (Pr. 26:2)! Muitos dos falsos profetas do Antigo Testamento falavam em nome de Deus, mas de fato, não era Deus que falava com eles. Hananias profetizou “paz” quando Deus dizia tribulação e sujeição ao rei da Babilônia. O verdadeiro profeta, como Jeremias, ficou quieto até de fato vir a Palavra do Senhor. E esta se cumpriu (Jr. 28: 10-17). Jeremias nos dias de hoje esvaziaria algumas igrejas por pregar a verdade! Imagino-o pregando, e esse pessoal “amarrando” tais palavras em nome de Jesus. Por isso que a Bíblia diz: “Muitos são chamados, mas poucos são os escolhidos”.

         A palavra do homem serve para comprovar o que está de fato no coração, pois a boca fala do que se está cheio o coração (Mt. 12: 33-34). Muitos acreditam nas possíveis maldições lançadas sobre suas vidas! Uma maldição só se cumprirá se você nela acreditar! Por quê? Não por causa do poder da palavra, mas do seu comportamento conforme se acreditou em tal aberração. Por exemplo: você está lutando pelo seu casamento, e chega um enviado do Diabo e diz que seu casamento não é de Deus; logo você não lutará com tanto afinco para salva-lo. Caso contrário, se tal palavra fosse de Deus, você lutaria com todas as forças para sair desta situação. Você diria como Pedro: “Sob sua Palavra lançarei a rede”. O resultado seria outro! O problema não está no exterior, mas no coração, de onde sai todo tipo de pecado.

        Muitos lançam palavras em vão, e não sabem que darão conta de cada uma delas (Mt. 12: 35-36). Outros profetizam dizendo ser mensageiros de Deus! Estes terão sérios problemas caso o tal dito não se cumpra. Deuteronômio nos diz que “se o profeta proclamar em nome do Senhor e não acontecer, nem se cumprir, essa mensagem não vem do Senhor. Aquele profeta falou com presunção. Não precisamos ter temor dele” (Dt. 18:22).

           O profeta verdadeiro reconhece que suas palavras não têm em si poder! Ele espera Deus colocar as Palavras em sua boca (Jr. 1: 9), pois O Senhor não tem compromisso com palavra humana, mas apenas com a sua própria Palavra. Ele vela para cumpri-la (Jr. 1:12).

        Como nosso coração é enganoso, muitas das vezes, profetizamos incumbidos por nosso próprio ego, assim como fez João ao desejar que o fogo caísse sobre os Samaritanos. Não sabemos nem pedir, pois somos egoístas, e muitas das vezes não recebemos por que pedimos mal (Tg. 4: 1-3). A Bíblia é categórica em afirmar que não sabemos orar! Se não fosse pelo o Espírito de Deus com gemidos inexprimíveis intercede por nós conforme a vontade de Deus, estaríamos perdidos (Rm. 8: 26-27)!

          Nossa parte é deixar a arrogância de lado em pensar que nossa palavra tem poder, e que Deus fica preso ao que declaramos. Precisamos estar cheios de Deus para de alguma forma, por meio da graça, oremos conforme sua vontade, e não para nossa! É inadmissível ver pregadores que colocam Deus na parede com suas orações egocêntricas para satisfazer seus apetites carnais se promovendo diante do seu “publico”! O reformador João Calvino foi muito feliz a respeito quando disse: “O ponto principal e fundamental da oração é a harmonia com a vontade divina, porque nossos desejos não o forçam nem o obrigam. Por isso, se queremos que nossas orações sejam agradáveis a Ele, é preciso suplicar que Ele mesmo as dirija”.

         Não precisamos determinar ou exigir nada de Deus! Precisamos apenas estar na Sua Santa Palavra, pois apenas uma única Palavra de nosso Senhor é suficiente para curar, salvar, libertar. Até a natureza obedece as suas ordens. Sempre, somente as Escrituras!

Pense nisso!

SOLI DEO GLORIA!
Fabio Campos

Referência bibliográfica: Artigo de Pastor Esequias Soares; Ed. CPAD (Disponível no site “Palavra da Verdade”)